Logística

Arauco Porto Brasil investe R$ 770 milhões em vagões ferroviários para escoar celulose em MS

A Arauco Porto Brasil avançou em mais uma etapa estratégica da logística da nova fábrica de celulose em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul. A companhia fechou um contrato estimado em R$ 770 milhões para a aquisição de vagões ferroviários, que serão utilizados no transporte da produção, fortalecendo a integração entre indústria e ferrovia no escoamento da carga.

Contrato envolve Randoncorp e operação da Rumo

Os equipamentos serão fornecidos pela Randoncorp, enquanto a Rumo ficará responsável pela operação ferroviária nas malhas que atenderão o empreendimento. Em comunicado ao mercado, a empresa informou que o contrato prevê um volume relevante de vagões, com fabricação e entregas programadas entre maio de 2026 e novembro de 2027. O número exato de unidades não foi divulgado.

Transporte ferroviário pela Malha Norte e Malha Paulista

O acordo conta com a interveniência das concessionárias Rumo Malha Norte e Rumo Malha Paulista, que operarão o transporte ferroviário da celulose a partir da nova planta industrial. A iniciativa está diretamente ligada ao projeto da fábrica da Arauco em Inocência, que recebe investimentos estimados em US$ 4,6 bilhões e figura entre os maiores projetos do setor florestal no Brasil.

Ramal ferroviário conecta fábrica à Malha Norte

No campo da infraestrutura, a empresa obteve licença prévia ambiental para a construção de um ramal ferroviário que conectará a unidade industrial à Malha Norte. A autorização, concedida pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, é válida até novembro de 2029 e prevê a implantação de 48 quilômetros de trilhos, além da construção de uma ponte de 269 metros e dois viadutos.

Autorização da ANTT e capacidade de escoamento

Em abril, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou a construção e a exploração do ramal por 99 anos. A expectativa é que a nova ferrovia permita o escoamento anual de até 3,5 milhões de toneladas de celulose, elevando a competitividade logística do empreendimento.

Medidas ambientais e mitigação de impactos

A licença ambiental também estabelece medidas de mitigação dos impactos das obras, como a instalação de sistemas para reduzir o atropelamento de fauna, o monitoramento contínuo de animais silvestres e a recuperação das áreas afetadas durante a implantação do ramal.

Fonte: Com informações divulgadas pela companhia e por órgãos reguladores.
Texto: Redação

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Transporte

Maior rota ferroviária do Brasil impulsiona logística nacional

A maior rota ferroviária do Brasil já está em operação e promete redefinir a logística nacional. A Brado, em parceria com as concessionárias Rumo e VLI, colocou em funcionamento um corredor multimodal que liga Sumaré (SP) a Davinópolis (MA) pela Ferrovia Norte-Sul, cobrindo 2.732 km. O trajeto foi estruturado para atender ao transporte de bens de consumo, produtos industrializados e cargas essenciais que abastecem algumas das regiões mais estratégicas do país, fortalecendo o mercado interno.

Expansão da malha e desempenho operacional

Com a nova rota, a Brado amplia sua presença em operações domésticas de longa distância, replicando o modelo utilizado entre São Paulo e Mato Grosso. No sentido Sudeste–Maranhão, seguem itens como produtos de higiene e limpeza, materiais de construção, defensivos agrícolas, fertilizantes, nutrição animal, alimentos, bebidas e papel. No retorno, predominam bens industriais.

Após testes iniciados em julho, o fluxo somou oito viagens com 100% de pontualidade, movimentando 504 contêineres e mais de 10,9 mil toneladas de mercadorias — desempenho considerado estratégico pelas empresas envolvidas.

Interoperabilidade entre malhas ferroviárias

Um dos pilares do projeto é a interoperabilidade ferroviária, que integra operações de diferentes concessões. Dos 2.732 km de extensão, 2.098 km pertencem à Rumo, enquanto 634 km são administrados pela VLI. Para a Rumo, conectar malhas distintas amplia a competitividade das cadeias produtivas e aproxima regiões industriais dos principais mercados consumidores. Já a VLI destaca que participar do fluxo ferroviário mais extenso do país fortalece a diversificação de cargas e demonstra a capacidade de inovação dentro do atual modelo regulatório.

Eficiência energética e redução de emissões

A rota também se destaca pelo impacto ambiental reduzido. De acordo com a Brado, o modal ferroviário emite até 85% menos CO₂ que o transporte rodoviário. Só em 2024, as operações da empresa evitaram a liberação de mais de 320 mil toneladas de CO₂ — o equivalente ao volume emitido anualmente por cerca de 69 mil automóveis.

Efeitos econômicos e aumento da competitividade

Ao integrar a eficiência da ferrovia na longa distância com o transporte rodoviário nos trechos finais, a Brado amplia sua capilaridade logística e melhora o abastecimento de estados como Maranhão, Tocantins, Piauí e Pará. O potencial de mercado é estimado em até 64 mil contêineres por ano, impulsionando indústrias locais e o acesso a produtos essenciais.

Solução diante da escassez de motoristas

O novo corredor logístico também atenua a pressão sobre o setor rodoviário em meio à falta de motoristas. Dados da Senatran mostram que o Brasil perdeu cerca de 1,2 milhão de condutores de caminhões entre 2015 e 2025, queda de 22%. Ao assumir os percursos longos, a ferrovia permite que caminhoneiros se concentrem em rotas regionais, consideradas mais produtivas e menos desgastantes.

Modernização da infraestrutura logística nacional

Para Luciano Johnsson, CEO da Brado, a iniciativa representa um avanço estratégico. Segundo ele, a rota “conecta regiões, reduz emissões e comprova o potencial da ferrovia de transportar muito mais do que commodities”. Com essa operação, a empresa reforça seu papel na modernização logística do Brasil e recoloca a ferrovia no centro das discussões sobre competitividade, sustentabilidade e integração nacional.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Transporte Moderno

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Informação

ANTT e governo definem conta para Rumo depositar outorga

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e o Ministério dos Transportes deram um passo essencial nesta quinta-feira (24) para viabilizar o programa do governo que prevê aportes de recursos públicos em novos projetos ferroviários, uma tentativa de superar o chamado “gap” de viabilidade financeira das modelagens. Numa construção com a pasta, o órgão regulador estabeleceu que parte da outorga devida pela Rumo no contrato da Malha Paulista irá para uma conta bancária da concessionária e, portanto, não mais ao Tesouro Nacional. 

A expectativa é de que o modelo seja replicado em outras concessões ferroviárias que passam por remodelagem no âmbito da SecexConsenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos), do TCU (Tribunal de Contas da União). O ministério já chegou a falar em recursos na casa dos R$ 30 bilhões em outorgas destinadas a novos projetos, mas esses números têm sido revistos.

O aditivo assinado no ano passado com a Rumo após acordo mediado no tribunal rendeu um “adicional de vantajosidade” de R$ 670 milhões à União, com pagamento pela empresa definido em quatro parcelas. A primeira de R$ 167,5 milhões já foi quitada. Sem uma definição sobre a conta vinculada, acabou indo para o OGU (Orçamento-Geral da União). 

Com a decisão desta quinta-feira, o governo evita que as parcelas restantes sigam diretamente para o Tesouro, onde não há garantia de que o dinheiro será aplicado em ferrovias. 

Como mostrou a Agência iNFRA, o Plano Nacional de Ferrovias do Ministério dos Transportes prevê investimentos de R$ 138,6 bilhões distribuídos em 15 ativos. Embora o programa preveja que a maior parte dos recursos venha do setor privado, no modelo de concessão, os aportes públicos são vistos como essenciais para colocar os projetos de pé.

Os recursos que ficarão rendendo na conta da concessionária serão destinados a ativos selecionados pelo governo. Ficará a cargo da ANTT executar esse fluxo, dando a autorização para movimentações nos valores. 

Próximos
O governo tem expectativa de obter recursos na ordem de R$ 30 bilhões para bancar o gap de viabilidade dos projetos, dinheiro que viria em maior parte das negociações com as atuais concessionárias de ferrovias, em andamento.

Uma fonte importante deve ser a repactuação dos contratos da Vale. Na fila também está o caso da MRS, cujo acordo aguarda para ser julgado no plenário do TCU. O governo ainda tenta destravar a remodelagem da concessão da FCA (Ferrovia Centro Atlântica), que é operada pela VLI.

Em maio, a equipe econômica zerou a projeção de entrada de receita neste ano com as concessões de ferrovias. No Ministério dos Transportes, o movimento foi visto como um sinal positivo para o plano de utilização dos recursos nos projetos ferroviários, embora à época a pasta ainda aguardasse uma orientação do Ministério da Fazenda sobre o tema. 

Há uma expectativa no setor, ainda, de que o TCU dê alguma diretriz sobre o uso das contas vinculadas como instrumento para viabilizar o investimento cruzado. No tribunal, está aberto desde 2023, por exemplo, um processo sob relatoria do ministro Benjamin Zymler que examina o uso desse instrumento nas concessões. 

Votação
Na reunião da ANTT que definiu as regras para a conta na Malha Paulista, o diretor-geral interino da agência, Guilherme Sampaio, ressaltou a urgência de o caso ser julgado, visto que o prazo de pagamento da segunda parcela pela Rumo se encerra no próximo dia 28. 

O relator do processo, diretor Lucas Asfor, explicou que a proposta estabelece regras para a abertura e a manutenção de conta bancária específica em nome da concessionária junto ao banco depositário. A novidade vai ser viabilizada com a assinatura do 7º termo aditivo da concessão. 

Plano de ferrovias
Como já mostrou a Agência iNFRA, o plano do governo para as ferrovias é dividido em quatro eixos regionais. O maior volume de investimentos (capex) está previsto para o eixo Sudeste, com R$ 46,9 bilhões; seguido pelo Nordeste, com R$ 33,1 bilhões; Norte, com R$ 30 bilhões; e o Oeste, com R$ 28,6 bilhões.

Os principais projetos elencados são: Nova Fiol 1 + Porto; Açailândia-Barcarena; EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste); Corredor Minas-Bahia; repactuações FTL, Malha Oeste e Malha Sul; conexão Salgueiro-Suape (PE); conexão Norte-Sul/TLSA (Transnordestina Logística); e a Ferrogrão. A proposta inclui, ainda, soluções para conflitos urbanos ferroviários.

Fonte: Agência Infra

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