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O ESPECIALISTA: DAISE SANTOS

O Portal Único de Comércio Exterior pode gerar uma economia anual de até R$ 52 bilhões para o Brasil, segundo estudo da CNI. Essa transformação digital promete ganhos expressivos de produtividade, redução de custos e maior competitividade internacional.

Os impactos econômicos do Portal Único de Comércio Exterior: uma revolução silenciosa no comércio internacional brasileiro

O comércio exterior brasileiro está passando por uma transformação profunda com a implementação do Portal Único de Comércio Exterior, uma iniciativa que visa integrar, simplificar e digitalizar os processos de importação e exportação no país. Segundo o estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os impactos econômicos dessa mudança são significativos e podem reposicionar o Brasil no cenário global.

Eficiência aduaneira e redução de custos

O estudo da CNI estima que o Portal Único pode gerar uma economia de até R$ 52 bilhões por ano para o Brasil. Esse valor é dividido entre R$ 36,6 bilhões em importações e R$ 15,4 bilhões em exportações, refletindo ganhos diretos com a redução de tempo, burocracia e custos operacionais.

A digitalização dos processos permite uma redução de até 90% no tempo de liberação de mercadorias importadas e 25% nas exportações, o que representa um salto de eficiência para empresas que dependem de agilidade logística para competir internacionalmente.

Integração entre órgãos e transparência

O Portal Único conecta mais de 80 órgãos e entidades públicas em um sistema único, transparente e acessível. Essa integração elimina redundâncias, facilita o cumprimento de exigências legais e melhora a previsibilidade das operações. Para o setor produtivo, isso significa menos tempo parado em alfândegas e menos gastos com armazenagem e transporte.

Impacto por modal de transporte

O estudo também detalha os efeitos por tipo de transporte. No modal marítimo, por exemplo, a redução do tempo de comércio é especialmente relevante para setores que dependem de insumos estrangeiros, como a indústria química e de transformação. Já no transporte aéreo, os ganhos são sentidos em segmentos de alto valor agregado, como tecnologia e farmacêuticos.

Competitividade e atração de investimentos

Ao reduzir o chamado “custo Brasil”, o Portal Único torna o país mais atrativo para investimentos estrangeiros. Empresas multinacionais tendem a priorizar mercados com processos aduaneiros eficientes, e o Brasil, historicamente visto como burocrático, começa a mudar essa percepção.

Além disso, a iniciativa está alinhada com os compromissos do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), reforçando a imagem do país como parceiro confiável no comércio internacional.

Conclusão: uma mudança estrutural

Mais do que uma ferramenta tecnológica, o Portal Único representa uma mudança estrutural na forma como o Brasil se relaciona com o comércio exterior. Os ganhos econômicos projetados pela CNI mostram que a digitalização e a simplificação dos processos não são apenas desejáveis, mas essenciais para o crescimento sustentável da economia brasileira.

Empresas, governos e operadores logísticos devem se preparar para essa nova realidade, aproveitando os benefícios e contribuindo para o aperfeiçoamento contínuo do sistema.

Para acessar o estudo completo da CNI, visite este link.

Daise Santos é diretora na DS COMEX, empresa especializada em soluções estratégicas para o comércio internacional e colaboradora do ReConecta News. Formada em Comércio Exterior e com MBA em Global Trade, combinando prática sólida com visão estratégica internacional. Com 20 anos de experiência em Comércio Exterior, atuando nas áreas de importação, exportação, órgãos anuentes, Novo Processo de Importação, catálogo de produtos dentre outros. E também participa como vice coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior da Associação Empresarial de Itajaí (ACII), onde contribui para o fortalecimento e modernização do setor na região.

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