Exportação

Safra de laranja cai 3,9% no Cinturão Citrícola e pressiona oferta de suco

Produção revisada para baixo
A safra de laranja 2025/26 no Cinturão Citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro foi revisada para 294,81 milhões de caixas (40,8 kg), queda de 3,9% em relação à projeção anterior, informou o Fundecitrus nesta quarta-feira (10). A nova estimativa reflete problemas climáticos e o avanço do greening, doença que reduz a produtividade dos pomares.

Segundo a CitrusBR, a redução na colheita afetará diretamente a oferta brasileira de suco de laranja, segmento em que o país lidera a produção e exportação global.

Clima adverso e greening pesam sobre os pomares
O Fundecitrus detalhou que dois fatores explicam a retração: o menor tamanho dos frutos devido à falta de chuvas e a alta da taxa de queda dos frutos, que passou de 22% para 23%. O aumento está ligado ao agravamento do greening, ao ritmo acelerado da colheita e às condições climáticas desfavoráveis.

Mesmo com o corte, a safra atual deve superar em 27,7% a colheita do ciclo anterior, marcada como a segunda menor em quase quatro décadas.

Ritmo da colheita e impacto industrial
De acordo com o diretor-executivo da CitrusBR, Ibiapaba Netto, a reestimativa reforça a imprevisibilidade climática: “Por mais que uma safra comece bem, nada garante que termine bem.” Ele destacou que a quebra representa 20 milhões de caixas, volume capaz de alterar o “patamar de safra”.

Para a indústria, isso significa uma redução entre 65 mil e 70 mil toneladas de suco — perda que dificilmente será compensada pelo rendimento industrial, também afetado pelo clima. “Isso enxuga a disponibilidade de produto ao fim do ciclo”, afirmou.

Até meados de novembro, cerca de 65% da safra havia sido colhida. Entre as variedades, as precoces (hamlin, westin e rubi) estavam praticamente concluídas (99%), enquanto as demais precoces somavam 95%. A pera tinha 85% colhidos e, entre as tardias, valência e folha murcha acumulavam 40%, e natal, 30%.

Mercado internacional e preços em queda
Apesar da previsão menor no Brasil, o contrato futuro do suco de laranja congelado e concentrado em Nova York recuava 1,7%, para US$ 1,54/lb. A commodity segue em forte queda desde o recorde acima de US$ 5 registrado no fim do ano passado, quando a safra brasileira foi fraca.

A disparada anterior das cotações derrubou o consumo mundial e permitiu que os estoques finais da última safra subissem mais de 25%, segundo dados da CitrusBR.

Mesmo com preços mais baixos em 2024, as exportações brasileiras de suco caíram 12,29% no acumulado da safra 2025/26 (julho a novembro), para 367 mil toneladas, principalmente devido à retração da demanda europeia. Os Estados Unidos agora assumem a liderança como principal destino.

“Suco de laranja é altamente elástico: preço sobe, consumo cai”, explicou Netto. Ele reconhece que a queda nos preços pode estimular uma recuperação do consumo europeu, mas ressalta que esse retorno costuma ser gradual.

Em receita, as exportações despencaram 25%, somando US$ 1,2 bilhão.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes

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