Negócios

Dívida da Braskem dispara para 14,7 vezes o EBITDA com prejuízo de R$ 26 milhões

A Braskem atravessa uma das fases mais delicadas de sua história. No terceiro trimestre de 2025, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 26 milhões, uma melhora frente à perda de R$ 592 milhões no mesmo período do ano anterior. O alerta, porém, está no balanço: a dívida líquida saltou para 14,76 vezes o EBITDA recorrente, quase o triplo da relação de um ano antes (5,76x), revelando uma estrutura financeira frágil e insustentável para uma empresa cíclica e de capital intensivo.

O EBITDA recorrente despencou 65% em relação a 2024, para US$ 150 milhões (R$ 818 milhões), enquanto a receita líquida caiu 19%, totalizando R$ 17,3 bilhões — reflexo de preços deprimidos de petroquímicos e alta ociosidade nas plantas. O fluxo de caixa operacional ficou negativo em R$ 334 milhões, e o consumo total de caixa chegou a R$ 2 bilhões, ampliando o desequilíbrio financeiro da companhia.

Margens pressionadas e mercado em retração

A crise é estrutural. O mercado petroquímico global segue com excesso de oferta — o chamado “efeito China” —, o que derrubou as margens de polietileno (PE), polipropileno (PP) e PVC entre 9% e 16% em comparação ao 3º trimestre de 2024. No Brasil, a taxa de utilização dos crackers de etileno caiu de 73% para 65%, afetada por paradas programadas no Rio de Janeiro e pela fraca demanda doméstica.

As vendas de resinas no mercado brasileiro recuaram 9%, somando 787 mil toneladas, enquanto as exportações avançaram na mesma proporção (+9%). Mesmo com ajustes operacionais e créditos tributários do REIQ, o EBITDA do segmento Brasil/América do Sul caiu de US$ 335 milhões para US$ 205 milhões.

Nos Estados Unidos e Europa, o cenário foi ainda pior: o EBITDA reverteu de lucro de US$ 71 milhões para prejuízo de US$ 15 milhões, pressionado por queda de 23% nos preços do PP e pela baixa atividade industrial. No México, a subsidiária Braskem Idesa também inverteu resultados, com EBITDA negativo de US$ 37 milhões, frente a lucro de US$ 80 milhões no ano anterior, devido ao alto custo do etano e à parada de manutenção de grande porte.

O nó financeiro

Com margens comprimidas e fluxo de caixa negativo, a Braskem passou a depender de financiamentos de longo prazo e alto custo. A dívida bruta atingiu US$ 8,4 bilhões em setembro, com prazo médio de nove anos, enquanto a posição de caixa (sem incluir a Idesa) somava US$ 1,3 bilhão. Em outubro, a empresa ainda utilizou uma linha de crédito rotativo internacional de US$ 1 bilhão, mas o balanço segue mostrando erosão de liquidez e da capacidade de investimento.

A administração aposta no Programa de Resiliência e Transformação, voltado ao controle de custos e racionalização de projetos. Um alívio temporário veio da redução da provisão do evento geológico de Alagoas, de R$ 5,57 bilhões em 2024 para R$ 3,8 bilhões, após acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas, que encerrou ações judiciais e quitou indenizações ligadas ao afundamento de solo em Maceió em 2018.

Mesmo assim, a empresa contabilizou encargo de R$ 435 milhões para hibernar sua planta de cloro-soda em Alagoas, no âmbito do plano Transforma Alagoas — medida voltada a tornar a produção de PVC mais sustentável, mas que evidencia uma redução estrutural das operações na região.

Crise setorial e medidas regulatórias

A indústria química brasileira opera com 39% de ociosidade, o maior nível em 30 anos, segundo a Abiquim. Para conter o colapso, o governo tem implementado medidas de proteção, como o Projeto de Lei PRESIQ (PL 892/2025) — já aprovado na Câmara — e a aplicação de tarifas antidumping provisórias sobre as importações de polietileno.

A Braskem considera essas iniciativas fundamentais para equilibrar a concorrência e preservar a produção nacional. O conselho da empresa também aprovou o Projeto Transforma Rio, um investimento de R$ 4,2 bilhões destinado a ampliar a capacidade de etileno e polietileno no Rio de Janeiro e aumentar o uso de etano como matéria-prima.

Tentativa de reversão

A atual gestão tenta reverter um ciclo negativo que não foi corrigido por administrações anteriores — nem mesmo após o boom da pandemia, quando a Braskem atingiu seu pico histórico. Em 2021, o EBITDA alcançou US$ 5,2 bilhões, impulsionado por margens recordes e escassez global de plásticos. Desde então, o ciclo virou: os preços caíram, a demanda enfraqueceu e a lucratividade evaporou. O desafio da nova liderança é restabelecer a estabilidade financeira em um setor que hoje luta pela sobrevivência.

Perspectiva crítica

Com o EBITDA sob pressão, a alavancagem em níveis históricos e a geração de caixa negativa, a Braskem enfrenta um ponto de inflexão. A empresa opera com liquidez apertada, margens reduzidas e um mercado global em retração, enquanto tenta preservar seu grau de crédito e atrair novos investimentos.

O cenário segue de tensão simultânea nos três pilares da petroquímica: demanda, margens e endividamento. Uma eventual recuperação dependerá da recomposição dos preços globais e da eficácia das políticas industriais brasileiras previstas para 2026.

FONTE: Brazil Stock Guide
IMAGEM: Reprodução/Brazil Stock Guide

Ler Mais
Economia, Logística, Mercado Internacional, Notícias, Tributação

Correios têm novo prejuízo em fevereiro e rombo já ultrapassa R$ 1 bilhão em dois meses

Os Correios, uma das principais estatais brasileiras, enfrentam um cenário financeiro desafiador em 2025. 

Nos primeiros meses do ano, a empresa registrou prejuízos significativos, totalizando cerca de meio bilhão de reais em fevereiro, um valor semelhante ao registrado em janeiro. Esses resultados negativos refletem um cenário preocupante para a estatal, que já projeta um déficit ainda maior até o final do ano.

Segundo informações do Diário do Poder, a receita dos Correios também apresentou uma queda preocupante. Em fevereiro, a empresa arrecadou R$ 1,2 bilhão, inferior aos R$ 1,4 bilhão obtidos em janeiro. Essa redução na receita, combinada com os prejuízos mensais, indica um ano financeiramente desafiador para a estatal, com projeções de um déficit que pode ultrapassar R$ 5 bilhões até dezembro.

Como o déficit financeiro dos Correios foi causado?

Correios têm novo prejuízo em fevereiro e rombo já ultrapassa R$ 1 bilhão em dois meses
Correios – Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado/Creative Commons

Uma das justificativas apresentadas pela diretoria dos Correios para o déficit de R$ 3,2 bilhões em 2024 foi a chamada “taxação das blusinhas”, implementada pelo Ministério da Fazenda. Essa medida, que visava aumentar a arrecadação, acabou impactando negativamente as finanças da estatal, gerando uma receita de R$ 1,4 bilhão, mas contribuindo para um rombo financeiro ainda maior.

Além disso, os Correios estão em processo de negociação para contrair novas dívidas, que podem chegar a R$ 4,7 bilhões. Essa estratégia visa cobrir parte dos prejuízos acumulados, mas também aumenta a preocupação sobre a sustentabilidade financeira da empresa a longo prazo.

Qual o impacto nos contribuintes e no cenário político?

O cenário financeiro dos Correios tem repercussões diretas para os contribuintes brasileiros. Segundo o portal, em 2025, os cidadãos já pagaram mais de R$ 733 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais, de acordo com o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo. No entanto, a eficiência na gestão desses recursos é questionada, especialmente quando se observa o desempenho financeiro de estatais como os Correios.

No cenário político, a situação dos Correios também gera debates. No Senado, por exemplo, houve apenas um dia de trabalho efetivo em fevereiro, o que levanta questões sobre a eficiência e a prioridade dada a questões econômicas e financeiras no Congresso Nacional.

Quais são as perspectivas para o futuro dos Correios?

As perspectivas para os Correios em 2025 são desafiadoras. Com um déficit projetado de mais de R$ 5 bilhões, a estatal precisa implementar estratégias eficazes para reverter essa situação. Isso pode incluir a revisão de políticas tarifárias, a busca por novas fontes de receita e a otimização de processos internos para reduzir custos operacionais.

Além disso, é crucial que a gestão dos Correios trabalhe em conjunto com o governo e outras entidades para encontrar soluções sustentáveis que garantam a viabilidade financeira da empresa a longo prazo. A transparência e a responsabilidade fiscal serão essenciais para reconquistar a confiança dos contribuintes e assegurar o futuro da estatal.

FONTE: Diário do Poder
Correios repetem prejuízo em fevereiro e acumulam rombo de R$1 bilhão em dois meses – Diário do Poder

Ler Mais
Comércio Exterior, Exportação, Importação, Informação, Logística

Cláudio Humberto: Greve dos auditores fiscais já causou prejuízo de R$ 3 bilhões ao Brasil

Paralisação começou há dois meses e a expectativa é que 75 mil remessas de importação e exportação seguem retidas nas alfândegas brasileiras

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que começou há dois meses, é destaque do colunista Cláudio Humberto, da Rádio Bandeirantes. Segundo o jornalista, a paralisação está colapsando o comércio exterior e o setor logístico do Brasil, causando prejuízos de R$ 3 bilhões ao país.

“A greve dos auditores fiscais está colapsando o comércio exterior e o setor logístico no Brasil. A expectativa é que 75 mil remessas expressas de importação e exportação estão simplesmente retidas, paradas nos terminais alfandegários brasileiros gerando prejuízos bilionários ao país”, afirmou Cláudio Humberto.

Segundo o presidente da frente parlamentar do livre mercado, o deputado Luís Felipe de Orleans e Bragança, do PL de São Paulo, a greve afeta as empresas e destrói a competitividade do Brasil no mercado global. “Produtos essenciais como kits laboratoriais e peças industriais estão presos nos depósitos, prejudicando cadeias produtivas, fragilizando pequenas e médias empresas e prejudicando as pessoas”, disse Cláudio Humberto.

Cláudio Humberto citou que a atual paralisação pode ser “mais devastadora para nossa economia. A greve foi deflagrada em 21 de novembro, os grevistas pedem aumentos fora da realidade”, disse.

“O pior é que o ministério da Fazenda e da Gestão e Inovação não parecem muito preocupados ou empenhados em evitar o colapso no mercado e no comércio exterior”, completou.
FONTE: Band.com.br
Cláudio Humberto: Greve dos auditores fiscais já causou prejuízo de R$ 3 bilhões ao Brasil | Rádio Bandeirantes

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook