Internacional

UE cria mecanismo de salvaguardas e ameaça acordo com Mercosul

O Parlamento Europeu aprovou na segunda-feira (8) um mecanismo de salvaguardas que pode reduzir os ganhos potenciais de produtores agrícolas brasileiros com o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A decisão gerou reação negativa em Brasília, que prometeu resistir à inclusão da medida no tratado.

O acordo UE-Mercosul, que teve suas negociações concluídas após duas décadas, tem assinatura prevista para 20 de dezembro. Especialistas alertam que a criação dessas salvaguardas pode provocar impasses de última hora, colocando o tratado em risco.

Conselho Europeu deve deliberar sobre o acordo

No dia 18 de dezembro, o Conselho Europeu, composto pelos chefes de governo dos 27 países-membros, votará sobre a aprovação do acordo. Para que ele siga para assinatura em Brasília, é necessário o aval de 55% dos países (15 de 27), representando ao menos 65% da população da UE.

O desafio vem de países com forte presença agrícola, como França, Polônia, Irlanda e Itália, que resistem à abertura do mercado europeu para produtos do Mercosul, mesmo com cotas limitadas.

Como funciona o mecanismo de salvaguardas

A Comissão Europeia, braço executivo da UE, propôs suspender os descontos em tarifas de importação para produtos agrícolas do Mercosul caso haja impacto negativo aos produtores europeus.

O Comitê de Comércio Internacional do Parlamento Europeu aprovou a proposta por 27 votos a favor e oito contra, com ajustes que restringem ainda mais a possibilidade de crescimento das exportações. O texto permite a abertura de investigações comerciais quando as vendas de produtos considerados sensíveis — como carne bovina e frango — aumentarem mais de 5% em média ao longo de três anos ou quando os preços caírem 5% no mercado europeu.

Após a aprovação no comitê, o plenário do Parlamento Europeu deve deliberar sobre o mecanismo na próxima terça-feira (16). Fontes diplomáticas europeias indicam que a votação final deve confirmar a aprovação, reduzindo a resistência de França, Polônia, Itália e Irlanda.

Impacto para o Mercosul e Brasil

Altos funcionários do governo brasileiro alertam que a medida pode comprometer a viabilidade do acordo de livre comércio. Atualmente, o Mercosul já enfrenta cotas anuais restritivas: 99 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de frango, 25 mil toneladas de carne suína, 180 mil toneladas de açúcar e 30 mil toneladas de queijos.

Segundo um representante brasileiro, se o agronegócio do Cone Sul não puder se beneficiar nem dessas cotas limitadas, será necessário reavaliar a própria assinatura do tratado.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Governo adia Cúpula do Mercosul, mas mantém acordo de livre-comércio com a União Europeia

Brasil confirma acordo Mercosul–União Europeia em dezembro

O governo federal decidiu adiar a Cúpula do Mercosul para janeiro do próximo ano, informaram interlocutores do Palácio do Planalto. Apesar da mudança no calendário, está mantida para 20 de dezembro, em Brasília, a assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) — um dos compromissos mais aguardados da agenda diplomática.

A formalização do tratado ocorrerá ainda sob a presidência brasileira do Mercosul, já que a troca de comando do bloco será concluída antes da reunião de chefes de Estado.

Lula busca consolidar protagonismo nas negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido o principal articulador, pelo lado sul-americano, do avanço nas negociações com a UE. O governo vê na assinatura do acordo uma oportunidade de reforçar o protagonismo brasileiro no cenário internacional e capitalizar politicamente o desfecho das tratativas.

Ausências de Milei e Peña levaram ao adiamento

O adiamento da cúpula foi motivado, principalmente, pela impossibilidade de participação dos presidentes Javier Milei (Argentina) e Santiago Peña (Paraguai) na data inicialmente prevista.

A nova reunião deverá ocorrer em Foz do Iguaçu (PR), escolha considerada simbólica pelo Planalto: além de marcar a transição da presidência do bloco para o Paraguai, a cidade abriga uma das principais fronteiras entre os dois países.

Com informações do Palácio do Planalto.
Texto: Redação

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Comércio Exterior

EUA e Europa ainda divergem sobre acordo comercial: negociações avançam lentamente

Quase quatro meses depois do aperto de mãos entre Ursula von der Leyen e o presidente Donald Trump, selando um entendimento preliminar para reduzir tensões comerciais, Estados Unidos e União Europeia continuam longe de um consenso. Nesta semana, autoridades americanas desembarcam em Bruxelas para mais uma rodada de negociações, em meio a um cenário de incertezas sobre os termos finais do pacto.

No domingo, o representante de comércio dos EUA, Jamieson Greer, reuniu-se com Maros Sefcovic, comissário europeu de Comércio. Nesta segunda-feira, Greer e o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, participam de um encontro de ministros europeus da área.

Conversas em meio a um acordo ainda incompleto

Embora ambos os lados tenham aceitado, em princípio, um acordo comercial — que prevê tarifas de 15% para o bloco europeu, com exceções — diversos pontos-chave permanecem pendentes. A Europa tenta flexibilizar condições para setores como vinhos e destilados, aço, alumínio, equipamentos médicos e massa alimentícia. Já os EUA cobram que os europeus cumpram compromissos, incluindo investimentos prometidos, e continuam pressionando por mudanças em regulações tecnológicas consideradas rígidas.

Em entrevista à Fox News, Greer afirmou que o processo legal europeu para atender às exigências está em andamento. “Estamos aqui para avaliar o progresso”, disse. Ele ressaltou ainda que, antes de avançar para alternativas futuras, Washington quer ver o acordo atual totalmente implementado.

Analistas destacam que os europeus precisam encarar o pacto como temporário e sujeito a renegociações constantes. “Tudo é uma negociação permanente para esta administração”, afirmou Jörn Fleck, do Atlantic Council.

Washington quer acordo final por escrito

Segundo uma autoridade do governo Trump, os EUA buscam firmar um acordo escrito e vinculante com a União Europeia, incluindo temas ainda não resolvidos, como impostos sobre serviços digitais, alegações de discriminação contra empresas americanas e regras de precificação de medicamentos.

A pressão americana para que a Europa reduza sua regulação digital enfrenta forte resistência, principalmente no que diz respeito à supervisão de conteúdo em grandes plataformas. Para a UE, tais políticas são uma questão de soberania.

Os EUA também criticam pedidos europeus por cortes adicionais de tarifas, alegando que a implementação completa do marco negociado em julho precisa ocorrer antes de qualquer nova redução tarifária.

A aprovação na Europa pode demorar

A proposta que prevê redução de tarifas sobre bens industriais e alguns produtos agrícolas dos EUA ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu, onde há receio de que Washington não esteja cumprindo sua parte do acordo.

Autoridades europeias seguem preocupadas com tarifas americanas sobre aço e alumínio. Enquanto o pacto prevê teto de 15% para algumas categorias, muitos itens continuam sujeitos a tarifas de 50%, incluindo produtos que utilizam esses metais. Segundo Bernd Lange, presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu, o número de itens afetados cresceu desde a assinatura do acordo.

O comissário Sefcovic afirmou recentemente que o limite de 15% deveria valer também para derivados de alumínio, ampliando o escopo da proteção tarifária europeia.

Pressões externas: China no centro das preocupações

Em paralelo às disputas bilaterais, EUA e UE tentam alinhar estratégias para proteger suas cadeias de suprimentos, especialmente após a China restringir exportações de terras raras e outros insumos críticos. Ambos temem a supercapacidade chinesa, que leva empresas a despejarem produtos baratos em seus mercados, prejudicando indústrias locais.

Tarifa sob risco no Supremo dos EUA

Nos Estados Unidos, as tarifas impostas por Trump também enfrentam uma possível reviravolta legal. A Suprema Corte deve julgar se o presidente pode manter as tarifas como parte dos acordos comerciais. Caso a decisão seja contrária, o governo poderá ter de recorrer a outros instrumentos legais para sustentar o pacto — e convencer parceiros internacionais a respeitá-lo.

Indústria europeia pressiona por desfecho

Para setores europeus, como o de bebidas alcoólicas, a prioridade é assegurar que suas solicitações sejam incluídas nas exceções tarifárias. “Esperamos estar nessa lista — e que ela seja bem recebida”, disse Pauline Bastidon, diretora da Spirits Europe. Ainda assim, ela admite que o clima em Washington é imprevisível. “A decisão final está nas mãos de uma só pessoa”, afirmou, referindo-se a Trump.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Doug Mills/The New York Times

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Economia

Acordo Mercosul–União Europeia deve ser oficializado em 20 de dezembro, afirma Lula

Expectativa de conclusão após mais de 20 anos de negociações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que pretende formalizar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia no próximo dia 20 de dezembro. A declaração foi feita durante conversa com jornalistas em Johannesburgo, na África do Sul, onde Lula participa da programação da Cúpula do G20.

O tratado, discutido há mais de duas décadas, é considerado o mais abrangente já articulado entre os dois blocos econômicos e envolve temas como comércio internacional, cooperação econômica e sustentabilidade.

Assinatura deve ocorrer na Cúpula dos Líderes do Mercosul

Lula informou que a assinatura está prevista para a Cúpula dos Líderes do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR), período em que o Brasil ainda ocupa a presidência rotativa do bloco sul-americano. Segundo o presidente, a agenda internacional de 2025 deve ser encerrada justamente com esse anúncio oficial.

“Eu regresso para o Brasil, onde eu pretendo não viajar mais esse ano, a não ser para Brasília ou para Foz do Iguaçu, para assinar o acordo Mercosul-União Europeia, que eu penso que vai ser assinado dia 20 de dezembro”, declarou o presidente.

Marco estratégico para integração internacional

A expectativa positiva de Lula reforça o interesse do governo em concluir um acordo visto como estratégico para ampliar competitividade, exportações e parcerias econômicas entre América do Sul e Europa. Caso seja formalizado, o tratado representará um avanço significativo no processo de integração entre os blocos e poderá redefinir rotas comerciais nos próximos anos.

Com informações de Dimitrius Dantas.
Texto: Redação

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Internacional

Argentina facilita importação de carros dos EUA com novo acordo comercial

A Argentina, sob o governo de Javier Milei, e os Estados Unidos, liderados por Donald Trump, anunciaram um acordo comercial que promete transformar o fluxo de carros importados dos EUA para o mercado argentino. O entendimento integra o “Marco de Acordo de Comércio Recíproco e Investimento”, criado para ampliar o acesso de produtos americanos ao país sul-americano.

Segundo comunicado conjunto da Casa Branca e do governo argentino, a Argentina concederá acesso preferencial a diversos itens dos EUA — incluindo veículos, maquinários e produtos agrícolas. Além disso, automóveis fabricados nos Estados Unidos que cumpram as normas federais de segurança e emissões passarão a ser aceitos sem necessidade de novos testes locais.

Homologação mais rápida e menos burocracia

A medida deve agilizar a homologação de veículos norte-americanos e reduzir custos operacionais. O INTI já havia sinalizado que reconheceria os testes feitos nos EUA, e o acordo agora oficializa essa prática. Com isso, modelos produzidos no mercado americano poderão chegar às concessionárias argentinas em menos tempo.

Outra pauta em debate é a criação de uma cota anual com tarifas reduzidas. Hoje, carros vindos dos EUA pagam 35% de imposto de importação, o que reduz sua competitividade diante de veículos do Brasil, México e Uruguai — todos com acordos de livre comércio. O novo regime poderá permitir a entrada de uma parcela de veículos americanos com redução ou isenção parcial de tarifas, contornando limites do Mercosul.

Acesso unilateral e impacto para montadoras

Apesar do nome, o acordo não estabelece benefícios recíprocos: carros fabricados na Argentina não receberão as mesmas facilidades para entrar nos EUA. Por ora, a vantagem é unilateral e direcionada unicamente aos produtos norte-americanos.

Montadoras como Ford, Ram e Jeep devem ser as principais beneficiadas, uma vez que já trazem ao país modelos como F-150, Mustang, Wrangler e Grand Cherokee. Marcas premium como BMW e Mercedes-Benz também importam linhas diretamente dos EUA. Analistas avaliam ainda que o pacto pode abrir espaço para a chegada oficial da Tesla ao mercado argentino — algo desejado pelo próprio Milei.

Próximos passos

O acordo ainda precisa passar por trâmites formais e regulamentação nos dois governos antes de vigorar. Segundo o comunicado, Argentina e Estados Unidos trabalharão “com celeridade” para finalizar o texto definitivo. Quando implementado, o pacto deve ampliar a presença de carros americanos nas concessionárias argentinas e fortalecer o país como destino estratégico no setor automotivo da região.

FONTE: Motor 1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Motor 1

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Internacional

Acordo Argentina–EUA acende alerta sobre futuro do Mercosul, aponta FIESC

O novo acordo comercial entre Argentina e Estados Unidos levantou preocupações entre representantes da indústria brasileira. Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o gesto do governo argentino sinaliza um enfraquecimento do compromisso do país com o Mercosul, especialmente por ter sido anunciado de forma unilateral. A entidade acompanha os próximos passos e teme reflexos diretos nas tratativas entre o bloco e a União Europeia, negociadas há cerca de duas décadas.

O presidente da federação, Mario Cezar de Aguiar Seleme, avalia que o movimento argentino pode indicar uma saída iminente do bloco. Segundo ele, ainda não está claro como Brasil, Paraguai e Uruguai vão responder ao episódio ou se haverá impacto no andamento do acordo Mercosul–UE.

Preferência aos produtos norte-americanos
A presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, chama atenção para detalhes publicados pelos dois governos. Os documentos oficiais mostram que a Argentina promete dar preferência a itens produzidos nos EUA em setores estratégicos. Isso poderia afetar diretamente as exportações brasileiras nesses nichos.

Entre os produtos citados pela Casa Branca estão medicamentos, produtos químicos, máquinas, tecnologia da informação, dispositivos médicos, veículos — com destaque para camionetes — e produtos agrícolas.

Bustamante alerta que, em áreas onde o Brasil compete com a Argentina pelo mercado americano, a indústria brasileira tende a perder terreno. Isso porque os produtos argentinos poderão chegar aos EUA com tarifas menores, reduzindo a competitividade das empresas brasileiras.

Redução de barreiras e novos padrões
O acordo firmado também prevê eliminar ou reduzir barreiras não tarifárias, como licenças de importação. Outro ponto relevante é a autorização para que empresas dos Estados Unidos usem seus próprios padrões técnicos — ou normas internacionais — na exportação de produtos, sem exigências extras de conformidade ao mercado argentino.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Visit Buenos Aires

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Comércio Exterior

EUA reduzem tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros e aliviam impacto do “tarifaço”

Os Estados Unidos anunciaram a redução de tarifas aplicadas a diversos produtos brasileiros, incluindo carne bovina, café, açaí, frutas tropicais e castanha-do-pará. A medida, assinada pelo presidente Donald Trump, retira esses itens da cobrança de 50% que estava em vigor desde abril.

Redução tarifária após negociações diplomáticas

A decisão ocorre após uma rodada intensa de tratativas entre Brasília e Washington. O tema ganhou força depois do encontro entre Lula e Trump, em 26 de outubro. Desde então, as discussões passaram a ser conduzidas diretamente pelo chanceler Mauro Vieira e pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante reuniões paralelas ao encontro do G7 no Canadá.

Segundo o Itamaraty, o Brasil enviou aos EUA, no dia 4 de novembro, uma nova proposta para avançar no acordo comercial. A iniciativa segue a orientação dos presidentes, que trataram do assunto durante reunião recente na Malásia.

Casa Branca revisa escopo de produtos taxados

Em comunicado, Trump justificou a decisão afirmando que considerou recomendações técnicas, o andamento das negociações com parceiros comerciais, a demanda interna norte-americana e a capacidade de produção. Com isso, determinou que determinados produtos agrícolas deixem de integrar a lista de itens sujeitos ao tarifaço previsto na Ordem Executiva 14257.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que está avaliando a nova ordem assinada por Trump.

Antecedentes do tarifaço

O encontro entre Trump e Lula ocorreu durante a 47ª Cúpula da Asean, na Malásia, e durou cerca de 50 minutos. Na conversa, Lula defendeu que não havia motivo para tensões comerciais com os EUA e pediu a suspensão imediata das sobretaxas impostas às exportações brasileiras.

O tarifaço de 50% havia sido anunciado em julho e afetava todos os produtos exportados pelo Brasil. A medida foi acompanhada ainda de restrições a autoridades brasileiras, como a revogação de vistos. Lula afirmou recentemente que voltaria a ligar para Trump caso não houvesse avanços até o fim da COP30, em Belém.

Produtos que terão redução das tarifas

  • Carnes
  • Café
  • Chá e ervas
  • Frutas
  • Vegetais
  • Tubérculos
  • Açaí
  • Castanhas e sementes
  • Especiarias e condimentos
  • Cereais

FONTE: Diarinho
TEXTO: Redação
IMAGEM: João Batista

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Internacional

Estados Unidos e Argentina anunciaram o acordo comercial e de investimento: os detalhes

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, anunciaram a criação de um Marco para um Acordo sobre Comércio e Investimento Recíprocos, com o objetivo de fortalecer a relação econômica bilateral, estimular a abertura de mercados e promover a cooperação em áreas estratégicas.

O acordo busca estabelecer condições claras, estáveis e baseadas em regras para o comércio e os investimentos entre os dois países, apoiando-se nas reformas que a Argentina já colocou em prática para modernizar sua economia. A iniciativa inclui benefícios tarifários, abertura de mercados agrícolas e industriais, padrões regulatórios comuns, proteção da propriedade intelectual e cooperação em áreas como trabalho, meio ambiente e comércio digital.

Entre os principais pontos, destaca-se que a Argentina oferecerá acesso preferencial a produtos dos EUA, como medicamentos, máquinas, tecnologias da informação e produtos agrícolas. Por sua vez, os Estados Unidos eliminarão tarifas para certos recursos naturais argentinos e para medicamentos não patenteados, e levarão em conta o impacto do acordo ao aplicar medidas comerciais relacionadas à segurança nacional.

No setor agrícola, ambos os países se comprometeram a melhorar as condições de acesso aos mercados de carne bovina e de aves, além de facilitar o comércio de produtos como miudezas, carne suína e laticínios. Também foi acordado não restringir o uso de determinados termos relacionados a carne e produtos lácteos.

Eliminação de barreiras

O documento destaca que a Argentina eliminará barreiras não tarifárias, como licenças de importação e formalidades consulares, e se comprometeu a desmantelar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos dos EUA. Além disso, passará a se alinhar a padrões internacionais em vários setores e reconhecerá certificações de órgãos norte-americanos como a FDA.

Em relação à propriedade intelectual, a Argentina avançará no combate à falsificação e à pirataria e trabalhará para alinhar sua legislação a padrões internacionais, atendendo observações feitas no Relatório Especial 301 do governo dos EUA.

O acordo também inclui compromissos para proibir a importação de bens produzidos com trabalho forçado, combater o desmatamento ilegal, promover o uso eficiente de recursos e aplicar normas internacionais sobre subsídios à pesca.

Os dois países concordaram em cooperar em segurança econômica para enfrentar práticas comerciais distorcivas de terceiros países, alinhar políticas de controle de exportações, investimentos e evasão tarifária, e fortalecer o comércio de minerais críticos. Além disso, a Argentina revisará o papel de suas empresas estatais e os subsídios industriais.

No que diz respeito ao comércio digital, será criado um marco legal que facilite a transferência transfronteiriça de dados pessoais com os EUA, evitando discriminações contra serviços digitais norte-americanos e reconhecendo a validade de assinaturas eletrônicas emitidas sob a legislação dos EUA.

Estados Unidos e Argentina trabalharão para concluir o texto final do acordo e cumprir os procedimentos internos necessários para sua entrada em vigor. Também se comprometeram a supervisionar sua implementação por meio do marco do Acordo TIFA e do Fórum de Inovação e Criatividade para o Desenvolvimento Econômico.

FONTE: Comercio y Justicia
IMAGEM: Reprodução/Comercio y Justicia

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Comércio Exterior

Agricultores franceses criticam Macron por apoio ao acordo entre União Europeia e Mercosul

Declaração do presidente na COP30, em Belém, é vista como ameaça à soberania agrícola da França e gera forte reação do setor rural.

Macron sinaliza apoio ao Mercosul e irrita agricultores franceses

A fala de Emmanuel Macron durante a COP30, realizada em Belém (PA), provocou forte repercussão na França. Ao afirmar estar “bastante positivo” em relação ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, o presidente francês foi acusado por representantes do agronegócio de trair os interesses do campo e comprometer o modelo produtivo nacional.

Durante o encontro de chefes de Estado que antecedeu a conferência climática, Macron destacou que permanece “vigilante” e atento aos interesses franceses, mas a aproximação com o Mercosul foi vista como um gesto político de abertura que desagradou profundamente o setor agrícola.

Setor rural fala em “ruptura total” com o governo

Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA, principal sindicato agrícola da França, reagiu de forma contundente. Segundo ele, a postura do presidente representa “uma ruptura total com a agricultura francesa”.

“Não deixaremos que nosso modelo, nossos empregos e nossa soberania sejam liquidados”, afirmou Rousseau, convocando os eurodeputados franceses a se oporem à ratificação do tratado. O líder sindical prometeu ainda uma mobilização nacional contra o acordo, que, em sua visão, sacrificaria a produção agrícola francesa em nome de uma globalização sem regras.

Governo tenta conter danos políticos

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, tentou minimizar o impacto das declarações de Macron. Segundo ela, “os limites deste acordo na França são conhecidos desde o início” e, apesar de alguns avanços nas negociações, “a conta ainda não fecha”.

A posição francesa sobre o acordo UE-Mercosul tem oscilado ao longo dos últimos anos. Em fevereiro de 2025, durante o Salão da Agricultura de Paris, Macron havia classificado o tratado como “um texto ruim”. Desde então, a Comissão Europeia anunciou cláusulas de salvaguarda para proteger setores sensíveis, especialmente o agroalimentar, o que teria influenciado a mudança de tom do presidente.

O que está em jogo no acordo UE-Mercosul

Negociado há mais de duas décadas, o acordo entre União Europeia e Mercosul busca reduzir tarifas comerciais e ampliar o acesso mútuo aos mercados. Para a UE, o tratado abriria espaço para exportações de automóveis, máquinas e bebidas alcoólicas. Já os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — poderiam expandir suas vendas de carne bovina, açúcar, arroz e mel no continente europeu.

A França tem sido uma das maiores opositoras do texto desde 2019, alegando riscos ambientais e concorrência desleal. A pressão de sindicatos agrícolas, ambientalistas e parlamentares tem travado a aprovação do acordo, que depende da ratificação pelos parlamentos nacionais dos países europeus.

A volta do tema ao centro do debate geopolítico

Com a fala de Macron em Belém, o acordo UE-Mercosul volta ao centro das discussões econômicas e diplomáticas. O episódio reacendeu tensões internas na França e reforçou o sentimento de resistência entre os agricultores, que veem na abertura comercial uma ameaça direta à sobrevivência do modelo produtivo francês.

FONTE: Terra
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS – Stephane Mahe / RFI

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Agronegócio

Acordo entre Estados Unidos e China pode causar impacto maior no agronegócio brasileiro do que o tarifaço

O novo acordo comercial entre Estados Unidos e China, anunciado nesta quinta-feira (30), pode representar um desafio para o agronegócio brasileiro. O entendimento prevê a retomada das compras de soja americana pelo país asiático — uma decisão que tende a reduzir a demanda pela commodity produzida no Brasil. Especialistas avaliam que o efeito pode ser mais negativo ao agro nacional do que o recente tarifaço imposto por Donald Trump sobre produtos brasileiros.

China volta a comprar soja dos EUA

Durante declaração a jornalistas, o presidente Donald Trump afirmou que a China se comprometeu a adquirir “quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas” dos Estados Unidos. Segundo ele, as compras devem começar imediatamente. O anúncio foi feito a bordo do Air Force One, após encontro com o presidente Xi Jinping em Busan, na Coreia do Sul.

“Estamos de acordo em muitos pontos. Grandes quantidades, quantidades enormes de soja e outros produtos agrícolas serão compradas imediatamente, a partir de agora”, declarou Trump.

O acordo marca uma mudança significativa nas relações comerciais entre as duas potências, que vinham travando uma guerra tarifária desde o início do ano.

Brasil pode perder espaço no mercado chinês

Com o agravamento da disputa comercial entre EUA e China nos últimos meses, os chineses haviam suspenso totalmente a compra de soja americana, o que beneficiou diretamente o Brasil, principal fornecedor do grão ao mercado global. A abertura do mercado chinês aos produtos norte-americanos pode, portanto, reduzir o volume de exportações brasileiras e pressionar os preços internos.

Analistas do setor destacam que a China é o maior comprador de soja do mundo, e qualquer mudança em sua política de importação tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro, especialmente nos estados produtores como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

A retomada das importações de soja dos EUA, aliada ao aumento da oferta global, pode provocar queda nas cotações internacionais e afetar a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Efeitos no comércio agrícola internacional

O acordo também tem potencial para reconfigurar o comércio mundial de commodities agrícolas, alterando o equilíbrio de forças entre os grandes exportadores. O Brasil, que se consolidou como principal fornecedor de soja à China durante o período de tensões comerciais, pode ver sua participação no mercado asiático diminuir caso os chineses ampliem as compras dos EUA.

Enquanto isso, os agricultores brasileiros acompanham com cautela as negociações e aguardam detalhes sobre os volumes e prazos de compra previstos no acordo. A expectativa é de que o impacto seja sentido nas próximas safras, caso os embarques norte-americanos se intensifiquem.

FONTE: Diário do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gazeta do Povo

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