Comércio, Negócios

Amazon amplia logística no Brasil e intensifica disputa com Mercado Livre

A Amazon deu um passo estratégico ao abrir sua estrutura de logística integrada para empresas terceiras, movimento que amplia a concorrência no setor e eleva a rivalidade com o Mercado Livre no Brasil. A iniciativa foi anunciada com o lançamento do Amazon Supply Chain Services, plataforma que transforma a rede logística da companhia em um serviço comercial.

Nova estratégia mira mercado trilionário

Com a novidade, a empresa passa a oferecer soluções completas de logística terceirizada (3PL), incluindo transporte aéreo e marítimo, armazenagem e entrega de última milha. O objetivo é disputar espaço com gigantes globais do setor, como DHL, DSV e Kuehne+Nagel.

O mercado global de logística, estimado em cerca de US$ 1,3 trilhão, surge como uma oportunidade para a companhia replicar o modelo adotado pela Amazon Web Services (AWS), que transformou infraestrutura interna em uma das principais fontes de receita da empresa.

Em 2025, os serviços prestados a vendedores terceiros já representaram aproximadamente US$ 172 bilhões, equivalente a 24% do faturamento total da Amazon — sinalizando o avanço dessa estratégia.

Brasil se torna peça-chave na expansão

O Brasil ganhou protagonismo dentro dos planos da empresa. Nos últimos 18 meses, a Amazon ampliou significativamente sua presença logística no país, adicionando 240 novos hubs e totalizando cerca de 300 unidades distribuídas por todos os estados.

Essa estrutura permite entregas no mesmo dia em mais de 200 cidades e no dia seguinte em cerca de 3.600 municípios. O ritmo de expansão também acelerou: de um centro logístico por semana para três em 2026.

Nos últimos dez anos, os investimentos da empresa no Brasil chegaram a cerca de R$ 55 bilhões, acompanhados por mudanças na gestão que aproximaram a operação local da liderança global, tornando decisões estratégicas mais ágeis.

Mercado Livre ainda lidera em infraestrutura

Apesar do avanço da Amazon, o Mercado Livre mantém ampla vantagem no país. A empresa opera cerca de 3,4 milhões de metros quadrados de área logística, contra aproximadamente 709 mil metros quadrados da concorrente. A Shopee aparece como outro player relevante, com cerca de 1,2 milhão de metros quadrados.

Essa diferença impacta diretamente a eficiência operacional, permitindo ao Mercado Livre reduzir custos e acelerar entregas. Em 2025, a companhia registrou crescimento de 41% no volume de envios, com quase 75% das entregas rápidas realizadas em até 48 horas.

Além disso, o custo médio de frete caiu 11% no período, evidenciando ganhos de escala. A empresa encerrou o ano com 121 milhões de compradores ativos na América Latina e receita de US$ 28,9 bilhões.

Ecossistema financeiro amplia vantagem competitiva

Outro diferencial do Mercado Livre está no seu braço financeiro. O Mercado Pago alcançou 78 milhões de usuários ativos mensais em 2025, além de uma carteira de crédito de US$ 12,5 bilhões.

Esse ecossistema fortalece a fidelização de clientes e cria barreiras competitivas que vão além do comércio eletrônico. A Amazon, por sua vez, ainda não possui no Brasil uma solução financeira com alcance semelhante.

Modelo descentralizado e aposta no longo prazo

Para expandir sua operação, a Amazon aposta em modelos como o Delivery Service Partner (DSP), que terceiriza a entrega de última milha para empreendedores locais. A estratégia reduz custos fixos e aumenta a capilaridade da rede logística.

No entanto, especialistas apontam que os investimentos elevados e os incentivos oferecidos a vendedores devem pressionar as margens da empresa no curto prazo. A expectativa é que a rentabilidade melhore à medida que o volume de operações cresça e os custos unitários diminuam.

Desafios e cenário regulatório

A expansão também pode atrair maior atenção regulatória. A atuação simultânea da Amazon como plataforma de vendas e prestadora de serviços logísticos levanta questionamentos sobre concorrência em diferentes mercados.

Ainda assim, analistas avaliam que o movimento reforça o posicionamento da empresa como uma plataforma global de infraestrutura, com o Brasil desempenhando papel estratégico em mercados emergentes.

A disputa com o Mercado Livre, no entanto, deve depender da capacidade da Amazon de acelerar sua expansão e reduzir a diferença estrutural nos próximos anos.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook