Internacional

Trump mantém fim da isenção de US$ 800 para importações e reforça cerco a produtos chineses

O presidente dos Estados Unidos decidiu manter o fim da isenção fiscal para importações de baixo valor, conhecida como de minimis, mesmo após decisão da Supreme Court of the United States que derrubou parte relevante de sua política tarifária.

A Casa Branca anunciou que a brecha que permitia a entrada de bilhões de dólares em mercadorias de até US$ 800 sem cobrança de impostos continuará fechada. A medida é considerada um dos pilares da estratégia de política comercial dos EUA.

O que é a regra de minimis e por que ela foi encerrada

A chamada de minimis exemption autorizava que produtos com valor inferior a US$ 800 fossem enviados aos Estados Unidos sem pagamento de tarifas e com exigências alfandegárias simplificadas.

Na prática, o mecanismo possibilitou que milhões de encomendas saíssem diretamente de fábricas chinesas para residências americanas sem incidência de impostos. Segundo o governo, a regra também teria facilitado a entrada de opioides sintéticos, como o fentanil, e de insumos para sua produção.

Criada há quase um século para evitar sobrecarga na fiscalização de mercadorias de pequeno valor, a regra passou por alterações ao longo do tempo. Em 2016, o limite foi ampliado de US$ 200 para US$ 800.

O governo encerrou a isenção para produtos chineses em maio e, posteriormente, estendeu a decisão para itens provenientes do restante do mundo em julho.

Decisão da Suprema Corte gera incerteza jurídica

Embora a decisão recente da Suprema Corte não trate diretamente da regra de minimis, o entendimento invalidou uma das bases legais utilizadas para justificar o encerramento da isenção. Isso abriu margem para questionamentos sobre a retomada das remessas livres de impostos.

Horas depois, no entanto, um novo decreto presidencial declarou que o fluxo dessas mercadorias continua sendo considerado uma emergência nacional, separada das demais disputas tarifárias. O texto reafirma a manutenção do bloqueio à brecha tributária, sem abordar explicitamente o teor da decisão judicial.

Impactos para empresas e comércio eletrônico

As mudanças ampliam a incerteza tarifária enfrentada por empresas ao redor do mundo, que já lidam com revisões frequentes nas regras do comércio internacional.

Companhias que operam com vendas online foram diretamente afetadas pela medida. Plataformas como eBay, Amazon, Shein e Temu utilizavam amplamente o mecanismo para envio de produtos de baixo custo aos consumidores americanos. Negócios menores que comercializam por meio de Etsy e Shopify também se beneficiavam da isenção.

Após a decisão da Suprema Corte, ações de empresas de comércio eletrônico registraram alta. A Etsy encerrou o pregão com avanço de 8%, enquanto o eBay subiu 4%. Já Amazon e Pinduoduo, controladora da Temu, tiveram ganhos próximos de 3%.

Relação comercial com a China segue sob tensão

Especialistas avaliam que a decisão judicial pode reduzir parte das tarifas sobre produtos chineses, incluindo a chamada “tarifa do fentanil”, que adicionava 10% às taxas gerais de importação.

Ainda assim, analistas destacam que a instabilidade regulatória continua sendo um desafio para empresas chinesas que exportam aos Estados Unidos, diante das mudanças frequentes nas políticas comerciais.

Além do cenário americano, varejistas chineses enfrentam novas barreiras na União Europeia, que planeja implementar, a partir de julho, uma taxa fixa para encomendas de até 150 euros.

Outra frente legislativa prevê que, a partir de julho de 2027, uma nova lei tributária elimine definitivamente a base legal que sustentava a regra de minimis.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Anna Rose Layden, The New York Times

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Comércio Exterior

Trump admite que tarifa de 100% contra China é insustentável, mas mantém pressão comercial

Presidente dos EUA culpa China por novo impasse nas negociações e anuncia medidas mais duras

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a proposta de impor uma tarifa de 100% sobre produtos chineses não é economicamente sustentável, mas justificou a medida como uma resposta direta às ações recentes de Pequim, que intensificou o controle sobre as exportações de terras raras, essenciais para o setor tecnológico.

Durante entrevista exibida nesta sexta-feira pela Fox Business Network, Trump declarou: “Não é sustentável, mas o número é esse.” Ele acrescentou que foi forçado a tomar essa decisão devido à postura da China: “Eles me forçaram a fazer isso.”


Novas tarifas e restrições de exportação

Na semana passada, Trump anunciou novas tarifas de 100% sobre todas as exportações da China para os Estados Unidos. Além disso, determinou restrições adicionais à exportação de qualquer software crítico, com prazo final até o dia 1º de novembro — apenas nove dias antes do fim das isenções tarifárias atualmente em vigor.

Essas medidas foram apresentadas como uma reação direta ao endurecimento das regras chinesas sobre os elementos de terras raras, materiais fundamentais na produção de equipamentos eletrônicos e tecnologias avançadas. A China lidera o mercado global desses elementos estratégicos, o que a torna peça central na cadeia de suprimentos global.


Reunião com Xi Jinping está confirmada

Apesar do aumento nas tensões comerciais, Trump confirmou que irá se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, em duas semanas, na Coreia do Sul. O encontro havia sido colocado em dúvida recentemente, mas agora foi reafirmado pelo líder norte-americano.

Durante a entrevista ao programa “Mornings with Maria”, Trump elogiou o presidente chinês e sinalizou abertura para o diálogo: “Acho que vamos nos dar bem com a China, mas temos que ter um acordo justo. Tem que ser justo.”

FONTE: Com informações da Fox Business Network.
TEXTO: Redação

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