Comércio Exterior

Petróleo bruto lidera exportações brasileiras pelo segundo ano consecutivo

O petróleo bruto voltou a ocupar o topo do ranking das exportações brasileiras em 2025, mantendo a liderança pelo segundo ano seguido. As vendas do produto ao mercado externo somaram US$ 44,67 bilhões, mesmo diante de um cenário de queda nos preços internacionais da commodity.

Petróleo segue no topo da pauta exportadora

Apesar de ter sido poupado da tarifa adicional de 40% imposta pelos Estados Unidos, o petróleo brasileiro registrou leve retração nas exportações. O recuo foi de 0,7% em relação a 2024, quando o valor negociado chegou a US$ 44,96 bilhões.

A principal pressão veio da desvalorização do petróleo tipo Brent, referência global de preços, que acumulou queda superior a 18% ao longo do ano.

Produção nacional de petróleo cresce quase 14%

Mesmo com o recuo nos preços, a produção de petróleo no Brasil apresentou avanço significativo. Em novembro, o país produziu 3,773 milhões de barris por dia, volume 13,9% maior na comparação com o mesmo mês de 2024.

Soja mantém força e ocupa a segunda posição

A soja aparece como o segundo produto mais exportado pelo Brasil em 2025, com faturamento de US$ 43,54 bilhões. O resultado representa uma alta de 1,4% em relação ao ano anterior.

Historicamente, o grão tem papel central na balança comercial brasileira, tendo liderado as exportações entre 2016 e 2020, além dos períodos de 2022 a 2023.

Minério de ferro e carne bovina completam o ranking

O minério de ferro ficou na terceira colocação entre os principais itens exportados, com US$ 28,96 bilhões em vendas externas. O desempenho representa um recuo de 3% frente a 2024. Ainda assim, o produto segue como um dos pilares da pauta exportadora, tendo liderado o ranking em 2021.

Já a carne bovina brasileira teve forte crescimento no comércio internacional. As exportações alcançaram US$ 16,61 bilhões em 2025, uma alta expressiva de 42,5% na comparação anual.

Exportações brasileiras batem recorde histórico

No total, as exportações do Brasil atingiram US$ 348,7 bilhões em 2025, estabelecendo um novo recorde. O avanço foi de 3,5% em relação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Exportação

Exportações de petróleo brasileiro para a China podem ganhar força com novo cenário geopolítico

O governo brasileiro avalia, de forma reservada, a possibilidade de ampliar as exportações de petróleo bruto para a China diante de mudanças no contexto internacional envolvendo Venezuela e Estados Unidos. A análise considera uma possível reconfiguração do comércio global de energia, que pode abrir espaço para novos fornecedores no mercado asiático.

Mudanças no comércio internacional de energia

A expectativa de maior aproximação comercial entre Estados Unidos e Venezuela no setor energético levou integrantes do Itamaraty a avaliar que o Brasil poderia ocupar parte do espaço atualmente preenchido pelo petróleo venezuelano na China. Caso haja redução das exportações da Venezuela ao país asiático, o petróleo brasileiro surge como alternativa viável para suprir a demanda.

A China já é, hoje, o principal destino do petróleo bruto exportado pelo Brasil, o que reforça a percepção de que existe margem para ampliar essa relação comercial. Trata-se do mesmo tipo de produto energético adquirido pelos chineses da Venezuela, fator que fortalece o potencial de expansão da participação brasileira.

Relação com os Estados Unidos e impactos indiretos

Enquanto isso, os Estados Unidos aparecem como o segundo maior comprador de derivados de petróleo do Brasil, como diesel e querosene de aviação, atrás apenas de Cingapura. No entanto, dados recentes indicam uma redução gradual da participação norte-americana nessas compras, tendência que pode se intensificar caso o intercâmbio energético entre Washington e Caracas avance.

Esse movimento é acompanhado de perto por assessores do governo, que enxergam no atual rearranjo internacional uma oportunidade estratégica para diversificar mercados e fortalecer a presença brasileira no comércio global de energia.

Estratégia semelhante a momentos anteriores

A leitura feita por integrantes do governo é semelhante à adotada durante o período do chamado “tarifaço”, quando medidas comerciais impostas pelo então — e atual — presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levaram o Brasil a buscar alternativas para reduzir a dependência de mercados específicos.

Agora, a possível mudança no fluxo do petróleo venezuelano reacende essa estratégia de reposicionamento internacional.

Margem Equatorial no radar do governo

Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacam o potencial futuro do petróleo da Margem Equatorial. Apesar de ainda não haver uma data definida para o início da produção, a expectativa é que essa nova fronteira exploratória possa reforçar o papel do Brasil como fornecedor estratégico de energia, especialmente para a China, ampliando a relevância do país no cenário global.

FONTE: Brasil 247 e CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/PILAR OLIVARES

Ler Mais
Exportação

Exportações do Brasil sobem apesar de queda de 38% nas vendas aos EUA

As exportações brasileiras cresceram mais do que o esperado em outubro, mesmo com uma queda de 37,8% nos embarques para os Estados Unidos, levando alguns economistas a considerarem revisar para cima suas projeções de superávit comercial para 2025.

Os embarques para a China têm sustentado o desempenho das exportações nos últimos meses, embora as perspectivas para 2026 permaneçam incertas devido às negociações tarifárias em andamento entre China e EUA.

O superávit comercial do Brasil atingiu US$ 7 bilhões em outubro, ante US$ 4,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). As exportações somaram US$ 32 bilhões, alta de 9,1%, enquanto as importações caíram 0,8%, para US$ 25 bilhões.

No acumulado do ano, o superávit comercial está em US$ 52,4 bilhões. As exportações entre janeiro e outubro chegaram a US$ 289,7 bilhões, aumento de 1,9% em relação ao mesmo período de 2024. As importações totalizaram US$ 237,3 bilhões, alta de 7,1%. O volume total de comércio atingiu US$ 527,7 bilhões.

“Surpresa positiva”

“Prevíamos um superávit de US$ 6,1 bilhões em outubro, então o resultado foi uma surpresa positiva”, disse André Valério, economista do Banco Inter. Ele observou que esse desempenho pode levar a uma revisão da estimativa de superávit comercial do banco para 2025, atualmente em US$ 61 bilhões. Agora, um superávit mais próximo de US$ 63 bilhões é possível.

Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, destacou o forte volume exportado. Dados da Secex mostram que o volume das exportações subiu 3,4% em relação ao mês anterior. “Isso levou o volume dessazonalizado ao nível mais alto da série histórica desde janeiro de 2006. É um recorde, apesar das barreiras comerciais globais deste ano, incluindo restrições sanitárias às aves, problemas na safra de café e tarifas dos EUA”, afirmou.

Valério classificou o cenário de exportações em 2025 como “um pouco atípico” devido às tarifas americanas e seus efeitos. “Houve outra queda acentuada nas exportações para os EUA, enquanto a China continua comprando fortemente, absorvendo boa parte da oferta excedente atual”, disse. O açúcar é um exemplo: os embarques para os EUA diminuíram, enquanto a China absorveu a maior parte da produção.

Segundo José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), a surpresa nas exportações de outubro veio principalmente da China. As exportações para o país cresceram 33,4% em relação a outubro de 2024, impulsionadas por soja (+74,9%), minério de ferro (+27,7%), petróleo bruto (+46,9%) e carne bovina (+43,6%). A participação da China nas exportações totais do Brasil passou de 23,6% em outubro de 2024 para 28,8% em outubro de 2025.

Castro observou que a carne bovina é um dos produtos afetados pelas tarifas dos EUA, mas tem sido redirecionada para a China e novos mercados.

Comércio EUA-China

Valério disse que a frágil trégua comercial entre EUA e China é motivo de preocupação. “A China está se comprometendo a comprar mais soja dos EUA, o que pode afetar nosso desempenho. As exportações de soja neste ano estão excepcionalmente altas”, afirmou.

Ele lembrou, contudo, que uma situação semelhante em 2018 ajudou o Brasil a ganhar participação no mercado chinês, mesmo após a normalização das relações. “Podemos ver outro ganho de mercado, mesmo que a China retome as compras dos EUA”, acrescentou.

Herlon Brandão, diretor de estatísticas e estudos de comércio do MDIC, apontou que as exportações para os EUA têm caído em ritmo acelerado: queda de 16,5% em agosto, 20,3% em setembro e 37,9% em outubro, na comparação anual.

Brandão ressaltou que essa queda não se deve apenas às tarifas. Mesmo produtos que ainda têm tarifa zero registraram retração nas exportações, o que pode indicar uma demanda mais fraca dos EUA. Ele citou como exemplos combustíveis, celulose e ferro-gusa.

Ele afirmou que ainda é cedo para confirmar uma ampla reorientação das exportações brasileiras, embora algumas commodities possam encontrar novos compradores com mais facilidade. Já os bens industriais, como máquinas e equipamentos, enfrentariam maiores dificuldades.

Apoio da Argentina

Valério também destacou o papel da Argentina no comércio brasileiro. As exportações para o país vizinho desaceleraram em outubro, mas continuam fortes, principalmente devido aos embarques de veículos. Ele alertou que 2026 traz novas incertezas. “Há pouco otimismo por causa dos desafios estruturais da Argentina. Grande parte do comércio atual é sustentada pelo peso artificialmente valorizado mantido pelas bandas cambiais do presidente Javier Milei”, disse.

Castro compartilha dessa preocupação, projetando um superávit comercial do Brasil com a Argentina de cerca de US$ 4 bilhões em 2025, mas espera que ele caia para perto de zero em 2026.

Dados da Secex mostram que as exportações para a Argentina subiram 5,8% em outubro e acumulam alta de 41,4% no ano.

Quanto às importações, Valério observou que, excluindo plataformas de petróleo, os números apontam desaceleração. “O crescimento das importações está diminuindo, especialmente do setor industrial, que nos últimos anos impulsionou as compras externas, principalmente de bens de capital. Ainda assim, as importações permanecem robustas, em US$ 25 bilhões por mês, um nível elevado.”

Ele também destacou uma queda de 43% nas importações da Rússia em outubro, devido à redução nos embarques de diesel e fertilizantes. No acumulado do ano, as importações da Rússia caíram 13,1%.

Barbosa, da AZ Quest, afirmou que, com a recente melhora nos preços das commodities, o Brasil poderá manter ou aumentar ligeiramente seus níveis de exportação no próximo ano. “Se a atividade econômica interna desacelerar e reduzir a demanda por importações, o saldo comercial poderá melhorar entre 2025 e 2026.”

A AZ Quest projeta um superávit comercial de US$ 60 bilhões a US$ 65 bilhões em 2025, embora Barbosa observe que as fortes importações no início do ano limitaram o saldo. Para 2026, ele espera que o superávit suba para cerca de US$ 70 bilhões, impulsionado por uma esperada desaceleração das importações e pela continuidade da força nas exportações.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook