Tecnologia

IA no refino de terras raras do Brasil atrai parceria entre EUA e mineradora canadense

Os Estados Unidos e uma empresa canadense deram um novo passo estratégico para o desenvolvimento do refino de terras raras do Brasil. A mineradora Aclara Resources firmou um acordo de pesquisa e desenvolvimento com um laboratório nacional ligado ao Departamento de Energia dos EUA para aplicar inteligência artificial (IA) na separação de terras raras pesadas.

O anúncio foi divulgado pela companhia por meio de fato relevante ao mercado. Os estudos serão conduzidos no Argonne National Laboratory, um dos principais centros de pesquisa do governo norte-americano.

Como a inteligência artificial será aplicada

A iniciativa tem como foco aumentar a eficiência industrial e reduzir incertezas operacionais. A tecnologia empregada cria uma representação virtual da planta industrial, baseada em dados reais, modelos matemáticos e algoritmos de IA aplicada à mineração.

Com isso, será possível:

  • Simular o comportamento da operação;
  • Testar diferentes cenários produtivos;
  • Antecipar falhas antes da implementação física.

Esse modelo reduz riscos técnicos, otimiza custos e é especialmente relevante em minerais críticos, como as terras raras, cujos processos químicos são altamente sensíveis à variação do minério.

Ganhos operacionais no refino de terras raras

Segundo a empresa, o uso de inteligência artificial no refino contribui para:

  • Elevar as taxas de recuperação dos minerais;
  • Melhorar a eficiência da separação química;
  • Acelerar a transição de plantas-piloto para escala industrial.

Esses avanços são considerados estratégicos em um mercado global cada vez mais competitivo e concentrado.

Projeto Carina fortalece presença no Brasil

A Aclara é responsável pelo Projeto Carina, localizado em Nova Roma (GO), que já conta com financiamento do governo dos EUA por meio da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), agência que apoia investimentos estratégicos em países em desenvolvimento.

O empreendimento adota o modelo de argilas de adsorção iônica, no qual os elementos de terras raras estão adsorvidos na argila, e não em rochas duras — um tipo de depósito raro fora da China.

Esse modelo geológico permite:

  • Menor risco ambiental;
  • Custos operacionais reduzidos;
  • Processos de extração mais simples, sem perfuração profunda, detonações ou britagem pesada.

Planta piloto e cadeia produtiva internacional

Em abril de 2025, a empresa inaugurou uma planta piloto de terras raras pesadas em Aparecida de Goiânia. A unidade tem como principais produtos o disprósio e o térbio, além de outras terras raras leves e pesadas concentradas na forma de carbonato de terras raras.

Essa etapa é intermediária da cadeia produtiva. O material produzido no Brasil será enviado para uma planta da empresa nos Estados Unidos, onde passará pelo refino químico final até se transformar em óxidos de terras raras, produto comercial utilizado pela indústria.

Os óxidos são insumos essenciais para:

  • Veículos elétricos;
  • Turbinas eólicas;
  • Equipamentos eletrônicos;
  • Sistemas de defesa.

Perspectivas de longo prazo

De acordo com a Aclara, o Projeto Carina tem início de operações previsto para 2028, com vida útil estimada em 18 anos. Além do Brasil, a mineradora também mantém ativos no Chile, ampliando sua presença na América do Sul.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Informação

Corrida pelas terras raras coloca Brasil no centro da disputa global entre Estados Unidos e China

A disputa internacional pelas terras raras ganhou força no Brasil e transformou o país em alvo estratégico de potências como Estados Unidos e China. Dono da segunda maior reserva mundial, o Brasil vive um momento decisivo: exportar minério bruto ou investir bilhões para criar uma cadeia nacional de refino e tecnologia.

Com apenas uma mina em operação e dezenas de projetos em análise, o país entra no radar geopolítico global em meio à transição energética, à corrida por carros elétricos e à busca por autonomia tecnológica.

Brasil entra oficialmente no mapa das terras raras

Em janeiro de 2024, a Mineração Serra Verde iniciou a produção comercial de óxidos de terras raras em Minaçu (GO), marcando a estreia do Brasil nesse mercado estratégico. A planta opera em fase de ramp-up e tem como meta alcançar 5 mil toneladas por ano, voltadas principalmente à produção de ímãs permanentes usados em turbinas e veículos elétricos.

Em 2025, o interesse declarado dos Estados Unidos nas reservas brasileiras elevou o tema ao centro das discussões em Brasília, acelerando debates sobre soberania mineral e política industrial.

Segunda maior reserva do mundo, mas produção ainda tímida

Apesar do potencial, o Brasil ainda engatinha na produção. Dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) mostram que o país possui 12 lavras autorizadas de terras raras e 186 em fase de análise. Há ainda 1.790 autorizações de pesquisa e outros 348 pedidos em avaliação.

Na prática, apenas a operação da Serra Verde está em atividade comercial. O restante dos projetos segue entre estudos geológicos, licenciamento ambiental e estruturação financeira.

Projetos australianos avançam em Minas Gerais

Enquanto a produção nacional ainda é limitada, empresas estrangeiras avançam. Em Poços de Caldas (MG), a australiana Meteoric inaugurou uma planta-piloto do Projeto Caldeira, voltada à validação do processo industrial e produção de amostras.

A unidade tem capacidade para processar 25 quilos de argila iônica por hora e produzir até 455 quilos anuais de carbonato de terras raras. O investimento gira em torno de 1,5 milhão de dólares australianos.

Na mesma região, a Viridis Mining & Minerals desenvolve o Projeto Colossus, que já se habilitou a linhas de financiamento do BNDES e da Finep, além de ter recebido uma carta de interesse de até US$ 100 milhões de uma agência canadense de crédito à exportação.

Exportar minério ou investir em refino bilionário?

O avanço desses projetos reacende um dilema histórico da economia brasileira: seguir como exportador de matéria-prima ou investir pesado para agregar valor internamente.

Especialistas apontam que o refino de terras raras exige tecnologia sofisticada, hoje amplamente dominada pela China. Construir uma cadeia completa no Brasil demandaria tempo, capital e transferência tecnológica — algo que pode levar de 10 a 15 anos.

Por outro lado, depender apenas da exportação do minério bruto limita ganhos econômicos e mantém o país vulnerável às oscilações do mercado internacional.

Pressão geopolítica e interesse das grandes potências

A movimentação dos Estados Unidos em torno das reservas brasileiras reflete uma estratégia mais ampla de reduzir a dependência da China, que hoje concentra cerca de 70% da produção global e 85% da capacidade de refino de terras raras.

Além dos norte-americanos, União Europeia, Japão e Austrália também buscam diversificar fornecedores, transformando o Brasil em peça-chave no tabuleiro geopolítico da transição energética.

Reservas abundantes, desafios estruturais

O Brasil possui grandes jazidas em Minas Gerais, Goiás e na Amazônia, mas enfrenta gargalos relevantes: falta de tecnologia própria, custos elevados, licenciamento ambiental complexo e infraestrutura limitada.

O processamento de terras raras envolve múltiplas etapas químicas, alto consumo energético e controle ambiental rigoroso, fatores que tornam a cadeia produtiva complexa e cara.

Tecnologia, tempo e risco de ficar para trás

Para especialistas, o maior risco é a falta de planejamento de longo prazo. Segundo Patrícia Muricy, líder de mineração da Deloitte, os investimentos feitos agora só devem gerar resultados plenos daqui a 15 anos, justamente quando a transição energética estará ainda mais avançada.

Ela alerta que o país ainda conhece pouco suas próprias reservas e precisa investir fortemente em pesquisa geológica para tomar decisões estratégicas.

“Ninguém vai transferir tecnologia de graça”

Na avaliação de Mateus Figueiredo, sócio da KPMG, o Brasil não pode esperar acesso facilitado à tecnologia de refino. Segundo ele, embora os processos não sejam novos, o país nunca atuou de forma relevante nesse segmento.

A estratégia mais realista, segundo o especialista, seria iniciar pela extração, gerar caixa e reduzir riscos, enquanto se constrói gradualmente capacidade tecnológica própria.

Equilíbrio entre valor agregado e competitividade

O Ibram defende uma abordagem equilibrada. Para a entidade, é possível avançar na cadeia de valor sem comprometer a competitividade do setor mineral.

O diretor de Sustentabilidade, Julio Nery, lembra que tentar processar todo o minério internamente pode gerar perdas, como ocorreu no passado com o ferro, que poderia reduzir em até 30% o saldo da balança comercial.

No caso das terras raras, o desafio é ainda maior diante da concorrência chinesa e das restrições fiscais brasileiras.

Investimentos previstos até 2029

Mesmo com incertezas, o setor de terras raras já aparece nos planos de investimento da mineração nacional. Segundo o Ibram, o segmento deve receber cerca de US$ 2,2 bilhões entre 2025 e 2029, o equivalente a 3,2% dos investimentos do setor.

O volume indica que, embora ainda incipiente, o Brasil começa a se posicionar de forma mais concreta na corrida global por esses minerais estratégicos.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Investimento

CMOC compra minas de ouro no Brasil por US$ 1 bilhão e amplia presença na mineração

A mineradora chinesa CMOC anunciou a aquisição de quatro minas de ouro no Brasil, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão. Os ativos pertenciam à canadense Equinox Gold e a transação marca mais um avanço da companhia asiática na expansão de sua atuação internacional, com foco em recursos minerais estratégicos na América do Sul.

A operação amplia o peso da China no setor de mineração aurífera brasileiro, considerado um dos mais relevantes do continente em termos de potencial geológico e infraestrutura produtiva.

Minas estão distribuídas em três estados brasileiros

Os ativos adquiridos pela CMOC estão localizados em Maranhão, Minas Gerais e Bahia. No Maranhão, a empresa passa a controlar a mina de Aurizona. Em Minas Gerais, o negócio envolve a mina RDM. Já na Bahia, entram no pacote as minas Fazenda e Santa Luz.

De forma conjunta, as quatro unidades registram uma produção anual estimada em 7,5 toneladas de ouro e concentram reservas totais próximas de 141 mil toneladas, reforçando a relevância do portfólio adquirido.

Pagamento inicial e aprovação regulatória

Pelos termos do acordo, a CMOC fará um pagamento inicial de US$ 900 milhões no momento da assinatura do contrato. A conclusão definitiva da transação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável pela análise concorrencial no país.

A expectativa é que o processo regulatório seja concluído até o primeiro trimestre de 2026, permitindo a incorporação plena dos ativos à operação da companhia.

Expansão na América do Sul ganha escala

A movimentação no Brasil ocorre poucos meses após a CMOC anunciar a compra da maior mina de ouro do Equador, em abril, por US$ 421 milhões. Com as duas aquisições, a mineradora deverá alcançar uma produção anual próxima de 20 toneladas de ouro na América do Sul.

Esse volume posiciona a empresa entre os principais grupos do setor mineral na região, fortalecendo sua presença em países-chave da cadeia global de suprimento.

Interesse estrangeiro reacende debates no setor mineral

Analistas avaliam que a ofensiva da CMOC reflete uma estratégia mais ampla da China para ampliar o controle e o acesso a minerais considerados estratégicos, sobretudo em mercados com estabilidade operacional e grande potencial de exploração, como o Brasil.

Para o setor mineral brasileiro, a operação sinaliza a continuidade do interesse estrangeiro por ativos de grande porte, com possíveis impactos positivos em investimentos, modernização tecnológica e geração de empregos nas regiões mineradoras. Ao mesmo tempo, o negócio reabre discussões sobre soberania mineral, regulação e o papel do país na cadeia global de recursos naturais.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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