Inovação, Mercado de trabalho, Tecnologia

Empresas querem funcionários que se adaptem à inteligência artificial, diz estudo

Pesquisa ouviu 2 mil organizações de 13 países e 17 setores econômicos; confira dicas para companhias e trabalhadores se aproximarem desta ferramenta

Uma pesquisa com 2 mil empresas de 13 países revela que 60% esperam que seus colaboradores atualizem suas habilidades para se adaptar à inteligência artificial.

Apesar disso, apenas 30% dos executivos destas companhias participaram de treinamentos em IA no último ano, evidenciando um descompasso entre discurso e prática.

O estudo, conduzido pelo Grupo Adecco, empresa suíça de gestão de recursos humanos, também mostra que 34% das organizações não têm políticas claras sobre o uso da tecnologia no ambiente de trabalho.

“A transformação impulsionada pela IA deve ser centrada nas pessoas e exige estratégia unificada. Para que as organizações permaneçam competitivas, os líderes devem alinhar uma visão compartilhada, começando por preencher a lacuna entre talento e tecnologia”, diz Denis Machuel, CEO do Grupo Adecco.

As organizações classificadas como “preparadas para o futuro” têm pontos em comum: 65% adotam força de trabalho baseada em habilidades, 71% confiam em suas estratégias de implementação de IA e 64% relatam que o uso da tecnologia pela liderança melhora a tomada de decisões.

DICAS

A partir do estudo, a Indústria News reuniu dicas para empresas e trabalhadores que ainda não usam IA se aproximarem dela.

➤ Empresas

1. Mapeie oportunidades de uso da IA internamente – Avalie onde a tecnologia pode reduzir custos, aumentar produtividade ou melhorar decisões.

2. Invista na formação da liderança – Os gestores devem entender o potencial e os riscos da IA para orientar suas equipes.

3. Crie políticas claras sobre uso de IA – Defina limites, responsabilidades e diretrizes para o uso ético da tecnologia.

4. Estimule uma cultura de aprendizagem contínua – Capacite os times e valorize quem busca se atualizar.

5. Comece com projetos-piloto – Implante a IA de forma gradual, com testes em áreas específicas, medindo resultados antes de escalar.

➤ Trabalhadores

1. Aprenda o básico – Plataformas como Coursera e até o YouTube oferecem cursos introdutórios gratuitos.

2. Foque em IA aplicada à sua área – Busque exemplos de uso da IA no seu setor; isso facilita a relação com a tecnologia.

3. Participe de comunidades online – Fóruns, newsletters e grupos no LinkedIn ajudam a acompanhar tendências.

4. Adote ferramentas de IA no dia a dia – Use IA para atividades de lazer, como modificações de foto para redes sociais, e de trabalho, como recriar ou gerar tabelas

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior, Gestão, Industria, Logística, Negócios, Sustentabilidade, Tecnologia

O ESPECIALISTA: ANDREY LEANDRO 

De executor a estrategista de supply: a transformação das compras internacionais no Brasil 

Há pouco mais de uma década, bastava importar para vender. O Brasil vivia um boom de consumo e um mercado menos competitivo, onde praticamente tudo o que se importava se vendia. Mas o tempo passou, os players aumentaram e os desafios se multiplicaram. A globalização acelerada, somada à instabilidade econômica e às rupturas logísticas, como a pandemia, exigiu muito mais do que apenas bons fornecedores e negociações de preço. Foi o início da transformação: o comprador precisava deixar de ser um executor de pedidos para se tornar um estrategista de supply

Essa mudança não foi apenas de nomenclatura — foi de mentalidade, estrutura e visão. Vivenciei isso de perto ao longo dos últimos 15 anos, enfrentando decisões críticas em momentos de crise e de crescimento. Aprendemos que o sucesso de uma operação de compras internacionais está diretamente ligado ao alinhamento com o time comercial, ao entendimento do mercado consumidor e, principalmente, à capacidade de planejar com meses de antecedência a demanda futura, mesmo diante de um cenário incerto. Ou seja, integrando compras, vendas e estratégia. 

Hoje, o profissional que atua nessa área precisa ser multifuncional: entender de logística, regulação, finanças, tecnologia e, sobretudo, de comportamento humano. Saber o que o time comercial precisa vender e o que o cliente final deseja comprar se tornou tão importante quanto conseguir o melhor lead time ou condição comercial. 

Nesse contexto, o Brasil forma alguns dos compradores mais resilientes do mundo. Afinal, navegamos diariamente por mares turbulentos: câmbio volátil, mudanças regulatórias, burocracia alfandegária, gargalos logísticos e, por vezes, interpretações subjetivas das autoridades. Ainda assim, seguimos entregando resultados, porque combinamos planejamento, tecnologia, relacionamento e, claro, muita criatividade. 

O futuro aponta para uma jornada ainda mais estratégica. A digitalização, a automação, a sustentabilidade e os novos acordos comerciais vão moldar os próximos anos. E quem quiser se destacar nesse cenário precisará ir além das hard skills. Será necessário cultivar autoconhecimento, networking e resiliência. Porque o sucesso duradouro não vem em 10 segundos, como um vídeo viral. Ele é construído dia após dia, com visão, paciência e propósito. 

Para evoluir, o mindset também precisa mudar: 

  • Do foco no resultado imediato → para a valorização do processo. 
  • Da busca por cargos→ para a entrega de valor real. 
  • Da pressa → para a construção consistente. 

É por isso que, mais do que ser apenas um bom comprador que simplesmente monta um pedido e negocia o preço, acredito que, na importação, é preciso ser um estrategista de supply — um conector de soluções globais. Sourcing internacional é muito mais do que encontrar preços baixos: é encontrar parceiros confiáveis, tecnologias de ponta e soluções sob medida que tragam resultados reais. 

Atuo como um hub global de sourcing, com presença forte na Ásia e parceiros estratégicos em todo o mundo. Da prospecção e homologação de fornecedores, passando por auditorias, inspeções e negociações, até o acompanhamento logístico e técnico da produção, minha missão é transformar o acesso a mercados internacionais em vantagem competitiva sustentável. 

Já ajudei indústrias a dobrarem sua produção com o mesmo número de colaboradores, graças à introdução de máquinas mais modernas e automatizadas. Também eliminei elos da cadeia de fornecimento, proporcionando reduções de até 40% no custo final de produtos. 

Trabalho com profundidade técnica, sensibilidade cultural e estratégia comercial para garantir que cada decisão de sourcing seja segura, eficaz e orientada ao crescimento. 

Sourcing internacional é uma alavanca de crescimento quando bem-feito — e estou aqui para fazer isso com você! 

QUEM É ANDREY LEANDRO? 

Andrey Silvino Leandro é um profissional com mais de 15 anos de experiência em compras internacionais, sourcing e desenvolvimento de fornecedores. Atualmente, é fundador da Marco Polo Trade Experts, empresa especializada em conectar empresas brasileiras a fornecedores globais, facilitando processos de importação e promovendo soluções estratégicas no comércio exterior. Reconhecido por seu networking global e visão estratégica, Andrey é um facilitador de importações e um conector de soluções globais, com profundo conhecimento em logística, regulação, finanças e comportamento de consumo. Sua trajetória é marcada por resiliência, inovação e uma abordagem integrada entre compras, vendas e estratégia. 

Graduado em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI/SC), com pós-graduação em Gestão Organizacional, Logística e Comércio Exterior pela mesma instituição. Além da formação no Program for Management Development (PMD) – um programa internacional de Direção Geral voltado a executivos e diretores no IESE Business School – onde foi exposto a decisões de alta complexidade, exigindo uma visão estratégica e integrada da gestão empresarial. Provocado a pensar de forma inovadora os desafios organizacionais, aprimorar a liderança e fortalecer a capacidade de execução, além de ampliar a rede global de relações. 

Contato:
https://www.linkedin.com/in/andrey-silvino-leandro/

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Inovação, Tecnologia

Maior marca chinesa de celulares estreia no mercado brasileiro

A marca chinesa Jovi está ampliando sua presença global com o lançamento de seus novos smartphones no Brasil. A partir deste domingo, os modelos JOVI V50 5G e JOVI V50 Lite 5G estarão disponíveis para os consumidores brasileiros, marcando um novo capítulo na estratégia de expansão da empresa.

Esta entrada no mercado brasileiro é resultado de uma parceria estratégica com a GBR, que será responsável pela produção local dos dispositivos na Zona Franca de Manaus. Além disso, a Jovi mantém sua colaboração com a Zeiss, renomada empresa de óptica, para oferecer recursos avançados de imagem em seus produtos.

O que motivou a Jovi a investir no Brasil?

A decisão da Jovi de entrar no mercado brasileiro foi cuidadosamente planejada. Segundo Allan Feng, CEO da Jovi, a empresa passou anos estudando o mercado local, identificando as preferências dos consumidores e estabelecendo parcerias essenciais. Em 2024, a Jovi formalizou sua presença no Brasil e, em 2025, iniciou a produção de smartphones no país.

Para garantir a qualidade dos produtos, a Jovi importou tecnologia de produção da China, assegurando que os dispositivos fabricados no Brasil mantenham o padrão de excelência que caracteriza a marca.

Quais são as características dos modelos JOVI V50 5G e V50 Lite 5G?

O JOVI V50 5G é projetado para usuários que buscam um dispositivo com recursos de fotografia profissional. Desenvolvido em parceria com a Zeiss, o smartphone oferece um design sofisticado, bateria de longa duração e tecnologia de carregamento rápido.

O JOVI V50 Lite 5G, por sua vez, é ideal para quem procura um aparelho elegante e funcional para o dia a dia. Com uma bateria que dura o dia inteiro e uma câmera de alta qualidade, este modelo atende às necessidades de consumidores que valorizam tanto o estilo quanto a funcionalidade.

Quais são as inovações tecnológicas dos novos smartphones?

Os novos dispositivos da Jovi vêm equipados com funcionalidades avançadas de inteligência artificial, cortesia da Plataforma Google Gemini. Entre os recursos, destacam-se ferramentas como o Circule para Pesquisar e o Apagador de Objetos, que aprimoram a experiência do usuário.

Além disso, o V50 5G inclui o Aura Light, um ring light exclusivo que permite ajustar a iluminação para capturar fotos e vídeos de alta qualidade em condições de pouca luz.

Qual é o impacto da parceria com a Zeiss?

A colaboração com a Zeiss permite que a Jovi ofereça aos consumidores brasileiros recursos de imagem de nível profissional em seus smartphones. Marisa Weis, responsável pelos negócios de celulares da Zeiss, destaca que essa parceria facilita o acesso a tecnologias avançadas de fotografia, permitindo que os usuários capturem momentos importantes com clareza e criatividade.

Com essa estratégia, a Jovi reafirma seu compromisso em proporcionar produtos inovadores e de alta qualidade, atendendo às expectativas dos consumidores mais exigentes.

Fonte: Terra Brasil

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Logística, Tecnologia

Terminal futurista em NY pode redefinir transporte urbano no mundo

A Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey deu início à construção de um novo terminal de ônibus no centro de Manhattan, um projeto que visa modernizar um dos hubs de trânsito mais antigos e movimentados da cidade. Com um investimento estimado em US$ 10 bilhões, a nova instalação substituirá o terminal atual, que já tem 74 anos e enfrenta dificuldades para atender à demanda diária de 200.000 passageiros.

O novo terminal promete acomodar até 1.000 ônibus por hora, superando a capacidade atual de 600. Além disso, a infraestrutura será adaptada para suportar ônibus modernos, incluindo aqueles que necessitam de estações de carregamento elétrico. O projeto, que deve ser concluído em 2032, começa com a construção de um deck sobre a Avenida Dyer, que servirá como uma estrada temporária e levará a uma instalação provisória de ônibus.

Quais são os principais desafios da construção?

O diretor executivo da Autoridade Portuária, Rick Cotton, alertou que os moradores de Midtown devem se preparar para anos de interrupções devido à construção. Ele destacou que, embora o processo cause transtornos, o resultado final será benéfico para a cidade. A nova instalação é vista como uma solução para o terminal atual, que é frequentemente criticado por sua infraestrutura inadequada e condições precárias.

Como o novo terminal vai beneficiar Nova York?

O novo terminal de ônibus trará uma série de melhorias para a cidade de Nova York. Entre as principais mudanças estão:

  • Maior capacidade de acomodação de ônibus e passageiros.
  • Infraestrutura moderna com grandes janelas de vidro e um átrio para luz natural.
  • Espaço público de 3,5 acres sobre a Avenida Dyer.
  • Entrada principal localizada na West 41st Street, entre a oitava e nona avenidas.

A governadora Kathy Hochul enfatizou a importância do projeto para a imagem da cidade, afirmando que a nova estação será uma primeira impressão positiva para muitos visitantes.

Como será pago o novo terminal de ônibus?
O financiamento do projeto ainda não está totalmente garantido. Até o momento, a Autoridade Portuária assegurou um empréstimo federal de US$ 2 bilhões e comprometeu US$ 3 bilhões de seu próprio orçamento. No entanto, ainda há um déficit de US$ 2 bilhões, que as autoridades esperam cobrir com taxas de novos arranha-céus planejados para a área ao redor do terminal.

Com a construção em andamento, a expectativa é que o novo terminal de ônibus transforme significativamente a experiência de transporte em Nova York, oferecendo uma infraestrutura moderna e eficiente para os passageiros e contribuindo para a revitalização da área de Midtown.

Fonte: Terra Brasil

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Investimento, Tecnologia

Brasil está entre os últimos do G20 em investimento no setor espacial, alerta CNI

Orçamento brasileiro fica atrás de nações com menor PIB, território e população como Austrália, África do Sul, Argentina e Arábia Saudita

O Brasil tem o segundo menor investimento no setor espacial do G20, mostra um levantamento inédito da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Estratégico para soberania, desenvolvimento e exploração de novas tecnologias, o setor espacial brasileiro recebeu US$ 47 milhões em recursos públicos em 2023, o equivalente a 0,002% do PIB do Brasil. O montante posiciona o país à frente apenas do México – entre os países e blocos que compõem as 20 maiores economias do mundo – e é cerca de 30 vezes menor do que a média do grupo.

O levantamento da CNI revela todo o ranking, que tem como líder os Estados Unidos. Em 2023, os norte-americanos tiveram um PIB de US$ 27,7 trilhões e investiram US$ 73,2 bilhões no setor, o equivalente a 0,264% do PIB. Em segundo lugar, a Rússia investiu 0,169% do PIB de US$ 2,02 trilhões. A França foi a terceira nação que mais investiu no setor espacial: 0,114% do PIB de US$ 3,05 trilhões.

Usados em áreas estratégicas como comunicação, observação da terra, geolocalização, previsão do tempo, defesa, exploração espacial e voo tripulado, os satélites são ferramentas cada vez mais essenciais em nosso dia a dia. Apenas em 2023, a indústria espacial movimentou cerca de US$ 400 bilhões em todo o globo. Desse total, 71% do faturamento vem da indústria de satélites. Segundo estimativas do Morgan Stanley, o setor deve criar receitas de mais de US$ 1 trilhão até 2040.

O Brasil investe menos no setor espacial do que nações do G20 com menores níveis de PIB, de população e de território, como Austrália, África do Sul, Argentina, Arábia Saudita e Turquia. Como comparação, a África do Sul teve, em 2023, o PIB de US$ 380,7 bilhões (5,7 vezes menor que o brasileiro). Mesmo assim, o orçamento espacial sul-africano foi de US$ 128 milhões (2,7 vezes maior que o brasileiro).

Os governos têm papel essencial na expansão do setor espacial, sendo responsáveis pela maior parte do financiamento global. Segundo dados da Euroconsult, em 2023, o aporte governamental mundial em programas espaciais foi de US$ 117 bilhões. Dois países (Estados Unidos e China) foram responsáveis por 74,7% desse montante. O Brasil representa apenas 0,04% do orçamento mundial. No mesmo ano, segundo a Space Capital, o investimento privado foi de US$ 18,4 bilhões.

“O grande problema de o país investir pouco em engenharia aeroespacial nacionalmente é que, quando você tem a necessidade de comprar serviços desenvolvidos por satélites estrangeiros, você está financiando o desenvolvimento espacial de outras nações e, ao mesmo, deixando de aproveitar e desenvolver a indústria nacional do setor”, destaca o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira.

Alta dependência de satélites estrangeiros

O estudo da CNI traz recortes que demonstram a alta dependência mundial do serviço de navegação conhecido como GPS, usado diariamente em serviços de transporte por aplicativo, de entregas e de geolocalização, desenvolvido e mantido pelos Estados Unidos.

Segundo dados da London Economics, uma suspensão no acesso ao sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS da sigla em inglês) por cinco dias traria perdas econômicas da ordem de R$ 32 bilhões. Outro estudo e O’Connor et. al estima perdas econômicas, apenas nos Estados Unidos, de R$ 153,3 bilhões por uma interrupção de 30 dias no sinal do GPS, podendo chegar a R$ 230 bilhões em períodos críticos para a agricultura – de R$ 5,1 bilhões a R$ 7,7 bilhões por dia.

Atualmente, o Brasil opera apenas 24 satélites, entre mais de 13 mil satélites em órbita, e por isso é dependente da infraestrutura estrangeira. Um levantamento do Programa Espacial Brasileiro (PEB) mostra que apenas o Poder Executivo demanda, anualmente, R$ 860 milhões em serviços espaciais. O histórico de baixo investimento no setor impede a redução da dependência por satélites estrangeiros. Entre 2013 e 2023, o orçamento destinado à Agência Espacial Brasileira (AEB) caiu 68%.

De acordo com o Competitividade Brasil 2023-2024, elaborado pela CNI, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking no fator de infraestrutura digital e urbana, em relação a 18 países, que leva em consideração, entre os principais requisitos, satélites em órbita. Os Estados Unidos lideram o ranking enquanto Peru, Índia e Colômbia aparecem atrás do Brasil.

Uma eventual perda de acesso ao GPS causaria interrupções nos serviços de telecomunicações, transporte, no sistema financeiro, na agricultura de precisão, entre outras atividades militares, governamentais e comerciais, provocando um verdadeiro “apagão nacional”.

Atentos a esses possíveis riscos, países como Índia e Japão desenvolveram sistemas de posicionamento próprios. Outros, como Turquia e Emirados Árabes Unidos, estão criando seus próprios sistemas de geolocalização.

Investir no setor espacial significa depender menos dos satélites estrangeiros. Em 2019, por exemplo, o Brasil poderia ter identificado com mais rapidez o derramamento de petróleo na costa do Nordeste e do Sudeste e, consequentemente, atuado com mais rapidez para conter as manchas. Naquela ocasião, o governo brasileiro dependeu de apoio internacional para investigar o caso, o que acabou afetando por mais tempo o meio-ambiente e as atividades pesqueira e turística da região.

“É importante reduzir a dependência do Brasil por infraestrutura espacial estrangeira. Para isso, é fundamental aumentar o investimento no setor. A experiência internacional mostra que o investimento governamental reduz o risco dos projetos e mobiliza o capital privado ao gerar demanda no setor. Instrumentos como as missões espaciais, os editais de financiamento e subvenção e as encomendas tecnológicas podem ser usados para aumentar o engajamento no setor”, sugere Silveira.

Novos investimentos e previsão de recuperação do setor nos próximos 10 anos

O Brasil tem oportunidades no setor aeroespacial. Segundo a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), o país poderia mudar o cenário de poucos investimentos em um horizonte de 10 anos. “A indústria espacial brasileira pode ser protagonista global, assim como a respeitada indústria aeronáutica. Atualmente dependemos de satélites estrangeiros para atender a necessidades básicas da sociedade brasileira. Temos que mitigar essa vulnerabilidade que ameaça nossa soberania”, avalia o presidente da AIAB, Julio Shidara.

Projetos recentes demonstram que o país tem capacidade de desenvolver o setor espacial. Em 2022, foi lançado o Amazonia-1, o primeiro satélite 100% brasileiro. O satélite foi o primeiro completamente projetado, integrado, testado e operado pelo país.

Em abril de 2023, o primeiro satélite privado de alto desempenho desenvolvido pela indústria brasileira foi lançado. O VCUB1 foi desenvolvido pela Visiona em uma rede de parceiros que inclui o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados e será usado para observação da Terra e coleta de dados. Essa parceria continua com o desenvolvimento do SatVHR, um satélite brasileiro de pequeno porte e alta resolução que poderá ser usado para monitorar florestas, rios e mares, ajudar no planejamento de cidades e auxiliar no processo de digitalização da agricultura.

Outro importante projeto em desenvolvimento é o Constelação Catarina. Serão construídos 12 nanossatélites para realizar o sensoriamento remoto do território e atmosfera. O projeto é uma parceria entre o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Entre 2022 e 2023, a Finep lançou três editais para incentivar a inovação no setor aeroespacial. Os investimentos somam R$ 991 milhões em recursos para subvenção e investimento privado. Os recursos serão destinados para desenvolvimento de plataformas demonstradoras de novas tecnologias aeronáuticas; desenvolvimento de satélite de pequeno porte de observação da Terra de alta resolução; e desenvolvimento e lançamento de veículos de pequeno porte para lançamento de nano e/ou microssatélites.

No início de 2024, foi firmado um Acordo de Parceria entre o SENAI-CIMATEC, o Governo Federal e o Governo da Bahia para a criação do Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia. O parque vai integrar atividades de ensino, pesquisas avançadas e inovação no campo aeroespacial.

Nova Indústria Brasil (NIB) – R$ 113 bilhões para a indústria de defesa

O setor aeroespacial também é contemplado na Nova Indústria Brasil (NIB) – política industrial orientada por missões proposta pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). A missão 6 da NIB visa aumentar a autonomia e a soberania do país no setor aeroespacial.

Ao todo, serão aportados cerca de R$113 bilhões na missão, que busca ampliar o domínio brasileiro em áreas como radares, satélites e foguetes. Os investimentos públicos incluem o PAC Defesa, com mais de R$ 31 bilhões, para projetos como o caça Gripen, o avião cargueiro KC-390, viaturas blindadas, fragatas e submarinos.

A prioridade será para ações voltadas ao desenvolvimento de energia nuclear, sistemas de comunicação e monitoramento climático, tecnologia de propulsão, além de veículos autônomos e controlados de forma remota.  

A missão tem a meta de alcançar, até 2026, até 55% de domínio das tecnologias críticas para a defesa, e até 2033, cerca de 75% de domínio. Para se ter uma ideia, atualmente a indústria de defesa brasileira possui 42,7% de domínio dessas tecnologias críticas para o setor.  

O tema também está presente no Mapa Estratégico da Indústria da CNI (2023 – 2032) e no Plano de Retomada da Indústria, que recomendou, entre outras prioridades, o investimento em tecnologias e inovações de uso dual, que têm aplicação tanto no meio civil como militar, o que fortalece a indústria de defesa e segurança nacional.

Fonte: FIESC

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Informação, Tecnologia

Demanda de energia vai explodir no Brasil. Culpa de carros elétricos, data centers e hidrogênio verde

Projeção da consultoria Aurora Energy Research indica que essas três tecnologias vão ampliar fatia do consumo nacional de energia de 2% para 16% até 2060, impactando todo o sistema

Um estudo da consultoria internacional Aurora Energy Research, apresentado nesta terça-feira, 27 de maio, traz uma projeção sobre a demanda de energia elétrica no País nas próximas décadas, indicando que ela será impulsionada não mais por setores tradicionais – como o industrial, o comercial e o residencial – e sim por novas tecnologias em rápida expansão.

A consultoria prevê a ascensão de três tecnologias emergentes – veículos elétricos (VEs), data centers e eletrolisadores de hidrogênio – como grandes consumidores de energia do País até 2060, pulando dos atuais 2% para 16%.

“Historicamente, o consumo de eletricidade no Brasil tem acompanhado tendências macroeconômicas e populacionais, mas a ascensão de veículos elétricos, data centers e eletrolisadores de hidrogênio pode interromper esse padrão”, afirma ao NeoFeed Matheus Dias, pesquisador sênior associado da Aurora Energy Research e responsável pelo estudo.

Segundo ele, a eletrificação de setores da indústria – como de ferro e aço – também deve impactar na demanda de consumo, mas numa escala menor em relação às três tecnologias analisadas.

De qualquer forma, prossegue Dias, essa mudança deve exigir aumento de capacidade térmica e renovável do sistema elétrico, além de desenvolvimento regulatório e das condições de mercado para atender a demanda. Já a demanda básica de consumidores industriais, comerciais e residenciais deve crescer apenas moderadamente.

O estudo prevê que os veículos elétricos, sozinhos, representem 3% da demanda por eletricidade até 2060 se atingirem 20% de penetração na frota. Caso os VEs cheguem a 100% da frota, a demanda por energia desse segmento tende a aumentar para 16%. “O avanço da frota de VEs no Brasil tende a ser menor porque temos uma vocação de produzir biocombustíveis, que devem prevalecer”, observa Dias.

Já os data centers devem contribuir com 4% da demanda total de energia até 2060 de forma inflexível, devido à necessidade de alta disponibilidade e de carga base constante.

O estudo lembra que já foram submetidos cerca de 15 gigawatts (GW) em pedidos de conexão para data centers até 2035. Mesmo assim, a consultoria projetou apenas 4,75 GW de nova capacidade de data centers no Brasil para aquele ano, considerando as limitações atuais do setor elétrico.

“Uma pesquisa recente da Aurora indicou que 58% dos entrevistados identificaram os data centers como o segmento de demanda com grande crescimento, mas também apontaram a infraestrutura da rede elétrica como o principal obstáculo para a concretização desse crescimento”, afirma Dias.

Chamou a atenção no estudo a previsão de que os eletrolisadores de hidrogênio, usados no processo para criar o hidrogênio verde, apresentem o crescimento mais rápido entre as tecnologias estudadas. Isso se deve à demanda europeia de importação de hidrogênio verde e ao crescimento do mercado interno.

Neste sentido, a Aurora prevê que os eletrolisadores no Brasil representem 8% da demanda total de eletricidade até 2060, apoiados por um pipeline robusto de projetos de grande escala.

Dois cenários

Parte do estudo foi dedicada para avaliar como essas novas tecnologias vão impactar a capacidade estrutural do sistema elétrico.

Seu potencial em larga escala afetará o planejamento de capacidade de longo prazo, enquanto a flexibilidade de carga, dependendo de como se desenvolver, poderá remodelar a dinâmica dos preços intradiários e impactar a eficiência do sistema.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por exemplo, rejeitou este ano os primeiros grandes projetos de hidrogênio verde e de data centers no complexo do Pecém – um hub de energia verde que está sendo montado próximo a Fortaleza -, alegando risco de sobrecarga no Sistema Interconectado Nacional (SIN).

Por essa razão, a Aurora desenvolveu dois cenários alternativos para tentar casar as previsões de demanda de energia com o eventual aumento de capacidade do sistema elétrico para atender esse aumento de consumo.

O primeiro deles – “Cenário de Crescimento Ambicioso” – prevê que a expansão mais rápida desses três setores vai exigir um aumento de 20% de capacidade renovável – o equivalente a 36 gigawatts (GW) adicionais à capacidade atual, de 175,6 GW.

A ampliação da capacidade térmica deverá ser bem maior, de 45%. Ou seja, aos atuais 30,6 GW serão necessários mais 14GW de capacidade térmica até 2060.

Já o “Cenário de Maior Flexibilidade” considera uma maior flexibilidade no consumo de veículos elétricos e de eletrolisadores de hidrogênio. De acordo com o estudo, essa flexibilidade levaria a um aumento nos preços capturado pela energia solar e um efeito positivo, a redução de 55% dos cortes de geração para não sobrecarregar a rede – o chamado curtailment – até 2060.

O pesquisador da Aurora afirma que a possível inclusão de térmicas a gás e carvão previstos nos jabutis da Lei de Eólica Offshore – cujos vetos podem cair no Congresso Nacional – não entrou no cálculo. “Mas esses jabutis, se confirmados, certamente vão afetar o despacho térmico”, afirma.

Dias acredita que o estudo suscita algumas reflexões importantes. Uma delas é que o Brasil é um agente competitivo para alocar essas demandas.

“O gargalo atual é a transmissão, isso impacta tanto para data center como para hidrogênio verde”, acrescenta. Essa “trava” tem um motivo: o sistema não é resiliente o suficiente para suportar tanta transmissão. “Melhorando esse gargalo, novas cargas podem vir para o Brasil, mas o perfil dessas cargas é essencial”, adverte.

Os data centers, explica Dias, têm um perfil de carga flat, que roda o tempo todo, sem impactar de forma relevante no curtailment ou na volatilidade intradiária.

“Isso se aplica aos data centers de IA, que não têm uma latência importante, são menos dependentes de linhas de transmissão; já os data centers de nuvem, com exigência de latência alta, precisam estar perto da demanda, o que explica a maioria estar localizada no Sudeste, região bem servida de linhões”, explica.

A outra conclusão é que a demanda de energia por essas novas tecnologias ainda é incerta. “Vai depender do potencial de crescimento no Brasil e, principalmente, do aumento de demanda de energia de data centers”, afirma Dias. “Além disso é preciso averiguar a expansão global de outras tecnologias, como de inteligência artificial, isso pode alterar todo o quadro no longo prazo.”

Fonte: NeoFeed

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Mercado Internacional, Tecnologia

Audaces anuncia nova unidade na Índia e amplia presença na Ásia

Empresa de tecnologia para a indústria da moda planeja iniciar operação em 2026; já possui operação em Florianópolis, Palhoça, Joinville, além dos Estados Unidos, Itália, Portugal, México e Colômbia

Presente em mais de 100 países, a Audaces, empresa de tecnologia para a indústria têxtil e de confecções, vai ampliar sua atuação na Ásia. A empresa de Florianópolis deve abrir em 2026 uma unidade na Índia, revelou o empresário Claudio Grando na reunião de diretoria da FIESC nesta sexta-feira, dia 23. 

A Audaces já possui operação em Florianópolis, Palhoça, Joinville, além dos Estados Unidos, Itália, Portugal, México e Colômbia. Atende clientes nacionais, como Latam, Renner, C&A, Morena Rosa e Farm, além de internacionais, como Dolce e Gabbana e Giorgio Armani. 

“Ser multinacional nos permite compreender os movimentos que acontecem na moda e qual é o futuro deste segmento, principalmente em termos de modelos de negócios. Assim, conseguimos entender quais tecnologias a gente pode desenvolver para atender modelos que estão surgindo”, frisa. 

Tecnologias em constante desenvolvimento

Há soluções sendo desenvolvidas para os próximos três anos. Grando já fala em indústria 5.0 e destaca que “para desenvolver tecnologias, a gente precisa focar em crescimento”. O executivo frisa ainda que a indústria catarinense faz coisas fantásticas e precisa buscar mercados de maior valor agregado.

Atualmente, cerca 20 mil indústrias são atendidas e 80 mil profissionais utilizam softwares e equipamentos desenvolvidos pela Audaces, famosos por acelerar processos criativos e otimizar o tempo de produção. 

Fonte: FIESC

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Comércio Exterior, Informação, Logística, Negócios, Networking, Tecnologia

O ESPECIALISTA: Francine Macedo  

A Estratégia de priorizar a prevenção sobre a defesa no comércio exterior 

Acabo de retornar do prestigiado Global Trade Summit 2025, um evento que reuniu mentes brilhantes e líderes globais do comércio exterior nos dias 21, 22 e 23 de maio. Este congresso, realizado em um momento crucial de incertezas geopolíticas e avanços tecnológicos, solidificou uma convicção fundamental: a resiliência do comércio global depende intrinsecamente de uma gestão de riscos inteligente, onde a ênfase deve ser em minimizar a dependência do gerenciamento de risco defensivo e, em vez disso, focar intensamente no gerenciamento de risco preventivo

As discussões foram além das tradicionais negociações, adentrando em tópicos de segurança, vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e a necessidade de estratégias proativas para mitigar ameaças emergentes. 

Destaques e a mudança de paradigma: da defesa à prevenção 

O Global Trade Summit 2025 serviu como um palco para debates vigorosos sobre a complexidade do ambiente de negócios atual. Entre os diversos painéis e palestras, um tema ecoava constantemente: a inevitabilidade de riscos e a urgência de abordá-los de forma estratégica, mas com uma clara inclinação para a antecipação em detrimento da reação. 

Historicamente, muitas organizações operavam com um modelo de “gerenciamento de risco defensivo”. Isso se traduz em, por exemplo, contratar um seguro após um grande roubo de carga, ou diversificar fornecedores depois que um único fornecedor falhou. Embora necessárias em momentos de crise, essas são ações reativas, que buscam mitigar danos após um evento adverso já ter ocorrido. O que torna essa postura insuficiente e cara. 

A tônica foi a necessidade de reduzir a dependência de estratégias puramente defensivas através de uma prevenção superior. Ao construir um sistema intrinsecamente seguro, resiliente e proativo, a necessidade de “se defender” constantemente de eventos já em andamento é significativamente diminuída. 

Minimizando o gerenciamento de risco defensivo através da proatividade 

A abordagem que mais ganhou força foi a de que, em vez de se preparar exaustivamente para reagir a incidentes, o foco deve ser em blindar o ambiente do comércio exterior de tal forma que a ocorrência de eventos adversos se torne cada vez mais improvável, e seu impacto, irrisório. 

  • Design de resiliência desde o Início: construir sistemas digitais e físicos inerentemente seguros. 
  • Monitoramento preditivo e análise de comportamento: Utilizar a IA para identificar ameaças antes que se materializem. 
  • Colaboração em segurança: compartilhar inteligência sobre vulnerabilidades entre setores público e privado. 

O Gerenciamento de risco preventivo: a espinha dorsal da resiliência sustentável 

O ponto central da minha experiência no Global Trade Summit 2025 foi a unânime priorização do gerenciamento de risco preventivo. É a arte de antecipar problemas, construir sistemas que os evitem ou que minimizem seu impacto de forma orgânica, antes mesmo que se tornem uma ameaça que exija uma “defesa”. 

  • Diversificação estratégica da cadeia de suprimentos: A lição mais contundente dos últimos anos é a fragilidade das cadeias de suprimentos globais com pontos únicos de falha. A estratégia preventiva é clara: múltiplos fornecedores em diferentes geografias, rotas de transporte alternativas e capacidade de produção distribuída. Isso não apenas previne o impacto de desastres naturais ou conflitos, mas também dificulta a paralisação de operações por atos maliciosos, tornando a “defesa” desnecessária. 
  • Conformidade proativa e auditorias regulares: Manter-se à frente das mudanças regulatórias, sanções e novas barreiras comerciais é uma forma crucial de prevenção. Empresas que investem em monitoramento legal contínuo e em auditorias internas rigorosas de conformidade, adaptando suas operações antes de serem forçadas por penalidades, demonstram um gerenciamento preventivo superior.  
  • Análise de cenários e planejamento contínuo: A capacidade de simular diferentes cenários de risco – desde uma greve portuária inesperada até uma nova política comercial de um grande bloco econômico, ou até mesmo os impactos de eventos climáticos extremos – e desenvolver planos de contingência antes que esses eventos ocorram, é a essência da prevenção. Isso permite uma resposta calma e coordenada, em vez de uma reação de pânico e defensiva. 
  • Investimento em inovação e tecnologias disruptivas: Tecnologias como blockchain para rastreabilidade, inteligência artificial para otimização de rotas e IoT para monitoramento de carga são exemplos de como a inovação pode fortalecer a cadeia de suprimentos e prevenir perdas ou interrupções. Tais investimentos não são “defensivos” (reagindo a uma ameaça), mas “preventivos” (construindo um sistema mais robusto e menos vulnerável). 

Minha experiência no Global Trade Summit 2025 solidificou a convicção de que o futuro do comércio exterior não será definido pela capacidade de reagir a crises, mas sim pela inteligência de evitá-las ou mitigar seus efeitos através de uma prevenção estratégica e abrangente. É um paradigma que muda o foco da “defesa contra problemas” para a “construção de sistemas inerentemente resilientes e menos propensos a problemas”. 

As empresas e nações que investirem em sistemas robustos de gerenciamento de risco preventivo, minimizando a necessidade de um “gerenciamento defensivo” reativo, serão as que prosperarão no cenário global cada vez mais imprevisível. Retorno deste evento com a certeza de que Itajaí e o Brasil, com sua crescente relevância no comércio internacional, devem abraçar essa visão, construindo um ecossistema comercial que seja, por natureza, seguro, adaptável e à prova de futuro. 

Quem é Francine Macedo? 

Profissional com 28 anos de experiência em Gestão de Transporte Rodoviário, gerenciamento de riscos e mitigação de perdas no setor de seguros, tanto nacional quanto internacional. Destaca-se pela habilidade em desenvolver novos projetos e negócios, gerenciar grandes contas, e consolidar operações diárias. Possui conhecimento do setor de transporte, expertise em negociação, planejamento, liderança de equipes e desenvolvimento estratégico de negócios, contribuindo para o crescimento e inovação nas áreas em que atua. 

FOTOS: GIOVANA SANTOS

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Inovação, Internacional, Tecnologia

INOVADOR: China revela laser ‘espião’ capaz de ler texto menor que grão de arroz

Cientistas chineses desenvolveram uma tecnologia inovadora que permite ler textos minúsculos, menores que um grão de arroz, a uma distância de 1,36 km. O sistema, baseado em laser e interferometria de intensidade, foi descrito em um estudo publicado no periódico Physical Review Letters no início deste mês.

Diferentemente de telescópios e binóculos convencionais, que a 1,36 km só conseguem identificar formas com cerca de 42 mm, o novo sistema é capaz de detectar detalhes milimétricos, como letras de apenas 3 mm. Isso corresponde a uma resolução 14 vezes superior ao limite de um telescópio comum, segundo os pesquisadores.

Como funciona a tecnologia?

A técnica utilizada, chamada interferometria de intensidade, é inspirada em métodos da astronomia. Em vez de focar diretamente na imagem do objeto, o sistema analisa como a luz de múltiplos feixes de laser infravermelho reflete na superfície do alvo.

Dois pequenos telescópios coletam a luz refletida, e as flutuações de intensidade são comparadas para reconstruir a imagem com alta precisão.

Para superar desafios como a turbulência atmosférica, que distorce a luz em longas distâncias, os cientistas dividiram o laser de 100 miliwatts em oito feixes. Cada feixe percorre um caminho ligeiramente diferente, criando uma iluminação incoerente que facilita a observação de detalhes finos.

Nos testes, alvos de 8 mm com letras impressas foram posicionados a 1,36 km, em outro prédio, e as imagens reconstruídas mostraram resolução suficiente para identificar as letras.

Mas a tecnologia tem limitações. É necessário ter uma linha de visão clara para o objeto, e o alvo deve ser iluminado pelo laser, o que a torna inadequada para vigilância furtiva.

Apesar disso, os pesquisadores argumentam que o sistema tem grande potencial em áreas como arqueologia, para estudar esculturas em penhascos sem a necessidade de escalada, e no monitoramento ambiental, para observar habitats de vida selvagem à distância.

A equipe, liderada por Qiang Zhang, da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, planeja aprimorar o controle do laser para facilitar seu direcionamento e incorporar inteligência artificial para reconstruir imagens com maior precisão. Outra aplicação sugerida é a detecção de detritos espaciais, com o laser iluminando objetos em órbita.

Fonte: R7

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Comércio Exterior, Negócios, Tecnologia

‘Virada de jogo’: BYD ultrapassa Tesla na corrida dos carros elétricos e lidera vendas na Europa

Disputa pelo domínio do setor ganha força com crescimento acelerado e novas fábricas na região

A montadora chinesa BYD vendeu mais veículos totalmente elétricos na Europa do que a americana Tesla pela primeira vez, mesmo enfrentando tarifas mais altas impostas pela União Europeia (UE). Segundo relatório da JATO Dynamics, essa é uma “virada de jogo” para o mercado automotivo europeu.

Dados da consultoria especializada mostram que as vendas da BYD na Europa cresceram 359% em abril na comparação anual.

Já a Tesla registrou queda de 49% no mesmo período, afetada também por protestos na região contra seu CEO, Elon Musk. A análise da JATO cobre 28 países do continente.

O avanço da BYD ocorre apesar da UE ter aplicado, em outubro do ano passado, tarifas punitivas sobre veículos elétricos chineses, citando práticas comerciais injustas.

Tesla foi beneficiada por uma tarifa menor, de 7,8%, para seus carros produzidos na China, enquanto a BYD teve 17%. Outras montadoras chinesas chegaram a enfrentar tarifas de até 35%. A UE mantém ainda uma tarifa padrão de 10% para importação de carros.

Em entrevista à CNBC, Felipe Munoz, analista da JATO, diz que a diferença entre as vendas da BYD e da Tesla em abril foi pequena, mas o significado do resultado é enorme. A BYD também superou marcas tradicionais europeias, vendendo mais que Fiat e Seat na França, por exemplo.

“A BYD só começou a atuar oficialmente fora da Noruega e Holanda no fim de 2022, enquanto a Tesla lidera o mercado europeu de veículos 100% elétricos há anos. Isso marca um momento decisivo no mercado europeu de carros”, afirmou Munoz.

O crescimento da BYD acontece antes mesmo do início da produção em sua nova fábrica na Hungria, que deverá se tornar seu centro operacional no continente.

A Europa surge como um campo de batalha estratégico entre BYD e Tesla, segundo a consultoria Counterpoint Research. A expectativa é que o mercado europeu de veículos elétricos cresça mais em 2025 do que o chinês, que já tem alta penetração.

As tarifas europeias incentivam montadoras chinesas a localizarem sua produção na região. A Tesla também planeja expandir sua fábrica na Alemanha.

Segundo a JATO, as tarifas impactaram inicialmente as vendas chinesas, mas as empresas reagiram ampliando e diversificando suas linhas com modelos híbridos plug-in — veículos que combinam motor elétrico com motor a combustão e que não são alvo das tarifas.

As vendas de veículos 100% elétricos e híbridos plug-in na Europa subiram 28% e 31%, respectivamente, mesmo com queda nos carros a combustão. As vendas totais de elétricos chineses cresceram 59% em abril, chegando a quase 15,3 mil unidades.

Em março, dados mostraram que a Tesla, que só vende carros 100% elétricos, ficou atrás da BYD em número total de vendas anuais no mundo.

Fonte: Exame

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