Internacional

Acordo entre Brasil e China alivia crise de chips e reduz risco de paralisação na indústria automotiva

A parceria entre o Brasil e a China começou a surtir efeito no setor automotivo. O abastecimento de chips – essenciais na produção de veículos – começa a ser retomado após negociações conduzidas pelo governo brasileiro junto às autoridades chinesas, reduzindo o risco de paralisação nas montadoras.

Segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), embora o risco de falta de componentes ainda exista, o cenário já apresenta melhora significativa. “Na sexta-feira, as fabricantes começaram a ser avisadas pelos fornecedores de que a autorização para importação de chips está sendo gradualmente retomada. Isso diminui o risco de interrupção nas linhas de produção”, afirmou Igor Calvet, presidente da entidade.

Liberação de importações e licenças especiais

Calvet explicou que dois fatores foram decisivos para aliviar a crise. O primeiro foi a liberação, pela China, da exportação de semicondutores para empresas com operação simultânea no Brasil e em território chinês. O segundo foi a criação de uma licença especial para companhias brasileiras, garantindo acesso direto aos componentes.

“A situação melhorou, mas ainda não está completamente normalizada. Se não houver novas interrupções, a indústria automobilística brasileira deve seguir operando normalmente”, completou o presidente da Anfavea.

Diplomacia evita desabastecimento no setor automotivo

A flexibilização ocorreu após tratativas diplomáticas lideradas pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, que solicitou à Embaixada da China no Brasil prioridade no fornecimento dos semicondutores.

O movimento também abriu caminho para o fim do embargo às importações de chips da empresa Nexperia, cuja suspensão ameaçava desabastecer fornecedores de autopeças e comprometer toda a cadeia produtiva nacional.

Crise global dos semicondutores e disputa entre potências

A escassez global de semicondutores é consequência direta da disputa comercial entre China e Estados Unidos, que envolve o controle sobre a produção de chips e minerais críticos. A crise se agravou após a intervenção do governo holandês em uma empresa chinesa com operações na Holanda, responsável por 40% do mercado mundial de chips para carros flex. Em resposta, a China suspendeu exportações vindas de sua principal fábrica.

A disputa faz parte da corrida global pelos minerais estratégicos, essenciais na fabricação de semicondutores e tecnologias limpas. Hoje, a China domina cerca de 70% da mineração mundial de terras raras, mais de 90% do refino e quase 100% da produção de ímãs permanentes, segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA). Esse domínio confere ao país forte influência sobre cadeias produtivas globais, afetando diretamente setores como o automotivo.

Com a recente aproximação diplomática, o Brasil ganha fôlego para manter sua produção de veículos, enquanto acompanha de perto os desdobramentos dessa guerra tecnológica internacional.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Tecnologia

Crise global de chips pode paralisar montadoras no Brasil nas próximas semanas, alerta MDIC

A escassez de chips volta a preocupar a indústria automotiva brasileira. O secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, alertou nesta terça-feira (29) que algumas montadoras de automóveis podem ser obrigadas a suspender a produção nas próximas duas a três semanas, caso a crise internacional de fornecimento de semicondutores não seja solucionada.

“Se não houver uma solução nesse curto espaço de tempo, pode haver um processo de paralisação em algumas montadoras”, afirmou Moreira.

Impasse entre China e Holanda agrava crise

O problema decorre de uma disputa entre China e Holanda pelo controle da fabricante de microprocessadores Nexperia, responsável por cerca de 40% do mercado global de semicondutores básicos. A tensão se intensificou após o governo holandês assumir o controle da empresa, alegando preocupações de propriedade intelectual e segurança nacional, já que a controladora chinesa Wingtech está sob sanções dos Estados Unidos.

As restrições impostas por Pequim impactaram diretamente o fornecimento global. Embora os chips da Nexperia não sejam considerados de alta complexidade, eles são essenciais para o setor automotivo, utilizado em larga escala na fabricação de veículos e produtos eletrônicos.

Governo busca diálogo com a China

Segundo o MDIC, o ministro Geraldo Alckmin e o secretário Moreira se reuniram com o presidente da Anfavea, Igor Calvet, para discutir soluções. O governo brasileiro tenta abrir canal diplomático com a China, buscando garantir que o país não sofra os efeitos colaterais da disputa geopolítica.

“Nosso objetivo é deixar claro que o Brasil está fora desse conflito e não pode ser penalizado por ele”, destacou Moreira.

O ministro Alckmin já entrou em contato com o embaixador brasileiro em Pequim e com o embaixador chinês em Brasília, solicitando o início de negociações bilaterais. O representante chinês teria se comprometido a dialogar com autoridades locais, enquanto o diplomata brasileiro fará a mediação com a Nexperia.

Indústria em alerta com possível paralisação

A Anfavea reforçou a preocupação com a escassez de chips, lembrando que situação semelhante durante a pandemia provocou paralisações e queda na produção. Estimativas da entidade indicam que um carro moderno utiliza entre 1.000 e 3.000 chips, o que torna qualquer interrupção no fornecimento um risco imediato.

Apesar de fontes do setor apontarem possíveis substitutos — como Infineon, NXP e Texas Instruments —, a troca de fornecedores exige tempo, já que os componentes precisam passar por processos rigorosos de aprovação técnica antes de serem usados nas linhas de montagem.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Acervo Volkswagen do Brasil

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