Exportação

Exportação de soja para a China tem novas regras de inspeção no Brasil

O Ministério da Agricultura anunciou alterações nos critérios de inspeção de soja para exportação à China, após pressão de tradings do setor. A decisão ocorre em meio a relatos de que os procedimentos anteriores estavam atrasando e até inviabilizando embarques ao principal destino do grão brasileiro.

Uma reunião entre o ministro Carlos Fávaro e representantes das empresas exportadoras está prevista para discutir os impactos das mudanças na logística de exportação de soja.

Novo modelo de coleta de amostras

Pelas novas regras, a coleta de amostras para análise fitossanitária passa a ser realizada por empresas supervisoras contratadas pelas próprias tradings, e não mais exclusivamente por fiscais do governo.

A medida foi oficializada pelo Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional e já está em vigor para cargas que ainda não haviam passado por inspeção.

Apesar da flexibilização, cerca de 10% dos embarques continuarão sendo fiscalizados diretamente por agentes do ministério, mantendo um nível de controle oficial sobre o processo.

Impacto nas tradings e no mercado

A revisão das regras tenta conter uma crise recente no setor. Exportadoras relataram forte queda no ritmo de negócios após a adoção de critérios mais rígidos. Dados de mercado indicam que a comercialização semanal de soja chegou a cair significativamente em comparação com períodos anteriores.

Empresas como Cargill interromperam temporariamente operações de exportação para a China, além de suspender compras destinadas a esse mercado. Outras companhias, como Cofco International e CHS Agronegócio, também apontaram dificuldades no cumprimento das exigências.

Exigências fitossanitárias mais rigorosas

O endurecimento inicial das inspeções ocorreu após a identificação de plantas daninhas quarentenárias — espécies inexistentes na China — em cargas brasileiras. Nesses casos, os embarques não atendem às exigências sanitárias do país asiático, impedindo a emissão do certificado necessário para exportação.

Segundo fontes do setor, a postura mais rígida buscava reforçar a credibilidade do sistema sanitário brasileiro, especialmente no controle de impurezas em cargas de soja.

Perspectivas para as exportações

Com a flexibilização das regras, a expectativa é de normalização gradual dos embarques e retomada do fluxo comercial com a China, maior compradora da soja brasileira.

O episódio evidencia os desafios do equilíbrio entre rigor sanitário e eficiência logística no comércio internacional de commodities agrícolas.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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