Indústria

Desindustrialização no Brasil volta ao centro do debate após queda da indústria de transformação

A retração registrada na indústria de transformação em 2025 reacendeu o alerta para o avanço da desindustrialização no Brasil. De acordo com avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a queda de 0,2% no Produto Interno Bruto (PIB) do segmento no ano passado evidencia dificuldades estruturais enfrentadas pelo setor e reforça a necessidade de políticas voltadas ao fortalecimento da atividade industrial.

O desempenho negativo representa a quinta retração do setor nos últimos sete anos. Caso o cenário atual se mantenha, a indústria pode perder ainda mais participação na economia brasileira em 2026.

Juros altos e avanço das importações pressionam a indústria

Após crescer 3,9% em 2024, a indústria de transformação não conseguiu sustentar o ritmo no ano seguinte. Em 2025, o setor foi impactado principalmente pela política de juros elevados, que encareceu o crédito e reduziu a capacidade de investimento das empresas.

Além disso, a ampliação da entrada de produtos importados no mercado nacional também contribuiu para o enfraquecimento da atividade industrial.

Segundo o superintendente de Economia da CNI, Marcio Guerra, o nível elevado da taxa Selic afetou tanto empresas quanto consumidores.

“A Selic desestimulou investimentos, encareceu o crédito para o consumidor e reduziu a demanda por bens industriais. Ao mesmo tempo, as importações cresceram de forma generalizada e em ritmo superior ao da própria demanda”, afirmou.

Crescimento industrial perde força em relação a 2024

O impacto da política monetária mais restritiva se espalhou por diferentes áreas da cadeia produtiva. O setor da construção civil, por exemplo, registrou crescimento modesto de 0,5%.

Como resultado, o PIB industrial avançou apenas 1,4% em 2025 — menos da metade do crescimento observado no ano anterior.

O resultado geral só não foi ainda mais fraco graças ao desempenho da indústria extrativa, que registrou alta de 8,6%, impulsionada principalmente pela produção de petróleo e gás.

Outro ponto de preocupação apontado pela CNI é o nível de investimentos na economia brasileira. A taxa de investimento fechou 2025 em 16,8% do PIB, abaixo dos cerca de 20% registrados entre 2010 e 2013, percentual considerado mais adequado para sustentar um crescimento econômico mais robusto.

Para Marcio Guerra, o quadro exige resposta rápida.

“O cenário preocupa, mas não é novidade: convivemos com desindustrialização e baixo investimento há anos. Sem medidas imediatas para reverter esse quadro, o desempenho do PIB em 2026 tende a ser ainda mais limitado”, avaliou.

Debate sobre redução da jornada preocupa setor industrial

Diante desse contexto econômico, a CNI também defende cautela nas discussões sobre a redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a adoção de mudanças que elevem os custos das empresas pode agravar ainda mais a situação financeira do setor.

A confederação destaca que a indústria brasileira possui características que ampliam o impacto de eventuais aumentos de custos:

• utiliza proporcionalmente mais mão de obra qualificada que a média do setor privado;
• ocupa posição central nas cadeias produtivas, o que amplia a pressão de custos;
• enfrenta forte concorrência internacional, especialmente com produtos importados;
• possui atividades e funções nas quais a compensação de horas é difícil ou onerosa.

Segundo a CNI, as incertezas em torno da discussão sobre a jornada de trabalho também podem afetar decisões de investimento produtivo, fundamentais para elevar a produtividade da indústria — condição considerada essencial antes de qualquer redução da carga horária.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Shutterstock

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Economia

PIB industrial deve crescer 1,1% em 2026, projeta CNI; juros altos seguem como entrave

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta que o PIB industrial avançará 1,1% em 2026, enquanto a economia brasileira deve registrar expansão de 1,8% no período. As estimativas foram divulgadas no novo boletim econômico da entidade.

Segundo a confederação, a manutenção da Selic em 15% ao ano, em nível considerado altamente restritivo, deve continuar limitando o ritmo de crescimento do país no próximo ano. O Copom deve manter a taxa estável pela quarta reunião consecutiva nesta quarta-feira (10.dez.2025), conforme projeções do mercado financeiro.

Contexto econômico e desaceleração do PIB
O IBGE informou que o PIB brasileiro cresceu 2,7% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre, resultado que indica desaceleração e representa a menor taxa anual desde o segundo trimestre de 2021. Para 2025, a CNI prevê avanço de 2,5%, com desaceleração para 1,8% em 2026, influenciada pelos juros reais elevados — mesmo diante de um possível ciclo gradual de redução da Selic.

A entidade alerta que o atual nível de juros deve restringir investimentos e o consumo de bens duráveis, tradicionalmente mais sensíveis ao crédito.

Setores mais impactados pelos juros elevados
A CNI avalia que a indústria de transformação continuará sendo a mais afetada pelo cenário de crédito caro, enquanto a concorrência de produtos importados deve seguir pressionando a produção nacional. Já o setor de construção tende a mostrar reação diante de novos estímulos ao financiamento imobiliário, com ajustes previstos para começarem a surtir efeitos a partir de janeiro de 2026.

Na indústria extrativa, a produção deve permanecer elevada, embora sem repetir o avanço observado em 2025.

Inflação em queda e perspectiva para 2026
A entidade destaca que a inflação perdeu força em 2025. Dados do IPCA mostram desaceleração para 4,46% no acumulado de 12 meses, retornando ao intervalo da meta pela primeira vez desde setembro de 2024. Para 2026, a CNI prevê nova queda, com o índice fechando o ano em 4,1%.

Apesar do arrefecimento dos preços, a confederação aponta que a política monetária permanece por um período prolongado em terreno restritivo, mantendo juros reais acima da taxa neutra. A expectativa é que apenas em 2026 tenha início um ciclo de cortes mais consistente, com a Selic encerrando o ano em 12%, ainda em nível contracionista.

FONTE: Investing e Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Investing

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Economia

SC lidera PIB industrial per capita na América do Sul

Santa Catarina alcançou o maior PIB industrial per capita da América do Sul, superando todos os estados brasileiros e até economias nacionais como a Argentina. O resultado é atribuído à diversidade produtiva e ao alto nível de complexidade industrial do estado, impulsionados pela capacidade de inovação das empresas catarinenses.

Durante apresentação na reunião de diretoria da FIESC, o economista Paulo Gala destacou que SC possui a menor proporção entre trabalhadores formais e beneficiários do Bolsa Família no país, reflexo de uma economia baseada na indústria de transformação e em produtos de alto valor agregado. Para ele, o modelo catarinense deveria servir de referência ao restante do Brasil.

Crescimento sustentável exige inovação
Gala reforçou que, embora programas de transferência de renda sejam relevantes, o desenvolvimento econômico não pode depender exclusivamente do assistencialismo. Ele lembrou que, nos últimos quatro anos, o crescimento nacional foi impulsionado por programas que somaram R$ 1,3 trilhão, efeito que não se traduz em ganhos permanentes de produtividade.

Segundo o economista, o país seria mais eficiente se direcionasse parte desses recursos para áreas que estimulam inovação, aumento de salários médios e expansão de setores industrializados. A renda, afirma, deve aumentar como consequência da sofisticação produtiva e do fortalecimento regional.

Diversificação garante fôlego à economia catarinense
O economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, explicou que, mesmo com uma leve desaceleração, Santa Catarina continua entre as economias que mais crescem no Brasil. A diversificação industrial é um dos principais fatores para esse desempenho.

Bittencourt destacou que essa variedade de setores ajudou SC a driblar os efeitos da queda das vendas aos Estados Unidos. O estado ampliou exportações para mercados já consolidados e abriu novos destinos, especialmente nos itens que lideram sua pauta exportadora. O resultado aparece na alta de 5,1% das exportações entre janeiro e outubro, mesmo diante do tarifaço.

Perspectivas para 2026
Para o próximo ano, a expectativa é de retomada em setores importantes na geração de empregos, impulsionada pelo possível recuo da taxa de juros. No entanto, Bittencourt projeta que, no segundo semestre, a economia pode perder ritmo. Segundo ele, o aumento da renda disponível — com a ampliação da faixa isenta do Imposto de Renda — e juros mais baixos podem levar a um avanço do endividamento, o que tende a frear o consumo.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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