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Como petróleo, ouro e bolsas reagiram após choques globais anteriores

Os recentes ataques dos EUA e de Israel contra o Irã provocaram forte volatilidade nos mercados globais, refletida em movimentos bruscos nos preços do S&P 500, do petróleo e do ouro.

Volatilidade inicial e declarações de Trump

O presidente Donald Trump afirmou que o conflito poderia durar “quatro a cinco semanas” ou até ser “perpétuo”, considerando os estoques de munições disponíveis, sinalizando que a instabilidade deve continuar. Na terça-feira, novas ofensivas elevaram o temor de uma guerra prolongada, provocando quedas acentuadas nas bolsas.

Padrão histórico de mercados após crises

Uma análise da Yahoo Finance sobre nove momentos de choque geopolítico recente — do Iraque em 1990 até a captura de Nicolás Maduro na Venezuela — revelou um padrão recorrente: os preços disparam nos primeiros dias, mas tendem a se normalizar semanas depois, mesmo em conflitos prolongados.

O exemplo mais recente ocorreu em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias entre Israel e Irã, quando ataques dos EUA a instalações nucleares iranianas provocaram alta imediata no petróleo e no ouro, e queda no S&P 500. Após 30 dias de negociação, os preços se inverteram: o Brent subiu quase 7,3% em um dia, mas caiu 0,6% em um mês; o ouro subiu 1,49% em um dia e caiu 1,39% após 30 dias; e o S&P 500, que caiu 1,13% no primeiro dia, subiu 5,70% em 30 dias.

Situação atual dos mercados

Nos ataques recentes ao Irã, o padrão inicial se mantém. Na última sexta-feira, o Brent fechou a US$ 72,48 por barril e saltou para US$ 78,16 na segunda-feira, alta de 7,8%. O ouro avançou quase 2,7% no mesmo período.

O S&P 500 iniciou a segunda-feira em queda, recuperou-se e terminou ligeiramente positivo, antes de registrar nova queda nas primeiras negociações de terça-feira. Analistas, no entanto, evitam previsões sobre os preços futuros.

Jim Smigiel, diretor de investimentos da SEI, alertou que “não temos informações suficientes sobre a duração do conflito ou seus impactos de longo prazo” e aconselhou investidores individuais a “respirarem e evitarem decisões drásticas”.

Mudanças de preços de curto prazo não indicam tendência mensal

Estudos históricos mostram que alterações de preços no primeiro dia de conflito raramente refletem o comportamento dos mercados após um mês. Eventos como a guerra Rússia-Ucrânia, a intervenção dos EUA na Líbia e a Guerra do Iraque em 2003 mostraram que, em menos de 56% dos casos, a direção inicial dos preços coincidiu com a observada após 30 dias.

Por exemplo, após os ataques de 11 de setembro de 2001, o ouro disparou 6,85% no primeiro dia e teve alta mais moderada de 2,28% em 30 dias. O petróleo subiu mais de 34% nos primeiros dias da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas terminou 30 dias depois com alta de apenas 1,53%.

Chris Verrone, da Strategas, reforçou que “o pico do petróleo ocorreu cerca de uma semana após a invasão da Rússia”, lembrando que essas flutuações iniciais são apenas indicativas e não determinam tendências duradouras.

Exceção histórica: invasão do Kuwait

O choque de 1990 com a invasão do Kuwait pelo Iraque foi uma exceção. O petróleo subiu 11,64% em um dia e quase 57% em 30 dias, enquanto o S&P 500 caiu 1,14% no primeiro dia e mais de 10% após um mês. No entanto, meses depois, os preços se recuperaram quando as forças aliadas expulsaram as tropas iraquianas.

Conclusão

A análise sugere que, embora choques geopolíticos causem fortes reações imediatas em petróleo, ouro e bolsas, os efeitos tendem a se estabilizar em semanas, com exceções notáveis. Para investidores, a lição é clara: observar tendências de curto prazo pode ser enganoso, e decisões prudentes devem considerar cenários históricos e risco prolongado.

FONTE: Finance Yahoo
TEXTO: Redação
IMAGEM: ATTA KENARE via Getty Images

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Internacional

Especulação chinesa impulsiona alta e antecede colapso do ouro e da prata

O mercado global de metais preciosos passou por um dos episódios mais extremos de sua história recente após uma onda de especulação financeira concentrada na China. Em menos de 20 horas, a prata caiu cerca de US$ 40 por onça, movimento equivalente a patamares que o metal só havia alcançado em raros momentos ao longo de décadas. O ouro, tradicional símbolo de estabilidade, também sofreu um tombo expressivo, reforçando a percepção de que o rali havia se desconectado dos fundamentos.

Durante semanas, traders de todo o mundo acompanharam, quase sem dormir, a disparada de preços que atingiu não apenas ouro e prata, mas também cobre e estanho. O movimento foi alimentado por um forte fluxo de capital especulativo vindo do mercado chinês, que impulsionou as cotações a níveis recordes antes de uma reversão abrupta.

Quedas recordes surpreendem operadores globais

A reversão ocorreu de forma violenta. A prata recuou 26% em um único dia, a maior queda já registrada, enquanto o ouro perdeu cerca de 9%, no pior desempenho diário em mais de dez anos. O cobre, que havia ultrapassado US$ 14.500 por tonelada, devolveu rapidamente os ganhos.

“Foi o movimento mais extremo que já presenciei”, afirmou Dominik Sperzel, chefe de trading da Heraeus Precious Metals, uma das maiores refinadoras do setor. Segundo ele, oscilações desse porte desafiam a própria ideia de estabilidade associada ao ouro.

Gatilho imediato expôs fragilidade do rali

O estopim para o colapso foi a notícia de que o presidente dos EUA, Donald Trump, pretendia indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, o que fortaleceu o dólar e pressionou os preços das commodities. Ainda assim, analistas alertavam havia semanas que os mercados estavam excessivamente esticados após uma sequência quase ininterrupta de altas.

A velocidade e a magnitude da correção chamaram atenção até mesmo em um mercado profundo e líquido como o do ouro. Operadores na Europa e nos Estados Unidos passaram a acompanhar intensamente o pregão asiático, onde os movimentos mais agudos se concentraram.

Compras chinesas aceleraram a escalada

A valorização do ouro vinha sendo construída há anos, impulsionada por bancos centrais que ampliaram reservas como alternativa ao dólar. Esse movimento ganhou força adicional quando investidores ocidentais aderiram à chamada tese de desvalorização monetária.

Nas últimas semanas, porém, a alta ganhou contornos mais extremos com a entrada maciça de especuladores chineses, desde investidores individuais até grandes fundos, que passaram a apostar fortemente em commodities. Consultores de trading que seguem tendências também ampliaram posições, intensificando o efeito manada.

“Nesse ponto, já não era mais uma operação baseada em fundamentos, mas sim em momentum”, avaliou Jay Hatfield, diretor de investimentos da Infrastructure Capital Advisors.

Prata concentrou os movimentos mais intensos

Os efeitos foram particularmente severos na prata, um mercado menor e mais suscetível a fluxos especulativos. A oferta anual do metal é avaliada em cerca de US$ 98 bilhões, muito abaixo do mercado de ouro, estimado em US$ 787 bilhões.

Na sexta-feira, o iShares Silver Trust (SLV) movimentou mais de US$ 40 bilhões, tornando-se um dos ativos mais negociados do mundo naquele dia. Poucos meses antes, o volume raramente superava US$ 2 bilhões.

Opções e efeito “squeeze” amplificaram a volatilidade

A negociação de opções, cada vez mais popular entre investidores de varejo, também contribuiu para o excesso de volatilidade. Em fóruns online, apostas em altas rápidas da prata exibiam retornos potenciais superiores a 1.000%, alimentando o apetite especulativo.

O grande volume de opções de compra criou as condições para um “squeeze”, forçando dealers a comprar o ativo subjacente para fazer hedge à medida que os preços subiam. Esse mecanismo ajudou a explicar tanto a escalada acelerada quanto o colapso subsequente.

Dólar mais forte e realização de lucros mudaram o jogo

Após novos recordes — com o ouro atingindo US$ 5.595 por onça e a prata superando US$ 121 —, o fortalecimento do dólar e a realização de lucros por investidores chineses inverteram o fluxo. Diferentemente de sessões anteriores, quando o pregão asiático sustentava a alta, desta vez a China passou a vender.

“A China realizou lucros, e agora o mercado global sente o impacto”, resumiu Alexander Campbell, ex-chefe de commodities da Bridgewater Associates.

China segue no centro das atenções

O comportamento do mercado nos próximos dias deve, mais uma vez, depender da demanda chinesa. Investidores acompanham atentamente a abertura das bolsas em Xangai para avaliar se haverá retomada das compras ou continuidade da correção.

Apesar da queda, não há sinais de pânico no varejo. Em Shuibei, importante centro de negociação de metais preciosos, a escassez de prata diminuiu, mas os preços ainda operam com prêmio em relação aos contratos de bolsa.

Bancos chineses reforçam controles de risco

Diante da volatilidade, grandes bancos chineses anunciaram novas medidas para conter riscos. O China Construction Bank elevou o valor mínimo de depósitos, enquanto o Industrial and Commercial Bank of China adotou limites de cotas para produtos de poupança em ouro durante os feriados.

Segundo operadores locais, o ouro segue encontrando compradores que aproveitam a correção antes do Ano Novo Lunar, enquanto a prata enfrenta maior cautela por parte dos investidores.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Akos Stiller

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Economia

Desdolarização da economia brasileira avança e sinaliza mudança estratégica do Banco Central

O Banco Central do Brasil deu sinais concretos de que pode ter iniciado um processo de desdolarização da economia brasileira. A avaliação consta em uma análise divulgada pela Not Just Headline e compartilhada por um alto funcionário da autoridade monetária, indicando que o movimento deixou de ser retórico e passou a integrar uma estratégia estruturada.

Venda de títulos dos EUA marca mudança no perfil das reservas

Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o Brasil se desfez de US$ 61,3 bilhões em títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como treasuries. O volume representa cerca de 27% das reservas brasileiras em dólar, configurando a maior redução percentual registrada no mundo no período.

O percentual supera países como a Índia, que reduziu cerca de 21%, e a China, cuja diminuição ficou abaixo de 10%, ainda que em valores absolutos maiores. O dado chama atenção porque as vendas ocorreram em um momento de juros elevados nos Estados Unidos, quando os títulos estavam desvalorizados, o que reforça o caráter político e estratégico, e não financeiro, da decisão.

Ouro volta ao centro da soberania monetária

Paralelamente à redução da exposição ao dólar, o Brasil tem reforçado suas reservas em ouro. Em apenas três meses, foram adquiridas 43 toneladas, elevando o estoque total para 172 toneladas.

A estratégia segue um padrão semelhante ao adotado por China e Índia, reposicionando o ouro não apenas como reserva de valor, mas como ativo de soberania monetária, em um cenário global de maior incerteza geopolítica.

Comércio internacional avança fora do dólar

Outro sinal relevante do processo de desdolarização aparece no comércio internacional. O Brasil, maior produtor e exportador mundial de soja, passou a realizar parte das transações com a China, responsável por 60% a 66% das importações globais do produto, utilizando moedas locais, sem a intermediação do dólar.

Esse movimento indica que linhas de swap cambial já estão operacionais e que sistemas alternativos de pagamento funcionam na prática. Trata-se de um ponto sensível para os Estados Unidos, pois envolve fluxos comerciais reais e de grande volume fora do sistema tradicional dolarizado.

BRICS aceleram reação às pressões dos EUA

A mudança ocorre em meio às reiteradas advertências do ex-presidente Donald Trump contra os BRICS. Na prática, as ameaças funcionaram como estímulo para que os países do bloco intensificassem esforços para reduzir a dependência do dólar.

Nesse contexto, fatores como risco político, uso de sanções financeiras, congelamento de ativos e a extraterritorialidade jurídica passaram a pesar tanto quanto os riscos econômicos tradicionais. As reservas internacionais, por sua vez, assumem papel cada vez mais relevante como instrumento de política externa.

Tendência global reforça movimento brasileiro

O dado central não está apenas no volume vendido pelo Brasil, mas na tendência coordenada. Além de Brasil, Índia, China e Rússia, bancos centrais europeus também vêm ampliando suas posições em ouro.

Quando o comércio é liquidado em moedas locais, o dólar deixa de ser moeda de passagem, instituições financeiras norte-americanas perdem espaço na intermediação e a demanda estrutural por dólares tende a cair no longo prazo.

Infraestrutura da desdolarização já está em operação

O avanço dessas operações não ocorre de forma experimental. Para viabilizá-las, foi necessário estabelecer swaps cambiais bilaterais, habilitar bancos nos países envolvidos, criar sistemas de compensação fora do Swift e consolidar confiança política de longo prazo.

O conjunto desses fatores indica que a infraestrutura da desdolarização não apenas existe, como já está funcionando plenamente, sinalizando uma mudança relevante no posicionamento do Brasil dentro do sistema financeiro internacional.

FONTE: Jornal GGN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal GGN

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Investimento

CMOC compra minas de ouro no Brasil por US$ 1 bilhão e amplia presença na mineração

A mineradora chinesa CMOC anunciou a aquisição de quatro minas de ouro no Brasil, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão. Os ativos pertenciam à canadense Equinox Gold e a transação marca mais um avanço da companhia asiática na expansão de sua atuação internacional, com foco em recursos minerais estratégicos na América do Sul.

A operação amplia o peso da China no setor de mineração aurífera brasileiro, considerado um dos mais relevantes do continente em termos de potencial geológico e infraestrutura produtiva.

Minas estão distribuídas em três estados brasileiros

Os ativos adquiridos pela CMOC estão localizados em Maranhão, Minas Gerais e Bahia. No Maranhão, a empresa passa a controlar a mina de Aurizona. Em Minas Gerais, o negócio envolve a mina RDM. Já na Bahia, entram no pacote as minas Fazenda e Santa Luz.

De forma conjunta, as quatro unidades registram uma produção anual estimada em 7,5 toneladas de ouro e concentram reservas totais próximas de 141 mil toneladas, reforçando a relevância do portfólio adquirido.

Pagamento inicial e aprovação regulatória

Pelos termos do acordo, a CMOC fará um pagamento inicial de US$ 900 milhões no momento da assinatura do contrato. A conclusão definitiva da transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável pela análise concorrencial no país.

A expectativa é que o processo regulatório seja concluído até o primeiro trimestre de 2026, permitindo a incorporação plena dos ativos à operação da companhia.

Expansão na América do Sul ganha escala

A movimentação no Brasil ocorre poucos meses após a CMOC anunciar a compra da maior mina de ouro do Equador, em abril, por US$ 421 milhões. Com as duas aquisições, a mineradora deverá alcançar uma produção anual próxima de 20 toneladas de ouro na América do Sul.

Esse volume posiciona a empresa entre os principais grupos do setor mineral na região, fortalecendo sua presença em países-chave da cadeia global de suprimento.

Interesse estrangeiro reacende debates no setor mineral

Analistas avaliam que a ofensiva da CMOC reflete uma estratégia mais ampla da China para ampliar o controle e o acesso a minerais considerados estratégicos, sobretudo em mercados com estabilidade operacional e grande potencial de exploração, como o Brasil.

Para o setor mineral brasileiro, a operação sinaliza a continuidade do interesse estrangeiro por ativos de grande porte, com possíveis impactos positivos em investimentos, modernização tecnológica e geração de empregos nas regiões mineradoras. Ao mesmo tempo, o negócio reabre discussões sobre soberania mineral, regulação e o papel do país na cadeia global de recursos naturais.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Internacional

Dívida da China e dos EUA pode gerar impactos globais na economia, alertam especialistas

Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam crescimento expressivo da dívida bruta do governo de China e Estados Unidos nos próximos anos. Segundo o relatório de outubro, a relação dívida/PIB da China deve ultrapassar 100% em 2026 e chegar a 116% em 2030. Já a economia norte-americana poderá registrar dívida equivalente a 143,4% do PIB em 2030, superando os atuais 125% previstos para 2025.

Projeção da dívida (% do PIB)

China:

  • 2025: 96,3%
  • 2026: 102,3%
  • 2027: 106,3%
  • 2028: 109,7%
  • 2029: 112,9%
  • 2030: 116,1%

Estados Unidos:

  • 2025: 125%
  • 2026: 128,7%
  • 2027: 132,7%
  • 2028: 136,6%
  • 2029: 140,1%
  • 2030: 143,4%

Impactos da dívida americana na economia global

O economista Rafael Prado, da GO Associados, alerta que a expansão da dívida nos EUA representa maior risco para os mercados internacionais. “Os Estados Unidos concentram ativos considerados portos seguros. Uma crise de confiança pode pressionar de forma intensa os mercados financeiros globais, alterando a composição das carteiras de investimento”, explica Prado.

O especialista cita o aumento recente do preço do ouro, que em outubro ultrapassou US$ 4.000 a onça, como reflexo da busca por segurança diante das incertezas econômicas e geopolíticas. “Embora os investidores ainda mantenham capital em dólar, há uma redução gradual da exposição ao dólar americano. Muitos bancos centrais estão aumentando suas reservas em ouro”, acrescenta.

Crescimento da dívida chinesa e efeitos sobre commodities

Para a China, o aumento da dívida pode impactar negativamente o mercado de commodities e as moedas de economias emergentes mais dependentes do país. Prado explica que, se o governo reduzir déficits primários para conter o endividamento, a atividade econômica tende a desacelerar. Por outro lado, uma intensificação da guerra comercial com os EUA pode levar Pequim a estimular a economia, aumentando o déficit e a dívida.

O especialista também alerta para a possibilidade de elevação dos juros futuros na China, atraindo capital para o mercado doméstico de renda fixa e reduzindo investimentos em outros países emergentes, o que pressiona suas curvas de juros.

Setores manufatureiro e imobiliário na China sob risco

O analista Gilvan Bueno, do CNN Money, destaca a relevância dos setores de manufaturados e imobiliário para a economia chinesa. Ele lembra que crises como a da incorporadora Evergrande, que acumula dívidas de 2,4 trilhões de yuans (cerca de R$ 1,7 trilhão, 2% do PIB), tiveram efeito imediato sobre cadeias produtivas, empregos e setores exportadores.

“Uma explosão da dívida chinesa pode reduzir o crescimento global, a produtividade das empresas e aumentar o desemprego. Setores como siderurgia, mineração, commodities e indústria de transformação foram os primeiros a sentir o impacto”, afirma Bueno.

Conclusão

O crescimento acelerado da dívida pública de China e Estados Unidos apresenta desafios distintos para a economia global: enquanto os EUA concentram ativos estratégicos de confiança internacional, a China influencia diretamente commodities e cadeias produtivas em países emergentes, exigindo atenção de investidores e formuladores de política econômica.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Economia

Desdolarização: Brasil reduz reservas em dólar e amplia aposta em ouro e yuan

Participação do dólar nas reservas cai para 78%

O Brasil reduziu em 12% a presença do dólar em suas reservas internacionais nos últimos sete anos, em um movimento de diversificação que acompanha a tendência global de desdolarização.
Segundo o Banco Central (BC), em 2018 o dólar representava 89% das reservas; hoje, corresponde a 78%. No mesmo período, a fatia de ouro aumentou 400%, passando de 0,7% para 3,5%. Já o yuan chinês, adquirido pela primeira vez em 2019, alcançou 5,3% das reservas brasileiras, superando o euro (5,2%) e ficando atrás apenas da moeda americana.

Composição das reservas internacionais do Brasil de 2015 a 2024. Fonte: Banco Central

Tendência global de diversificação

O movimento não é exclusivo do Brasil. Globalmente, a participação do dólar nas reservas caiu de 60% em 2015 para 46% em 2025 — o menor nível desde 1995. Essa redução reflete preocupações com a dívida pública dos Estados Unidos, hoje em torno de 120% do PIB, e com o cenário geopolítico mais fragmentado.

Segundo analistas, o risco de “repressão financeira” e a perda de atratividade dos títulos do Tesouro americano estão acelerando a busca por alternativas. O ETF TLT, que replica esses papéis, acumula queda de 50% desde 2020.

Composição das reservas internacionais mantidas por bancos centrais. Fontes: FMI, BCE e World Gold Council

Militarização do dólar eleva risco geopolítico

A utilização do dólar como instrumento de política externa, por meio de sanções e congelamento de ativos, também tem incentivado países a reduzir sua exposição. O bloqueio de US$ 300 bilhões das reservas da Rússia foi interpretado por nações como a China como alerta para buscar alternativas fora da órbita americana.

Nesse contexto, a demanda por ouro disparou. De acordo com o Banco Central Europeu (BCE), o metal já responde por 20% das reservas oficiais globais, superando o euro (16%). Além disso, os estoques oficiais de ouro, que já somam 36 mil toneladas, se aproximam dos níveis recordes dos anos 1960. Entre os países, a Polônia liderou a acumulação de ouro no 1º trimestre de 2025, enquanto a China segue comprando de forma contínua, consolidando-se como um dos maiores compradores mundiais.

Acumulação de ouro por bancos centrais em 2025. Fonte: World Gold Council

Em 2025, o ouro acumula valorização de 47,6%, enquanto o índice DXY — que mede a força do dólar — registra queda de 9,4%.

Gráfico do desempenho do ouro em comparação com o DXY em 2025. Fonte: TradingView

Hegemonia do dólar ainda não foi ameaçada

Apesar das mudanças, especialistas destacam que o dólar continua sendo o pilar do sistema financeiro internacional. Ele aparece em 88% das transações cambiais e responde por quase metade da capitalização global de ações.
A falta de uma alternativa robusta limita o impacto da desdolarização. Iniciativas do BRICS, como a criação de uma moeda comum ou maior uso do yuan, esbarram em questões de liquidez, credibilidade e ausência de um sistema unificado.

Criptoativos e o futuro das reservas

O Bitcoin ainda não é considerado uma reserva internacional. Para o BC brasileiro, a criptomoeda é volátil demais para desempenhar esse papel, embora investidores privados a utilizem como hedge.
Nos Estados Unidos, a política pró-cripto do governo Trump tem priorizado o uso de stablecoins, que, pela Lei GENIUS, precisam ser lastreadas em títulos do Tesouro. Isso reforça a demanda pelo dólar e fortalece sua posição no sistema global.

Analistas avaliam que o processo de desdolarização não levará à substituição da moeda americana por outro ativo dominante, mas sim a um cenário multipolar, em que ouro, moedas regionais e ativos digitais coexistem como alternativas de liquidez.

FONTE: Cointelegraph Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Cointelegraph

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Economia, Finanças, Informação, Negócios

Ouro fecha em alta, seguindo payroll enfraquecido e mudanças em cargos nos EUA

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda-feira

O contrato mais líquido do ouro fechou em alta nesta segunda, 4, em uma sessão na qual as perspectivas para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) foram reforçadas, o que tende a apoiar os preços. O movimento segue a divulgação de dados de emprego abaixo do esperado no Estados Unidos, além das possíveis indicações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para certos cargos, como a substituição da diretora do Fed, Adriana Kugler. No radar seguem ainda os desdobramentos das tensões geopolíticas.

O ouro com vencimento em outubro encerrou em alta de 0,78%, a US$ 3.399,50 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex).

“A ameaça de tarifas secundárias e as tensões renovadas com a Rússia destacam a importância de se proteger contra a incerteza geopolítica”, aponta o UBS. “Observamos também que mudanças institucionais, como a recente da comissária do Escritório de Estatísticas do Trabalho dos EUA (BLS, na sigla em inglês), e as mudanças na liderança do Fed, podem aumentar a sensibilidade do mercado em relação aos sinais de política monetária e à independência institucional”, aponta o banco.

“Acreditamos que uma alocação em ouro continua sendo uma proteção eficaz contra a incerteza geopolítica e política residual. Mantemos nossa meta de US$ 3.500 a onça-troy e não descartamos a possibilidade de os preços ultrapassarem esse nível se os riscos aumentarem”, conclui.

Na avaliação do Swissquote Bank, a “boa notícia” do payroll de julho é que reacendeu os temores de recessão, que turbinaram as expectativas de corte de juros, mas a “má notícia” é que a economia fraca não fazia parte da promessa de Trump. “Cortar juros no momento errado não salvará os mercados magicamente, e usar o BLS como bode expiatório para o resultado das políticas caóticas de seu governo corre o risco de prejudicar a credibilidade dos dados econômicos dos EUA”, avalia.

Fonte: Estadão

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Notícias, Tecnologia

A maior reserva de ouro do mundo está na China? Confira esta nova descoberta

No final de dezembro de 2024, a China surpreendeu o mundo ao anunciar a descoberta de uma colossal reserva de ouro.
Essa descoberta não apenas destaca a capacidade de prospecção avançada do país, mas também promete transformar o cenário da mineração global. O achado, localizado na província de Hunan, é avaliado em impressionantes US$ 80 bilhões.

A identificação de tais depósitos eleva a China a uma posição ainda mais significativa no mercado global de mineração. A descoberta foi resultado de diversas perfurações e análises geológicas, revelando um potencial que excede as expectativas anteriores.

Onde está localizada essa reserva monumental?

A reserva, situada na montanhosa região de Wangu, no sul da China, é agora tida como a maior do mundo. As estimativas iniciais dão conta de mais de 330 toneladas de ouro a menos de dois mil metros de profundidade, com a possibilidade de até 1.100 toneladas mais profundas.

Historicamente, essa região já era conhecida por suas reservas de ouro, mas o atual achado coloca Hunan em um novo patamar dentro da indústria de mineração. Esta importante descoberta faz uso de tecnologias avançadas, como a modelagem geológica 3D, contribuindo para um entendimento mais profundo das reservas de minério.

Qual o impacto econômico esperado para a China e o mundo?

Com o valor do ouro atualmente flutuando em torno de US$ 2.700 por onça, a entrada deste novo volume de minério pode influenciar diretamente nos preços globais. Embora a China seja o principal produtor de ouro do mundo, a demanda interna supera a produção, o que poderá mudar com essa nova reserva.

Esse desenvolvimento pode reduzir a dependência chinesa de importações de ouro, especialmente de países como a Austrália e a África do Sul. O fortalecimento das capacidades domésticas de mineração promete trazer benefícios econômicos tanto para o mercado interno quanto para a economia global.

Como a tecnologia tem avançado a prospecção de ouro?

O uso de novas tecnologias, como a modelagem geológica 3D, revolucionou a forma como a prospecção de minério é realizada. Este método computacional permite a coleta de dados detalhados, proporcionando uma visão abrangente das estruturas geológicas e da composição química dos terrenos.

Graças a essas inovações, a eficiência e a precisão na localização de novos depósitos minerais melhoraram significativamente. Esses avanços tecnológicos desempenham um papel crucial na maximização dos rendimentos das minas e na minimização dos impactos ambientais.

Uma virada na mineração global?

Antes desta descoberta, a mina de South Deep, na África do Sul, detinha o título de maior reserva de ouro do mundo. Essa nova reserva chinesa supera tal recorde, intensificando a posição da China como líder na produção mundial de ouro.

Com a China comprando consideravelmente mais ouro do que qualquer outro país em 2023, as implicações dessa reserva são vastas. Este avanço pode proporcionar uma posição estratégica mais forte para a China no comércio de metais preciosos e influenciar as dinâmicas econômicas globais de forma notável.

FONTE: Terra noticia Brasil
A maior reserva de ouro do mundo está na China? Confira esta nova descoberta – Terra Brasil Notícias

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A maior reserva de ouro do planeta é descoberta e seu valor surpreende

China encontra a maior reserva de ouro do mundo, avaliada em impressionantes US$ 80 bilhões, e promete revolucionar a mineração no país. Confira todos os detalhes dessa descoberta histórica!

O governo da China anunciou, na última semana de dezembro de 2024, uma descoberta monumental que pode redefinir os rumos da mineração global. Trata-se da maior reserva de ouro de alta qualidade já encontrada no mundo. Segundo as autoridades chinesas, esse depósito, avaliado em impressionantes US$ 80 bilhões, pode ser o maior já registrado na história. Confira os detalhes dessa descoberta que promete transformar o mercado de mineração e a economia global.

Maior reserva de ouro do planeta pode conter 1.100 toneladas de minério

No total, foram detectadas mais de 330 toneladas de ouro na reserva de ouro de US$ 80 bilhões a uma profundidade de até dois mil metros, conforme a Geological Bureau of Hunan Province (GBHP). No entanto, estimativas indicam que pode haver até 1.100 toneladas escondidas a cerca de 3 mil metros de profundidade. Para se ter uma ideia, esse valor é oito vezes o peso da Estátua da Liberdade.

A maior reserva de ouro do planeta, um verdadeiro tesouro natural, fica no campo de Wangu, na montanhosa província de Hunan, localizada no sul da China.

O local já é conhecido por suas reservas de ouro, mas a descoberta dos novos depósitos subterrâneos surpreendeu até mesmo os mais otimistas. Recentemente, pequenas quantidades de ouro foram encontradas durante as perfurações de teste em áreas periféricas da região. Isso aumentou as esperanças da existência de grandes reservas esperando para serem exploradas.

Novas tecnologias de prospecção de minério foram usadas na maior reserva de ouro do planeta, inclusive modelagem geológica 3D, uma representação computacional da geologia em que é feita uma coleta de dados amostrais através de sondagens, caracterizando as estruturas e toda a geoquímica. E foi assim que o depósito de ouro foi localizado.

Setor de mineração global mudará com reserva de ouro de US$ 80 bilhões
As autoridades da China ainda não revelaram que foi encontrado 138 gramas de ouro por tonelada métrica de minério, o que corresponde a um valor relativamente alto se comparado com a maioria das minas de ouro no mundo.

Projeções indicam que o valor estimado de todo o ouro encontrado seja de US$ 83 bilhões (impressionantes R$ 495 bilhões). A maior reserva de ouro do planeta gerou um impacto significativo na indústria de mineração e na economia global.

O preço do ouro subiu para cerca de US$ 2.700 por onça (ou US$ 95.240 por quilograma), ficando próximo do recorde histórico, alcançado no início deste ano. Contudo, os chineses estão de olho no futuro e, embora o país já seja o maior produtor de ouro do mundo, responsável por cerca de 10% da produção global do último ano, sua demanda supera amplamente a produção interna. Desta forma, a descoberta da reserva de ouro com US$ 80 bilhões pode significar que Pequim não precisará mais importar o minério de países como Austrália e África do Sul.

Qual a segunda maior reserva de ouro do planeta?
A nova reserva pode aumentar ainda mais a participação da China no mercado de mineração, afetando a oferta e os preços globais do ouro.

Antes da descoberta da maior reserva de ouro do planeta, noticiada pela China no último mês, o título de maior reserva de ouro do mundo pertencia à mina de ouro South Deep, na província de Gauteng, na África do Sul, onde foram encontradas, em 2022, cerca de 930 toneladas de ouro.

Segundo informações do Conselho Mundial do Ouro, a China foi o país que mais comprou o metal precioso entre todos os países do mundo no último ano, calculando as compras em 225 toneladas métricas.

Fonte: CPG
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Câmara de Mineração da Argentina diz que exportações aumentaram ligeiramente este ano e devem se manter estáveis em 2025

As exportações de mineração da Argentina devem crescer quase 6% este ano, impulsionadas pelas vendas de lítio, além da alta nos preços do ouro e da prata, disse o presidente da principal associação de mineração do país, na quarta-feira, 11 de dezembro.

O setor de mineração da Argentina gerou US$ 4,06 bilhões em exportações no ano passado, com destaque para o lítio, metal utilizado em baterias, e os metais preciosos ouro e prata. As exportações deste ano devem chegar a cerca de US$ 4,3 bilhões, afirmou Roberto Cacciola, presidente da associação de mineração CAEM.

Os dois tipos de metais apresentaram cenários contrastantes, observou ele. Os preços do ouro e da prata subiram neste ano, ajudando a Argentina a compensar a queda na produção das minas mais antigas. Já os preços do lítio despencaram devido à demanda mais fraca, mas o país conseguiu aumentar o volume produzido desse metal branco, utilizado nas baterias de carros elétricos.

“Em ouro e prata, teremos uma quantidade menor de produto vendido, mas teremos mais receita devido à substancial melhora dos preços”, disse Cacciola em entrevista. “No caso do lítio, a situação é o oposto.”

As exportações provavelmente seguirão um padrão semelhante em 2025, afirmou ele, dependendo de quão rapidamente as novas minas de lítio puderem começar a operar em maior escala.

“Não há grandes expectativas para as exportações em 2025, que não estejam atreladas à questão dos preços”, disse Cacciola.

O governo argentino está incentivando o investimento estrangeiro em mineração como parte de seus esforços para estabilizar a economia do país, que enfrenta dificuldades há muito tempo. O novo Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI) tem sido elogiado pelos mineradores que estão desenvolvendo projetos de cobre.

Esses projetos, dos quais seis estão em estágios avançados, exigem um investimento total de US$ 25 bilhões. Cacciola afirmou que espera que alguns projetos anunciem seus planos de investimento no próximo ano.

Ele observou que as minas — os únicos projetos de cobre na Argentina desde o fechamento da última mina desse tipo em 2018 — só podem ser construídas com a mesma rapidez com que os sistemas de água, energia e transporte necessários para sustentá-las sejam desenvolvidos.

Cacciola elogiou o esquema de incentivos RIGI, liderado pelo presidente libertário Javier Milei, mas disse que os esforços para atrair investimentos ainda não apresentaram resultados concretos.

“Todos que pretendem investir na Argentina percebem uma forte mudança cultural”, afirmou. “A questão é saber se isso será consolidado ou não.”

Fonte: Mining Weekly
https://www.miningweekly.com/article/argentina-mining-chamber-says-exports-up-slightly-this-year-likely-flat-in-2025-2024-12-12

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