Economia

Economia circular na indústria: MDIC e MMA lançam projeto internacional no Brasil

O MDIC e o MMA anunciaram, em São Paulo (SP), o lançamento do projeto internacional “Ação climática e de biodiversidade por meio de soluções de economia circular” (CB-ACES). A iniciativa busca fortalecer a economia circular na indústria brasileira, com foco em sustentabilidade, inovação e competitividade.

A proposta é liderada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Cooperação internacional e apoio técnico

O projeto será implementado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e contará com suporte técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do grupo Adelphi.

O financiamento vem da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), vinculada ao governo da Alemanha. A cooperação internacional pretende acelerar a adoção de práticas sustentáveis por meio de:

  • Desenvolvimento de políticas públicas
  • Capacitação técnica
  • Implementação de projetos-piloto
  • Ampliação de investimentos em pequenas e médias empresas (PMEs)

Economia circular como estratégia de modernização

Durante o lançamento, a secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC, Julia Cruz, ressaltou que a circularidade integra a agenda de transformação industrial do país.

Segundo ela, a economia circular reúne ganhos de produtividade, estímulo à inovação e avanço na descarbonização da indústria, tornando-se eixo estratégico para ampliar a competitividade das cadeias produtivas nacionais.

A meta é transformar o conceito em instrumentos práticos que gerem oportunidades concretas para o setor produtivo.

Brasil, México e África do Sul no mesmo programa

O CB-ACES será executado simultaneamente no Brasil, México e África do Sul. O projeto atuará em temas transversais, como:

  • Mitigação da mudança climática
  • Conservação da biodiversidade
  • Promoção da igualdade de gênero
  • Transformação digital
  • Adequação às normas ambientais nas cadeias globais de suprimentos

Resultados esperados para a indústria

Entre os principais objetivos estão:

  • Integrar a economia circular às políticas climáticas e ambientais
  • Aumentar a circularidade em setores industriais estratégicos
  • Expandir investimentos sustentáveis
  • Estimular inclusão social por meio de apoio financeiro e técnico às PMEs

A iniciativa reforça a estratégia brasileira de alinhar desenvolvimento industrial à agenda ambiental, ampliando a inserção do país em mercados internacionais cada vez mais exigentes em critérios de sustentabilidade.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Senai

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Tecnologia

China endurece regras e impõe rastreamento total de baterias de carros elétricos

A China oficializou uma das legislações mais rigorosas do mundo para o mercado de baterias de veículos elétricos (EVs). As chamadas Medidas Provisórias para a Gestão da Reciclagem e Utilização de Baterias de Potência Aposentadas de Veículos de Nova Energia entram em vigor em 1º de abril de 2026 e inauguram uma nova fase no controle ambiental e industrial do setor.

A norma determina o rastreamento integral das baterias, desde a fabricação até o descarte final, reforçando a supervisão sobre um insumo considerado estratégico para a transição energética.

Baterias deverão permanecer vinculadas aos veículos

Um dos pontos centrais da regulamentação é a exigência de que as baterias acompanhem o veículo até o desmonte, o que elimina a possibilidade de venda paralela e reduz o risco de extravio ou descarte irregular. A medida busca fechar brechas que dificultavam o controle sobre unidades descartadas.

Setor já enfrenta desafios técnicos e operacionais

Até agora, a reciclagem de baterias na China lidava com obstáculos como alto custo de desmontagem, risco de incêndios e falta de padronização entre modelos. Apesar disso, o país já se destaca globalmente na recuperação de materiais como lítio, níquel, cobalto e manganês, com taxas superiores a 96%.

Padronização e exigências técnicas mais rígidas

Em 2024, o governo criou um comitê técnico nacional para organizar o setor e, em janeiro deste ano, publicou normas específicas para reciclagem. A partir de abril de 2026, fabricantes e importadores de veículos elétricos ou baterias terão até seis meses após a certificação obrigatória para apresentar informações detalhadas sobre desmontagem.

Além disso, dados como data de venda, código da bateria e número de série deverão ser registrados em até 20 dias após a emissão do certificado de conformidade.

Sistema nacional vai monitorar todo o ciclo de vida

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) será responsável pela criação de um sistema nacional de informação, capaz de acompanhar cada bateria ao longo de todo o seu ciclo de vida: produção, venda, reparo, substituição, desmontagem, reciclagem e reuso.

A legislação também obriga o cumprimento do padrão GB/T 34014, além do uso de materiais recicláveis e de baixa toxicidade na fabricação.

Fabricantes terão responsabilidade direta pela coleta

A nova regra impõe que fabricantes e importadores instalem estações de coleta e reciclagem nas regiões onde comercializam seus produtos, mantendo canais de contato públicos atualizados. Esses pontos deverão aceitar todas as baterias aposentadas, independentemente da origem — exigência que também se aplica aos vendedores de veículos elétricos.

Empresas de troca de baterias ou serviços de manutenção deverão encaminhar os itens descartados exclusivamente para recicladoras licenciadas ou centros próprios das montadoras.

Reutilização passa a depender de autorização oficial

O reaproveitamento de baterias recicladas também será controlado. Nenhuma empresa poderá reutilizar esses componentes sem autorização governamental, ampliando o controle sobre segurança e qualidade.

Mercado bilionário e estratégico

Segundo o portal Autohome, a China projeta gerar cerca de 1 milhão de toneladas de baterias descartadas até 2030. Em 2025, o mercado de reciclagem de baterias movimentou 558 bilhões de yuans, o equivalente a R$ 18,9 bilhões.

A liderança do setor pertence à Brunp, empresa associada à CATL, que detém 50,4% de participação e capacidade para processar até 120 mil toneladas de resíduos por ano.

Reciclagem como pilar ecológico e estratégico

Para o governo chinês, a reciclagem vai além da agenda ambiental. O controle sobre materiais críticos é visto como essencial para garantir soberania tecnológica e industrial. Com as novas regras, a expectativa é ampliar a infraestrutura, coibir práticas irregulares e assegurar que cada bateria seja corretamente rastreada e reaproveitada.

FONTE: Notícias Automotivas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Automotivas

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