Investimento

Porta-aviões no Brasil: investimento de US$ 600 milhões pode ampliar poder naval

O debate sobre a retomada da aviação embarcada no Brasil ganhou novos contornos com projeções que indicam a possibilidade de o país expandir significativamente sua presença naval. Com investimentos estimados em cerca de US$ 600 milhões por unidade, o Brasil poderia desenvolver uma frota de até quatro porta-aviões, com capacidade para operar mais de 100 aeronaves.

A estratégia, ainda discutida em ambientes técnicos, pode reposicionar o país no cenário global de defesa marítima.

Histórico da aviação embarcada brasileira

A trajetória do Brasil no uso de porta-aviões começou em 1960, com a incorporação do navio Minas Gerais. No entanto, disputas institucionais com a Força Aérea limitaram o uso pleno da embarcação.

Em 1965, um decreto estabeleceu que apenas a Aeronáutica poderia operar aeronaves de asa fixa, o que restringiu a autonomia da Marinha. Essa situação foi revertida apenas em 1998, quando o controle das operações aéreas voltou à força naval.

Já nos anos 2000, a aquisição do porta-aviões São Paulo e dos caças A-4 Skyhawk gerou expectativa de modernização. Porém, problemas técnicos recorrentes e altos custos operacionais levaram à desativação do navio antes de atingir plena capacidade.

Tipos de porta-aviões influenciam estratégia

Atualmente, existem diferentes modelos de porta-aviões militares, cada um com características específicas:

  • Porta-helicópteros
  • Porta-aviões com rampa (ski-jump)
  • Aeronaves de decolagem vertical (V/STOL)
  • Sistema CATOBAR (com catapultas)

A escolha do modelo impacta diretamente custos, complexidade e capacidade operacional. No caso brasileiro, os caças A-4 exigem sistemas com catapultas, o que direciona para o modelo CATOBAR — mais caro e tecnologicamente exigente.

Projetos nesse padrão podem ultrapassar US$ 2 bilhões por unidade, dependendo da configuração e das parcerias internacionais envolvidas.

Alternativa mais acessível ganha espaço

Uma opção considerada mais viável envolve porta-aviões com rampa e aeronaves de decolagem vertical. Inspirados em modelos internacionais, esses navios teriam custo estimado de US$ 600 milhões cada.

Com esse valor, seria possível construir até quatro embarcações, ampliando a presença naval de forma mais rápida e distribuída. Além disso, aeronaves como o Harrier poderiam ser incorporadas com menor custo, aproveitando a disponibilidade no mercado internacional.

Decisão estratégica deve ocorrer após 2028

Apesar das alternativas mais econômicas, a preferência institucional ainda tende a modelos mais avançados. No entanto, decisões concretas devem ser tomadas apenas após a conclusão do submarino nuclear brasileiro, prevista para o fim da década.

A definição envolve não apenas orçamento, mas também o papel estratégico do país no Atlântico Sul — região de grande relevância econômica, com reservas de petróleo e extensa zona marítima.

Futuro da defesa naval está em debate

A escolha entre investir em um único porta-aviões de alta complexidade ou em múltiplas unidades mais acessíveis deve moldar o futuro da Marinha do Brasil.

Enquanto o debate segue, o país ainda opera sua aviação naval a partir de bases terrestres, sem uma solução definitiva para retomar operações embarcadas em larga escala.

FONTE: Sociedade Militar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Sociedade Militar

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