Transporte

Barcos com hidrofólios: Suécia testa embarcações “voadoras” para transporte público

A Suécia está testando uma nova geração de barcos elétricos com hidrofólios que promete transformar o transporte público marítimo. Desenvolvidas pela empresa sueca Candela, as embarcações são capazes de “voar” cerca de meio metro acima da superfície da água, mantendo todo o casco fora d’água durante a navegação.

O sistema funciona por meio de hidrofólios retráteis, estruturas semelhantes a asas, sustentadas por hastes finas que utilizam princípios da aviação para gerar sustentação. Quando o barco ganha velocidade, essas asas submersas levantam o casco, deixando apenas os hidrofólios em contato com a água.

Menos atrito, mais eficiência energética

Ao reduzir drasticamente o contato com a água, os barcos diminuem o atrito e, consequentemente, o consumo de energia. Segundo Gustav Hasselskog, fundador da Candela, essa tecnologia pode reduzir a demanda energética em até 80%, em comparação com embarcações convencionais.

Além da eficiência, os modelos são elétricos, não emitem poluentes e operam quase sem ruído. Outro diferencial é o custo operacional: por milha náutica, o gasto representa cerca de 5% do valor de um barco tradicional, além de não gerar ondas significativas, o que reduz impactos ambientais e restrições de velocidade.

Potencial para revolucionar o transporte urbano

Com essas características, a tecnologia é vista como uma alternativa mais rápida, barata e sustentável para o deslocamento diário de passageiros em cidades costeiras ou cortadas por rios. A proposta é substituir grandes embarcações, pouco eficientes fora dos horários de pico, por frotas menores e mais frequentes.

A Candela não está sozinha nessa aposta. Empresas da Suíça, Irlanda, Estados Unidos, França e Nova Zelândia também desenvolvem barcos baseados no mesmo princípio. O uso de hidrofólios ainda é avaliado para aplicações militares, graças ao baixo nível de ruído e à reduzida assinatura térmica dos motores elétricos.

Tecnologia antiga, indústria nova

Embora os hidrofólios existam desde o final do século XIX, os avanços em sensores digitais, softwares de controle e materiais leves ampliaram significativamente sua eficiência. Diferentemente dos modelos usados em competições náuticas, as embarcações voltadas ao transporte público utilizam sistemas inteligentes que ajustam continuamente a posição das asas submersas, garantindo viagens mais estáveis e confortáveis.

A redução de peso é outro fator decisivo. Como a energia necessária para mover um barco com hidrofólios depende diretamente de sua massa, materiais como a fibra de carbono tornaram-se essenciais, por oferecer leveza e resistência. A queda nos custos de produção desse material ajudou a viabilizar uma nova indústria.

Avanços na propulsão elétrica

Durante a fase inicial, a Candela utilizou sistemas elétricos de montadoras como BMW e BYD. Atualmente, a empresa mantém parceria com a Polestar, que desenvolve motores próprios para esse tipo de embarcação.

Os motores são posicionados abaixo da linha d’água, na parte traseira, o que melhora a eficiência e permite resfriamento natural. O uso de duas hélices girando em sentidos opostos reduz perdas de energia causadas pela rotação, contribuindo para ganhos adicionais de desempenho.

Mercado em expansão e testes globais

Comparadas às barcas tradicionais, essas embarcações são significativamente mais eficientes. Estimativas indicam que barcos convencionais consomem entre 15 e 35 vezes mais energia do que um ônibus por milha. Para Hasselskog, embarcações menores e eficientes podem oferecer um serviço mais sustentável e frequente.

Cidades da Suécia e da Noruega já testaram os modelos da Candela. A empresa também tem encomendas para a Arábia Saudita e negociações com países como Índia, Maldivas e Tailândia. Segundo estimativas, o mercado global de barcas elétricas pode movimentar cerca de US$ 22 bilhões por ano.

Apesar das limitações físicas que impedem o transporte de grandes volumes de passageiros e veículos, os barcos com hidrofólios surgem como uma solução viável para a mobilidade urbana sobre a água, combinando inovação tecnológica, eficiência energética e sustentabilidade.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Negócios

BYD celebra 10 mil veículos produzidos na Bahia e acelera expansão no Brasil

A BYD Auto do Brasil alcançou um marco relevante: 10 mil veículos montados no complexo industrial de Camaçari (BA). O número foi atingido apenas seis semanas após a inauguração oficial da fábrica, realizada em 9 de outubro. No local, atualmente saem da linha de produção três modelos da marca: BYD Dolphin Mini, BYD King e BYD Song Pro.

O avanço da produção ganhou reforço neste mês, com a abertura do segundo turno de trabalho. O período noturno, formado por 120 colaboradores, marca uma etapa estratégica para ampliar a capacidade fabril e fortalecer a geração de empregos na região.

Capacidade ampliada e metas ambiciosas
Projetado para ser um dos maiores polos automotivos do país, o complexo de Camaçari pode fabricar 150 mil veículos por ano na fase inicial e chegar a 300 mil na etapa seguinte. Durante a inauguração, o fundador e CEO global da BYD, Wang Chuanfu, anunciou que a companhia irá dobrar a meta prevista. Em plena operação, a planta será capaz de produzir 600 mil veículos anuais.

Para Tyler Li, presidente da BYD Brasil, o ritmo acelerado confirma o potencial da operação baiana. Ele destaca que o volume alcançado em tão pouco tempo demonstra o comprometimento dos colaboradores, o foco em qualidade e a confiança do consumidor na marca.

Avanço dos elétricos e liderança no mercado
Enquanto ergue o maior complexo fabril da empresa fora da China, a BYD mantém forte aceleração na entrega de veículos às concessionárias de todas as regiões do país. Em pouco mais de três anos de atuação nacional, a marca já superou 100 mil carros 100% elétricos emplacados e consolidou liderança absoluta entre os BEVs no Brasil. De acordo com a Fenabrave, o desempenho da montadora supera em mais de sete vezes o da segunda colocada e representa quase o triplo da soma das marcas que ocupam da segunda à décima posição no ranking.

Para Alexandre Baldy, vice-presidente sênior e head de marketing e comercial da companhia, cada veículo elétrico BYD nas ruas significa menor emissão de poluentes, mais tecnologia e avanço da mobilidade sustentável. Ele afirma que o crescimento dos elétricos reflete uma transformação no comportamento do consumidor brasileiro e marca o início de uma nova era no setor automotivo.

Expansão da rede de concessionárias
A BYD segue ampliando sua presença no território nacional. Atualmente, a empresa contabiliza 200 concessionárias ativas em todos os estados e prevê alcançar 250 unidades nos próximos meses.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco/BYD

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Transporte

Caminhão elétrico cruza o Brasil com 91 recargas e expõe desafios da mobilidade sustentável

A Aurora Lab concluiu, neste ano, uma expedição inédita: levar um caminhão elétrico de Porto Alegre a Fortaleza. A jornada, realizada em 100 dias e marcada por 91 recargas, buscou testar a viabilidade do transporte de carga pesado movido a eletricidade no Brasil e mapear os principais gargalos da infraestrutura nacional.

Para entender o projeto, o Mobilidade Estadão conversou com Gabi Vuolo, diretora executiva da empresa e idealizadora da iniciativa.

Como nasceu a expedição elétrica pelo Brasil

Segundo Gabi Vuolo, a proposta surgiu no fim do ano passado, quando o time discutia ações para a COP-30. A meta era usar as estradas como um “laboratório real” para avaliar os obstáculos da descarbonização do transporte rodoviário, ainda pouco explorada no setor de cargas.

A executiva explica que o objetivo era simples e ambicioso ao mesmo tempo: comprovar se um veículo totalmente elétrico conseguiria cruzar o País e, ao mesmo tempo, identificar os entraves vividos pelos caminhoneiros.

Infraestrutura limitada e barreiras antes da largada

A expedição encontrou três grandes dificuldades antes mesmo de iniciar o trajeto.

A primeira foi conseguir uma empresa disposta a alugar um caminhão elétrico para a rota completa. A segunda barreira foi ainda mais sensível: nenhuma seguradora aceitou cobrir a viagem, revelando o despreparo do mercado para esse segmento.

O terceiro ponto crítico envolveu a escassez de eletropostos, já que a maioria é pensada para carros de passeio e se torna ainda mais rara conforme se avança para o Norte e Nordeste. Para contornar o problema, a equipe desenvolveu um adaptador que permitiu carregar o veículo em diferentes tipos de sistemas, incluindo tomadas 220V trifásicas. Com autonomia de apenas 150 km por carga, cada parada exigiu planejamento minucioso.

De Sul ao Nordeste: onde o caminhão conseguiu recarregar

No total, foram registradas 91 recargas:

  • Sul: 9 recargas (7 em eletropostos)
  • Sudeste: 34 recargas (20 em eletropostos)
  • Nordeste: 48 recargas (apenas 7 em eletropostos)

A meta original era seguir até Brasília e finalizar o trajeto em Belém, mas a dificuldade crescente de encontrar pontos de recarga ao Norte levou a equipe a encerrar o percurso em Fortaleza, por segurança.

Repercussão na COP-30

Ao apresentar o caminhão na COP-30, Gabi se surpreendeu com o interesse do público. Segundo ela, as discussões giraram em três eixos principais:

  • necessidade de regulamentação para eletropostos e veículos
  • responsabilidade das empresas na transição energética
  • mudança cultural para ampliar a aceitação da mobilidade elétrica

Principais entraves para descarbonizar o transporte de cargas

Entre os desafios centrais, está a baixa autonomia dos veículos disponíveis hoje. “Nenhum caminhoneiro percorre apenas 150 km por dia”, afirma Gabi. Além disso, o tempo de recarga ainda é um fator limitante — em alguns pontos, foram necessárias oito horas para completar a bateria.

Com uma frota estimada em 2 milhões de caminhoneiros, segundo o Censo de 2019, a executiva considera que o avanço da mobilidade elétrica no transporte de carga ainda depende de tecnologias mais maduras e infraestrutura mais robusta.

Comparativo de custos: diesel x elétrico

A equipe também comparou o custo total da viagem com um caminhão movido a diesel. Um veículo com rendimento médio de 2,5 km/l teria consumido cerca de 2.423 litros, o que resultaria em um gasto aproximado de R$ 14.665.

No trajeto elétrico, foram gastos R$ 14.900 — porém, sem emitir 6,5 toneladas de CO₂ na atmosfera ao longo dos 6 mil quilômetros rodados. Para Gabi, a diferença mínima valida o potencial da eletrificação no transporte pesado.

FONTE: Mobilidade Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Mobilidade Estadão

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