Comércio Exterior, Tecnologia

Como a tecnologia está redefinindo o comércio exterior: da digitalização aduaneira à inteligência artificial

A transformação digital no comércio exterior já não é mais apenas uma vantagem competitiva — é um requisito para sobreviver e prosperar no mercado internacional. Tecnologias como Big Data, inteligência artificial, blockchain e automação estão remodelando processos, otimizando custos e ampliando as possibilidades de atuação global para empresas de todos os portes. Entender como essas ferramentas impactam o setor é essencial para quem deseja manter relevância em um cenário cada vez mais dinâmico e tecnológico.

Para aprofundar essa discussão, o ReConecta News conversou com Mariana Pires Tomelin, especialista em Comércio Exterior com mais de 15 anos de experiência, atuando de forma estratégica na internacionalização de indústrias e no desenvolvimento de soluções para inserção em mercados globais altamente competitivos. À frente da Exon Trade Business Intelligence, lidera projetos de consultoria que unem expertise técnica com tecnologias de ponta, como Inteligência Artificial e Big Data, para transformar dados em decisões estratégicas e impulsionar a performance internacional de seus clientes.

Seu trabalho é voltado à estruturação de operações internacionais eficientes, sustentáveis e personalizadas, integrando análises de mercado, compliance aduaneiro, estruturação tributária e inteligência comercial orientada por dados. Com domínio de seis idiomas — inglês, espanhol, mandarim, italiano, francês e português —, Mariana atua com fluidez em negociações multiculturais e ambientes corporativos globais.

Reconhecida por sua mentalidade visionária e por antecipar tendências, Mariana é referência na aplicação de business intelligence internacional, transformando desafios logísticos e comerciais em oportunidades reais de crescimento. Sua missão é clara: tornar o comércio exterior mais acessível, inteligente e inovador para empresas brasileiras que desejam conquistar o mundo.

De que forma a tecnologia tem transformado a operação das empresas no comércio exterior?

Mariana – A tecnologia tem revolucionado o comércio exterior ao automatizar processos, reduzir erros operacionais e aumentar a eficiência logística e aduaneira. Sistemas de gestão integrada (ERP), plataformas de despacho digital, inteligência artificial para classificação fiscal, rastreamento via IoT e digitalização de documentos permitem que uma exportação ou importação que antes levava semanas, hoje seja conduzida com mais agilidade e segurança. O tempo que antes era consumido por trâmites manuais é agora redirecionado para estratégias de expansão e relacionamento comercial.

Como o uso de Big Data pode influenciar a tomada de decisão no comércio internacional?

Mariana – O Big Data é um divisor de águas. Através dele, é possível mapear o comportamento de compra global, identificar tendências emergentes, analisar volumes, preços praticados por concorrentes, rotas logísticas mais econômicas e padrões alfandegários por país. As empresas que conseguem transformar dados em inteligência competitiva têm uma vantagem enorme: negociam melhor, alocam recursos de forma mais estratégica e entram em mercados com maior taxa de sucesso. A tecnologia de dados virou um verdadeiro radar comercial.

De que maneira a inteligência artificial pode apoiar a competitividade de empresas exportadoras?

Mariana – A inteligência artificial atua desde a previsão de demanda até a otimização fiscal e logística. Algoritmos podem recomendar mercados com maior probabilidade de sucesso para um produto específico, simular cenários com base em variações cambiais e sugerir ajustes na precificação para manter margens de lucro em mercados voláteis. Além disso, chatbots multilíngues, motores de recomendação e análise automatizada de contratos internacionais são aplicações reais que trazem ganho de escala e excelência operacional.

Como a digitalização dos processos aduaneiros tem impactado o setor de comércio exterior?

Mariana – A digitalização trouxe um ganho incalculável de tempo e transparência. Plataformas como o Portal Único do Comércio Exterior, junto a certificados digitais, blockchain para rastreabilidade de origem e sistemas de compliance automatizado, permitem operações mais fluidas e menos sujeitas a penalidades. A burocracia, embora ainda presente, se tornou mais previsível e menos onerosa com a digitalização, permitindo que até empresas de menor porte ingressem com mais confiança no mercado global.

Quais tecnologias emergentes devem moldar o futuro do comércio internacional nos próximos anos?

Mariana – Tecnologias como blockchain para autenticação de documentos, gêmeos digitais para simulação logística, inteligência artificial para análise preditiva de mercado, e realidade aumentada para apresentações de produtos à distância estão no radar do comércio internacional. Além disso, plataformas de integração global que conectam fornecedores, distribuidores, agentes de carga e aduanas em tempo real tendem a formar uma nova arquitetura digital do comércio mundial, tornando o setor mais colaborativo, rastreável e escalável. O futuro do comércio exterior será tecnológico ou simplesmente não será competitivo.

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