Inovação

Whirlpool amplia nacionalização e acelera renovação de portfólio no Brasil

A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, consolida o Brasil como um dos principais eixos de sua estratégia global. A operação brasileira é atualmente a segunda maior da companhia no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e ocupa papel central nas frentes de produção, inovação e relacionamento com o consumidor.

Segundo o diretor-geral da Whirlpool Brasil, Gustavo Ambar, a relevância do país vai além do discurso institucional. Mais de 95% dos produtos vendidos no mercado interno são fabricados no Brasil, enquanto cerca de 80% dos insumos e matérias-primas têm origem nacional, o que confere maior resiliência diante da volatilidade cambial, das tensões geopolíticas e da concorrência internacional.

Produção local sustenta desempenho mesmo com juros altos

Apesar do cenário de juros elevados, o desempenho recente da companhia contrariou a percepção de retração no consumo de bens duráveis. De acordo com a Whirlpool, 2025 registrou um dos melhores resultados da última década, mesmo com a taxa Selic se aproximando de 15%.

A explicação está na combinação entre aumento da renda, queda do desemprego e maior confiança do consumidor. Para a empresa, esses fatores compensaram o impacto do crédito mais caro, mantendo a disposição para compras parceladas, especialmente em produtos considerados essenciais.

Demanda estrutural impulsiona a linha branca

Outro fator relevante é o perfil do setor. Aproximadamente 75% das compras de grandes eletrodomésticos ocorrem por necessidade de reposição, especialmente em categorias como geladeiras e fogões. Metade do parque instalado brasileiro desses produtos tem mais de seis anos de uso, o que cria uma demanda estrutural contínua por substituição.

Brastemp e Consul operam de forma complementar

A estratégia comercial da Whirlpool no país é baseada no modelo de duas marcas complementares. A Brastemp concentra atributos como design, tecnologia e inovação, enquanto a Consul aposta em durabilidade, eficiência e maior acessibilidade, com forte presença em canais físicos.

Já a KitchenAid permanece focada no segmento de eletroportáteis premium, com estudos em andamento para eventual ampliação de portfólio no mercado brasileiro.

Inovação acelera renovação do mix de produtos

A inovação é um dos pilares da estratégia. A empresa prepara o lançamento de 35 novos produtos no ciclo atual, com maior peso de itens considerados mais relevantes, especialmente nas linhas Brastemp e de refrigeração.

Nos últimos quatro anos, os produtos lançados passaram a representar cerca de 75% da receita, indicando uma renovação acelerada do portfólio. A meta da companhia é renovar praticamente todo o mix a cada quatro ou cinco anos. Um dos destaques previstos é uma nova geração de geladeiras, com proposta de redefinir o conceito do produto e sua integração à cozinha.

ESG integrado ao modelo de negócio

A agenda ESG também faz parte da estratégia corporativa. No pilar ambiental, a Whirlpool atuou junto a órgãos reguladores para elevar os padrões de eficiência energética, com impacto direto na redução do consumo de energia.

A empresa mantém ainda um programa de logística reversa, que recolhe eletrodomésticos usados — inclusive de outras marcas — sem custo para o consumidor. Em 2025, o volume superou 1 milhão de produtos recolhidos, iniciativa que passou a ser integrada a modelos de troca digital.

No eixo social, o programa Consulado Mulher recebeu novos investimentos dentro de um pacote que soma R$ 100 milhões em ações sociais, com foco em capacitação, empreendedorismo feminino e formação profissional.

Venda direta ao consumidor ganha relevância

A frente de venda direta ao consumidor (D2C) ganhou peso estratégico, com ampliação de serviços como entrega agendada, instalação, rastreamento em tempo real e manutenção por assinatura. A empresa também investe na integração de dados entre canais digitais, call centers e rede de assistência técnica, buscando mais eficiência e melhor experiência do cliente.

Estoques, câmbio e eficiência operacional

Com o custo do capital elevado, a gestão de estoques e fluxo de caixa tornou-se ainda mais estratégica. A Whirlpool afirma ter simplificado sua cadeia produtiva e aumentado a flexibilidade das fábricas, permitindo maior variedade de produtos sem elevar o capital imobilizado.

Mesmo com alta produção local, a empresa reconhece o impacto do câmbio, especialmente sobre commodities como o aço. Para mitigar riscos, utiliza instrumentos de hedge, embora admita que a volatilidade elevou os custos de proteção no fim de 2024 e início de 2025.

No varejo, cerca de 40% das vendas de eletrodomésticos no Brasil ocorrem no ambiente online, patamar semelhante ao da própria companhia. Após oscilações no período pós-pandemia, o mix entre lojas físicas e e-commerce tende à estabilização, com maior integração entre os canais.

Com uma base industrial robusta, alto grau de nacionalização, renovação acelerada do portfólio e foco crescente em serviços, a Whirlpool aposta que a demanda estrutural por reposição, aliada à inovação e à proximidade com o consumidor, sustentará seu crescimento mesmo em um cenário econômico ainda incerto.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Economy

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