Informação

Supermercados europeus ameaçam cortar soja brasileira após saída da moratória

As principais redes de supermercados europeus alertaram que podem excluir a soja brasileira de seus contratos de fornecimento caso as grandes tradings não garantam a origem do grão em áreas livres de desmatamento. O posicionamento foi divulgado em uma carta aberta publicada nesta semana e enviada a executivos do setor.

O movimento marca a primeira reação institucional da Europa à decisão de empresas e da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) de deixarem a moratória da soja, acordo criado para conter o avanço do desmatamento na Amazônia.

Pressão direta sobre grandes tradings globais

O documento tem como destinatários os CEOs de gigantes do comércio global de grãos, como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfuss e COFCO. A carta também foi encaminhada à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e ao presidente da Abiove, André Nasser.

“Estamos profundamente desapontados com a retirada voluntária da Abiove e de suas afiliadas da moratória”, afirma o texto, assinado pelo Retail Soy Group, entidade que reúne grandes redes varejistas da União Europeia e do Reino Unido.

Moratória da soja e o risco de retrocesso ambiental

Criada em 2006, a moratória da soja impede a comercialização de grãos cultivados em áreas da Amazônia desmatadas após 2008. Segundo os varejistas europeus, o abandono do acordo enfraquece mecanismos de dissuasão ao desmatamento e compromete a credibilidade ambiental da cadeia produtiva.

“Recuar agora ameaça investimentos sustentáveis e dificulta a construção de soluções colaborativas em um contexto de mudanças climáticas aceleradas”, destaca o grupo.

Prazo para esclarecimentos e manutenção de critérios ambientais

Os supermercados deram prazo até 16 de fevereiro para que as tradings expliquem como pretendem manter a rastreabilidade da soja, um dos pilares da moratória. O grupo reforça que seguirá excluindo produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente no bioma amazônico.

Entre as 14 empresas signatárias estão redes de grande presença no continente, como Tesco, Sainsbury’s, Aldi, Lidl, Coop, Migros e Marks & Spencer.

Abiove defende políticas nacionais

Procurada, a Abiove informou que não comentaria o teor da carta. Em comunicado divulgado em janeiro, a entidade afirmou que a moratória “cumpriu seu papel histórico” e que o Código Florestal e as políticas públicas vigentes seriam suficientes para assegurar padrões socioambientais elevados na produção de soja.

Especialistas alertam para limites do Código Florestal

Pesquisas acadêmicas contestam essa avaliação. Segundo a pesquisadora Aline Soterroni, da Universidade de Oxford, mesmo a aplicação rigorosa do Código Florestal evitaria apenas cerca de 50% do desmatamento projetado com a expansão agropecuária até 2050.

Estudos indicam ainda que a ampliação da moratória para o Cerrado não comprometeria o crescimento da produção de soja no país.

Impactos políticos e comerciais

A controvérsia ocorre em meio ao compromisso do governo federal de zerar o desmatamento até 2030, meta reafirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30, em Belém. Ainda não está claro como a saída da moratória pode afetar esse objetivo.

O tema também ganhou força na Europa, onde consumidores são mais atentos a critérios de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental. A tensão contribuiu para a decisão do Parlamento Europeu de submeter o acordo União Europeia–Mercosul à Justiça, o que deve atrasar sua implementação por pelo menos dois anos.

Soja segue como pilar da balança comercial

A soja permanece como a principal commodity da balança comercial brasileira. As projeções apontam exportações entre 112 e 114 milhões de toneladas em 2026. Em 2025, o complexo soja — grão, farelo e óleo — gerou US$ 52,9 bilhões em receitas para o país.

FONTE: ICL Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ICL

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Comércio

Cade suspende moratória da soja e instaura processo contra tradings

Em medida preventiva, Superintendência-Geral revoga efeitos de acordo que impede exportações de grão proveniente áreas desmatadas depois de 2008; produtores viam cartel

A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu suspender nesta segunda-feira (18) à noite, por medida preventiva, os efeitos do acordo conhecido como “moratória da soja”.

O órgão antitruste também resolveu instaurar um processo administrativo contra empresas e associações signatárias do acordo, que foi firmado há quase duas décadas e tem dividido o agronegócio.

A moratória da soja é um acordo privado entre grandes tradings e exportadoras que impede a comercialização do grão produzido em área desmatada da Amazônia Legal depois de 2008, mesmo que o corte de vegetação tenha ocorrido obedecendo às leis.

De um lado, as tradings argumentam que a moratória foi responsável por frear o desmatamento em período crítico. Alegam ainda que sua vigência é importante para demonstrar compromisso com práticas ambientais sustentáveis e veem risco à imagem do Brasil no exterior.

Já os produtores de soja criticam o acordo por entenderem que ela é uma conduta anticoncorrencial e se assemelha a um cartel. Também apontam que a moratória é interfere na livre iniciativa dos agricultores que abriram novas áreas, com autorização legal, depois de 2008.

Anos mais tarde, o Código Florestal passou a determinar que 80% das áreas rurais devem ser preservadas – permitindo o desmate legal de 20% das propriedades rurais. A moratória, no entanto, continuava sendo aplicada.

A investigação do Cade teve início a partir de uma representação encaminhada pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.

Conforme apuração da Superintendência-Geral, empresas privadas concorrentes criaram o chamado Grupo de Trabalho da Soja, com a finalidade de monitorar o mercado e viabilizar um acordo que estabelecesse condições para a compra da commodity no país.

Para o órgão antitruste, esse acordo é anticompetitivo e prejudica as exportações do grão.

“Diante desse cenário, foi adotada medida preventiva, determinando que o Grupo de Trabalho da Soja se abstenha de coletar, armazenar, compartilhar ou disseminar informações comerciais referentes à venda, produção ou aquisição de soja, bem como que se abstenha de contratar processos de auditoria”, informou o Cade, em nota.

“Seus membros devem também se abster de compartilhar relatórios, listas e documentos que instrumentalizem o acordo, bem como retirar a divulgação de documentos relacionados à moratória de seus sítios eletrônicos”, acrescenta.

A medida preventiva é um instrumento adotado quando há indício ou receio de que condutas investigadas possam causar lesão irreparável ou de difícil reparação ao mercado, tornando ineficaz o resultado final do processo.

As partes representadas no processo administrativo foram intimadas a apresentar defesa.

Ao final da instrução, a Superintendência-Geral emitirá um parecer conclusivo e encaminhará o caso ao tribunal do Cade.

Existe ainda a possibilidade de ser fixado um acordo determinado TCC (Termo de Cessação de Conduta) entre o Cade e as partes.

Caso sejam condenadas, as associações poderão pagar multas que variam de R$ 50 mil a R$ 2 bilhões; para as empresas, as multas variam entre 0,1% a 20% do valor do faturamento bruto da empresa no último exercício anterior à instauração do processo administrativo.

A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) e 30 empresas de exportação – conhecidas como tradings – serão afetadas pela suspensão.

Entre esses grupos estão gigantes como ADM, Bunge, Caramuru, Cargill, Louis Dreyfus e Maggi.

Repercussão

A Aprosoja-MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso) celebrou a decisão.

“Trata-se de um marco histórico na defesa da livre concorrência e da produção legal no campo, que devolve segurança jurídica e dignidade aos milhares de produtores que sempre atuaram em conformidade com o Código Florestal e as leis ambientais brasileiras”, disse a entidade, em nota.

Segundo a Aprosoja-MT, o acordo impunha barreiras comerciais “injustas” e impedia a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares, afetando principalmente pequenos e médios produtores rurais.

Há anos, um acordo privado, sem respaldo legal, vinha impondo barreiras comerciais injustas aos produtores, sobretudo os pequenos e médios, impedindo a comercialização de safras cultivadas em áreas regulares e licenciadas.

Ao reconhecer os indícios de cartel e as distorções geradas por esse mecanismo, o Cade cumpre seu papel institucional de combater práticas anticoncorrenciais e preservar o ambiente de mercado justo e competitivo.

A entidade afirma que “seguirá vigilante e atuante para garantir que produtores que respeitam a lei também tenham o direito de produzir, prosperar e contribuir com o desenvolvimento do país”.

Já a Abiove manifestou “surpresa” com a decisão do Cade e ressaltou que a moratória da soja, além de envolver tradings, tinha o aval do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) – além de ser reconhecida pela AGU (Advocacia-Geral da União).

“A entidade reitera seu compromisso com a legalidade e informa que tomará as medidas cabíveis de defesa, além de colaborar de forma plena e transparente com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários para o devido andamento do processo”, disse em nota.

A Abiove acrescentou que “seguirá acompanhando atentamente os desdobramentos do caso” manterá postura de “diálogo construtivo e respeito às normas vigentes”.

Fonte: CNN Brasil

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Comércio Exterior, Exportação, Gestão, Industria, Informação, Logística, Negócios

Exportadores de café têm prejuízo de R$ 6,1 milhões em janeiro por não conseguirem embarcar o grão

Gargalos logísticos fazem as tradings perderem R$ 57,7 milhões nos últimos oito meses

A entressafra de café está reduzindo impactos, mas exportadores do grão tiveram prejuízos calculados em R$ 6,1 milhões por não conseguirem embarcar o grão no mês de janeiro. O levantamento foi divulgado nesta segunda-feira (24/2) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

“O (café) que estava parado nos portos até dezembro vem saindo aos poucos, pois o Brasil está em período de entressafra e com menor oferta disponível. Contudo, nossos associados informaram que o cenário logístico, apesar de apresentar melhoras em janeiro por conta da oferta reduzida, permanece desafiador”, explicou em nota o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.

A entidade monitorou com 23 empresas associadas, que representam 65% dos embarques totais, os índices de atrasos e alterações regulares nas escalas dos navios para exportação, além de rolagens de cargas constantes. Os fatores fizeram com que o país deixasse de embarcar 672,1 mil sacas de 60 quilos – 2.037 contêineres – do produto nos portos, no mês passado.

Com os gargalos logísticos do primeiro mês de 2025, o acúmulo de prejuízos de tradings de café é de R$ 57,7 milhões nos últimos oito meses – o cálculo começou em junho de 2024. Esse valor conta com gastos extras relacionados a armazenagens adicionais, detentions, pré-stacking e antecipação de gates.

Considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 336,33 por saca (café verde) e um dólar médio de R$ 6,0212 em janeiro, o não embarque desse café implicou ao Brasil um saldo não recebido de cerca de R$ 1,36 bilhão, levando ao menor repasse de receita para os produtores.

Conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 67% dos navios, ou 203 de um total de 302 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil em janeiro de 2025.

O tempo mais longo de espera no mês passado foi de 40 dias, ocorrido no Porto de Santos (SP), que respondeu por 75,3% dos embarques de café no primeiro mês deste ano. O local teve um índice de 77% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 122 do total de 158 porta-contêineres.

Segundo Heron, do volume total acumulado de 1,8 milhão de sacas que estava represado nos portos até dezembro de 2024, cerca de 1,2 milhão foi embarcado no mês passado, o que justifica o bom volume de 3,9 milhões de sacas que o Brasil exportou em janeiro.FONTE: GLOBO RURAL
Exportadores de café têm prejuízo de R$ 6,1 milhões em janeiro por não conseguirem embarcar o grão | Café | Globo Rural

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