Importação

Brasil encerra importação de mercúrio e envia resíduos tóxicos para a Alemanha

O Brasil decidiu zerar a importação de mercúrio em 2025 e vai desativar as últimas fábricas que ainda utilizam o metal no país. Como parte do processo, uma operação conjunta com a Alemanha foi montada para garantir que os resíduos tóxicos sejam enviados e armazenados em segurança no território europeu — medida que impede o desvio do material para o garimpo ilegal de ouro. A iniciativa é uma das ações apresentadas pelo governo brasileiro durante a Convenção de Minamata, realizada na Suíça, evento que trata dos impactos do mercúrio na saúde humana e no meio ambiente.

O mercúrio já teve diversas aplicações, como em lâmpadas, termômetros, cosméticos, amálgamas dentárias e na produção de cloro e soda cáustica. Com a modernização das indústrias, o uso do metal tem diminuído progressivamente. No Brasil, apenas as fábricas de cloro ainda utilizam o elemento em estado puro, e o governo Lula planeja eliminar completamente o uso até 2030. Desde 2025, o país não autoriza mais importações formais de mercúrio — as empresas de produtos odontológicos, por exemplo, já adquirem o material pronto. A partir de 2026, começa o descomissionamento das três últimas fábricas de cloro, em cumprimento aos compromissos internacionais firmados na Convenção de Minamata.

O mercúrio é um insumo essencial para o garimpo ilegal, usado na separação do ouro. Com o fim das importações e o fechamento das fábricas, o governo reduz as chances de desvios e contrabando. “Ao encerrar o uso industrial e restringir as entradas formais do produto, o Brasil fortalece o controle sobre o comércio e o uso do mercúrio, dificultando o abastecimento do mercado ilegal e reduzindo a contaminação ambiental”, explicou Adalberto Maluf, secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Durante o governo anterior, a atividade criminosa se expandiu, agravando o desmatamento em terras indígenas e a poluição dos rios. O caso mais grave ocorreu na Terra Indígena Yanomami, onde desde 2023 o governo realiza operações de desintrusão de invasores.

O contato com o mercúrio contamina rios e peixes, principais fontes de alimento de comunidades indígenas. Por ser um metal pesado, ele não é eliminado pelo organismo e pode causar danos permanentes. Pesquisas da Fiocruz mostram que a exposição ao mercúrio provoca deficiências cognitivas em bebês e fetos, além de problemas neurológicos e cardiovasculares em adultos, como perda de visão, dificuldade motora e risco aumentado de infarto.

Desde 2023, o Ibama realizou mais de 7 mil operações contra o garimpo ilegal apenas na Terra Yanomami, aplicando R$ 12 milhões em multas. O cálculo dos danos ambientais considera o desmatamento, a degradação dos rios e os efeitos do mercúrio sobre as populações locais. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontam que o contrabando de mercúrio tem origem em países como México, China, Rússia e Tajiquistão, chegando ao Brasil principalmente pelas fronteiras com Bolívia e Guiana. O preço do quilo de mercúrio nas zonas próximas aos garimpos varia entre R$ 3.600 e R$ 6.000, sendo transportado de forma clandestina em garrafas PET e botijões de gás.

No processo de desativação das fábricas brasileiras, os resíduos com mercúrio serão enviados à Alemanha, onde passarão por armazenamento seguro e tratamento especializado. O objetivo é impedir que o material seja reaproveitado por redes criminosas. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o procedimento envolve remoção e estabilização do metal, descontaminação das instalações, tratamento de efluentes e monitoramento ambiental e médico-ocupacional das áreas afetadas.

Nos últimos anos, as importações de mercúrio caíram drasticamente: de 27,5 toneladas em 2017 para 12 mil toneladas em 2024, chegando a zero em 2025. Entre os principais fornecedores estavam Japão, Suíça, Estados Unidos, Índia, México e Reino Unido. A redução marca um avanço nas políticas ambientais do Brasil e reforça o compromisso do país com os acordos internacionais de controle de poluentes.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

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Portos

Setor portuário do Brasil destina mais de R$ 512 milhões a ações ambientais e ESG

O setor portuário brasileiro aplicou R$ 512,4 milhões em iniciativas voltadas à sustentabilidade ambiental entre 2023 e 2024, segundo o estudo Diagnóstico de Sustentabilidade, divulgado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) em parceria com a Associação de Terminais Portuários (ATP).

O levantamento analisou 78 operadores portuários, divididos entre Portos Organizados (16), Arrendamentos (33) e Terminais de Uso Privado (TUPs – 29).

“Pela primeira vez na história do Brasil, lançamos um diagnóstico de sustentabilidade do setor portuário, acompanhado de um planejamento estratégico voltado à incorporação da agenda ESG às políticas do ministério”, afirmou o ministro Silvio Costa Filho.

Portos lideram investimentos ambientais no transporte nacional

De acordo com o MPor, o modal portuário lidera os aportes ambientais entre todos os segmentos logísticos — superando os setores aeroportuário e de navegação.

Dos R$ 512,4 milhões investidos, os Terminais Autorizados (TUPs) responderam por R$ 290,7 milhões, seguidos pelas administrações portuárias (R$ 138 milhões) e pelos arrendamentos (R$ 83,7 milhões).

O relatório aponta ainda uma forte adesão às boas práticas ambientais: 96,2% das empresas têm regularização ambiental, 73,1% mantêm políticas de sustentabilidade, e o mesmo percentual atua em projetos de descarbonização.

Avanços sociais e de governança no setor portuário

Além dos resultados ambientais, o setor portuário também se destacou na agenda social, com R$ 225,5 milhões aplicados em ações de equidade de gênero, combate ao assédio e relacionamento com comunidades locais.

Os TUPs novamente lideraram os aportes (R$ 181,6 milhões), seguidos pelas administrações portuárias (R$ 28 milhões) e pelos arrendamentos (R$ 15,9 milhões). A adesão aos indicadores também é expressiva: 88,46% dos operadores apoiam projetos sociais e de combate ao assédio, enquanto 87,18% mantêm canais de comunicação com a comunidade.

Na dimensão de governança corporativa, o setor destinou R$ 69,1 milhões e registrou uma aderência média de 77,9% aos indicadores. Os melhores resultados foram observados na existência de setores de compliance e estatutos sociais formalizados, ambos com 89,74% de adesão, além de 87,18% das empresas realizarem auditorias externas — reflexo de uma gestão mais transparente e madura.

Consolidação da agenda ESG nos portos brasileiros

O diagnóstico faz parte de um ciclo de ações do MPor voltado à consolidação da agenda ESG no transporte e na logística nacional, iniciado com a criação da Política de Sustentabilidade Portuária e do Pacto pela Sustentabilidade.

Com esses investimentos e avanços, o Brasil reforça o papel estratégico dos portos sustentáveis na transição para uma economia de baixo carbono e na promoção de práticas de governança e responsabilidade social.

FONTE: Agência Gov
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPortos

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Comércio Internacional

Brasil avança em negociações com China e União Europeia para criar mercado internacional de carbono

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil está em negociações avançadas com a China e a União Europeia para estabelecer um mercado internacional de carbono. O objetivo é integrar os sistemas de comércio de créditos de carbono e fortalecer a cooperação global no combate às mudanças climáticas. Em entrevista à TV Globo, Haddad destacou que a meta é anunciar a coalizão durante a COP30, conferência do clima da ONU que ocorrerá em Belém (PA), em novembro. Segundo ele, o governo brasileiro vem articulando o projeto para posicionar o país como protagonista na agenda ambiental global.

Entenda como funciona o mercado de carbono

O mercado de carbono é um sistema que recompensa empresas e governos que reduzem emissões de gases de efeito estufa. Quem polui menos gera créditos de carbono, que podem ser vendidos a quem ainda não consegue cumprir suas metas ambientais. Esse mecanismo incentiva a transição energética e acelera a redução do uso de combustíveis fósseis. “Você começa a levar em consideração o quanto de energia fóssil foi utilizada na produção de uma mercadoria, e esse processo de mensuração faz a transição energética acontecer mais rapidamente”, explicou Haddad.

Brasil quer liderar nova aliança climática

Além de integrar os mercados, a coalizão internacional pretende definir metas graduais de redução de emissões de carbono, estimulando práticas mais sustentáveis em escala global. Haddad ressaltou que o Brasil tem condições de liderar esse debate, como já demonstrou ao criar o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado na COP28, em Dubai, em 2023. O ministro acrescentou que o governo trabalha há dois anos para consolidar apoio de diversos países e abrir caminho para ações concretas na área ambiental. “Podemos ter uma grande coalizão em torno de um mercado internacional de carbono. Isso pode fazer toda a diferença, com equilíbrio econômico e incentivo à inovação tecnológica”, disse.

Ciência e tecnologia como aliadas da transição verde

Haddad também lembrou que o avanço tecnológico tem tornado a energia limpa cada vez mais acessível. Ele citou o exemplo das placas solares, cujo preço caiu drasticamente nos últimos anos, e defendeu o papel da ciência nesse processo. “A ciência está dando passos céleres em busca de soluções tecnológicas. Precisamos agir para que os países deixem de depender do petróleo”, concluiu.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Adriano Machado

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Comércio Exterior

Café sob ameaça: produção brasileira está à beira do colapso; entenda

O Brasil é o maior produtor mundial de café, com um ambiente único para o cultivo. Mas as condições nas principais regiões produtoras do sudeste, foram degradadas

Todos os dias, bebemos mais de 2 bilhões de xícaras de café em todo o mundo, segundo algumas estimativas, e a demanda continua crescendo.

Para cultivar os grãos que saciam essa sede, cada vez mais florestas têm sido derrubadas globalmente para a agricultura. Mas, em uma ironia ecológica e agrícola, quanto mais florestas são destruídas para cultivar café, mais as perspectivas de longo prazo da cultura são ameaçadas pelas mudanças nas chuvas, segundo um novo relatório da Coffee Watch, uma organização não governamental que monitora a indústria.

O grupo, cujos resultados foram publicados na quarta-feira, mapeou o desmatamento no cinturão cafeeiro do sudeste do Brasil e comparou com as mudanças nas chuvas e falhas nas colheitas na mesma região. Constatou que, à medida que empresas destruíam florestas locais para dar lugar a plantações, as chuvas nessas áreas diminuíram, o que levou a falhas nas colheitas, menor produtividade e, por fim, preços mais altos para os consumidores.

“A forma ecologicamente destrutiva como cultivamos café vai resultar em não termos café,” disse Etelle Higonnet, diretora do grupo.

“O desmatamento para o cultivo de café está matando as chuvas, que estão matando o café,” afirmou em entrevista por telefone. Se a tendência continuar, acrescentou, os agricultores produzirão menos mesmo com mais florestas sendo destruídas para abrir espaço para mais plantações.

O relatório argumenta que limpar florestas para atender à demanda por café vai agravar os padrões de chuva que já estão reduzindo a produtividade dos agricultores. (A produção de café está em risco porque a cultura é altamente sensível aos padrões de chuva e pouco resiliente à seca.)

As conclusões do relatório estão alinhadas com descobertas de cientistas brasileiros publicadas na revista Nature Communications no mês passado. O estudo constatou que o desmatamento na floresta amazônica brasileira levou a uma redução de cerca de 75% nas chuvas na região.

Os dados crescentes mostram que o desmatamento afeta as chuvas e outras condições de cultivo, que antes eram difíceis de quantificar sem ferramentas avançadas de mapeamento e análise.

A nova pesquisa surge enquanto o Brasil e outros países produtores de café enfrentam a União Europeia sobre uma lei que os obrigaria a fornecer informações sobre se o café vendido no bloco foi cultivado em terras recentemente desmatadas.

Brasil é o maior produtor mundial de café, com um ambiente único para o cultivo. Mas as condições nas principais regiões produtoras do sudeste, que ajudaram o café a prosperar — como chuvas confiáveis e pontuais e solo fértil — foram degradadas pelo desmatamento, afirma o relatório, e o corte de florestas continua.

Segundo a Coffee Watch, a seca de 2014 no Brasil foi um ponto de virada, quando a falta de chuvas se tornou praticamente anual. Desde então, quando chove, o momento muitas vezes não coincide com as necessidades das exigentes plantações de café. Simultaneamente, à medida que esses déficits de umidade continuam, o solo seca, prejudicando ainda mais o crescimento, conclui o relatório.

No ano passado, uma seca intensa no Brasil contribuiu para a escassez e picos selvagens nos preços globais do café, prenunciando problemas futuros. Embora o governo brasileiro tenha avançado na redução do desmatamento em algumas áreas nos últimos anos, uma crise de preços muito mais severa pode estar se formando se os ciclos anuais de chuva colapsarem. Até 2050, preços extremos podem se tornar a norma à medida que grande parte do cinturão cafeeiro brasileiro se torna menos produtivo, prevê a Coffee Watch.

Ainda assim, o desmatamento para expansão agrícola não é exclusividade do Brasil, e o cultivo de café não é a atividade agrícola mais problemática. A pecuária e o cultivo de soja são responsáveis por grande parte do desmatamento no Brasil e em outros lugares.

As florestas absorvem carbono e ajudam a regular o clima global, mas a alta demanda por commodities importantes, como o café, tem impulsionado o desmatamento mundialmente. Em 2023, a União Europeia adotou uma lei que obrigará os agentes da indústria de gado, madeira, cacau, soja, óleo de palma, café e borracha a provar que seus produtos não vêm de terras recentemente desmatadas.

Para manter o acesso ao mercado europeu, que consome mais café do que qualquer país ou bloco no mundo, agricultores em grandes países produtores e exportadores como Vietnã e Etiópia estão se preparando para fornecer dados de geolocalização sobre a origem de suas plantações.

O Brasil se opôs à legislação. No ano passado, pressionou por atrasos, escrevendo para a Comissão Europeia — braço executivo da União Europeia — que a lei é “um instrumento unilateral e punitivo que desconsidera leis nacionais,” conflita com princípios de soberania, discrimina países com recursos florestais e eleva custos de produção e exportação.

Em vez disso, propôs uma mudança na economia por trás do desmatamento e a criação de um fundo para pagar aos países em desenvolvimento uma taxa pela proteção das florestas. No próximo mês, o Brasil sediará a conferência climática anual das Nações Unidas na Amazônia e tentará avançar sua visão ambiental em meio a ventos políticos mutáveis e evidências crescentes de que continuar com os negócios como de costume não é uma opção a longo prazo.

No mês passado, a Comissão Europeia pediu um adiamento na implementação da lei de desmatamento, alegando que o sistema não está tecnicamente pronto.

Mas na terça-feira, a comissão anunciou requisitos reduzidos em vez de um adiamento total, com regras começando em momentos escalonados para grandes e pequenas empresas. A proposta, observou a comissão, ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu.

FONTE: The New York Times
IMAGEM: Dado Galdieri/The New York Times

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Sustentabilidade

Leilão de energia renovável da China sinaliza desafios para desenvolvedores de energia solar

Os preços da energia solar no primeiro leilão provincial da China sob seu novo mecanismo de precificação de energia renovável foram tão baixos que poderiam desencorajar novos investimentos em projetos no país, disseram analistas.

O leilão da semana passada realizado na província de Shandong, considerado um termômetro para os leilões nacionais, sinaliza que os preços das energias renováveis no futuro serão mais baixos do que no sistema anterior — embora não necessariamente tão baixos quanto em Shandong, onde um excesso de investimentos em energia solar fez com que os preços caíssem.

Com base nos resultados, “eu não seria muito otimista em outras províncias, a menos que seja em províncias litorâneas com forte crescimento de (demanda de) energia”, disse Alan Lau, analista da Jefferies.

O leilão faz parte de uma reforma anunciada em fevereiro com o objetivo de introduzir uma precificação de mercado no maior produtor mundial de energia renovável.

Anteriormente, os projetos de energia renovável na China contavam com uma taxa de retorno garantida, vinculada ao preço de referência do carvão. Isso oferecia aos desenvolvedores uma previsibilidade valiosa, mas corria o risco de gerar investimentos excessivos.

A partir de junho, os operadores da rede de transmissão local concederão contratos para novos projetos de energia renovável com base em leilões que determinam um preço de liquidação conforme o maior lance, após selecionar as propostas da menor para a maior até que a meta de geração da província seja atingida.

Os geradores renováveis devem vender no mercado, mas serão compensados se o preço cair abaixo do preço de compensação do leilão, ou preço de exercício.

Shandong, uma das principais províncias para energias renováveis, foi a primeira a realizar leilões.

O preço de liquidação para a energia solar foi de 225 iuanes (US$31,58) por megawatt-hora (MWh), de acordo com uma reportagem da mídia estatal na sexta-feira, citando a operadora de rede de Shandong. Os desenvolvedores poderiam apresentar propostas entre 123 iuanes/MWh e 350 iuanes/MWh.

Os investidores teriam dificuldades para obter uma taxa de retorno aceitável a esse preço, disse Lau.

Muitos dos projetos de Shandong já estavam concluídos e, portanto, estavam “desesperados” para vender sua energia a uma taxa fixa, disse Lauri Myllyvirta, cofundador do Centre for Research on Energy and Clean Air, com sede em Helsinque.

O sistema oferece mais segurança do que a alternativa de vender no mercado spot de Shandong.

Fonte: Reuters

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Portos, Sustentabilidade

Porto sem Papel já evitou o corte de 30 mil árvores e a emissão de 72 mil toneladas de CO₂

Desde 2011, digitalização dos processos portuários gera ganhos ambientais e fortalece o compromisso do Brasil com a sustentabilidade

O Programa Porto sem Papel (PSP), iniciativa do Governo Federal coordenada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, já acumula resultados expressivos no campo da sustentabilidade. Desde a sua criação, a digitalização dos processos portuários permitiu evitar o uso de aproximadamente 342,8 milhões de folhas de papel, o que equivale a 1.579 toneladas. O impacto representa a preservação estimada de 30,6 mil eucaliptos, reforçando o compromisso do setor portuário brasileiro com práticas mais sustentáveis.

Criado para reduzir a burocracia nos portos, o Porto sem Papel unifica em uma plataforma digital única todas as informações necessárias para a atracação e operação das embarcações. Antes, a rotina exigia a entrega de diversos formulários físicos a diferentes órgãos anuentes. Hoje, com a centralização dos dados, armadores e agentes de navegação podem iniciar o preenchimento do Documento Único Virtual (DUV) ainda durante a viagem do navio, antes da atracação. Esse procedimento garante maior previsibilidade, acelera a liberação e reduz o tempo de permanência das embarcações nos portos.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o Porto sem Papel é um marco na modernização do setor portuário e destacou que a digitalização dos processos traz ganhos de eficiência ao mesmo tempo em que reforça o compromisso do Brasil com a sustentabilidade. “Estamos mostrando que é possível modernizar o setor, reduzir burocracia e, ao mesmo tempo, contribuir para a preservação do meio ambiente”, disse.

Essa agilidade tem reflexos diretos na sustentabilidade: além da expressiva economia de papel, a digitalização também contribui para a diminuição do tempo de espera dos navios, o que impacta na redução do consumo de combustível e das emissões de gases do efeito estufa. Entre 2013 e 2024, o sistema evitou a liberação de cerca de 72 mil toneladas de CO₂ na atmosfera, resultado da maior eficiência operacional.

Para Antonio Teixeira, gerente de operações do GAC, empresa internacional de logística marítima com atuação no Brasil, o programa mudou a lógica de trabalho no setor. Segundo ele, hoje é possível preencher até 90% da documentação antes mesmo da chegada da embarcação, o que reduz o tempo de liberação de quatro ou cinco horas para até duas horas em alguns casos. “O Porto sem Papel é uma ferramenta absurdamente benéfica. Só vem melhorando e se consolidando como uma das melhores mudanças do setor nos últimos anos”, afirmou.

Ele destaca ainda que os benefícios vão além do aspecto ambiental. “Antes era preciso imprimir pilhas de papel e se deslocar até os órgãos. Hoje, tudo pode ser feito do escritório ou até em home office, algo impensável antes. Isso reduz deslocamentos, custos e até o estresse do trabalho”, acrescentou.

Na avaliação de Teixeira, o Porto sem Papel se tornou também sinônimo de qualidade de trabalho e de vida, além de ampliar a eficiência para quem utiliza corretamente o sistema.

Com resultados crescentes, a iniciativa se consolida como um dos principais marcos da modernização do sistema portuário brasileiro, alinhando competitividade com responsabilidade socioambiental.

Fontes:
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

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Portos

Comissão debate aspectos ambientais do sistema portuário

A comissão especial que analisa o novo marco regulatório para setor portuário brasileiro (PL 733/25) promove audiência pública nesta quarta-feira (27) sobre os aspectos ambientais do sistema portuário. O debate será às 14h30, no plenário 6.

A audiência pública atende a pedidos de diversos parlamentares.

O novo marco regulatório para o setor portuário brasileiro deve substituir o que está em vigor desde 2013 (Lei 12.815/13). Com 151 artigos, o PL 733/25 promove uma série de alterações na regulação, precificação dos serviços, contratação de mão de obra e licenciamento ambiental.

A proposta é de autoria do deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA) e replica o anteprojeto elaborado por uma comissão de juristas criada pela Câmara que estudou uma nova legislação para o setor portuário.

O relator é o deputado Arthur Oliveira Maia (União-BA).

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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Investimento, Portos

Portonave investe na preservação da restinga em Navegantes

O novo plano de recuperação, aprovado pelos órgãos ambientais municipais e estaduais, é um investimento de R$ 504 mil. Cerca de 6,5 mil mudas nativas serão produzidas e plantadas 🌱

A Portonave inicia um Plano de Recuperação de Área de Preservação Permanente Degradada (PRAD) da restinga das praias de Navegantes. Neste novo projeto, serão recuperados quatro trechos prioritários. A área total a ser restaurada é de 38.400 m². Foram considerados os pontos mais vulneráveis no bairro Meia Praia, onde em alguns pontos a restinga apresenta baixa densidade de vegetação arbustiva e herbácea, com maior exposição das dunas, presença de espécies exóticas invasoras e alto impacto das atividades humanas, como o descarte de resíduos.

As áreas a serem recuperadas foram indicadas pelo IAN, consistindo em aproximadamente 1.400 m², próximo ao ribeirão das Pedras; 20.000 m² entre as entradas 52 e 58 da praia; 11.600 m² entre os acessos 39 e 41; e 5.400 m² entre as entradas 34 e 36.

Além do plantio de 6,5 mil mudas nativas, o PRAD também prevê o controle de espécies exóticas invasoras – plantas que não são naturais da restinga – e que impedem o desenvolvimento das plantas nativas, além de reduzir a diversidade biológica do ecossistema. Nas áreas que serão recuperadas, as espécies exóticas invasoras já foram identificadas – 27 exemplares – e demarcadas para remoção por equipe técnica capacitada.

As áreas em recuperação serão protegidas com a instalação de cercas de contenção. O plano também contempla atividades de prevenção e controle do acesso de animais domésticos, adoção de medidas para conservação e atração de animais nativos dispersores de sementes, bem como a manutenção e monitoramento das áreas recuperadas por um período de 3 anos.

A preservação da restinga é de extrema importância devido ao papel que esse ecossistema tem na proteção da praia, principalmente pela fixação das dunas, que impedem o avanço do mar. Além disso, a vegetação também é essencial para a manutenção e equilíbrio da biodiversidade, uma vez que serve de abrigo de diversas espécies da fauna. Esse já é o segundo investimento que o Terminal Portuário realiza com o objetivo de restaurar o ecossistema costeiro em pontos em que se encontra degradado.

Etapas
A proposta do projeto teve início em 2022, com o envio das ações a serem executadas ao Instituto do Meio Ambiente (IMA). Em 2024, o órgão estadual aprovou a execução da compensação no formato proposto. A partir da aprovação iniciou-se o processo de contratação da empresa executora do PRAD, a Acquaplan Tecnologia e Consultoria Ambiental. O trabalho teve início em fevereiro, com a elaboração do plano e alinhamento junto ao Instituto Ambiental de Navegantes (IAN).

Como explica a responsável técnica do PRAD, professora e mestre em Oceanografia, Débora Lugli-Bernardes, o trabalho nos pontos determinados consiste em restaurar a cobertura vegetal da restinga. As mudas necessárias para o replantio são de espécies típicas desse ecossistema, e não há produtores dessa vegetação na região. “Desde abril, estamos coletando sementes e estolões (planta específica da restinga) nas dunas da orla da praia de Navegantes e em praias vizinhas, e desenvolvendo, com todo cuidado e técnica, as mudas que serão replantadas”, complementa. Segundo a prof.ª Débora, o objetivo é recuperar os processos ecológicos das áreas, monitorar a regeneração por meio de indicadores ambientais e avaliar a efetividade das ações de recuperação.

Neste mês, serão instaladas placas, com informações técnicas e legais do processo, nas passarelas e acessos das quatro áreas a serem recuperadas. Na sequência, serão iniciadas as demais atividades previstas para o projeto, como a remoção da vegetação exótica, plantio das espécies nativas e a instalação das cercas de proteção. O acompanhamento e a manutenção desse novo PRAD serão realizados por 3 anos pela Acquaplan. Quando concluído, o monitoramento da área seguirá sendo realizado pelos órgãos ambientais competentes.

Compensação ambiental
O PRAD atual é uma medida de compensação ambiental pela obra de adequação do cais da Portonave, iniciada em 2024. Cerca de R$ 504 mil serão destinados para a iniciativa pela empresa. Em 2016, como medida compensatória pelas obras de ampliação do pátio, a companhia desenvolveu o projeto “Nossa Praia” que, na época, além da recuperação da vegetação nativa, também revitalizou a orla da Praia de Navegantes com a construção de deques e passarelas ao longo de 10 km. Esse primeiro PRAD previa a manutenção e monitoramento da área por cinco anos. Concluído esse período, a área recuperada voltou a ser de responsabilidade dos órgãos ambientais competentes.

Sobre a Portonave
A empresa está localizada em Navegantes, Litoral Norte de Santa Catarina, e iniciou suas atividades em 2007, como o primeiro terminal portuário privado do Brasil. Atualmente, são 1,3 mil empregos diretos e 5,5 mil indiretos. No ranking nacional, a Portonave, em 2024, esteve entre os três portos que mais movimentam contêineres cheios de longo curso, sendo o primeiro em Santa Catarina, de acordo com o Datamar. Além do destaque pela excelência operacional, a Companhia está comprometida com as práticas ESG (Meio Ambiente, Social e Governança) e investe permanentemente em projetos que visam desenvolver a comunidade.

Para saber mais sobre o PRAD, assista ao vídeo:

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Portos, Sustentabilidade

Portos do Paraná mede pegada de carbono e prepara plano de descarbonização

A empresa pública Portos do Paraná está se preparando para uma nova fase em suas práticas de sustentabilidade. Com o recebimento do Inventário de Gases de Efeito Estufa, elaborado pela Fundación Valenciaport, a próxima etapa da Autoridade Portuária será a elaboração do plano de descarbonização dos portos paranaenses.

“O cálculo da pegada de carbono é fundamental para elaborarmos ações eficientes de ESG (ambiental, social e governança), sempre buscando o combate às mudanças climáticas”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

O estudo, apresentado durante a Intermodal 2025, em São Paulo, revelou que 89,2% das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) registradas em toda a região portuária em 2023 foram provenientes dos navios e não das atividades operacionais do porto. “É uma parceria da Valenciaport com a Portos do Paraná e nós vamos seguir firmes no propósito sustentável, que é o mesmo da humanidade em 2025”, declarou o secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná, Sandro Alex.

Confira a seguir um histórico da movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá a partir de janeiro de 2022. O gráfico foi elaborado com dados do DataLiner:

Movimentação de Contêineres no Porto de of Paranaguá | Jan 2022 to Mar 2025 | TEU

O inventário foi elaborado com base na metodologia internacional do GHG Protocol e no Guia Metodológico para o Cálculo da Pegada de Carbono em Portos, publicado por Puertos del Estado. No período analisado, as atividades do complexo portuário dos portos do Paraná emitiram cerca de 678 mil toneladas de CO₂ equivalente, distribuídas entre três escopos de análise.

O Escopo 1 refere-se às emissões diretas da Autoridade Portuária e representou apenas 2,7% do total. O Escopo 2, que contempla as emissões indiretas associadas ao consumo de energia elétrica, somou 0,1%. Já o Escopo 3, que inclui as emissões indiretas de outras atividades relacionadas às operações portuárias — como terminais, modais de transporte terrestres, serviços de apoio portuário e navios — totalizou 97,1% das emissões de GEE.

“No Escopo 3, a maior parte das emissões é proveniente dos navios, uma pequena parcela está relacionada à atuação da Autoridade Portuária devido ao uso de equipamentos elétricos, e outra pequena contribuição é dos demais atores da comunidade portuária, tais como arrendatários, operadores atividades de dragagem e também do transporte através dos modais rodoferroviários. Agora, com esses dados, poderemos estabelecer metas rumo a um futuro de carbono zero”, explicou João Paulo Santana, diretor de Meio Ambiente da Portos do Paraná.

Com a entrega do inventário, as próximas ações serão conduzidas em parceria com a Fundación Valenciaport para a elaboração de um Plano de Descarbonização, que incluirá o estabelecimento de metas, prazos e projetos socioambientais. “Este cálculo é um marco. Sem ele, não conseguiríamos planejar as etapas futuras. A partir deste estudo, vamos avançar com a equipe da Portos do Paraná nas ações que precisarão ser realizadas”, destacou o consultor de Inovação e Estratégia Portuária, Jonas Mendes Constante.

“Hoje, a Portos do Paraná entra de fato no século XXI, com esta faceta de transformação sustentável que não impacta apenas o porto, mas também a sociedade, a população e o meio ambiente do Brasil. É um dia muito importante e, a partir de agora, tudo será melhor para a Portos do Paraná”, concluiu Miguel Garin Alemany, diretor de Desenvolvimento Internacional da Fundación Valenciaport.

Fonte: Informativo dos Portos

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Industria, Informação, Inovação, Sustentabilidade

Regulação do mercado de carbono cria oportunidades para indústria de SC

Nidec apresentou desafios enfrentados para que a planta de SC fosse a primeira do grupo a ter emissões neutras durante reunião da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade.

A reunião da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) desta quarta-feira (12) trouxe a experiência da fabricante de compressores Nidec, de Joinville, rumo à descarbonização. A unidade, oriunda da Embraco, foi a primeira do grupo japonês a conquistar tal certificado no mundo, se antecipando em seis anos à meta corporativa.

A gerente de sustentabilidade corporativa da Nidec, Tatiana Valencia Montero, explicou que o primeiro passo da empresa foi fazer o inventário das emissões de forma sistemática, desde a época da Embraco. A partir dos dados, foi possível decidir por onde começar a atacar a questão. “O consumo de energia é um fator relevante, então começamos pela eficiência energética. O que não foi possível reduzir em consumo ou na mudança da matriz para fontes renováveis, compramos créditos de carbono”, explicou.

Os próximos desafios, segundo ela, são reduzir ainda mais as emissões, partindo para ações que envolvam a sua cadeia de valor, incluindo seus fornecedores, o chamado escopo 3. “Ser carbono neutro é uma oportunidade de se diferenciar, de reduzir custos e de mostrar para a sociedade que é possível fazer, trazendo resultados financeiros melhores para a companhia”, destacou. Além do benefício ambiental, as ações geraram uma economia de mais de R$ 4 milhões em gastos com gás natural e energia elétrica na Nidec.

Para o gerente sênior de componentes da Nidec, Rodrigo Dalla Vecchia, a empresa sempre inovou e buscou a eficiência energética em seus produtos. “Foi a inovação que permitiu fazer compressor de geladeira passar de 12 kg para 3 kg com a mesma capacidade, otimizando os materiais utilizados. Faz todo o sentido expandir a eficiência que conseguimos nos produtos para a eficiência da fábrica”, afirmou.

A compra de créditos de carbono – uma das estratégias usadas pela indústria de Joinville – e a regulação do mercado de carbono foram temas debatidos na reunião. O diretor de governança corporativa da LuxCS, Thiago Pamplona Müller, afirmou que a recente regulamentação do mercado de carbono no Brasil e traz conceitos modernos, é enxuta, simples e técnica.

Reunião híbrida da Câmara de Meio Ambiente debateu regulação do mercado de carbono. (Foto: Filipe Scotti)
Reunião da Câmara de Meio Ambiente debateu regulação do mercado de carbono.(Foto: Filipe Scotti)

O especialista do Instituto Senai de Tecnologia Ambiental, Charles Leber, que lidera as atividades do Hub de Descarbonização da FIESC, explicou que fazer o inventário de emissões é o primeiro passo da jornada rumo à descarbonização. Ele apresentou o primeiro inventário feito pelo Hub, com 36 empresas de SC. “A ideia é criar a cultura de empresas fazerem seus inventários, para que as micro, pequenas e médias empresas entendam a relevância e possam gerenciar suas emissões”, explicou.

O especialista lembrou que a tendência é de que a necessidade de reduzir emissões chegue às empresas de menor porte também, já que muitas delas integram a cadeia de valor de empresas que já adotam ações de descarbonização, e passarão a ser cobradas pelos clientes.

Fonte: FIESC
Regulação do mercado de carbono cria oportunidades para indústria de SC | FIESC

 

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