Exportação

Exportadores brasileiros antecipam embarques aos EUA diante de risco de alta nas tarifas

Com a entrada em vigor da nova tarifa adicional de 10% dos Estados Unidos, exportadores brasileiros correm para antecipar embarques ao mercado norte-americano. O movimento ocorre em meio à incerteza sobre possível elevação da alíquota para 15% e ao risco de novas sobretaxas com base na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.

A nova taxa global passou a valer na terça-feira (24) e substitui o chamado “choque tarifário” anterior, que impunha sobretaxas de 40% e 50% a parte das exportações brasileiras.

Novo cenário tarifário nos EUA

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), indicam que, antes de decisão da Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas impostas com base no IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), cerca de 22% das exportações brasileiras ao mercado americano estavam sujeitas às sobretaxas mais elevadas.

Após a decisão judicial e atos executivos que eliminaram essas cobranças, o cenário mudou:

  • 25% das exportações brasileiras passaram a pagar tarifa adicional de 10%, com possibilidade de aumento para 15%;
  • 46% não enfrentam sobretaxa;
  • 29% permanecem sujeitas a tarifas entre 10% e 50%, com base na Seção 232, aplicada a produtos como aço, alumínio e madeira.

A nova tarifa global está fundamentada na Seção 122 da lei comercial dos anos 1970.

Risco da Seção 301 preocupa indústria

Apesar da carga tributária atual ser mais branda, a Abimaq trabalha com um cenário mais cauteloso: aumento da tarifa para 15% e eventual desfecho desfavorável na investigação aberta contra o Brasil com base na Seção 301.

O presidente da entidade, José Velloso, avalia que a Seção 301 pode resultar em sobretaxas específicas contra produtos brasileiros, diferentemente da tarifa global de 10%, que atinge todos os fornecedores.

Segundo ele, mesmo uma elevação aparentemente pequena, de 10% para 15%, representa grande insegurança para importadores norte-americanos.

A advogada especializada em comércio exterior Vera Kanas, sócia da VK Law, observa que a Seção 122 permite tarifa de até 15%, mas questiona a base legal da medida vinculada ao déficit comercial dos EUA. Para ela, há risco de contestação no Congresso ou até nova judicialização na Suprema Corte.

Setor calçadista ganha competitividade

Para a Abicalçados, o novo ambiente tarifário trouxe melhora relativa na competitividade do produto brasileiro.

Com a substituição da sobretaxa de 50% por uma tarifa global de 10%, os calçados nacionais deixaram de enfrentar desvantagem frente a concorrentes asiáticos no mercado americano.

Até julho de 2025, antes do choque tarifário, as exportações brasileiras de calçados aos EUA haviam crescido 15,3% em volume na comparação anual. No entanto, entre agosto e dezembro de 2025, já sob a sobretaxa, houve queda de 23,4% nos embarques.

A entidade classifica o momento como de “otimismo cauteloso”.

Investigação pode ampliar tensão comercial

A investigação com base na Seção 301 foi aberta em 15 de julho do ano passado e já está em estágio avançado. As alegações envolvem supostas práticas discriminatórias que afetariam o comércio dos EUA, incluindo temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — como o Pix — propriedade intelectual e questões ambientais.

Velloso afirma que a defesa brasileira foi consistente, mas avalia que a decisão pode ter caráter político. Caso o Brasil seja penalizado, o governo americano poderá impor tarifas adicionais sobre qualquer produto nacional, a qualquer momento.

A expectativa é de que o desfecho ocorra entre o fim de maio e junho.

Estratégia é antecipar exportações

Diante desse cenário, entidades do setor orientam empresas a antecipar vendas e embarques aos EUA, se possível com chegada das mercadorias até meados de abril. Considerando que o processo completo de exportação até o desembarque leva cerca de 45 dias, o tempo é fator decisivo.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, reforça que a recomendação geral é adiantar embarques sempre que viável, embora isso dependa de negociação com importadores e da volatilidade cambial.

Ele também destaca que muitos produtos isentos da tarifa global de 10% são commodities, o que pode reduzir a participação de bens com maior valor agregado na pauta exportadora brasileira aos EUA.

Seção 232 adiciona complexidade

Outro fator de preocupação é a Seção 232, que mantém sobretaxas justificadas pela proteção da indústria americana de aço e alumínio.

Além das tarifas de até 50% já aplicadas a esses metais, o governo dos EUA incluiu, em julho de 2025, novos produtos intensivos em aço na lista, afetando máquinas rodoviárias e equipamentos de construção e mineração.

Nesse caso, a tributação incide proporcionalmente ao conteúdo de aço no produto. Se o aço representar 20% do custo da máquina, por exemplo, essa parcela paga 50% de imposto, enquanto os demais 80% ficam sujeitos à tarifa geral de 10%.

Impacto nas exportações brasileiras

A Abimaq registrou exportações de US$ 14 bilhões em 2025, sendo os Estados Unidos o principal destino, com US$ 3,2 bilhões. Antes do choque tarifário, as vendas ao mercado americano haviam alcançado US$ 4 bilhões.

Segundo o setor, a queda não foi maior devido a contratos já firmados e ao perfil específico dos produtos exportados, que mantiveram a demanda por parte de importadores americanos.

No entanto, caso novas sobretaxas sejam aplicadas, há risco de perda gradual de contratos e substituição de fornecedores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Comércio Exterior

Alckmin promete acelerar retirada de produtos do tarifaço em negociação com os EUA

O presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (25) que o governo vai intensificar as negociações com os Estados Unidos para ampliar a retirada de itens do tarifaço. A declaração foi dada durante a abertura da 3ª edição do Encontro Empresarial Brasil–EUA, promovido pela Amcham Brasil, em São Paulo. Participando de forma remota, Alckmin reforçou que o foco é avançar rapidamente na redução de tarifas, ampliando a competitividade das exportações brasileiras.

EUA já retiraram tarifas de 238 produtos
Nos últimos meses, os Estados Unidos eliminaram tarifas de 238 itens — entre eles frutas, sucos, cafés e carnes. Com isso, apenas 22% das exportações brasileiras seguem sujeitas ao tarifaço, percentual que já chegou a 36%. Outros 27% estão enquadrados na Seção 232, alinhada à tributação global, enquanto 51% entram no mercado americano com tarifas de zero ou 10%.

Plano Brasil Soberano e apoio à indústria
Ao comentar as ações internas, Alckmin destacou o Plano Brasil Soberano, criado para amparar empresas afetadas pelo tarifaço. O programa oferece R$ 40 bilhões em crédito, juros reduzidos e garantias ampliadas. O ministro reforçou que o objetivo é preservar a competitividade da indústria nacional enquanto avançam as negociações com Washington.

Brasil mira setores de alta tecnologia
O governo também aposta em medidas de médio e longo prazos para inserir o país em áreas estratégicas, como inteligência artificial, energia renovável, minerais críticos e data centers. Alckmin citou o programa Redata, já em análise no Congresso, como parte dos esforços para atrair investimentos de alto valor agregado.

Diálogo reforça avanços na relação bilateral
Em painel realizado após a fala do presidente em exercício, a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, ressaltou que os recentes resultados refletem uma melhora concreta na relação entre Brasil e Estados Unidos. Ela destacou o papel essencial da cooperação entre governo e setor privado para ampliar o acesso ao mercado americano.

“Os avanços mostram que o diálogo funciona. É fundamental manter essa articulação para seguirmos fortalecendo a relação Brasil–Estados Unidos, que é estratégica e exige dedicação constante”, disse Tatiana.

Setor empresarial destaca importância da parceria
O embaixador Fernando Pimentel e o CEO da Amcham Brasil, Abrão Neto, também defenderam a atuação conjunta entre empresas e governo na construção de posições unificadas e no fortalecimento da agenda econômica bilateral. Para Neto, aproximar as duas maiores economias das Américas é essencial para ampliar oportunidades futuras.

“Esse encontro reforça a missão da Amcham de estreitar laços entre Brasil e EUA. A parceria é indispensável não só pela história, mas pelo potencial que representa”, afirmou.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MDIC

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Comércio Exterior

Tarifa de 40% dos EUA ameaça competitividade do café brasileiro, alerta Cecafé

A manutenção da tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos ao café brasileiro deixa o Brasil em desvantagem direta frente a concorrentes isentos desse custo, afirma Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé. A avaliação foi feita ao programa Mercado Aberto, do Canal UOL. Exportadores estão preocupados com a possibilidade de perda de espaço no mercado americano, historicamente um dos mais relevantes para o setor.

Safra menor amplia dificuldades
Com a previsão de uma safra nacional reduzida, o impacto das tarifas se agrava. Especialistas temem que torrefadoras e indústrias nos EUA passem a adotar novos blends e fornecedores, tornando a mudança permanente. Para Matos, ampliar a lista de produtos com isenção tarifária é mais viável do que tentar zerar temporariamente todas as tarifas.

Concorrência direta preocupa o setor
O diretor do Cecafé destacou que o problema não está apenas no valor da tarifa, mas na comparação com os concorrentes. Enquanto países competidores operam com tarifa zerada, o café brasileiro enfrenta o peso de 40%, o que amplia a distância em termos de competitividade. Segundo ele, esses países já avançam em contratos de curto, médio e longo prazo, além de fortalecer relações comerciais que podem se consolidar no futuro.

Matos alerta que consumidores estrangeiros podem se acostumar aos novos perfis sensoriais dos cafés importados de outros mercados, o que tornaria o prejuízo atual ainda maior — e até irreversível.

Mercado americano segue estratégico
Apesar da desaceleração das vendas causada pela safra menor, o Brasil ainda exporta para 120 países. Matos reforça, porém, que não é possível abrir mão do mercado americano, onde estão sediadas grandes empresas que atuam globalmente. Para ele, a prioridade das negociações bilaterais deve ser a defesa de produtos estratégicos, como o café.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Comércio Exterior, Economia, Mercado Internacional

Tarifas dos EUA impõem novos desafios à logística do Brasil à América do Norte

Empresas do setor apontam para uma necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

A adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos importados reacende discussões sobre os impactos na cadeia logística internacional, especialmente nas rotas entre o Brasil e a América do Norte. Empresas do setor podem sentir necessidade crescente de adaptação, revisão de contratos e fortalecimento do planejamento aduaneiro. 

“Mais do que uma questão tributária, estamos diante de uma reconfiguração da estratégia logística entre os países”, afirma Luciano Zucki, cofundador e diretor da PLEX Logistics, companhia especializada em transporte internacional com sede em Miami. Segundo ele, empresas brasileiras precisam revisar seus custos logísticos, reavaliar modais e, principalmente, investir em previsibilidade nas operações. 

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), alumínio, autopeças e têxteis são os setores mais afetados, impactando diretamente os importadores da América Latina.O Brasil figura entre os principais parceiros comerciais dos EUA no Hemisfério Sul, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o que acende o alerta para possíveis gargalos nos fluxos logísticos. 

A PLEX Logistics tem atuado no assessoramento de embarcadores e operadores logísticos para mitigar riscos, otimizar processos e identificar oportunidades em mercados alternativos. “Nosso papel é orientar os clientes com base em dados, inteligência de mercado e alternativas de transporte mais competitivas”, reforça Zucki. 

A empresa mantém operações marítimas, aéreas e rodoviárias, com foco em soluções personalizadas para importação e exportação entre os dois continentes. 

Website: https://www.linkedin.com/company/plex-international-logistics/ 

TEXTO E IMAGEM: DIVULGAÇÃO 

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