Aeroportos

Transporte aéreo no Nordeste lidera crescimento no Brasil na última década

O Nordeste consolidou-se como a região brasileira com o maior crescimento proporcional no transporte aéreo doméstico nos últimos dez anos. Levantamento do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a partir de dados da Anac, aponta que mais de 39 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos nordestinos em 2025.

O número representa um avanço de 11,2% em comparação com 2015, o que equivale a cerca de 4 milhões de novos viajantes incorporados à malha aérea regional ao longo da década.

Recife assume liderança entre os aeroportos do Nordeste

O principal destaque do período foi o Aeroporto do Recife (PE). O terminal apresentou crescimento de 42% no fluxo de passageiros e passou a liderar o ranking regional. Em 2025, foram 9,2 milhões de embarques e desembarques, superando o Aeroporto de Salvador (BA), que havia ocupado a primeira posição em 2015 e registrou 7,3 milhões no último ano.

O ministro Silvio Costa Filho ressaltou que a expansão da infraestrutura aérea segue como prioridade do governo federal, citando o programa AmpliAR, lançado para ampliar concessões e estimular investimentos em aeroportos regionais, especialmente no interior do país.

Conectividade aérea impulsionada pelo turismo

Entre os aeroportos com mais de 1 milhão de passageiros por ano, o maior crescimento percentual foi registrado em Porto Seguro (BA), com alta de 73% na última década. O desempenho reflete a força do turismo no Nordeste, fator decisivo para a ampliação da malha aérea.

No mesmo período, o número de cidades nordestinas atendidas por voos comerciais regulares passou de 26 para 41, ampliando a conectividade regional. Um dos exemplos é o aeroporto de Cruz (CE), que atende a região de Jericoacoara. Inexistente na malha comercial em 2015, o terminal somou mais de 260 mil passageiros em 2025.

Participação do Nordeste cresce no mercado nacional

Além do avanço nordestino, o transporte aéreo doméstico também cresceu no Sudeste (10,7%) e no Sul (1%). Em contrapartida, as regiões Centro-Oeste e Norte registraram retrações de 11% e 7%, respectivamente.

Com esse desempenho, a participação do Nordeste no mercado aéreo brasileiro subiu de 18% em 2015 para 19% em 2025. As cinco cidades com maior movimentação de passageiros na região foram Recife, Salvador, Fortaleza, Maceió e Porto Seguro.

Quase R$ 1 bilhão em investimentos para aeroportos nordestinos

Para sustentar a expansão da demanda e ampliar a capilaridade da malha aérea, o Nordeste deverá receber mais de R$ 950 milhões em investimentos públicos e privados nos próximos anos.

O principal impulso vem do Programa AmpliAR, cujo primeiro leilão, realizado em novembro de 2025, garantiu R$ 526,4 milhões em aportes para nove aeroportos nordestinos. O modelo permite que grandes operadores assumam terminais de menor porte, elevando o padrão de qualidade e eficiência operacional.

Paralelamente, o Governo Federal, por meio do MPor, anunciou uma carteira de R$ 424,2 milhões destinada exclusivamente à infraestrutura aeroportuária do Nordeste no ciclo 2026/2027.

Os recursos incluem projetos para novos terminais em Conde (BA) e Iguatu (CE), melhorias em Feira de Santana (BA) e obras em aeroportos de cidades como Barra do Corda, Bacabal e Santa Inês (MA), além de Picos (PI) e Ilhéus (BA). Também estão previstas estações meteorológicas em municípios como Patos (PB) e Sobral (CE), fundamentais para a segurança das operações aéreas.

Um dos diferenciais dessa nova etapa é a adoção da Metodologia BIM (Modelagem da Informação da Construção) em cerca de 65% dos projetos públicos, o que deve garantir mais transparência, controle de custos e cumprimento de prazos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Secretaria de Turismo de Pernambuco

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Exportação

Tarifaço dos EUA afeta exportações brasileiras: Nordeste lidera queda em volume e Sul perde mais em dólares

Dois meses após a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, as exportações brasileiras continuam em queda, com efeitos desiguais entre as regiões do país. Um levantamento do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste (FGV IBRE) mostra que, enquanto o Nordeste registra as maiores reduções em volume exportado, os polos industriais do Sul e Sudeste concentram as maiores perdas financeiras.

Segundo o estudo, os impactos do ajuste tarifário norte-americano são persistentes e representam um risco estrutural para setores estratégicos da economia brasileira, podendo afetar a atividade industrial, o emprego e a arrecadação estadual.

Nordeste sofre as maiores quedas percentuais nas exportações

Entre os seis estados com pior desempenho percentual nas exportações para os EUA em setembro de 2025, quatro são do Nordeste. O Mato Grosso (-81%) e o Tocantins (-74,3%) lideram as perdas, seguidos por Alagoas (-71,3%), Piauí (-68,6%), Rio Grande do Norte (-65%) e Pernambuco (-64,8%).

De acordo com a FGV, a vulnerabilidade da região está relacionada à baixa diversificação da pauta exportadora, à maior presença de produtos tarifados e à logística irregular, com embarques concentrados em períodos específicos.

Sul e Sudeste acumulam as maiores perdas em valor

Embora o Nordeste tenha registrado as maiores quedas percentuais, o maior prejuízo em dólares ocorreu em estados do Sul e Sudeste. As perdas mais expressivas foram observadas em Minas Gerais (US$ 236 milhões), Santa Catarina (US$ 95,9 milhões), São Paulo (US$ 94 milhões), Rio Grande do Sul (US$ 88,8 milhões), Rio de Janeiro (US$ 88,8 milhões) e Paraná (US$ 82,4 milhões).

Nos polos industriais dessas regiões, as reduções — entre 50% e 56% — atingiram principalmente os setores de metalurgia, componentes industriais e bens intermediários. A FGV alerta que parte dessas perdas já apresenta caráter estrutural, e não apenas um efeito pontual de calendário, resultado da antecipação de embarques nos meses anteriores.

Produtos isentos ajudam a reduzir o impacto em alguns estados

Estados com uma pauta mais diversificada conseguiram amortecer os efeitos do tarifaço por meio da exportação de produtos isentos de tarifas. Em São Paulo, esses itens cresceram 14,2% no acumulado do ano, alcançando US$ 624,45 milhões. Na Bahia, o avanço foi ainda maior: 45,5%.

No entanto, em estados como Pernambuco (-95,8%) e Minas Gerais (-51,9%), até os produtos isentos apresentaram queda, o que agravou o resultado geral das exportações.

Adaptação e novos mercados surgem como resposta

Alguns estados começaram a reconfigurar suas pautas de exportação para se adaptar às novas condições comerciais. O Ceará registrou crescimento de 152,9% nas exportações totais, impulsionado por produtos como “outras pedras de cantaria trabalhadas”, enquanto Goiás teve aumento de 20,9%, inclusive em bens não isentos.

A pesquisa do FGV IBRE conclui que o tarifaço dos EUA marca um novo ciclo de ajustes logísticos e comerciais, com reprecificação de produtos e redirecionamento de pedidos internacionais. O estudo recomenda que governos e empresas brasileiras adotem estratégias de gestão de riscos e diversificação de mercados para enfrentar o cenário global de maior proteção tarifária.

FONTE: Times Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Logística

Multilog registra crescimento das operações no Nordeste

A Multilog, uma das maiores operadoras de logística integrada do Brasil, registrou expansão significativa de suas operações no Nordeste, impulsionada pelo transporte de celulose, insumos automotivos e commodities, especialmente minérios. Entre janeiro e setembro, essas cargas representaram cerca de 13 mil viagens realizadas pela empresa.

Expansão de clientes e novos contratos

A companhia ampliou a atuação junto aos 15 principais clientes da região e conquistou novos contratos, resultando em um crescimento de 2,5% nos últimos quatro meses em comparação ao mesmo período de 2024. A previsão é manter esse ritmo até o final do ano.

Serviços completos de logística

Além do transporte rodoviário de contêineres, que concentra a maior parte da operação, a unidade oferece serviços de pátio, incluindo pré-stacking, ovação e desova de contêineres e crossdocking, que agilizam a movimentação de mercadorias sem necessidade de armazenamento prolongado.

Em Salvador (BA), a Multilog dispõe de cerca de 35 mil m² de pátio e 12 mil m² de armazéns, incluindo áreas específicas para produtos químicos e posições porta pallet com drive in. A frota própria é composta por 26 veículos, apoiados por mais de 100 implementos e uma equipe especializada.

Investimentos e certificações

Recentemente, a empresa investiu em uma nova reach-stacker para movimentação de contêineres e projeta ampliar seus armazéns em 3 mil m² ainda no primeiro semestre de 2026. A unidade também busca a certificação REDEX (Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação) junto à Receita Federal.

“A operação da Multilog no Nordeste possui diferenciais que sustentam nosso crescimento”, afirma Vinicius Santana, gerente de desenvolvimento de negócios. Ele destaca a frota própria, a estrutura de pátio e armazéns, as certificações para produtos químicos e perigosos e a qualidade dos serviços, que inclui rastreabilidade de veículos e equipe qualificada.

Perspectivas para importações

A Multilog prevê aumento das importações pelo porto de Salvador, motivado pela chegada de uma grande empresa que começará a internalizar volume expressivo de cargas ainda em 2025. Segundo Santana, a expectativa é de crescimento nos serviços de desova e maior utilização do pátio para contêineres, consolidando o fortalecimento da unidade Nordeste.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio

Pescadas no Nordeste do Brasil, lagostas viajam de avião, ficam em hotel e chegam vivas do outro lado do mundo

Imagine capturar uma lagosta na costa do Nordeste brasileiro e fazer com que ela chegue viva à China. Pois essa verdadeira operação de guerra foi desenhada para atender ao exigente mercado consumidor chinês, que torce o nariz para lagostas congeladas e se dispõe a pagar caro pelo transporte da iguaria.

“As vísceras, que ficam na cabeça da lagosta, escurecem no processo de abate e congelamento, e o chinês prefere tudo na cor original”, explica Rafael Barata, diretor de comércio exterior da Frescatto. Das 1000 toneladas de lagosta que a empresa pesqueira carioca comercializa por ano, 10% são vendidas vivas para o mercado asiático.

Do momento em que saem do mar ao desembarque no aeroporto chinês, a viagem pode durar mais de 15 dias. Para que cheguem saudáveis, o roteiro é feito em etapas e tem até escala em hotel. Confira o trajeto passo a passo.

Raras e melindrosas

Lagostas sempre foram sinônimo de comida cara, sofisticada, tanto pelo preço quanto pela perícia que exigem à mesa. Mesmo quem não assistiu à primeira versão da novela Vale Tudo já deve ter visto, no TikTok, a cena icônica da vilã Odete Roitman servindo lagostas inteiras no jantar, para humilhar a namorada do neto.

A cena é de 1988, mas comprar o crustáceo ainda é para poucos. Em lojas de pescados, filés chegam a custar R$ 400 o quilo. No restaurante A Bela Sintra, em São Paulo, um prato individual de lagosta gratinada ao thermidor, servida dentro da própria casca, sai por R$ 435. E são muitos os fatores que contribuem para que o preço do ingrediente seja tão alto.

Para começar, a parte nobre — a cauda — representa apenas 40% da lagosta. Pescá-la não é tarefa fácil. A lei determina que pescadores devem capturá-las e mantê-las vivas até a entrega às empresas pesqueiras. Para entender por quê, é preciso recorrer a uma aula básica de biologia.

Lagostas são animais detritívoros, ou seja, se alimentam de detritos acumulados no fundo do mar, e carregam nas vísceras bactérias do gênero Vibrio, que se espalham rapidamente pelo corpo todo assim que elas morrem. O único jeito de evitar a contaminação é cozinhar ou congelar a lagosta instantaneamente, assim que ela morre.

Nas dependências das indústrias, elas são mergulhadas em tanques com gelo, onde morrem naturalmente pelo contato com o frio, e enviadas imediatamente para o ultracongelamento. Na Frescatto, por exemplo, 90% dos crustáceos vão congelados para o mercado interno e para a exportação. Mas são os 10% de lagostas vendidas vivas que dão mais trabalho.

Operação de guerra

A operação começa nas praias, nas 18 bases que a empresa mantém no litoral, do Espírito Santo ao Pará. “Como não temos barcos próprios, dependemos do bom relacionamento com os pescadores. Senão, o cara pesca e vende para outra empresa”, conta o oceanógrafo Marcelo Lacerda, gestor comercial da filial da Frescatto em Alcobaça, na Bahia.

Os pescadores são altamente especializados. As duas espécies de lagostas que ocorrem em nossos mares — a vermelha (Panulirus argus), que responde por 70% da população, e a verde (Panulirus laevicauda) — podem ser encontradas em uma faixa extensa, que vai de 10 a 200 milhas da costa.

“As lagostas estão sempre em movimento, andam quilômetros. A grande magia é o pescador saber onde vai jogar as armadilhas. Depende de muita experiência, um saber que passa de geração em geração. As tripulações, de até sete pessoas, geralmente são famílias inteiras” Marcelo Lacerda

A armadilha de gravetos e tela, apelidada de manzuá, tem uma abertura em forma de funil, por onde a lagosta entra e não consegue sair. Pedacinhos de couro de boi são usados com isca — lembra que elas gostam de comer detritos?

A estrutura da gaiola deve ser delicada. Sensíveis, os crustáceos precisam chegar íntegros e saudáveis à praia. Os que desembarcam com antenas, patas ou chifres quebrados perdem valor de mercado e só os mais fortes podem ser transportados vivos.
Cartão de embarque

A primeira etapa da viagem acontece em alto mar. Os barcos de pesca artesanal partem de madrugada e demoram até 20 dias para voltar. Durante esse tempo, os animais capturados são mantidos nos porões das embarcações, transformados em tanques com água limpa, que circula para manter a oxigenação.

Esse cuidado é exigido por lei. No passado, os pescadores podiam capturar as lagostas, jogar fora as cabeças e armazenar apenas as caudas em gelo, nos porões dos barcos. Hoje, o Ministério da Pesca e Aquicultura determina que ao menos 70% delas cheguem vivas à costa — o que encareceu ainda mais o processo.

“Um barco, que antes pescava uma tonelada de lagostas, hoje não captura mais do que 600 quilos” Marcelo Lacerda

O desembarque acontece na madrugada, para que as lagostas não sejam expostas ao sol forte. Chega então o primeiro período de descanso. Transferidas para grandes viveiros, equipados com filtros e bombas que oxigenam a água, as lagostas selecionadas repousam por três dias — e não recebem mais qualquer tipo de alimento, desde o momento da captura.

Dia de check-in. No primeiro trecho da viagem, os crustáceos são levados até o aeroporto regional mais próximo, voam para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e são despachadas para Miami, nos Estados Unidos.

Viajam acondicionadas em grandes caixas de isopor, forradas com panos úmidos, tipo Perfex, e palha umedecida, para que não se machuquem. “Elas praticamente hibernam nessas embalagens”, diz Barata. A operação pode durar um dia inteiro — só o voo de Guarulhos a Miami dura 9 horas.

‘Hotel’ nos EUA

Em Miami, outra escala vip. As caixas são transportadas para o The Lobster Hotel, armazém alfandegado mantido pela Frescatto para que as lagostas possam descansar do voo. Elas são retiradas das caixas e transferidas para grandes tanques, onde relaxam por 24 horas.

De novo embaladas nas caixas, são despachadas para o trecho final até o Aeroporto Internacional de Shanghai-Pudong, onde desembarcam quase 30 horas depois. Quando chegam lá, o cliente vai buscá-las no aeroporto e, ali mesmo, abre as caixas para fazer a primeira verificação, na presença do auditor da companhia.

Ele só aceita a carga no preço combinado, 45 dólares por quilo, se houver um máximo de 10% de lagostas mortas — como cada lagosta pesa 1 quilo em média, cada unidade é arrematada pelo equivalente a R$ 245.

“Quando a perda é maior do que 10%, o cliente fica com todas, mas paga apenas 23 dólares pelo quilo daquelas que morreram, o preço da lagosta congelada”, conta o diretor de exportação.

Mais fresca impossível

O cliente chinês é comerciante de um grande entreposto pesqueiro, que revende as lagostas vivas para restaurantes que dispõem de grandes aquários à vista dos clientes. Eles escolhem o animal que pretendem comer, com a certeza de que não poderia estar mais fresco.

Os aquários de lagostas já foram moda também no Brasil. Lá pelos anos 1990, eram os grandes atrativos de restaurantes especializados em frutos do mar, como o espanhol Don Curro, em São Paulo, e o Satyricon, no Rio de Janeiro.

Bruno Tolpiakow, sócio do Satyricon, lembra que o aquário fazia sucesso na unidade de Búzios, que já foi extinta. Mas a operação tornou-se inviável.

O custo era muito alto pela logística, e ainda precisava manter um funcionário para cuidar do aquário. Não compensava, porque o consumidor brasileiro não valoriza tanto a lagosta viva quanto os estrangeiros”

O método clássico de abate, que parece medieval para os padrões atuais, também caiu em desuso. Professor da Escola Wilma Kovesi de Cozinha e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o chef Mauricio Lopes lembra que, nas escolas internacionais onde estudou, ele aprendeu a cortar e cozinhar as lagostas ainda vivas. “Elas morriam na água quente ou na tábua de corte”, conta.

Quem compra lagosta congelada é poupado desta cena, mas ainda assim deve estar atento ao frescor do crustáceo, principalmente se o animal estiver inteiro. “O congelamento não evita que as bactérias se espalhem e atinjam a cauda, que escurece e fica esfarelenta”, avisa o professor. É intoxicação alimentar na certa.

Sob vigilância

As normas brasileiras para pesca da lagosta estão entre as mais rígidas do mundo. O defeso, por exemplo, dura seis meses — a captura é proibida de novembro a abril. Os barcos maiores são equipados com rastreadores por satélite, que denunciam qualquer movimentação fora do permitido.

O Ministério da Pesca e Aquicultura ainda determina que, nos três últimos meses do defeso, ou seja, entre fevereiro a abril, toda a comercialização do crustáceo seja suspensa. Mesmo quem tem estoque congelado fica proibido de movimentá-lo ou vendê-lo.

O limite de pesca também é fixado por lei — desde 2024, o teto é de 6.192 toneladas por temporada —, assim como o tamanho mínimo que os animais devem ter na captura.

Na avaliação da Oceana, organização internacional focada na conservação dos oceanos, as medidas parecem estar dando resultado. Estudos anteriores a 2015 mostravam uma queda de 80% nos estoques de lagostas vermelhas, mas dados recentes são mais animadores.

“Com a redução da pressão pesqueira, os modelos apontam para quase 25% de probabilidade de a população da lagosta vermelha estar saudável” Martin Dias, diretor científico da Oceana

Mas ainda é cedo para comemorar. “Há 75% de probabilidade de que o processo de recuperação ainda não tenha sido plenamente concluído”, alerta Dias.

Preservar a abundância de lagostas em nossos mares não é importante apenas para o meio ambiente — são 3 mil embarcações registradas no MPA, o que significa 12 mil pescadores diretamente envolvidos e 20 mil famílias impactadas. “Sendo majoritariamente artesanal, é uma cadeia de grande importância socioeconômica para as regiões Norte e Nordeste.”

Fonte: UOL

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Notícias

Aviação na região Nordeste tem melhor mês de julho da história

O resultado de 3,79 milhões de passageiros no mês, reflete crescimento do turismo e de eventos regionais

A aviação civil do Nordeste registrou em julho de 2025 o melhor resultado de sua história, com 3,79 milhões de passageiros. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o volume supera em mais de 117 mil viajantes o movimento do mesmo mês de 2024 e reflete a força da região no turismo, nos negócios e na integração nacional.

No acumulado do ano, de janeiro a julho, já passaram pelos aeroportos nordestinos mais de 23,1 milhões de pessoas, também acima do registrado no mesmo período de 2024 (22 milhões). O resultado, o melhor desde janeiro de 2000, início da série histórica reafirma a importância da região como um dos destinos mais procurados do Brasil e um elo logístico essencial para a economia.

Turismo e negócios

Com destinos que figuram entre os mais visitados do país, o Nordeste lidera a preferência de turistas nacionais e estrangeiros. As praias de Maceió (AL), Natal (RN) e Porto Seguro (BA), os polos culturais de Salvador (BA), Recife (PE) e São Luís (MA), e até destinos de natureza singular, como Fernando de Noronha e Lençóis Maranhenses, movimentam visitantes em alta escala. Em julho, mês de férias escolares no Brasil e no exterior, essa vocação turística foi decisiva para o recorde de movimentação aérea.

Além do lazer, a malha aérea nordestina também é estratégica para os negócios. Cidades como Fortaleza (CE), Recife e Salvador funcionam como hubs de conexão para o Brasil e para voos internacionais. Já aeroportos de médio porte, como Petrolina, Juazeiro do Norte e Vitória da Conquista, fortalecem a integração regional e o transporte ligado à produção agrícola, à indústria e ao comércio.

Desempenho dos aeroportos

Os terminais de maior movimento em julho foram Recife, com 858,9 mil passageiros, seguido por Fortaleza (580,9 mil), Salvador (709,6 mil), Porto Seguro (279,8 mil) e Maceió (257,7 mil). Também se destacaram Natal, com 210,9 mil passageiros, e destinos emergentes como Jericoacoara, que movimentou 32 mil pessoas no mês, considerando tanto partidas quanto chegadas.

O desempenho positivo da aviação no Nordeste é resultado dos investimentos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em infraestrutura aeroportuária e nas concessões. As obras e modernizações em curso incluem ampliação de terminais, melhorias em pistas, novos equipamentos de segurança e acessibilidade. Essas intervenções ampliam a capacidade operacional dos aeroportos, reduzem gargalos e garantem mais conforto e eficiência para passageiros e companhias aéreas.

Fonte: Modais em Foco

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Portos

Portos do Nordeste mantêm trajetória de crescimento em 2025

Destaques são os portos de Itaqui (MA), Salvador (BA) e Natal (RN)

A movimentação portuária no Nordeste manteve ritmo de crescimento em 2025. De janeiro a maio, os portos da região movimentaram, juntos, mais de 33,5 milhões de toneladas, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O desempenho reflete a força da infraestrutura regional e foi impulsionado, principalmente, pelos portos de Itaqui (MA), Salvador (BA) e Natal (RN), que registraram crescimento expressivo em diferentes frentes logísticas.

No Maranhão, o Porto de Itaqui apresentou crescimento de 12,28% no acumulado do ano, revertendo a queda de 8,4% registrada no mesmo período de 2024. A retomada foi puxada por três cadeias relevantes: adubos e fertilizantes (+35,69%), petróleo (+15,05%) e soja (+11,05%), todas com desempenho negativo no ano anterior. Os dados confirmam a recuperação das operações e a consolidação do porto como um dos principais corredores de exportação da região Norte-Nordeste.

Na Bahia, o Porto de Salvador manteve desempenho positivo, com alta de 1,52% em 2025. Embora inferior aos 55,98% registrados em 2024, o crescimento reforça a estabilidade do terminal, cuja operação é fortemente baseada na cabotagem — que respondeu por 86,1% da movimentação. Entre as cargas com melhor desempenho estão reatores, caldeiras e máquinas, que cresceram 39,10% após forte queda no ano anterior, além dos containers (+8,74%) e do trigo (+5,04%).

O destaque mais expressivo, no entanto, veio do Porto de Natal. Após uma queda acentuada de 37,2% em 2024, o terminal potiguar registrou crescimento de 2,86% nos cinco primeiros meses de 2025. Esse avanço foi impulsionado pela retomada das exportações de frutas, especialmente melões, melancias e mamões, que cresceram 920,69% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A explicação está no comportamento da safra. Em 2024, o escoamento foi prejudicado por fortes chuvas na região produtora, o que inviabilizou os embarques no início do ano. Já em 2025, os carregamentos ocorreram de forma plena, com embarques regulares em janeiro e fevereiro. O volume total exportado passou de 46,4 mil toneladas na safra 2023/2024 para 131,5 mil toneladas na safra 2024/2025. Além de melões e melancias, o porto também embarcou mangas, uvas e limões, ampliando a diversidade da pauta exportadora potiguar.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os resultados refletem o esforço do Governo Federal para fortalecer a logística em todas as regiões. Segundo ele, o crescimento dos portos nordestinos confirma o potencial da região e reforça a importância de ampliar os investimentos em infraestrutura. “O crescimento nos portos do Nordeste confirma o potencial logístico da região e a importância de continuarmos investindo em infraestrutura para garantir competitividade, integração e geração de empregos. O Governo Federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, segue comprometido em fortalecer os corredores logísticos em todas as regiões do país — com atenção especial ao Nordeste, que tem papel estratégico no escoamento da produção e na ampliação das exportações brasileiras.”

Os portos do Nordeste são essenciais para o escoamento de produtos como grãos (soja e milho), minérios, frutas tropicais, petróleo e derivados, que representam uma parcela significativa das exportações brasileiras. A posição estratégica da região também é um diferencial, com menor distância até a Europa e América do Norte, reduzindo custos e tempo de transporte. A presença de refinarias e a produção offshore no litoral nordestino também consolidam os portos como ativos logísticos fundamentais para o setor energético.

Fonte: Modais em Foco

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Investimento

Congresso aprova crédito de R$ 816,6 milhões para investimentos em ferrovias no Nordeste

Recursos serão destinados a companhias ferroviárias; texto segue para sanção

O Congresso Nacional aprovou nesta terça-feira 17 projeto que abre crédito suplementar de 816,6 milhões de reais para o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE). Os recursos serão destinados a companhias ferroviárias para financiar projetos do setor produtivo que já tenham recebido aporte do FDNE.

O texto, aprovado em votação simbólica — que ocorre quando há acordo sobre a proposta e não é preciso o registro individual dos votos — segue agora para sanção presidencial.

Segundo o relator, senador Cid Gomes (PSB-CE), o objetivo é fortalecer a infraestrutura logística. “Dessa forma, o crédito suplementar auxilia na consolidação e continuidade dos projetos em andamento, assegurando o cumprimento dos contratos e a efetivação dos investimentos já iniciados”, afirma o senador.

De acordo com a justificativa do governo federal, o valor a ser repassado às concessionárias é proveniente da incorporação do excesso de arrecadação de doações nacionais e sua disponibilização não causa impacto negativo no Orçamento da União.

Fonte: Carta Capital

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