Logística

Plano Nacional de Logística identifica gargalos no transporte e na logística da Amazônia Legal

O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 mapeou 24 falhas estruturais e operacionais no sistema de transporte e logística da Amazônia Legal, com impactos diretos sobre o escoamento de cargas, o abastecimento interno, a mobilidade de passageiros e o fluxo de mercadorias voltadas à exportação. O diagnóstico foi elaborado pelo Ministério dos Transportes e servirá de base para o planejamento de investimentos em infraestrutura nas próximas décadas.

Consulta pública define prioridades até 2050

O levantamento integra a Avaliação Estratégica do PNL 2050 e está em consulta pública até o dia 18. As contribuições deverão orientar a escolha dos projetos prioritários que comporão o cenário nacional de investimentos em transportes até 2050.

O documento aponta deficiências em rodovias, ferrovias, portos e hidrovias, além de restrições operacionais ligadas à navegabilidade fluvial e à frequência de eventos climáticos extremos, fatores que afetam corredores logísticos estratégicos da região amazônica.

Escoamento de grãos enfrenta entraves logísticos

Entre os principais gargalos identificados estão as dificuldades no escoamento de grãos, como soja, milho e farelo de soja, produzidos em estados como Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Pará, além da região do MATOPIBA.

O plano também destaca limitações nos eixos de transporte associados às bacias dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins-Araguaia, considerados fundamentais para o envio de cargas aos portos de exportação.

Indústria e mercado interno também são afetados

No mercado doméstico, o diagnóstico aponta entraves à saída de produtos industrializados e siderúrgicos do Amazonas e do Pará, além de dificuldades logísticas no Acre. Segundo o PNL, esses problemas comprometem cadeias produtivas regionais e revelam desalinhamentos entre o planejamento nacional e as demandas econômicas locais.

O abastecimento interno é outro ponto crítico. O governo identificou dificuldades no transporte de fertilizantes, alimentos, combustíveis e bens essenciais que abastecem estados como Amazonas, Roraima, Acre, Rondônia, Pará, Amapá, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, elevando custos e afetando a oferta de produtos em áreas urbanas e remotas.

Mobilidade de passageiros é limitada na região

No transporte de passageiros, o PNL 2050 aponta regiões com acesso restrito à mobilidade. O diagnóstico destaca a concentração da infraestrutura aeroportuária em poucos centros urbanos, a baixa integração aérea regional e obstáculos à integração hidroviária.

As grandes distâncias entre localidades e a ausência de opções regulares de transporte dificultam o deslocamento da população e o acesso a serviços públicos essenciais, como saúde, educação e assistência social.

Desafios sistêmicos ampliam a complexidade logística

O plano também registra problemas de caráter estrutural, como a exposição da infraestrutura às mudanças climáticas, restrições à expansão das hidrovias, desafios de integração com países da América do Sul, questões de segurança pública em corredores logísticos e os altos custos para o transporte de produtos da sociobiodiversidade.

Segundo o Ministério dos Transportes, o mapeamento dos entraves antecede a proposição de novas obras e políticas públicas, com foco em um planejamento logístico de longo prazo mais alinhado às características da Amazônia Legal.

Sociedade civil pede mais prazo para contribuições

Organizações da sociedade civil acompanham a consulta pública e solicitaram a ampliação do prazo em 15 dias, alegando coincidência com o recesso de fim de ano. As contribuições recebidas serão analisadas antes da consolidação do plano final e da definição dos investimentos em logística e transportes previstos para a região até 2050.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tecnologística

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Logística

Novo Plano Nacional de Logística 2050 prioriza sustentabilidade, limites fiscais e efeitos da reforma tributária

O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 deve ser concluído até o fim do ano com uma abordagem totalmente reformulada. Segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, o documento passa a incorporar limitações fiscais, critérios de sustentabilidade e impactos da reforma tributária. A meta é transformar o plano em uma política de Estado “estável e duradoura”, após seis consultas públicas.

Instrumento central para mapear demandas e oportunidades nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário, o PNL agora utiliza séries históricas completas dos manifestos de carga (MDF-e), combinadas com algoritmos avançados para mapear origem, destino e fluxos logísticos reais.

Sustentabilidade e responsabilidade fiscal entram no planejamento

Santoro destacou que o novo PNL elimina projetos ambientalmente inviáveis e considera a realidade orçamentária do país. “Não adianta planejar quase um trilhão de obras se não há recursos para isso. E não faz sentido incluir no plano projetos que nunca receberiam licença ambiental”, afirmou.

A construção do documento também envolveu a participação do setor produtivo. Pesquisas qualitativas ouviram empresas para identificar gargalos logísticos e intenções de investimento nos territórios.

Reforma tributária e recuperação da lógica de transporte

O secretário ressaltou que a reforma tributária oferece a chance de corrigir distorções provocadas por incentivos fiscais que alteraram o fluxo natural da carga. Com a simplificação tributária, a expectativa é fortalecer hidrovias, cabotagem, portos e conexões intermodais.

Financiamento e fortalecimento da cabotagem

Durante o mesmo evento, a diretora de infraestrutura do BNDES, Luciana Costa, reforçou que o financiamento de longo prazo é essencial, mas limitado. O banco tem ampliado o uso de debêntures de infraestrutura, reduzindo riscos e estimulando o mercado de capitais.

O presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, destacou o papel estratégico do Rio de Janeiro no desenvolvimento nacional, citando projetos em andamento e o potencial do Porto de Itaguaí, que deve ser favorecido pelo futuro Ferroanel em São Paulo.

Bastos e representantes da Firjan defenderam a expansão da cabotagem, considerada um modal estratégico diante da extensa costa brasileira. A expectativa é que a reforma tributária reduza burocracias e ajude a consolidar a chamada Lei do Mar, destinada a impulsionar o transporte marítimo entre portos nacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Leo Pinheiro/Valor

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