Comércio Exterior

Guerra Comercial EUA-China: quem vai recuar primeiro, Trump ou Xi?

A tensão entre Estados Unidos e China se intensifica à medida que a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo ganha novos desdobramentos. As negociações seguem estagnadas, enquanto ambos os países impõem tarifas pesadas que podem impactar diretamente o comércio global.

Disputa entre Washington e Pequim se agrava

Apesar de sucessivas rodadas de conversas, Washington e Pequim não avançaram significativamente nas negociações, exceto em um possível acordo sobre o TikTok. As novas tarifas devem entrar em vigor no próximo mês, e a expectativa é de que tragam efeitos negativos sobre a economia global.

Na quarta-feira, o presidente Donald Trump declarou que a “guerra comercial já está em curso”, reforçando a postura de confronto. Já o secretário do Tesouro, Scott Bessent, admitiu que ainda há espaço para uma trégua tarifária, mas ressaltou que as tratativas ocorrerão “nas próximas semanas”.

As tensões aumentaram após a China anunciar restrições à exportação de minerais críticos, insumos estratégicos usados na produção de veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de inteligência artificial. O domínio chinês sobre esses recursos preocupa os EUA, que veem o movimento como um risco direto à indústria tecnológica e de defesa.

“Os Estados Unidos agora precisam lidar com um adversário capaz de ameaçar setores vitais da sua economia”, afirmou Henry Farrell, cientista político da Universidade Johns Hopkins, ao The New York Times.

A China, por sua vez, segue insatisfeita com as sanções tecnológicas impostas pelo Ocidente, especialmente as que restringem o acesso a chips e tecnologias avançadas de IA (inteligência artificial).

EUA tentam reduzir dependência dos minerais chineses

O governo Trump aposta em uma política industrial fortalecida para diminuir a dependência de insumos importados da China. O plano inclui investimentos estratégicos em empresas nacionais, como a Intel, para reforçar a competitividade americana.

“Quando se enfrenta uma economia não orientada pelo mercado, como a da China, é preciso adotar políticas industriais”, destacou Bessent em evento da CNBC.

Trump e o presidente Xi Jinping devem se encontrar na Cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, na Coreia do Sul, ainda este mês. O encontro pode definir os próximos passos da disputa.

Ambos os lados precisam mostrar resultados: a China enfrenta baixo consumo interno e instabilidade econômica, enquanto os agricultores americanos sofrem com a redução das exportações de soja. Em outro ponto de sua política externa, Trump afirmou que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se comprometeu a interromper a compra de petróleo russo, pressionando Pequim a seguir o mesmo caminho.

Justiça suspende demissões durante paralisação do governo

A juíza Susan Illston, do Tribunal Distrital de São Francisco, suspendeu temporariamente as demissões planejadas em meio ao fechamento parcial do governo. Segundo ela, a administração Trump “age como se as leis não se aplicassem mais”. O Departamento de Justiça alega que o presidente possui autoridade para reorganizar o funcionalismo federal.

Trump mira o Fisco americano

De acordo com o Wall Street Journal, o governo avalia indicar aliados de Trump para cargos estratégicos no IRS, o Fisco dos Estados Unidos. O objetivo seria enfraquecer a atuação de advogados internos e abrir espaço para investigações contra grupos ligados à esquerda, como a família Soros.

Suprema Corte analisa pacote bilionário de Elon Musk

A Suprema Corte de Delaware avaliou o pacote de remuneração de Elon Musk na Tesla, anulado anteriormente por questões de governança corporativa. Ainda sem decisão, o bilionário pode se beneficiar caso o novo plano de compensação seja aprovado após a reincorporação da Tesla no Texas.

Chobani alcança valor de mercado de US$ 20 bilhões

A Chobani levantou US$ 650 milhões em uma nova rodada de investimento, elevando sua avaliação para US$ 20 bilhões, segundo o DealBook. Os recursos financiarão a expansão da fábrica em Idaho (US$ 500 milhões) e a construção de uma nova planta em Nova York (US$ 1,2 bilhão).

Fundada há 20 anos, a empresa projeta US$ 3,8 bilhões em vendas líquidas em 2025, crescimento de 28% em relação ao ano anterior, e lucros de US$ 780 milhões, alta de 53%. A Chobani, que começou com iogurtes proteicos, agora aposta em leite vegetal, cafés e cremes, e recentemente adquiriu a Daily Harvest, produtora de alimentos à base de plantas.

“Este investimento é mais do que capital — é o reconhecimento do que construímos”, afirmou o fundador e CEO Hamdi Ulukaya.

Mammoth Brands compra fabricante de fraldas premium

A Mammoth Brands, dona das marcas Harry’s e Lume, anunciou a aquisição da Coterie, fabricante de fraldas premium, por um valor que pode ultrapassar US$ 1 bilhão. A Coterie, criada em 2018, tem receita anual acima de US$ 200 milhões e crescimento de 60% no último ano, mantendo lucratividade há três anos consecutivos.

O negócio inclui pagamento em dinheiro e ações, além de bônus vinculados ao desempenho. A empresa planeja entrar no varejo físico e ampliar sua linha de produtos para bebês.

“O segmento premium é o que mais cresce — estamos criando uma nova categoria”, declarou Jess Jacobs, CEO da Coterie.

Glass Lewis muda estratégia e abandona modelo único de voto

A consultoria Glass Lewis, uma das maiores do mundo em voto por procuração (proxy voting), anunciou que deixará de oferecer uma única recomendação de voto a partir de 2027. Seus 1.300 clientes poderão optar por políticas personalizadas, incluindo pautas ambientais, sociais e de governança (ESG).

A decisão ocorre após pressões políticas de republicanos contrários às recomendações favoráveis a pautas ESG. O CEO Bob Mann afirmou que o antigo modelo “não reflete mais a diversidade da base de clientes”.

“Com eleitores mais dispersos, a tendência é que a administração vença”, explicou Ann Lipton, professora de governança corporativa da Universidade do Colorado.

FONTE: New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Exportação

G7 reforça união contra controles de exportação da China e busca diversificar cadeias de suprimentos

Os ministros das Finanças do G7 — grupo formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — decidiram manter uma posição conjunta diante dos novos controles de exportação da China sobre terras raras. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (16) pelo comissário econômico europeu, Valdis Dombrovskis, que destacou o compromisso dos países em coordenar respostas de curto prazo e diversificar fornecedores estratégicos.

G7 manifesta preocupação com restrições chinesas

Segundo Dombrovskis, há um consenso entre os parceiros do G7 sobre a gravidade das novas restrições impostas por Pequim.

“Ficou claro que os membros do G7 compartilham a preocupação com esses novos e amplos controles de exportação chineses, que ampliam o escopo dos minerais cobertos, mas também atingem toda a cadeia de valor, com disposições extraterritoriais bastante abrangentes”, afirmou o comissário europeu.

Coordenação e diálogo com a China

O grupo pretende coordenar ações conjuntas e manter diálogo direto com autoridades chinesas para tentar encontrar soluções de curto prazo que reduzam os impactos econômicos dessas medidas.

“Concordamos em coordenar esse trabalho e nossos compromissos com os colegas chineses para buscar soluções imediatas”, explicou Dombrovskis.

Diversificação das cadeias de suprimentos

Além das medidas emergenciais, o G7 também reforçou o compromisso de longo prazo com a diversificação e a resiliência das cadeias globais de suprimentos, especialmente no setor de minerais críticos usados em tecnologias de ponta, como baterias e semicondutores.

“Está claro que precisamos continuar o trabalho — que não é novo — sobre diversificação e fortalecimento das cadeias de suprimentos”, completou o comissário.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Investimento

Pentágono planeja investir US$ 1 bilhão em minerais críticos para reforçar estoque estratégico

O Pentágono pretende adquirir até US$ 1 bilhão em minerais críticos, segundo informações do Financial Times. O objetivo é fortalecer o estoque estratégico dos Estados Unidos, em meio à crescente preocupação com a dependência de matérias-primas da China. Os dados foram obtidos a partir de documentos recentes divulgados pela Agência de Logística de Defesa (DLA).

Reação às restrições chinesas e tensões comerciais

O plano de compra surge logo após o Ministério do Comércio da China anunciar novas restrições à exportação de terras raras e outros materiais essenciais para os setores de defesa e tecnologia. Em resposta, o presidente Donald Trump declarou na sexta-feira (10) que imporá uma tarifa adicional de 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro. Ele também prometeu estabelecer controles de exportação sobre softwares estratégicos.

China domina produção global de terras raras

Atualmente, a China é responsável por cerca de 70% da produção mundial de terras raras, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Esse monopólio chinês é visto há anos como uma ferramenta de pressão geopolítica, dada a importância desses elementos para a indústria militar e tecnológica.

Investimento em cobalto, antimônio e tântalo

De acordo com o Financial Times, a DLA pretende adquirir até US$ 500 milhões em cobalto, US$ 245 milhões em antimônio e US$ 100 milhões em tântalo. Esses minerais são fundamentais para a produção de baterias, ligas metálicas e componentes eletrônicos avançados.

Atualmente, a agência mantém estoques estratégicos de ligas metálicas, minérios e metais preciosos armazenados em diferentes depósitos pelo país. Em 2023, os ativos da DLA foram avaliados em aproximadamente US$ 1,3 bilhão, segundo o jornal britânico.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

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