Especialista, O ESPECIALISTA

O ESPECIALISTA: PIETER POOL

O Tarifaço de Trump ameaça colapso nas exportações florestais do Brasil

O Tarifaço indicado pelo presidente Trump no dia 9 de julho de 2025, indicando uma tarifação de 50% sobre os produtos importados do Brasil, deixou os exportadores brasileiros de produtos florestais extremamente preocupados. Empresas com grande dependência do mercado dos EUA foram as mais afetadas, como a produtora de molduras Braspine, optou por dar férias coletivas em sistema de rodízio para 1500 funcionários, conforme matéria do G1 no dia 22de julho de 2025, evitando assim, por hora, medidas mais drásticas. A empresa exporta quase toda sua produção aos EUA onde molduras brasileiras são comumente comercializadas. Igualmente as fabricantes de molduras Ipumirim Mouldings, com 500 funcionários e a Millpar, igualmente entrou em férias coletivas, por 15 dias.

No segmento de madeira serrada de pinus, empresas exportadoras de cerquinhas (dogear pickets) e APG (Appearance Grade Boards), produtos específicos para os EUA, tiveram contratos cancelados e algumas inclusive cogitam a possibilidade de encerrarem suas operações no país, sendo a alternativa, adquirir madeira de outros países como Argentina, Paraguai e Uruguay, pois estes tem a tarifação base de 10%.

No setor de papel e celulose, os preços estão de forma geral em viés de queda. Segundo Antonio Mendes Junior, head de vendas internacionais e sócio da Hypertrade, uma das maiores tradings exportadoras de papel e celulose do Brasil, os maiores players exportadores de celulose fibra longa mercado, Klabin, Eldorado Brasil, Bracell, CMPC e Irani seguraram todos seus embarques. Ele comenta: “Entendo que os clientes não somente nos EUA, que em 2023  estão segurando as ordens, pois entendem que os brasileiros estão fragilizados. Enquanto isso consomem seus  estoques gradativamente aguardando alguma evolução de mercado. Se o Tarifaço for realmente aplicado, os exportadores brasileiros vão ter que procurar mercados alternativos com preços inferiores”. Os EUA forma o terceiro maior importador de celulose do Brasil com ~14%, ficando somente atrás da Europa com ~24% e da China com ~43%.

As indústrias de compensados multilaminados, que em 2024 exportaram, entre compensados multilaminados de eucalipto, pinus e tropical um volume aproximado de 2.241 MM de metros cúbicos, o que representa aproximadamente 51,5 K containers, também podem ser mais uma vez afetadas. Algumas indústrias como a Marini Compensados de Palmas-PR, que anunciou neste dia 23 de julho férias coletivas para 600 funcionários segundo matéria publicada no rbj.com.br, também está se precavendo e tomando as medidas necessárias para mitigar os riscos decorrentes do Tarifaço.

O seguimento que tem uma representatividade significativa no PIB da região sul do Brasil e gera milhares de empregos.

Com isso a cadeia florestal inteira fica prejudicada, chegando a afetar inclusive grandes empresas florestais do setor como por exemplo a REMASA, empresa do ramo florestal, produtora de pinus. Segundo seu diretor executivo Gilson Geronasso, a situação é preocupante e todos estão ansiosos pelos próximos passos. 

A ABIMCI (Associação Brasileira da Industria da Madeira Processada Mecanicamente), entidade de extrema relevância para o setor no Brasil, expressou através de uma “Nota de posicionamento” no dia 18 de julho, sua grande preocupação com as medidas tomadas pelo presidente Trump e disse entre outros, que além do setor gerar mais de 180 mil postos de trabalhos diretos:

“ Nossa participação na balança comercial brasileira é expressiva. Só para os Estados Unidos exportamos cerca de US$ 1,6 bilhão em 2024, o que representa uma dependência do mercado norte-americano de uma média de 50% da produção nacional. Porém, alguns segmentos madeireiros dependem exclusivamente dos EUA, com 100% de suas vendas atreladas a esse mercado. Por isso, desde o anúncio da possível taxação pelos Estados Unidos, instalou-se a insegurança no mercado, levando o nosso setor ao início de um colapso. ” Estão também diretamente engajados em contato com Brasília, em conjunto com outros setores, para articular ações positivas para o setor madeireiro.

Não podemos esquecer toda a cadeia logística, tanto no transporte doméstico, como no transporte internacional. Em relação aos fretes marítimos principalmente, enxerga-se uma tendência de redução, no entanto isso deve se equilibrar a médio prazo, uma vez que os volumes devem aumentar devido à redução dos fretes. Segundo Carlos Hauck, proprietário da CSS, empresa do ramo de transporte internacional, houveram congelamentos de pedidos que a curto prazo, podem acarretar em redirecionamentos de rotas por parte dos armadores, assim como redução na oferta de espaços para os EUA devido à redução na demanda.

O momento não é um momento fácil para o setor e para o país. Exportadores, associações e trabalhadores esperam ações que minimizem os impactos e ofereçam caminhos para diversificação de mercados.

Enquanto isso o setor florestal brasileiro segue em alerta, tentando evitar que o Tarifaço se torne a faísca de um colapso estrutural. Até lá, estamos à deriva.

PIETER POOL é especialista em comércio exterior, com mais de 23 anos de experiência em exportação, importação e desenvolvimento de mercados internacionais. Atuou em setores como madeireiro, automotivo, agroindustrial, alimentício e tecnologia, com passagem por empresas familiares, nacionais e multinacionais.  Tem sólida experiência em prospecção internacional, gestão de fornecedores, logística integrada, processos aduaneiros e desenvolvimento de produtos OEM/ODM. Também se destaca na análise financeira, gestão de indicadores e internacionalização de empresas. Foi Diretor Regional Sul da Aliança Brasil-China (2009) e tem formação em Comércio Exterior, MBA em Logística (UFPR) e Mestrado em Management (FAE/Baldwin Wallace University).

Bibliografia

https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2025/07/22/tarifaco-de-trump-industria-do-parana-amplia-ferias-coletivas-para-mais-da-metade-dos-funcionarios-e-medida-afeta-15-mil-trabalhadores.ghtml

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/tarifaco-madeireira-de-sc-da-ferias-coletivas-a-quase-500-trabalhadores

https://www.cnnbrasil.com.br/economia/negocios/setor-madeireiro-forca-ferias-e-projeta-demissoes-frente-a-tarifas-de-trump

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