Comércio Exterior

Infraestrutura e desempenho portuário permanecem como desafios centrais para o comércio exterior brasileiro

Um conjunto de levantamentos divulgados por entidades do setor produtivo aponta que o custo de transporte e a ineficiência portuária continuam entre os principais entraves para a competitividade das exportações brasileiras. Os dados mostram que o país enfrenta limitações históricas em infraestrutura, que afetam diretamente o desempenho das empresas que atuam no comércio internacional.

O estudo mais recente da Confederação Nacional da Indústria indica que os custos logísticos representam, em média, 12,4% do faturamento das empresas voltadas ao mercado externo. O percentual é mais que o dobro do observado em países que lideram o comércio global, onde o indicador costuma permanecer entre 6% e 8%.

Outro ponto identificado é o tempo de permanência das cargas nos portos. Informações reunidas pelo Banco Mundial no Índice de Desempenho Logístico mostram que o Brasil ainda figura abaixo de economias emergentes da América Latina no quesito agilidade portuária. O tempo médio entre chegada, inspeção, carregamento e liberação da carga pode ser até três vezes maior que o observado em terminais da Ásia e da Europa.

A combinação entre alto custo de transporte terrestre e limitação operacional nos portos afeta tanto exportadores quanto importadores. No caso das exportações, os produtos chegam ao mercado externo com menor margem competitiva. Já nas importações, o impacto aparece no preço final, no prazo de entrega e na capacidade de abastecimento das cadeias internas.

Estrutura logística e gargalos operacionais

O Instituto de Logística e Supply Chain aponta que o transporte rodoviário concentra cerca de 65% do deslocamento de cargas no país, o que aumenta a dependência de combustíveis, pedágios e manutenção de frota. Em regiões em que as rotas passam por estradas com pavimentação irregular, o tempo de transporte pode dobrar em comparação a trajetos equivalentes em países com matriz logística mais diversificada.

Nos portos, a limitação de calado, a baixa automação de pátios e o uso reduzido de sistemas integrados de gestão continuam entre os principais fatores que ampliam o tempo de espera para atracação. Dados recentes da Antaq mostram que o tempo médio de fila para navios de container variou acima da média global em diversos terminais ao longo de 2024.

Os setores mais impactados são o agronegócio, a indústria de transformação e os embarcadores de produtos de alto valor agregado. Em períodos de safra, a combinação de picos de demanda e gargalos estruturais afeta a fluidez das operações, ampliando custos de armazenagem e estendendo prazos logísticos.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil também registrou aumento no custo logístico para exportadores de grãos. O deslocamento de cargas do Centro-Oeste até os portos do Sudeste pode representar até 30% do valor do produto em determinadas rotas, o que limita a competitividade frente a países que possuem corredores ferroviários ou hidrovias mais consolidados.

Impactos diretos na cadeia importadora e exportadora

O cenário atual aponta que a ineficiência logística não atinge apenas quem envia produtos ao exterior. Importadores também enfrentam custos adicionais com armazenagem, demurrage e variações de prazos decorrentes da lentidão operacional. Relatórios recentes do setor marítimo indicam que atrasos recorrentes influenciam diretamente a formação de preços e a previsibilidade das cadeias internas de suprimento.

A falta de integração entre transporte terrestre, terminais portuários e sistemas aduaneiros aparece como um dos fatores centrais. Empresas que dependem de insumos importados relatam que a instabilidade logística interfere na produção e na capacidade de atender à demanda interna. O problema se intensifica em segmentos que operam com estoques reduzidos.

A discussão sobre infraestrutura volta ao centro do debate econômico com os dados apresentados este ano. Enquanto investimentos em corredores logísticos avançam em países concorrentes, o Brasil mantém gargalos que repercutem em toda a cadeia importadora e exportadora. A capacidade de reduzir esses custos e ampliar a eficiência portuária será determinante para posicionar o país de forma mais competitiva no comércio global.

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