Agricultura

Estiagem em Mato Grosso ameaça produtividade do algodão e acende alerta no campo

A estiagem em Mato Grosso já começa a impactar o desenvolvimento das lavouras de algodão, especialmente da segunda safra. Entre os dias 19 e 24 de abril, o predomínio de sol intenso e chuvas esparsas reduziu a umidade do solo, gerando preocupação entre produtores.

O cenário levou a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) a intensificar o monitoramento das áreas cultivadas, com atenção especial às regiões mais dependentes de condições climáticas estáveis.

Estresse hídrico atinge principais regiões produtoras

As áreas mais afetadas pela falta de chuva estão localizadas no Sul, Centro-Leste e Vale do Araguaia. Nessas regiões, o principal desafio é evitar o abortamento de frutos causado pelo estresse hídrico.

Apesar de um desenvolvimento considerado positivo até o momento, técnicos alertam que a transição para o período seco ocorre em uma fase sensível do ciclo produtivo, o que pode impactar o rendimento final da cotonicultura em Mato Grosso.

Campo se divide entre manejo e preparação para colheita

Nas propriedades rurais, as atividades seguem em duas frentes: manutenção da produtividade e preparação para a colheita. Máquinas agrícolas e aeronaves continuam aplicando reguladores de crescimento e fertilizantes, enquanto as equipes realizam manutenção preventiva nas colhedoras.

Esse movimento indica que, mesmo com o alerta climático, a colheita das áreas de primeira safra está próxima de começar em várias regiões do estado.

Controle de pragas segue como desafio central

No campo fitossanitário, o bicudo-do-algodoeiro continua sendo a principal ameaça às lavouras. O controle da praga exige aplicações frequentes de defensivos e o uso de armadilhas estratégicas.

Outra medida recomendada é a eliminação de plantas voluntárias, conhecidas como “tigueras”, que ajudam a reduzir a pressão da praga nas áreas de cultivo.

Doenças e pragas secundárias estão sob controle

Mesmo com o clima mais seco, doenças como mancha-alvo e ramulária ainda aparecem em áreas de vegetação mais densa, onde o microclima favorece a proliferação de fungos.

No entanto, o cenário geral é considerado estável, com registros pontuais de pragas como pulgões e lagartas, sem impacto significativo na sanidade das plantas até o momento.

Expectativa depende do clima e do manejo agrícola

A expectativa do setor é de que as operações finais no campo garantam bons resultados, apesar das condições climáticas adversas. O desempenho das lavouras dependerá da eficiência no controle de pragas e da resistência das plantas durante o avanço do período seco.

Segundo técnicos do setor, o cenário ainda é de otimismo moderado, com boa retenção de frutos, mas com atenção redobrada ao comportamento do clima nas próximas semanas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Informação

Pecuária de Mato Grosso deve faturar R$ 42,1 bilhões em 2026

A pecuária de Mato Grosso segue em expansão e deve movimentar cerca de R$ 42,1 bilhões em 2026, segundo projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. O valor representa crescimento de 6,8% em relação ao ano anterior e consolida a atividade como um dos pilares do agronegócio estadual.

Caso as estimativas se confirmem, o setor será responsável por 20,2% do Valor Bruto da Produção (VBP) de Mato Grosso, reforçando sua importância na economia regional.

Pecuária ganha espaço no VBP estadual

O avanço da atividade pecuária ajuda a compensar o desempenho mais moderado da agricultura na atual safra. No total, o VBP de Mato Grosso está estimado em R$ 208,3 bilhões em 2026.

Com isso, os pecuaristas ampliam sua participação na geração de riqueza no campo, impulsionados principalmente pela demanda aquecida e pela valorização do mercado bovino.

Abates recordes impulsionam faturamento

O bom desempenho financeiro do setor está diretamente ligado ao ritmo de produção no início do ano. No primeiro trimestre, foram abatidos 1,8 milhão de bovinos, o maior volume já registrado para o período.

O número representa alta de 6,7% em comparação com o mesmo intervalo de 2025, evidenciando a força da produção pecuária no estado.

Mercado aquecido sustenta preços

A valorização da arroba do boi e a demanda firme, tanto no mercado interno quanto nas exportações, sustentam o cenário positivo. Além disso, a estratégia de retenção de fêmeas adotada pelos produtores contribui para equilibrar a oferta.

Essa prática reduz temporariamente o número de animais disponíveis para abate, ajudando a manter as cotações em níveis elevados.

De acordo com Bruno de Jesus Andrade, do Instituto Mato-grossense da Carne, o setor tem demonstrado resiliência mesmo em um ambiente econômico mais desafiador. Segundo ele, a evolução tecnológica e a maior eficiência produtiva têm sido determinantes para esse desempenho.

Perspectivas positivas para o segundo semestre

A expectativa é de continuidade do cenário favorável ao longo do ano. Com a menor oferta de animais, resultado da retenção de matrizes, o foco dos produtores tende a se voltar ainda mais para a eficiência na pecuária.

Nesse contexto, investir em produtividade e qualidade deve ser essencial para garantir margens de rentabilidade e aproveitar as oportunidades do mercado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem quase 30% e alcançam 92 países em 2025

Mato Grosso registrou em 2025 um dos resultados mais expressivos da sua história na exportação de carne bovina, fortalecendo a presença internacional do produto e consolidando o estado como referência no comércio global da proteína animal. O desempenho positivo reflete o avanço da pecuária mato-grossense em volume, valor e diversificação de mercados.

Volume exportado e receita batem recorde

Ao longo de 2025, os embarques de carne bovina de Mato Grosso somaram 978,41 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), crescimento de 28,86% em relação a 2024. A receita alcançou US$ 4,11 bilhões, alta de 53,82% no comparativo anual, conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

O estado exportou para 92 países, reforçando sua posição entre os principais fornecedores globais da proteína. O preço médio da carne bovina mato-grossense foi de US$ 4.201,24 por tonelada, o segundo maior da série histórica acompanhada pelo Instituto.

Abates acompanham ritmo das exportações

O avanço das exportações veio acompanhado de um novo recorde no número de abates bovinos. Em 2025, foram abatidas 7,46 milhões de cabeças em Mato Grosso, aumento de 1,44% em relação ao ano anterior. Somente em dezembro, cerca de 607 mil animais foram encaminhados para os frigoríficos, impulsionados pela maior oferta de gado terminado em sistemas intensivos e pela demanda externa aquecida.

Para Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea, os números refletem a solidez do setor. “Batemos recorde em abates e em exportação, mostrando a força da pecuária de Mato Grosso e a diversificação de mercados, com destaque para Chile, Rússia e países do Oriente Médio”, afirma.

China lidera compras da carne mato-grossense

A China manteve a liderança como principal destino da carne bovina de Mato Grosso em 2025. O país importou 536,96 mil TEC, volume 52,69% superior ao de 2024. Com isso, a participação chinesa nas exportações do estado avançou de cerca de 46,3% para 54,8%.

Na sequência, a Rússia ocupou a segunda posição entre os compradores, com 58,8 mil TEC, enquanto o Chile ficou em terceiro lugar, com 47,1 mil TEC. Já os Estados Unidos, impactados pelo aumento de tarifas, reduziram as importações para 21,2 mil TEC, caindo para a oitava posição no ranking. Em 2024, o país havia sido o terceiro maior comprador.

Investimentos sustentam crescimento do setor

Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o desempenho de 2025 é resultado de um trabalho contínuo da cadeia produtiva. “Mato Grosso vem colhendo os frutos de anos de investimentos em sanidade, qualidade e profissionalização da pecuária. Estamos preparados para atender mercados cada vez mais exigentes, com volume, eficiência e responsabilidade”, destaca.

Animais jovens ganham espaço nos abates

Outro ponto de destaque em 2025 foi o aumento da participação de animais jovens nos abates. As categorias de até 24 meses totalizaram 3,22 milhões de cabeças, crescimento de 17,55% no ano, representando 43,24% do total abatido no estado. Segundo Rodrigo Silva, o movimento reflete a intensificação dos sistemas produtivos, além de avanços em melhoramento genético e nutrição.

Mercado ajusta escalas e mira novos destinos

No curto prazo, as escalas de abate apresentaram recuo de 11,60%, ficando em média em 13,31 dias, influenciadas pela maior oferta recente de animais e pelo ritmo das indústrias. A expectativa do Imea é de maior equilíbrio em 2026, com impactos na reposição.

Além de fortalecer mercados tradicionais, Mato Grosso avançou na abertura de novos destinos, como o Marrocos, em 2024, e a Guatemala, em dezembro de 2025. Para o Imac, a diversificação é estratégica para reduzir riscos e ampliar a estabilidade do setor.

Mesmo com ajustes pontuais nos preços no mercado interno, o cenário segue sustentado pela qualidade do rebanho e pela ampliação do acesso a novos mercados. “Mesmo com exportação forte e consumo doméstico aquecido, os preços não subiram como esperado devido à oferta elevada. A qualidade do rebanho e a diversificação de destinos sustentam o cenário”, conclui Rodrigo Silva.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Freepik

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Logística

MT-140: Estrada precária gera prejuízo de R$ 50 mil em única chuva

A MT-140, uma das principais rotas de escoamento agrícola da região, voltou a expor produtores e caminhoneiros a prejuízos elevados após as primeiras chuvas. A falta de infraestrutura adequada provoca tombamentos, atolamentos e paralisações frequentes, interrompendo o transporte de milho, soja, algodão e outras culturas.

Enquanto municípios, consórcios e o governo estadual discutem quem deve assumir a manutenção da rodovia, o impasse prolonga uma rotina de perdas econômicas e compromete a competitividade do setor.

Produtores acumulam perdas e relatam abandono

O agricultor Lucas Pasqualotto foi um dos atingidos. Um caminhão carregado dentro da fazenda tombou ao tentar avançar pelo trecho mais crítico. “Era uma carga de 900 sacos de milho. Com a chuva, perdemos tudo”, afirma. O prejuízo estimado chega a R$ 50 mil.

Para a família Pasqualotto, que cultiva quatro mil hectares, o problema se repete a cada chuva. “De seis meses para cá, já é a terceira vez. Todo ano é a mesma coisa: caminhão atolado, produto perdido, prejuízo atrás de prejuízo”, relata Osvaldo Pasqualotto.

A sensação, diz ele, é de impotência. “Colhemos com cuidado para entregar alimento nas cidades, mas boa parte se perde no caminho por causa da estrada abandonada.”

Falta de infraestrutura reduz competitividade do agronegócio

Produtores destacam que o custo logístico só aumenta. Alberto Chiapinotto, com quatro décadas na região, afirma que uma chuva de 50 milímetros já é suficiente para bloquear a passagem. “Estamos há 40 anos aqui e não houve nenhuma melhoria definitiva.”

Ele reforça que a precariedade impacta até serviços básicos: “As crianças ficam sem poder ir para a escola”. A Agrícola Irmãos Chiapinotto cultiva mais de dois mil hectares de soja e milho em Juscimeira.

O frete, segundo Alberto, chega a custar 50% acima do valor de mercado, reduzindo a margem do produtor. “Perdemos cerca de 12% no preço do grão comparado a outras regiões por causa da logística.”

A estimativa é que a área produtiva atendida pela MT-140 ultrapasse 200 mil hectares, com aproximadamente 50 produtores dependentes da rodovia.

Caminhoneiros enfrentam filas, danos e risco diário

Para garantir o escoamento, fazendas têm mobilizado máquinas próprias. “Precisamos desengatar trator, puxar caminhão, tapar buracos. A chuva mal começou e os problemas já começaram também”, diz Ezequiel Victor, gerente da Girassol Agrícola, que trabalha com 8,2 mil hectares de lavoura e 7,5 mil hectares de eucalipto.

Caminhoneiros ficam horas parados aguardando ajuda. “Já era para eu estar carregando. Todo ano é essa luta”, reclama Dionísio da Silva Campos, que critica a falta de reparos antes do período chuvoso.

Para Daniel Luiz, que também enfrentou um atoleiro, a experiência foi suficiente: “Primeira e última vez que passo aqui. Estraga pneu, mola, tudo.”

Impasse político trava solução definitiva desde 2024

O trecho mais problemático, de pouco mais de 15 km, está oficialmente sob responsabilidade de Santo Antônio de Leverger, mas nunca recebeu manutenção adequada. Como Juscimeira está muito mais próxima, o município tenta assumir o controle para realizar obras.

“Juscimeira já recuperou seus quatro quilômetros na MT-140, mas não temos autorização para avançar. A lei que transfere o trecho está parada desde 2024”, explica o prefeito Alexandre Russi, que destaca possuir recursos, máquinas e equipe pronta para atuar.

A distância é um fator decisivo: são 60 km até Juscimeira e 150 km até Santo Antônio de Leverger, o que torna inviável o atendimento por parte do município responsável.

Segundo o prefeito, há um convênio de R$ 12,8 milhões com o governo estadual, via Cidesasul, para manutenção de diversas MTs, e outro acordo está em andamento para ampliar os serviços na região.

A Aprosoja-MT também acompanha o caso. Para o delegado Rogério Berwanger, a situação é recorrente: “As primeiras chuvas já mostram o mesmo problema de todos os anos, causado pela indefinição administrativa.”

Em nota, a Sinfra-MT informou que há convênio com o Cidesasul para manter trechos não pavimentados da MT-140 e outras rodovias estaduais, sem previsão de pavimentação.

Para os produtores, no entanto, só uma intervenção sólida resolverá o problema. Como resume Osvaldo Pasqualotto: “Tem que ser um trabalho bem-feito, levantar, cascalhar e recuperar de verdade.”

FONTE: Mato Grosso Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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