Tecnologia

Jeff Bezos alerta para bolha na inteligência artificial, mas prevê benefícios gigantescos

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, afirmou que o atual movimento de investimentos em inteligência artificial (IA) tem características de uma “bolha industrial”. Apesar disso, ele acredita que os avanços tecnológicos resultantes desse período trarão benefícios significativos para a sociedade.

“É uma bolha, mas a IA é real”

Durante participação na Italian Tech Week, em Turim, Bezos disse que os preços de ações ligados ao setor estão se tornando “desconectados dos fundamentos”, um comportamento típico de bolhas financeiras. Segundo ele, esse entusiasmo exagerado dificulta para os investidores diferenciarem boas e más ideias.

Ainda assim, o bilionário reforçou que a IA é real e terá impacto em todos os setores da economia. “As bolhas industriais não são tão ruins. Quando a poeira baixa e vemos quem são os vencedores, a sociedade se beneficia dessas invenções. Isso vai acontecer aqui também”, afirmou.

Exemplos históricos: biotecnologia e bolha pontocom

Bezos comparou o atual momento com a bolha das empresas de biotecnologia nos anos 1990 e a bolha pontocom no início dos anos 2000. Embora muitos negócios tenham falido e investidores perdido dinheiro, esses períodos também impulsionaram transformações duradouras, como medicamentos que salvaram vidas e a infraestrutura tecnológica que sustenta a internet atual.

Outros executivos também alertam

O discurso de Bezos ecoou declarações de outros líderes do setor financeiro e tecnológico. David Solomon, CEO do Goldman Sachs, afirmou no mesmo evento que o “frenesi” da IA pode levar a uma correção do mercado entre 2026 e 2027, após os recordes de captação de capital.

Para ele, sempre que há aceleração tecnológica, investidores tendem a exagerar nas expectativas, ignorando riscos relevantes. “Haverá uma redefinição. Em algum momento, o mercado vai cair. A intensidade disso dependerá de quanto tempo durar essa alta”, disse Solomon.

Sam Altman também vê exageros

O CEO da OpenAI, Sam Altman, tem opinião semelhante. Em agosto, ele destacou que muitas startups de IA estão recebendo avaliações de mercado irreais, mesmo com pouca estrutura. “É insano ver empresas com três pessoas e uma ideia captando rodadas bilionárias. Isso não é racional. Alguém vai se queimar”, comentou.

Apesar das críticas, Altman reconheceu que toda bolha tem um fundo de verdade e que o entusiasmo costuma acelerar avanços que, no longo prazo, deixam contribuições duradouras.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Negócios, Tecnologia

O produto secreto de Sam Altman e Jony-Ive, ex-Apple, que quer ‘enterrar’ de vez a era das telas

Com investimento bilionário e aquisição de startup, Jony Ive assume o design do futuro na OpenAI com foco em dispositivos que superam o uso de telas

Sam Altman, da OpenAI, e Jony Ive, ex-Apple, estão trabalhando em um produto de consumo secreto. Segundo informações do The Wall Street Journal, o projeto deve envolver dispositivos com câmera e fones de ouvido com integração por IA. 

A proposta é ambiciosa: criar uma interface que substitua as telas e redesenhe a relação entre humanos e máquinas.

Ive, responsável pelo design do iPhone e por mais de duas décadas de inovação na Apple, se torna agora o nome por trás da estética e da funcionalidade dos dispositivos da OpenAI.

A notícia vem após a OpenAI anunciar nesta quarta-feira, 21, a aquisição da startup io, avaliada em US$ 6,5 bilhões.

A empresa, que pertencia ao designer britânico Jony Ive, agora terá sua equipe incorporada à OpenAI. A transação envolve também a design house LoveFrom, que segue como parceira criativa de Sam Altman, CEO da OpenAI.

O time da io é formado por cerca de 55 profissionais entre engenheiros, físicos e pesquisadores.

Todos passam a integrar o ecossistema da OpenAI. Já a LoveFrom — empresa que também tem no portfólio clientes como Ferrari e Airbnb — continuará atuando de forma independente, mas passará a ser acionista da OpenAI.

A transação deve ser concluída até o fim do verão no hemisfério norte, por volta de setembro, dependendo de aprovações regulatórias.

O que se sabe sobre o projeto

A proposta de Altman é desenvolver um gadget inédito, discreto e consciente do ambiente ao redor do usuário, que pretende ocupar um espaço cotidiano ao lado de um MacBook e de um iPhone — mas sem ser um celular, tampouco um par de óculos.

Segundo Altman, a aquisição da startup io, fundada por Ive, custará US$ 6,5 bilhões à OpenAI, com a promessa de trazer um retorno que pode chegar a US$ 1 trilhão. “Temos a chance de fazer a coisa mais importante que já fizemos como empresa”, disse Altman a funcionários, de acordo com gravação obtida pelo The Wall Street Journal.

O dispositivo será o primeiro da empresa voltado ao consumidor final e quer mudar a forma como nos relacionamos com a IA, abandonando a dinâmica de digitar e esperar respostas para uma presença mais integrada ao cotidiano.

A ideia é que o aparelho seja ubíquo, esteja no bolso ou sobre a mesa, e funcione como um “companheiro” de IA — capaz de perceber o contexto do usuário, mas sem as distrações das telas atuais.

Jony Ive, que teve uma relação intensa de criação com Steve Jobs, disse que sua conexão com Altman tem sido igualmente transformadora. A parceria começou há cerca de 18 meses com Peter Welinder, VP de Produto da OpenAI, e ganhou força no segundo semestre de 2024, quando decidiram que o projeto não poderia ser um acessório, mas sim um núcleo da relação entre usuário e IA.

Altman afirmou que os dispositivos serão enviados aos assinantes do ChatGPT, substituindo os computadores tradicionais: “Se você assina o ChatGPT, deveríamos simplesmente te enviar novos computadores para usar.”

O plano inclui criar uma “família de dispositivos”, com integração nativa entre hardware e software, inspirada na abordagem da Apple.

Concorrência com gigantes e desafios logísticos

A produção em massa será um desafio.

Altman reconhece que não será possível enviar 100 milhões de unidades no primeiro dia, mas quer superar o tempo recorde de adoção de produtos da indústria. O modelo de distribuição ainda está sendo fechado com fornecedores e montadoras globais.

A OpenAI já investiu em outras iniciativas de hardware, como a Ai Pin, da startup Humane, composta por ex-funcionários da Apple — porém o produto falhou em atrair o consumidor. Agora, com Ive e um controle criativo mais amplo, a promessa é evitar os erros anteriores. A previsão é lançar o novo dispositivo até o final de 2026 .

A novidade surge em meio a perdas financeiras crescentes. A OpenAI estima prejuízo de US$ 44 bilhões até 2029 , ano em que espera começar a lucrar.

Ainda assim, Altman aposta que a única forma de a IA conquistar presença direta na vida dos consumidores será por meio de novos dispositivos e não pelos apps controlados por Apple ou Google.

Com o projeto ainda em sigilo, Altman enfatizou a importância de manter o plano longe dos olhos da concorrência. “O segredo é fundamental”, disse.

Afinal, como ele mesmo resumiu, o objetivo não é apenas competir com os gigantes do setor — mas reinventar a forma como a humanidade interage com a tecnologia.

Fonte: Exame

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