Internacional

Donald Trump põe fim ao acordo de emissões zero para o transporte marítimo

Os Estados Unidos rejeitaram a proposta da Organização Marítima Internacional (OMI) para o chamado “Marco de Emissões Líquidas Zero”, que visa reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa no setor de transporte marítimo internacional, e ameaçaram impor sanções aos países que a apoiarem.

O anúncio foi feito conjuntamente pelo Secretário de Estado Marco Rubio, pelo Secretário de Comércio Howard Latnick, pelo Secretário de Energia Chris Wright e pelo Secretário de Transportes Sean Duffy. Trata-se de uma medida do presidente dos EUA, Donald Trump, que antecede uma votação prevista para outubro na ONU sobre a adoção da proposta de transporte marítimo com emissões zero.

A medida também ocorre enquanto a administração Trump utiliza tarifas como forma de pressionar líderes de outros países, incluindo China, Índia e Brasil, e à medida que os EUA retiram seu apoio a regulamentações voltadas para conter as mudanças climáticas, comentou a Reuters.

Donald Trump afirmou ainda que está retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o Clima, que estabelece a meta de alcançar emissões líquidas zero até 2050.

“A administração Trump rejeita categoricamente esta proposta perante a OMI e não tolerará qualquer ação que aumente os custos para nossos cidadãos, fornecedores de energia, empresas de transporte marítimo, seus clientes ou turistas”, disse o comunicado dos principais ministros dos EUA sobre o marco de transporte marítimo com emissões zero.

“Os membros da OMI devem saber que buscaremos seu apoio contra esta ação e não hesitaremos em reagir ou explorar soluções para nossos cidadãos, caso esse esforço fracasse”, acrescentou.

Os Estados Unidos, um dos 176 países membros da OMI, se retiraram das negociações sobre o marco de emissões zero em abril e instaram os demais membros da organização a reconsiderarem seu apoio à proposta, segundo um memorando citado pela Reuters.

O histórico

Os países membros da OMI concordaram com o marco de emissões zero em abril, após uma votação por maioria simples. Dos que votaram, 63 – incluindo China, Brasil e países da União Europeia – foram favoráveis, enquanto apenas 16 votaram contra.

Em outubro, a proposta precisará de uma maioria de dois terços – ou seja, apoio de 108 países membros – para ser aprovada. A OMI só recorre à votação quando não há consenso entre os Estados membros sobre uma regulamentação.

Navios que cruzam oceanos transportam cerca de 80% das mercadorias do mundo e são responsáveis por quase 3% das emissões globais de carbono. O setor está sob pressão de ambientalistas e investidores para tomar medidas mais efetivas em relação ao clima, incluindo a adoção de um imposto sobre carbono.

Tudo isso levou muitas grandes empresas de transporte marítimo a assumirem o compromisso de alcançar emissões líquidas zero até 2050. Diversas entidades que representam empresas do setor apoiaram a legislação, mas também pediram medidas específicas para compensar o custo mais elevado dos combustíveis “verdes”.

O Conselho Mundial de Navegação (World Shipping Council), que representa grandes empresas, a maior transportadora de contêineres do mundo, Maersk, e a principal empresa de transporte marítimo de veículos, Wallenius Wilhelmsen, recusaram-se a comentar imediatamente os desdobramentos.

Fonte: Offshore CO²

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