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Estado de greve na Argentina pode afetar comércio exterior de SC, alerta Fiesc

A possibilidade de manutenção do estado de greve na Argentina preocupa o setor produtivo catarinense. Segundo a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), a continuidade das paralisações pode comprometer o comércio exterior de SC e gerar impactos relevantes na economia do Estado.

A tensão ocorre após o avanço da reforma trabalhista do presidente Javier Milei, aprovada nesta quinta-feira pela Câmara argentina e agora novamente encaminhada ao Senado, onde precisa ser analisada até 1º de março.

Risco de paralisação prolongada

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, o cenário indica que o movimento grevista pode se estender até a aprovação definitiva da proposta.

De acordo com ela, a continuidade da mobilização pode provocar:

  • Aumento dos custos logísticos, devido à retenção de cargas em pontos de desembaraço aduaneiro;
  • Interrupções na cadeia de suprimentos;
  • Risco de falta de insumos importados;
  • Quebra no fluxo de caixa das empresas;
  • Atrasos no cumprimento de contratos internacionais;
  • Abalo na confiança e na reputação comercial entre os países.

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, e Santa Catarina mantém forte relação bilateral, especialmente nos setores industrial e manufatureiro.

Momento era de crescimento no comércio bilateral

A avaliação da Fiesc é de que o impasse ocorre em um período favorável para as trocas comerciais entre os dois países, com aumento no volume negociado recentemente.

A falta de previsibilidade, segundo a entidade, pode comprometer o ritmo de crescimento das exportações e importações, afetando diretamente empresas catarinenses que dependem do mercado argentino.

Reforma trabalhista divide governo e sindicatos

Para viabilizar a aprovação na Câmara, o governo argentino flexibilizou alguns pontos do texto original. Ainda assim, mantém a proposta de reformular uma legislação trabalhista com cerca de 70 anos, criada durante o período do peronismo.

O presidente Javier Milei tem defendido mudanças estruturais com o argumento de modernizar a economia e tornar as regras mais flexíveis para empresas e trabalhadores. Entre os principais pontos da reforma trabalhista argentina estão:

  • Jornada de trabalho flexível, podendo variar entre 8 e 12 horas diárias;
  • Ampliação do período de experiência para até seis meses;
  • Restrição de greves em setores considerados essenciais;
  • Regras mais flexíveis para férias;
  • Medidas para reduzir a informalidade no mercado de trabalho, que atinge cerca de 40% dos empregos no país.

O embate permanece intenso entre centrais sindicais e governo. Milei, que venceu as eleições legislativas em outubro, conta com apoio do setor empresarial e respaldo político para levar adiante as mudanças estruturais.

FONTE: NSC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NSC

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Greve

Greve na Argentina paralisa exportação de grãos e afeta setor agrícola

Uma greve na Argentina interrompeu, nesta quarta-feira, as atividades de exportação de grãos e derivados, impactando diretamente o comércio exterior do país. A paralisação foi organizada por sindicatos marítimos em protesto contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei.

Segundo Gustavo Idígoras, presidente da Cámara de la Industria Aceitera y el Centro de Exportadores de Cereales (CIARA-CEC), a greve de 48 horas compromete integralmente as operações do setor agroexportador. Em declaração à Reuters, ele classificou o movimento como uma ação de caráter político, distante das demandas específicas da atividade.

Portos e embarques afetados

A mobilização comprometeu serviços essenciais, como atracação e desatracação de navios, transporte de práticos e atendimento a embarcações. A região mais impactada foi a área portuária de Rosário, um dos principais polos globais de exportação agrícola.

A paralisação coincide parcialmente com a greve geral convocada pela Confederación General del Trabajo (CGT), marcada para quinta-feira, o que pode ampliar os efeitos sobre a economia argentina.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Federación Sindical Marítima y Fluvial (Fesimaf) afirmou que a mobilização tem como objetivo defender direitos trabalhistas e preservar a estabilidade no emprego.

Reforma trabalhista amplia tensão sindical

A Câmara dos Deputados argentina deve analisar o projeto de reforma trabalhista, já aprovado pelo Senado na semana passada. A proposta enfrenta forte resistência das entidades sindicais por prever mudanças como flexibilização das contratações, redução de indenizações por demissão, limitação do direito de greve e ampliação da jornada de trabalho.

Além dos marítimos, o sindicato dos trabalhadores da indústria de oleaginosas de San Lorenzo também aderiu à paralisação. A entidade representa empregados do principal polo de processamento de soja do país, localizado ao norte de Rosário, onde se concentra grande parte das usinas responsáveis pela produção de óleo e farelo.

Em comunicado, o sindicato criticou o projeto, afirmando que a modernização proposta compromete direitos históricos dos trabalhadores.

Impacto econômico e mercado internacional

A Argentina ocupa posição estratégica no comércio global, sendo a maior exportadora mundial de óleo e farelo de soja. A interrupção nas operações portuárias pode afetar o fluxo de divisas, essencial para a economia do país.

Para o analista Ion Jauregui, da consultoria ActivTrades, paralisações que atingem transporte e portos geram reflexos que vão além dos dias de trabalho perdidos. Segundo ele, a capacidade de exportação é determinante para manter a entrada de moeda estrangeira.

O governo argentino avalia que as greves recorrentes prejudicam a produtividade e a estabilidade econômica nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Martin Cossarini

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