Comércio Exterior

União Europeia propõe tarifa de 50% para aço importado fora de cota

A Comissão Europeia apresentou nesta terça-feira (7) uma proposta que pode transformar o mercado siderúrgico do bloco. O plano prevê a elevação da tarifa sobre importações de aço e alumínio fora da cota de 25% para 50%, medida que busca conter os efeitos da supercapacidade global na indústria europeia.

Tarifa mais alta contra concorrência desleal

Segundo a Comissão, o objetivo é proteger a indústria siderúrgica europeia dos impactos da entrada de produtos mais baratos, principalmente da China e de outras economias asiáticas. Para o comissário europeu da Indústria, Stéphane Séjourné, essa é uma “nova cláusula de salvaguarda para o aço” e faz parte do esforço de reindustrialização da Europa.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a necessidade de agir com rapidez: “A supercapacidade global está prejudicando nossa indústria. Precisamos avançar agora”.

Redução de cotas e novo sistema de rastreabilidade

Além da tarifa mais alta, o pacote inclui a redução das cotas de importação de aço sem tarifa para 18,3 milhões de toneladas anuais — uma queda de 47% em relação ao ano anterior. A proposta também cria um mecanismo de rastreabilidade dos mercados de aço para evitar desvios comerciais.

Substituição do mecanismo atual

As medidas sugeridas devem substituir o atual sistema de salvaguarda, que estabelece uma alíquota de 25% e tem validade até junho de 2026. Caso aprovada, a mudança dobrará a tarifa fora de cota, ampliando a proteção ao setor.

Próximos passos

O texto segue agora para análise do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia. Para entrar em vigor, será necessário o apoio de uma maioria qualificada dos países-membros.

Em comunicado, a Comissão afirmou ainda que convida “outros países com ideias semelhantes” a cooperar contra a supercapacidade mundial, defendendo cadeias de suprimento seguras e maior acesso mútuo aos mercados.

Contexto internacional

A indústria do aço na Europa enfrenta dificuldades há anos devido às importações baratas. O cenário se intensificou após os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, elevarem para 50% as tarifas sobre aço e alumínio logo no início de sua gestão.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Andrey Rudakov/Bloomberg

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