Comércio Internacional

UE aprova acordo para proibir importação de gás russo até 2027

Decisão marca nova etapa na política energética europeia
A União Europeia fechou, nesta quarta-feira, um acordo político para interditar todas as importações de gás russo até o outono de 2027. A informação foi adiantada pela agência AFP e representa um consenso entre o Parlamento Europeu, que defendia um prazo mais curto, e os Estados-Membros, que pediam mais tempo para adaptação.

Calendário da proibição para gasodutos e GNL
Pelo acordo, os contratos de longo prazo relacionados ao gás transportado por gasoduto serão proibidos a partir de 30 de setembro de 2027, desde que os níveis de reserva estejam assegurados. Caso contrário, a data limite será 1º de novembro de 2027.
No caso do gás natural liquefeito (GNL), a interrupção de contratos de longo prazo começa antes: 1º de janeiro de 2027, conforme detalhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como parte das medidas de pressão econômica contra Moscou.

Já os contratos de curto prazo terão bloqueios antecipados:

  • Para GNL, a proibição passa a valer em 25 de abril de 2026
  • Para o gás transportado por gasoduto, em 17 de junho de 2026

O calendário ainda precisa de aprovação formal pelo Parlamento Europeu e pelos governos nacionais, mas o entendimento político indica que a votação não deve enfrentar obstáculos.

Impacto jurídico e estratégia para evitar vetos
Pelo texto, empresas europeias poderão alegar força maior para justificar o rompimento de contratos com fornecedores russos, uma vez que a própria UE estará impondo a proibição.
Diferentemente de outros pacotes de represálias, o bloco optou por adotar uma proposta legislativa em vez de sanções diretas — mecanismo que permite aprovação por maioria qualificada e evita vetos de países como Hungria e Eslováquia, alinhados a Moscou.

Redução da dependência e novo cenário do mercado de gás
Quase quatro anos após a invasão da Ucrânia, o objetivo europeu é claro: reduzir as receitas de gás da Rússia e consolidar a transição energética do bloco.
A participação do gás russo nas importações europeias caiu de 45% em 2021 para 19% em 2024, resultado de esforços para diminuir a dependência dos gasodutos operados por Moscou.
Parte dessa redução, entretanto, foi suprida pelo aumento das compras de GNL, que chega por navios, é descarregado em terminais portuários e depois regaseificado. Em 2024, a Rússia foi o segundo maior fornecedor de GNL para a Europa, atrás apenas dos Estados Unidos: forneceu 20 bilhões de m³, de um total de aproximadamente 100 bilhões importados pelo bloco.

FONTE: Observador
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Observador

Ler Mais
Exportação

China vai remover 15 empresas dos EUA da lista de controle de exportações

A China anunciou que retirará 15 empresas norte-americanas de sua lista de controle de exportações, como parte do compromisso firmado nas recentes negociações econômicas e comerciais entre Pequim e Washington, realizadas em Kuala Lumpur. A medida passa a valer no dia 10 de novembro, conforme informou nesta quarta-feira um porta-voz do Ministério do Comércio chinês.

De acordo com o governo chinês, essas companhias haviam sido incluídas na lista em março de 2025, por meio do Anúncio nº 13, que impedia a exportação de tecnologias e materiais de uso duplo – aplicáveis tanto para fins civis quanto militares. Entre as empresas afetadas estão Leidos, Gibbs & Cox, IP Video Market Info, Sourcemap, Skydio, Rapid Flight, Red Six Solutions, Shield AI, HavocAI, Neros Technologies, Group W, Aerkomm, General Atomics Aeronautical Systems, General Dynamics Land Systems e AeroVironment.

Outras restrições seguem suspensas por mais um ano

O comunicado também informou que as sanções aplicadas a outras 16 empresas dos Estados Unidos, incluídas em abril pelo Anúncio nº 21, permanecerão suspensas por mais um ano. Exportadores que desejarem retomar transações comerciais com as companhias liberadas deverão solicitar licença específica ao Ministério do Comércio da China, que analisará cada caso.

Pequim busca estabilidade nas relações bilaterais

Em nota adicional, o ministério confirmou que serão parcialmente canceladas as sanções contra empresas americanas listadas como “entidades não confiáveis”. As restrições de abril continuarão suspensas, enquanto as de março serão encerradas definitivamente.

Segundo o governo chinês, as decisões reforçam o compromisso de cumprir os acordos firmados com os EUA e de promover um ambiente de negócios mais previsível e estável entre as duas maiores economias do mundo.

FONTE: Jornal de Brasília
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/X

Ler Mais
Comércio Exterior

Rússia legaliza uso de criptomoedas em comércio internacional e desafia sanções ocidentais

A Rússia deu um passo estratégico na corrida tecnológica e econômica global ao legalizar o uso de criptomoedas em transações internacionais. A medida cria um sistema alternativo para driblar as sanções ocidentais e garantir maior autonomia no comércio com países parceiros, como China, Índia e Turquia.
De acordo com o governo russo, o objetivo é fortalecer o comércio exterior sem comprometer a estabilidade do rublo, mantendo um controle rigoroso sobre riscos financeiros.

Criptomoedas liberadas para transações internacionais

O Ministério da Fazenda e o Banco Central da Rússia oficializaram a utilização de criptoativos em negociações externas, consolidando o regime experimental iniciado em setembro. Esse modelo já vinha sendo testado em operações limitadas de comércio exterior.
O ministro da Fazenda, Anton Siluanov, destacou que, embora a decisão alivie o impacto das sanções, o foco principal do governo continua sendo a segurança do sistema financeiro:

“Embora o objetivo estratégico seja aliviar as sanções, nosso foco principal continua sendo o controle dos riscos financeiros inerentes às criptomoedas”, afirmou Siluanov.
Mesmo com a liberação para o comércio internacional, o uso de criptomoedas dentro do território russo permanece proibido, garantindo a preservação da moeda nacional.

Supervisão e segurança reforçadas

Para evitar lavagem de dinheiro e riscos cambiais, o novo sistema russo impõe regras rigorosas de monitoramento e fiscalização. Todas as transações deverão passar por infraestrutura regulada e supervisionada pelo Banco Central e pelo Federal Financial Monitoring Service.
Entre as exigências do governo estão:

  • Conformidade com os padrões internacionais de AML (Anti-Money Laundering) e KYC (Know Your Customer);
  • Controle de todas as operações em ambiente regulado;
  • Manutenção das restrições sobre transações domésticas com criptoativos.
    Essas medidas buscam equilibrar inovação financeira e proteção da economia interna, evitando instabilidades no câmbio e no sistema bancário.

Impactos e perspectivas globais

Com a legalização das criptomoedas para pagamentos internacionais, Moscou cria uma rota alternativa aos sistemas bancários tradicionais, como o SWIFT, do qual foi excluída por sanções. Assim, empresas russas poderão realizar pagamentos internacionais com mais agilidade e menor interferência política.
A decisão também fortalece os laços comerciais com nações não alinhadas ao Ocidente, abrindo espaço para negociações bilaterais mais flexíveis e seguras. No entanto, especialistas alertam que o modelo exige fiscalização constante para evitar abusos e riscos de volatilidade.
Em um cenário de crescente pressão econômica, a Rússia transforma a criptoeconomia em ferramenta de soberania e resistência geopolítica, sinalizando uma nova era no uso estratégico das moedas digitais no comércio global.

FONTE: Bit Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Bit Notícias

Ler Mais
Comércio Exterior

Lula pede a Trump fim do tarifaço e das sanções a autoridades brasileiras

Presidentes concordam em encontro presencial para reaproximar Brasil e Estados Unidos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone nesta segunda-feira (6) por cerca de 30 minutos. Durante o diálogo, Lula pediu o fim do chamado tarifaço — sobretaxa de 40% aplicada a produtos brasileiros — e a retirada de sanções impostas a autoridades do país.

Segundo nota do Palácio do Planalto, ambos os líderes concordaram em realizar um encontro presencial em breve, ainda sem local definido, e trocaram contatos para manter uma comunicação direta entre os governos.

Relações comerciais e “boa química” entre os presidentes

De acordo com o Planalto, Lula e Trump relembraram a “boa química” demonstrada durante o breve encontro em Nova York, na Assembleia Geral da ONU. Na ocasião, Trump afirmou ter tido “ótima química” com o presidente brasileiro.

Durante a ligação, Lula ressaltou que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil, sendo este um dos três países do G20 em que isso ocorre. O presidente brasileiro aproveitou para reforçar que o aumento das tarifas prejudica o comércio bilateral e dificulta novos investimentos. “Considero nosso contato direto uma oportunidade para restaurar as relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”, publicou Lula em rede social após o telefonema.

Tarifaço e sanções sob análise

Atualmente, produtos brasileiros enfrentam sobretaxas que podem chegar a 50%, quando somadas à alíquota base de 10% vigente. Além disso, Trump manteve sanções a autoridades brasileiras, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do governo federal, incluindo Alexandre de Moraes e Jorge Messias.

O presidente norte-americano também designou o secretário de Estado, Marco Rubio, para conduzir as negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Próximos encontros e desafios diplomáticos

Lula sugeriu que o encontro entre os dois líderes ocorra durante a Cúpula da Asean, na Malásia, ainda neste mês. O evento é visto como uma oportunidade de reunião em território neutro. O brasileiro também renovou o convite para que Trump participe da COP30, em Belém (PA), e manifestou disposição em visitar Washington.

Apesar da tentativa de reaproximação, diplomatas brasileiros avaliam que o momento é de cautela nas relações bilaterais, já que Trump mantém um histórico de mudanças repentinas de posição política.

Desde sua eleição em 2024, o republicano vem adotando uma postura rígida em relação ao Brasil, especialmente após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe.

Na ONU, Lula reafirmou que a independência do Judiciário e a soberania nacional não são temas negociáveis, mas que segue aberto ao diálogo sobre comércio, tecnologia e exploração de terras raras — áreas de interesse estratégico para os Estados Unidos.

Fonte: g1 / Palácio do Planalto
TEXTO: REDAÇÃO
IMAGEM: REPRODUÇÃO / G1

Ler Mais
Negócios

Banco do Brasil já prepara plano de contingência diante de possíveis sanções dos EUA

O Banco do Brasil (BB) está elaborando um plano de contingência para lidar com possíveis sanções financeiras adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, em decorrência da Lei Magnitsky. O objetivo é proteger clientes, como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e as operações da instituição, caso as restrições sejam intensificadas.

A Lei Magnitsky foi aplicada contra o ministro Moraes no final de julho. No entendimento do governo americano, o ministro ultrapassou suas funções ao restringir liberdades fundamentais e promoveu uma “caça às bruxas ilegal contra cidadãos e empresas americanas e brasileiras”.

A agência Bloomberg informou que o Banco do Brasil, maior instituição financeira de capital misto do país, está alinhando a estratégia com orientações jurídicas de escritórios de advocacia nos Estados Unidos.

Fonte: Gazeta do Povo

Ler Mais
Agronegócio

Agro teme sanções de Trump ao Brasil por compra de fertilizantes russos e faz alerta ao Itamaraty

O agronegócio brasileiro, já pressionado em diversos setores pela sobretaxa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passa a valer nesta quarta-feira (6), teme que a ameaça de uma nova retaliação se concretize em um dos pontos mais frágeis de sua cadeia produtiva: os fertilizantes.

Conforme informações obtidas pela “Folha de S. Paulo”, representantes do agro, tanto de empresas quanto da bancada ruralista no Congresso, fizeram chegar o alerta ao Itamaraty sobre possíveis sanções que o Brasil pode sofrer, a partir da sexta-feira (8), devido às negociações que detém com a Rússia, que hoje é o maior vendedor de fertilizantes ao Brasil.

Como a “Folha” mostrou, o Brasil também está na rota de sanções pela compra de diesel. Mais de 60% desse combustível que foi importado neste ano veio do país de Vladimir Putin.

Confira abaixo um histórico das importações brasileiras de fertilizantes da Rússia a partir de janeiro de 2022.O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Importações Brasileiras de Fertilizantes da Rússia – Jan 2022 a Mai 2025 – TEU

A Frente Parlamentar Agropecuária não comenta o assunto. O clima geral, no entanto, é de apreensão. Dependente crônico da importação deste tipo de insumo, o agronegócio torce para que a pressão internacional que Trump exerce, também sobre a Rússia, não resvale nestas transações bilaterais.

Em 14 de julho de 2025, Trump afirmou que, se não houver um acordo de paz da Rússia com a Ucrânia, os Estados Unidos imporão “tarifas secundárias de 100%” sobre países que continuam comprando exportações russas.

Essas tarifas fariam parte de um ultimato diplomático e envolveriam penalidades indiretas a compradores de petróleo, gás, urânio ou outros bens russos, como fertilizantes. A informação foi confirmada pelo secretário Internacional do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte.

Nesta terça, Trump disse que tomará uma decisão sobre as sanções envolvendo a compra de petróleo após uma reunião com autoridades russas agendada para quarta-feira (6).

Em entrevista coletiva, Trump não confirmou que as tarifas serão de 100%. “Nunca disse uma porcentagem, mas deve ser algo próximo disso”, afirmou o presidente dos EUA.

A tarifa ao Brasil não seria aplicada diretamente sobre os fertilizantes importados pelo país, mas sim sobre outros produtos brasileiros exportados para os EUA, como forma de retaliação indireta ou pressão econômica.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, disse que o governo brasileiro tem que estar em alerta para o risco de uma retaliação dos Estados Unidos envolver proibições de compras de produtos. Esse é um dos riscos que estão no radar da indústria brasileira.

“A posição dos Estados Unidos que foi dada à Rússia foi que, se ela não resolvesse o problema da guerra, eles iriam abrir retaliações que envolveriam quem compra produtos da Rússia. E nós compramos petróleo e fertilizantes, que são muito sensíveis ao agronegócio”, comentou.

A preocupação do produtor nacional se explica pela profunda dependência da Rússia no fornecimento de fertilizantes. O Brasil é responsável por cerca de 8% do consumo global do produto, ocupando a quarta posição mundial, atrás apenas de China, Índia e Estados Unidos. A soja, o milho e a cana-de-açúcar respondem por mais de 73% desse consumo no país.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mais de 90% dos fertilizantes utilizados são importados, o que torna o setor agrícola vulnerável às oscilações do mercado internacional e impacta diretamente os produtores rurais. A Rússia aparece como o principal país fornecedor, respondendo sozinha por 30% do que é importado, superando potências como China, Canadá e os Estados Unidos.

A cúpula de senadores brasileiros que esteve nos Estados Unidos na semana passada, para tentar sensibilizar o governo sobre o tarifaço, voltou para casa com a informação de que os americanos estão incomodados, na realidade, com o volume de combustível que o Brasil compra dos russos. O produto é o segundo mais importado pelo Brasil, só atrás dos fertilizantes.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que esteve nos EUA e discutiu o tema, foi procurada para comentar o assunto, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

A dependência estrutural dos fertilizantes da Rússia não para de crescer. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic) apontam que 2025 caminha para fechar um novo recorde histórico no volume de fertilizantes que o Brasil importa da Rússia.

Apenas no primeiro semestre do ano, o país já adquiriu 5,71 milhões de toneladas, ao custo de US$ 1,98 bilhão. O total anual tende a ultrapassar 12 milhões de toneladas, consolidando o maior volume físico já registrado e repetindo o resultado do ano passado, que chegou a 12,5 milhões de toneladas.

Na última década, a dependência do fertilizante russo se multiplicou. Em 2015, o Brasil importou 3,7 milhões de toneladas daquele país. Em 2017, chegou a 5,6 milhões. Em 2019, antes da pandemia, as importações já ultrapassavam 7 milhões de toneladas.

O primeiro salto expressivo ocorreu em 2021, quando o Brasil atingiu 9,6 milhões de toneladas importadas, impulsionado pela recuperação pós-pandemia do coronavírus. Em 2022, embora o volume tenha recuado para 8,1 milhões de toneladas, a guerra na Ucrânia e o risco de interrupção no fornecimento fizeram o Brasil intensificar suas compras em um mercado pressionado. Em 2023, as importações seguiram altas, com 9,3 milhões de toneladas. O volume físico, no entanto, não parou de se ampliar de lá para cá.

Fonte: Valor Econômico

Ler Mais
Comércio Exterior

Sanções que Estados Unidos podem impor ao Brasil não se limitam ao tarifaço; entenda as medidas

Empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que governo norte-americano pode adotar sem qualquer aviso formal ou rito público

As sanções que o governo dos Estados Unidos pode impor ao Brasil em uma disputa comercial e política não se limitam ao tarifaço de 50% aos produtos brasileiros anunciados pelo presidente Donald Trump e podem ter um efeito ainda mais prejudicial para as empresas brasileiras.

O advogado José Andrés Lopes da Costa, mestre em Direito Tributário Internacional e Desenvolvimento pelo IBDT/SP e professor de Direito Tributário Internacional da FGV, afirmou que as empresas brasileiras estão expostas a uma série de medidas unilaterais que os Estados Unidos podem adotar sem qualquer aviso formal ou rito público, para além das barreiras alfandegárias.

Segundo ele, tanto o BIS (Bureau of Industry and Security) do Departamento de Comércio quanto a OFAC (Office of Foreign Assets Control) do Departamento do Tesouro são órgãos do governo dos Estados Unidos responsáveis por regulações profundas e muito menos discutidas, que operam por mecanismos técnicos, listas confidenciais e cláusulas em contratos de financiamento, tecnologia, transporte e seguro.

Essas sanções já foram aplicadas a países considerados “hostis” pelo governo dos Estados Unidos, como Rússia, Venezuela, Cuba e Irã.

“E o ponto central: essas regras valem também para empresas fora dos Estados Unidos, desde que elas usem dólar, tecnologia norte-americana ou bancos com correspondência nos Estados Unidos, o que, na prática, abrange quase todas as operações relevantes do comércio internacional”, disse.

Bloqueio de pagamentos e suspensão de contratos

Os efeitos concretos das medidas que podem ser determinadas por esses dois órgãos, disse Costa, são o bloqueio de pagamentos, a suspensão de contratos, a perda de acesso a fornecedores ou clientes, o aumento de custo de capital, e até multas administrativas de alto valor.

“E não há aviso formal dessas decisões. Muitas vezes, a empresa só descobre que está sob restrição quando o banco trava a operação ou quando um parceiro rompe o contrato por precaução”, afirmou.

Segundo Costa, a possibilidade de defesa legal das empresas contra essas decisões do governo dos Estados Unidos, na prática, não existe.

“Mesmo a OMC [Organização Mundial do Comércio] oferece pouca margem de reação e, ainda assim, com tramitação lenta e sem eficácia imediata. Não há contraditório, não há um devido processo legal, e os efeitos reputacionais e comerciais são imediatos”, disse.

Embraer e agronegócio podem ser afetados

Todo esse “poder de fogo” dos Estados Unidos em uma disputa comercial, afirmou Costa, enfraquece a tese de que o Brasil deveria acelerar a reorientação comercial em direção a mercados como China, Rússia, Índia ou Irã.

“Exportar para uma empresa estatal chinesa que conste de alguma lista restritiva do governo americano pode ser tão perigoso quanto exportar diretamente para o Irã. Realizar uma transação de carne bovina para um comprador russo pode ser inviabilizado se o financiamento passar por banco que opere sob jurisdição americana, o que, na prática, significa quase todos os grandes bancos do mundo. A operação não precisa ser ilícita. Basta que ela seja vista como arriscada. E o risco, nesse universo, é definido por Washington”, disse.

Como exemplo prático, Costa citou os potenciais efeitos negativos para a Embraer. A empresa brasileira utiliza motores, softwares e sistemas de navegação fabricados por companhias norte-americanas. Cada venda para mercados classificados como sensíveis, afirmou o especialista, exige não apenas o mapeamento de componentes, mas a solicitação formal de licenças, cuja concessão está sujeita a vetos unilaterais.

“Isso significa que o governo americano pode bloquear a exportação de um jato brasileiro a um país terceiro com base no simples fato de que parte de sua tecnologia é de origem americana. E pode fazê-lo sem anúncio, sem aviso e sem direito de resposta”, disse.

No agronegócio, afirmou o advogado, os riscos também não são desprezíveis. Segundo ele, a cadeia de exportação de grãos, carnes e fertilizantes depende de uma infraestrutura tecnológica que inclui desde softwares de rastreabilidade e sistemas de armazenamento até equipamentos agrícolas dotados de sensores que podem estar sujeitos a controle do governo dos Estados Unidos.

“Além disso, os contratos são lastreados em dólares, os pagamentos passam por bancos internacionais e os seguros marítimos são emitidos por grandes conglomerados ocidentais que seguem, rigorosamente, as diretrizes impostas pelas listas de sanção”, afirmou.

Fonte: Exame

Ler Mais
Internacional, Mercado Internacional

União Europeia adota novo pacote de sanções contra a Rússia

Medidas tem foco no petróleo russo e pretendem intensificar pressão econômica

União Europeia adotou nesta sexta-feira, 18, um novo pacote de sanções contra a Rússia, com medidas como a redução no preço máximo do petróleo russo que pode ser exportado, informaram fontes oficiais.

“A UE acaba de aprovar um dos pacotes de sanções mais duros contra a Rússia”, comemorou a ministra das Relações Exteriores da UE, Kaja Kallas.

Segundo Kallas, “toda sanção enfraquece a capacidade da Rússia de travar uma guerra. A mensagem é clara: a Europa não recuará em seu apoio à Ucrânia”.

Este pacote de sanções encontrou até agora oposição da Eslováquia, cada vez mais próxima de Putin, e com temor dos efeitos internos de tais medidas, embora o país tenha recebido garantias da UE.

O novo conjunto de medidas determina uma redução no preço máximo do petróleo russo exportado para países terceiros ao redor do mundo, para 15% abaixo do valor de mercado.

Esse teto é uma iniciativa do G-7 que visa limitar a quantidade de dinheiro que a Rússia ganha com a exportação de petróleo.

Com o novo pacote de medidas restritivas, a UE adicionou cerca de 70 embarcações à lista de sanções por pertencerem à chamada “frota fantasma”, usada pela Rússia para contornar restrições adotadas anteriormente.

Assim, o número de embarcações incluídas na lista de sanções passa a ser de 419.

Essa “frota fantasma”, geralmente composta por embarcações obsoletas e não registradas, opera principalmente no Mar Báltico e com tripulações inexperientes.

O pacote de medidas acordado na sexta-feira também inclui sanções contra uma refinaria de petróleo de propriedade russa na Índia e dois bancos chineses.

Essas sanções foram acordadas pelos representantes permanentes dos países da UE em Bruxelas e devem ser adotadas formalmente em nível ministerial nesta sexta-feira.

Fonte: Estadão

Ler Mais
Internacional, Mercado Internacional

Otan diz que Brasil, China e Índia podem ser atingidos por sanções

Secretário-geral afirmou que medidas podem ser tomadas se países continuarem negociando com Rússia

Mark Rutte, secretário-geral da Otan, a aliança militar ocidental, alertou nesta terça-feira (15) que países como Brasil, China e Índia poderiam ser duramente atingidos por sanções secundárias se continuarem negociando com a Rússia.

“Se você for o presidente da China, o primeiro-ministro da Índia ou o presidente do Brasil e ainda estiver negociando com os russos e comprando seu petróleo e gás (…), às vezes antes de vendê-los por um preço mais alto, saiba que, se esse cara em Moscou não levar as negociações de paz a sério, eu lhe imporei sanções secundárias de 100%”, afirmou Rutte a repórteres.

“Meu incentivo a esses três países, em particular, é que, se você mora em Pequim, ou em Delhi, ou é o presidente do Brasil, talvez queira analisar isso, porque pode ser muito prejudicial”, disse.

“Então, por favor, liguem para Vladimir Putin e digam a ele que ele precisa levar as negociações de paz a sério, porque, caso contrário, isso vai prejudicar o Brasil, a Índia e a China de forma massiva”, acrescentou.

Rutte fez o comentário durante reunião com senadores no Congresso dos Estados Unidos.

A declaração é feita um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar envio de armas para a Ucrânia e ameaçar impor tarifas secundárias se não houver acordo de paz em 50 dias.

Envio de armas para a Ucrânia

Rutte pontuou ainda que, sob o acordo com Trump, os Estados Unidos fornecerão “maciçamente” armas à Ucrânia, “não apenas defesa aérea, mas também mísseis e munição paga pelos europeus”.

Questionado se mísseis de longo alcance para a Ucrânia estavam em discussão, Rutte disse: “É tanto defensivo quanto ofensivo”.

“Então, há todo tipo de armas, mas não discutimos em detalhes ontem com o presidente. Isso está sendo realmente trabalhado agora pelo Pentágono, pelo Comandante Supremo Aliado na Europa, em conjunto com os ucranianos, ressaltou.

Senador destaca preocupação com prazo para a Rússia

O senador republicano americano Thom Tillis elogiou Trump por anunciar as medidas, mas disse que o prazo de 50 dias para um acordo de paz o “preocupa”.

Ele comentou estar preocupado com a possibilidade de “Putin tentar usar os 50 dias para vencer a guerra ou para estar em melhor posição para negociar um acordo de paz após ter assassinado e potencialmente conquistado mais terreno como base para a negociação”.

“Portanto, devemos olhar para a situação atual da Ucrânia e dizer: não importa o que você faça nos próximos 50 dias, qualquer um dos seus ganhos está fora de cogitação”, acrescentou.

Fonte: CNN Brasil

Ler Mais
Internacional, Negócios

EUA X Alexandre de Moraes: sanções podem chegar até confisco de salário do ministro, diz Infomoney

As possíveis sanções dos Estados Unidos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes poderiam resultar até mesmo em um confisco do salário do magistrado em contas bancárias. Analistas avaliam como reais as chances de o governo de Donald Trump cumprir as ameaças que vem fazendo ao judiciário brasileiro e a Moraes.

O professor da Unesp e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), Marcos Cordeiro Pires, afirma que os EUA podem aplicar medidas para impedir movimentações financeiras de Moraes e de familiares. “Em tese, o banco poderia confiscar até o salário pago a Moraes em algum destes bancos”, explica

Sendo assim, bancos brasileiros com ações negociadas na bolsa americana também teriam que aderir às restrições, por se submeterem à legislação dos EUA.

Fonte: Infomoney

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook