Agronegócio

Produção de gergelim cresce 17% em Mato Grosso e ganha força como alternativa ao milho

A cultura do gergelim em Mato Grosso vem se firmando como uma das principais apostas da segunda safra no Estado. Na temporada 2024/2025, a produção avançou 17,3%, passando de 246,1 mil para 288,9 mil toneladas, consolidando-se como opção estratégica logo após a soja, atrás apenas do milho.

O crescimento não ocorreu apenas pela expansão de área, mas principalmente pelo ganho de eficiência no campo. A produtividade agrícola saltou de 579 quilos por hectare para 720 quilos por hectare, indicando maior domínio técnico da cultura pelos produtores.

Produtor busca culturas mais adaptadas ao clima

O avanço do gergelim reflete uma mudança no planejamento agrícola. Com janelas climáticas mais curtas e maior risco de estiagem, produtores têm buscado culturas mais resistentes. O plantio do gergelim ocorre entre fevereiro e março, logo após a colheita da soja, com ciclo médio de 120 dias, o que favorece sua inserção no calendário agrícola.

Essa adaptação tem sido especialmente relevante em regiões onde as chuvas costumam cessar mais cedo, reduzindo a segurança do milho de segunda safra.

Exportações impulsionam a expansão da cultura

O principal motor do crescimento está no mercado externo. Atualmente, cerca de 99% do gergelim produzido em Mato Grosso é exportado, com destaque para a Ásia. A recente abertura do mercado chinês ao produto brasileiro ampliou a demanda e acelerou investimentos em certificações, pesquisa e melhoramento genético.

Segundo o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, a entrada da China no rol de compradores foi decisiva para o avanço da cultura. De acordo com ele, mais de 20 empresas já foram credenciadas no Estado, estimulando novos aportes no setor.

Gergelim substitui milho em áreas de maior risco climático

Em regiões como o Vale do Araguaia, onde a estiagem costuma chegar mais cedo, o gergelim tem se mostrado uma alternativa mais segura ao milho. Nessas áreas, o cereal enfrenta maior risco de perdas por falta de chuva, enquanto o gergelim apresenta melhor desempenho agronômico e rentabilidade.

Outro fator que favorece a adoção da cultura é a redução de custos operacionais. Produtores têm conseguido adaptar a mesma colheitadeira utilizada na soja para a colheita do gergelim, o que facilita a transição e diminui a necessidade de novos investimentos em máquinas.

Expectativas para a safra 2025/2026

As projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a área plantada com gergelim pode alcançar 400 mil hectares na safra 2025/2026. O desafio, segundo especialistas, passa agora pela escolha das variedades mais adequadas ao mercado.

Enquanto a variedade K3, voltada à produção de óleo, é a mais comum no Estado, o mercado asiático paga prêmios maiores pela K2, conhecida como variedade doce. Na China, por exemplo, o consumo de óleo de gergelim supera o de óleo de soja, o que amplia o potencial de demanda pelo produto brasileiro.

O governo estadual aposta ainda na verticalização da produção, com estímulo à industrialização e à abertura de novos mercados. A Zona de Processamento de Exportação é vista como um dos instrumentos para atrair investimentos e manter o ritmo de crescimento da cultura no Estado.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

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Agricultura

Milho em Mato Grosso: custos altos, clima incerto e preços pressionam decisão do produtor

A definição da área de milho em Mato Grosso para a próxima safra ocorre sob um cenário de cautela. Mesmo com a comercialização avançando, produtores enfrentam custos elevados, preços menos atrativos e incertezas climáticas, fatores que reduzem o apetite ao risco e influenciam diretamente o planejamento da safra 2025/26.

Comercialização avança, mas abaixo do ritmo histórico

A venda do milho da safra 2024/25 já supera 83% da produção estimada no estado. Apesar do percentual elevado, o ritmo é inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior, reflexo da menor demanda internacional, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Para a próxima temporada, os negócios caminham de forma mais lenta. O atraso no plantio da soja, aliado ao aumento dos custos e à perda de competitividade dos preços, faz com que o produtor seja mais cauteloso tanto na comercialização antecipada quanto na definição da área de plantio.

Custos elevados e margens apertadas preocupam produtores

De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Bertolini, a safra 2024/25 contou com produtividade maior graças a um clima mais regular, o que ajudou a compensar parte dos custos. No entanto, o cenário projetado para o próximo ciclo é mais desafiador.

Segundo ele, o atraso da soja amplia o risco climático, empurrando o milho segunda safra para fora da janela ideal. “Com preços em queda e custos em alta, a margem fica muito estreita e, em alguns casos, negativa”, avalia.

Produtores reduzem estrutura para conter riscos

No campo, a resposta tem sido a redução de investimentos e da área cultivada. Em Rosário Oeste, produtores optaram por enxugar a estrutura, priorizando soja e milho safrinha e deixando culturas como o algodão de lado.

O agricultor Almir Ferreira Pinto relata que o alto custo do crédito inviabiliza o financiamento total da lavoura, especialmente em áreas arrendadas. “Se financiar tudo e ainda pagar arrendamento, praticamente não sobra margem. Para empatar, seria preciso colher mais de 70 sacas por hectare”, explica.

Diante disso, ele reduziu o número de funcionários e diminuiu a área cultivada. Contratos de arrendamento que chegavam a 2 mil hectares foram suspensos temporariamente. A expectativa é retomar apenas na safra 2026/27, quando houver melhor equilíbrio entre custos e preços. “Hoje, o risco é muito alto”, resume.

Clima influencia decisão sobre área de milho

No médio-norte de Mato Grosso, principal região produtora de milho de segunda safra, o clima tem sido determinante. Chuvas irregulares e longos períodos de estiagem atrasaram o calendário agrícola e comprometeram o desenvolvimento da soja.

O presidente do Sindicato Rural de Vera e Feliz Natal, Rafael Bilibio, afirma que muitos produtores anteciparam o plantio apostando na regularização das chuvas, o que não se confirmou. “Choveu de forma espaçada, com intervalos de sete a dez dias, e em algumas áreas praticamente não choveu”, relata.

Com a soja entrando em fase reprodutiva sob estresse hídrico, já há perdas estimadas entre 5% e 10% da produção, o que aumenta a insegurança em relação ao milho. “Agora é torcer para que o milho consiga se desenvolver bem, porque a situação da soja preocupa”, diz.

Insegurança também marca o cenário em Nova Mutum

Em Nova Mutum, o quadro é semelhante. O presidente do Sindicato Rural local, Paulo Zen, aponta volumes de chuva muito abaixo do ideal. “Estamos com cerca de 350 milímetros acumulados em dezembro, o que é pouco. Isso certamente vai refletir na colheita”, avalia.

Mesmo com uma janela de colheita mais extensa prevista para 2026, o clima segue como fator decisivo. Diante das incertezas, muitos produtores optam por uma postura conservadora. “Na dúvida, o produtor prefere não plantar”, conclui.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Juliano Ambrosini/Canal Rural Mato Grosso

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