Transporte

Terminais portuários privados impulsionam transporte hidroviário após mudança na lei

A expansão do transporte hidroviário no Brasil e o fortalecimento dos corredores logísticos do Arco Norte estão diretamente associados ao avanço dos terminais de uso privado (TUPs). A virada ocorreu a partir da Lei dos Portos, sancionada no fim de 2013, que permitiu aos terminais privados movimentarem cargas de terceiros, ampliando a concorrência e garantindo maior segurança jurídica ao setor.

Abertura do mercado atrai investimentos privados

Antes da nova legislação, os terminais operavam de forma restrita. Com a mudança, o ambiente regulatório tornou-se mais atrativo para investidores. O resultado foi imediato: cerca de 50 pedidos de instalação de novos TUPs, muitos deles concentrados na Região Norte, além do aumento na encomenda de barcaças e rebocadores.

Esse movimento estimulou a economia regional e reduziu o custo do frete em comparação às rotas tradicionais do Sudeste. Segundo especialistas, o investimento foi integralmente privado, impulsionado pela percepção de que o escoamento pelo Arco Norte é mais eficiente e competitivo.

Norte lidera crescimento de instalações portuárias

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em dezembro de 2024, o Brasil contava com 277 instalações portuárias autorizadas, das quais 229 eram terminais de uso privado. Desse total, 106 estavam localizadas na Região Norte, consolidando o corredor como o de maior crescimento no país.

Empresas do setor avaliam que a expansão dos TUPs reforça o papel estratégico das hidrovias na matriz logística nacional, especialmente para o agronegócio e o transporte de granéis.

Ampliação da frota fortalece competitividade

Companhias que atuam na região seguem ampliando sua capacidade operacional. A Amaggi, por exemplo, está expandindo em 10% sua frota, que atualmente conta com 223 balsas e 21 empurradores. A empresa opera terminais em Rondônia, Amazonas e Pará e mantém, em parceria com a Bunge, a joint venture Unitapajós, voltada ao escoamento de grãos pelas hidrovias dos rios Tapajós e Amazonas.

A avaliação do setor é que investimentos desse porte são fundamentais para manter a competitividade logística do Arco Norte, especialmente para o transporte de grãos, fibras e outros produtos agrícolas.

Falta de previsibilidade ainda é desafio

Apesar dos avanços, a previsibilidade da navegação continua sendo um dos principais entraves ao uso pleno das hidrovias. Durante a estiagem de 2024, empresas relataram dificuldades operacionais, com a necessidade de ações emergenciais para abastecer regiões isoladas.

Em alguns casos, foi preciso recorrer ao transporte rodoviário por longas distâncias para suprir áreas que ficaram inacessíveis pelos rios, evidenciando a vulnerabilidade do sistema em períodos críticos.

Dragagem e concessões entram no radar

Para operadores e especialistas, a adoção de um programa contínuo de dragagem dos rios é vista como essencial para ampliar a segurança da navegação e garantir regularidade ao transporte fluvial. A avaliação é que esses investimentos beneficiariam não apenas o setor produtivo, mas toda a sociedade, ao manter ativo um dos principais eixos de integração da Amazônia.

Nesse contexto, o governo federal estuda conceder hidrovias a partir de 2026, medida que pode ampliar a participação privada e impulsionar novos investimentos em infraestrutura logística.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Yan Boechat/Valor

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Portos

Setor de navegação recebe diagnóstico inédito sobre seguros em Terminais Portuários Autorizados

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) lançou, nesta terça-feira (2), o primeiro diagnóstico nacional sobre seguros em Terminais Portuários Autorizados. O estudo consolida, pela primeira vez, um conjunto amplo de dados estratégicos, análises e percepções que oferecem um panorama técnico até então inexistente para os Terminais de Uso Privado (TUPs). A iniciativa foi desenvolvida em parceria com a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP).

Avanço na gestão de riscos e previsibilidade do setor
O levantamento representa um passo significativo na agenda de gestão de riscos, previsibilidade regulatória e fortalecimento da segurança jurídica no setor portuário. O material identifica desafios, práticas e lacunas ligadas aos seguros obrigatórios, incluindo aspectos regulatórios, operacionais e climáticos.
Para o ministro Silvio Costa Filho, o diagnóstico reúne informações essenciais que aumentam a previsibilidade e fortalecem o ambiente de negócios. O secretário-executivo Tomé Franca destacou que a base consolidada de dados facilita decisões estratégicas, melhora o diálogo com operadores e reforça a necessidade de regras modernas, especialmente diante do avanço das mudanças climáticas.
A diretora de Assuntos Econômicos do MPor, Helena Venceslau, reforçou que o material contribui para políticas públicas baseadas em evidências, sobretudo em temas sensíveis como riscos associados e seguros obrigatórios.

Riscos climáticos e oportunidades de aprimoramento
O diagnóstico também chama atenção para o aumento da frequência e da intensidade dos riscos climáticos, apontando a necessidade de aprimorar mecanismos de proteção, governança e eficiência regulatória. Ao organizar informações antes dispersas, o estudo amplia a capacidade de planejamento do setor e fortalece a atuação conjunta entre governo, mercado segurador e operadores portuários.

Transparência e modernização do ambiente portuário
A iniciativa reforça o compromisso com um ambiente portuário mais moderno, seguro e alinhado a boas práticas internacionais. Com mais transparência e subsídios técnicos, o diagnóstico deverá embasar futuras evoluções regulatórias e apoiar o desenvolvimento sustentável da navegação e dos terminais autorizados.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

Portos do Sudeste registram recorde histórico e movimentam 186,7 milhões de toneladas no 3º trimestre

A movimentação de cargas nos portos do Sudeste alcançou um novo recorde entre julho e setembro de 2025, chegando a 186,7 milhões de toneladas. O volume representa alta de 9,10% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Antaq. O avanço foi puxado sobretudo pelos Terminais de Uso Privado (TUPs) e pela forte demanda por petróleo e minério de ferro.

Os TUPs lideraram o desempenho, com crescimento de 13,60% e total de 124,5 milhões de toneladas movimentadas. Já os portos públicos tiveram expansão mais moderada, de 1,09%, alcançando 62,2 milhões de toneladas.

Terminais de petróleo puxam o avanço na região

O recorde regional foi impulsionado por terminais especializados em granel líquido. O Terminal de Petróleo de Açu (TPET/TOIL), no Rio de Janeiro, registrou alta de 38,06% e somou 17,8 milhões de toneladas. O Terminal Aquaviário de Angra dos Reis também se destacou, com crescimento de 25,34% e volume de 18,8 milhões de toneladas. Ambos, focados em petróleo bruto, foram decisivos para o salto na movimentação de granel.

Esse avanço quebra um período de relativa estabilidade observado nos últimos anos. Em 2023, o terceiro trimestre havia movimentado 170,9 milhões de toneladas, e em 2024, 171,1 milhões — muito abaixo do resultado atual.

Governo atribui alta à eficiência e modernização

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, o desempenho histórico reflete a consolidação de uma gestão focada em eficiência logística e na integração com o setor privado. Segundo ele, o crescimento no Sudeste demonstra que a modernização dos terminais e a confiança do investidor vêm ampliando a competitividade internacional do país.

Portos públicos mantêm solidez e reforçam cabotagem

Os portos organizados movimentaram 62,2 milhões de toneladas e seguem essenciais para a economia nacional. O Porto de Santos permanece como o maior complexo da região, com 38,4 milhões de toneladas e alta de 2,68%. A cabotagem em Santos ganhou força, crescendo 22,54%, impulsionada por contêineres e cargas diversas.

O Porto de Itaguaí, especializado em minério de ferro, manteve seu alto nível operacional ao registrar 17,3 milhões de toneladas, apresentando apenas leve variação negativa de 1,4% frente ao desempenho robusto do ano anterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Vosmar Rosa (MPor)

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