Tecnologia

China aposta em manufatura avançada para impulsionar inovação global em tecnologia

Indústria chinesa atrai investimentos estrangeiros e consolida protagonismo em veículos elétricos, robótica e computadores

O jornal Global Times destacou que a China vem transformando sua capacidade de manufatura em um motor global de inovação tecnológica, reunindo empresas de ponta, fábricas inteligentes e parcerias internacionais que reposicionam o país como líder em setores estratégicos. O movimento ficou evidente durante a World Manufacturing Convention 2025, realizada em Hefei, província de Anhui, que apresentou ao mundo lançamentos de veículos, computadores e soluções em robótica.

Um dos maiores atrativos da convenção foi o sedã premium MAEXTRO S800, desenvolvido pela JAC Motors em parceria com a Huawei. O carro de luxo combina design sofisticado, chassi digital e avançada tecnologia de condução inteligente. A produção ocorre na MAEXTRO Super Factory, uma planta totalmente digitalizada, equipada com mais de 1.800 robôs que automatizam processos de estamparia, soldagem, pintura e montagem.

“A participação da NIO na convenção ao longo dos últimos anos mostra como a manufatura chinesa evolui de forma contínua, com os veículos de nova energia puxando a transformação e gerando produtos cada vez mais qualificados”, afirmou Yu Dongming, gerente-geral da NIO em Anhui.

Robótica e fábricas inteligentes

Outro destaque foi a EFORT Intelligent Robot, fabricante chinesa de robôs industriais, que apresentou soluções em soldagem, pintura e manipulação avançada. “Podemos oferecer soluções completas de robótica inteligente para montadoras internacionais”, disse You Wei, presidente e CEO da empresa. Em 2024, a companhia vendeu mais de 16 mil robôs industriais, já reconhecidos por marcas como Maserati, BMW e Volkswagen.

As plantas da NIO e da Lenovo em Hefei também chamaram atenção. A LCFC Electronics Technology, hub de produção da Lenovo, fabrica anualmente 40 milhões de laptops — um em cada oito vendidos no mundo. Entre as inovações, foi apresentado o ThinkBook Plus Gen 6 Rollable Laptop, com tela expansível de 14 para 16,7 polegadas, que conquistou blogueiros e especialistas de tecnologia internacionais.

Energia e baterias de nova geração

No setor de energia, a Gotion High-Tech enfatizou o papel da manufatura inteligente como diferencial competitivo em suas 20 bases globais. “Com padrões unificados pela sede na China e replicados em todas as unidades, nossa capacidade de produção vem conquistando reconhecimento internacional”, destacou Chen Wei, executivo sênior da empresa.

O avanço da indústria chinesa também fortalece parcerias com multinacionais. O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, ressaltou que as linhas altamente automatizadas de Anhui estão entre as mais avançadas do conglomerado. “Até 2030, lançaremos cerca de 50 modelos elétricos e eletrificados neste mercado. Com parcerias locais, conseguimos acelerar em 30% o ciclo de inovação. Não estamos apenas planejando, estamos entregando”, afirmou.

Já a fornecedora de autopeças Marelli apontou que a força da manufatura chinesa acelera tanto o atendimento local quanto projetos globais. “As capacidades de inovação e produção da China nos permitem oferecer soluções personalizadas e rápidas para os clientes”, disse Stefano Petrilli, chefe global de operações da Marelli Propulsion.

Segundo dados oficiais, a China já conta com mais de 35 mil fábricas-modelo básicas e 230 de excelência, consolidando-se como referência mundial em manufatura inteligente. Em 2024, o país atraiu 826,25 bilhões de yuans (cerca de US$ 116,1 bilhões) em investimentos estrangeiros diretos, sendo 11,7% destinados à indústria de alta tecnologia.

Para Zhang Xianfeng, professor da Universidade de Tecnologia de Hefei, a indústria chinesa não apenas fortalece o mercado interno, mas também se tornou “um motor vital para o crescimento global da indústria de alta qualidade”.

Fonte: Brasil 247

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Economia, Industria

Indústria manufatureira desacelera mais do que o PIB

Enquanto o PIB cresceu 0,4% no segundo trimestre, em relação aos três meses anteriores, indústria da transformação registrou queda de 0,5%, refletindo aumento do custo do crédito e da inadimplência

A política monetária mais contracionista vem surtindo efeito na atividade econômica, tanto que o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou desaceleração para 0,4% em relação à alta de 1,4% nos três meses anteriores;

Entre os setores mais afetados pelos impactos dos juros mais elevados está a indústria da transformação, que registrou queda pelo segundo trimestre seguido e ainda teve uma contração mais profunda do que a do PIB, de 0,5%.

Enquanto isso, na média, o setor industrial apresentou variação positiva de 0,5% de abril a junho, na comparação com os três meses anteriores. Especialistas destacam os juros altos e o aumento do endividamento das famílias como fatores para que o consumo de bens duráveis encolha, afetando os dados da indústria da transformação.

Conforme dados do Banco Central, divulgados na semana passada, as novas concessões de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN) recuaram 2% nas operações de empréstimos para as famílias, somando R$ 644,1 bilhões. No acumulado do ano até julho, as novas contratações nominais avançaram 12,3% no volume total, mas com as concessões às famílias crescendo em ritmo menor, de 9,5%. Os dados do BC ainda mostram que a inadimplência vem crescendo de forma expressiva. Em julho, chegou a 5,2%, patamar mais elevado desde novembro de 2017.

No primeiro trimestre, a indústria de transformação recuou 1% em relação aos três meses anteriores, enquanto o PIB avançou 1,4% na mesma base de comparação. De acordo com analistas, no segundo trimestre, a indústria seguirá em queda, puxada por esse ramo de atividade. Os setores mais sensíveis à política monetária vêm enfraquecendo, com destaque aos bens de capital e bens de consumo duráveis.

Entidades do setor produtivo, como Confederação Nacional da Indústria (CNI) e coligadas, seguem criticando o atual patamar da taxa básica da economia (Selic), de 15% ao ano, e defendem que o Banco Central já deveria ter iniciado o ciclo de cortes de juros. Analistas, no entanto, estimam que a Selic só deverá começar a cair no início de 2026, em grande parte, devido ao desarranjo das contas públicas que tende a limitar o impacto da política monetária.

Perspectivas

Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento prevê recuo de 1% a 2% na produção do setor neste ano por conta dos juros mais altos. A maioria das vendas de eletrodomésticos da linha branca e da linha marrom e bens duráveis em geral, depende do crédito, porque é feita de forma parcelada. Além disso, ele ressaltou que, neste ano, não há os mesmos estímulos do governo de 2024, como o Desenrola (programa de renegociação de dívidas). “O setor teve uma boa performance em 2024, mas, neste ano, com os juros mais elevados e o endividamento das famílias está aumentando e a inadimplência também, estamos prevendo queda”, disse.

De acordo com Nascimento, o impacto do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de 50% sobre os produtos brasileiros nas indústrias do setor de eletroeletrônico no país é pequeno, porque as vendas para o mercado norte-americano “não chegam a 1% da produção nacional”.

E analistas alertam que a inadimplência já está nos maiores patamares do atual governo, dando sinais de que não deve parar de subir, mesmo com os estímulos para o crédito consignado para o trabalhador privado podem não garantir um avanço maior para a indústria. “De fato, já vemos taxas atualizadas negativas no volume de concessões de crédito de recursos livres também em julho, na recente nota de crédito divulgada nesta semana pelo Banco Central”, destacou Eduardo Velho, economista-chefe da Equador Investimentos.

 “As nossas exportações para os EUA são muito pequenas, e o tarifaço não impacta o nosso negócio. Mas, se houver reciprocidade do governo brasileiro, aí, sim, nossos insumos, como semicondutores e compressores, terão os preços elevados”, afirmou. Contudo, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avisou recentemente ao governo norte-americano que começou os estudos para adotar medidas de reciprocidade.

O presidente da Eletros ainda demonstrou otimismo de que as conversas do setor com o governo para a adoção de políticas públicas visando estimular a troca de eletrodomésticos mais eficientes, tanto no consumo de energia, quanto no consumo de água na produção, além do estímulo fiscal para as famílias de baixa renda mobiliarem as residências adquiridas por meio do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), devem ser retomadas no fim deste ano ou no início do ano que vem. “Estamos tentando retomar as conversas com o governo para essas políticas e buscamos também ampliar os estímulos para a logística reversa, dando destinação mais adequada aos aparelhos antigos na hora da troca”, destacou. 

Fonte: Correio Braziliense


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Internacional, Mercado Internacional

Manufatura dos EUA segue fraca em junho por tarifas

Esse foi o quarto mês consecutivo em que o PMI ficou abaixo da marca de 50, o que indica contração no setor que responde por 10,2% da economia

A manufatura dos Estados Unidos permaneceu lenta em junho, com o volume de novos pedidos mostrando fraqueza e os preços pagos pelos insumos aumentando, sugerindo que as tarifas do governo Trump sobre produtos importados continuaram a prejudicar a capacidade de planejamento das empresas.

O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou nesta terça-feira que seu PMI de manufatura subiu para 49,0 no mês passado, em comparação com a mínima de seis meses de 48,5 em maio.

Esse foi o quarto mês consecutivo em que o PMI ficou abaixo da marca de 50, o que indica contração no setor que responde por 10,2% da economia. Economistas consultados pela Reuters previam leitura de 48,8.

A pesquisa juntou-se aos dados fracos sobre o mercado imobiliário, os gastos dos consumidores e o aumento do número de desempregados, sugerindo que o impulso da economia desacelerou ainda mais no segundo trimestre, mesmo com a provável recuperação do Produto Interno Bruto uma vez que o peso de um déficit comercial recorde diminuiu devido à queda das importações.

Uma medida da demanda doméstica cresceu em seu ritmo mais lento em mais de dois anos no trimestre de janeiro a março. As tarifas abrangentes do presidente Donald Trump, que levaram as empresas e as famílias a antecipar as importações e as compras de produtos para evitar preços mais altos decorrentes das tarifas, confundiram o cenário econômico.

Economistas alertaram que pode levar algum tempo para que as distorções relacionadas às tarifas sejam eliminadas dos dados econômicos.

Fonte: InfoMoney

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Comércio, Industria

Brasil precisa priorizar a manufatura na relação com a China

Em artigo publicado no site da CNN, o presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o estreitamento com a China precisa incluir a indústria de transformação

O estreitamento da relação comercial entre o Brasil e a China precisa vir acompanhado de um protagonismo da nossa indústria de transformação, que hoje está em enorme desvantagem na balança comercial com o país asiático. A chamada indústria manufatureira – que engloba as atividades de transformar matérias-primas e insumos em produtos intermediários ou finais – é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Embora represente apenas 14,4% do PIB nacional, a manufatura responde por 47,6% das exportações de bens e serviços do país, por 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento, e por 25,6% da arrecadação de tributos federais.

Esses dados ilustram a importância da indústria de transformação para o desenvolvimento do país e mostram que a agropecuária não pode ser a única protagonista na relação com a China. Esse setor tem fundamental importância para o Brasil. Não se trata de reduzir a participação do agro, mas de ampliar o leque de atração de investimentos para a indústria da manufatura e de buscar espaço para que o nosso produto entre no mercado chinês.

A China foi o principal destino das exportações brasileiras em 2024, com US$ 94,4 bilhões, o que significa 28% do que exportamos no ano passado. O país asiático foi também a principal origem das nossas importações, com US$ 63,6 bilhões, o equivalente a 24,2% do que importamos. No entanto, quando falamos da indústria de transformação, a balança está longe, muito longe do equilíbrio: temos um déficit de R$ 45 bilhões entre o que vendemos e o que compramos de bens industriais.

O crescimento sustentado da China aumenta a demanda por produtos agropecuários, minerais e insumos industriais, favorecendo especialmente os setores de commodities no Brasil, mas também há espaço para o produto manufaturado. Precisamos de uma estratégia consistente e arrojada para abrir mais espaço para o produto de maior valor agregado da indústria brasileira na China.

Reafirmo. A indústria brasileira precisa ganhar espaço na relação bilateral com a China. As oportunidades estão surgindo, mas é imprescindível que o governo brasileiro impulsione políticas industriais e priorize a manufatura para equilibrar a balança comercial de produtos manufaturados, hoje muito desfavorável ao país.

Uma estratégia é focar em inovação, qualidade e diferenciação de produtos, em vez de competir apenas pelo preço. Precisamos investir em design, branding e atendimento especializado para agregar valor e criar nichos de mercado onde a simples vantagem de custo não é determinante. Além disso, a adoção de tecnologias avançadas de automação e gestão da produção, bem como a busca de parcerias comerciais mais amplas, fortalecerão a nossa competitividade.

Precisamos atrair investimentos produtivos da China, de forma que a presença asiática não se baseie apenas em exploração do nosso mercado para consumo de bens, mas em encadeamento produtivo, de forma que a parceria contribua para a neoindustrialização do Brasil e para a integração das nossas empresas a cadeias mais complexas e tecnológicas.  

Recentemente, atraímos empresas chinesas do setor automotivo e de eletrônicos na Bahia, em Goiás e no Amazonas. Esse movimento é essencial, mas ainda mais importante é garantir o encadeamento produtivo de forma que peças e equipamentos sejam fabricados no Brasil. A instalação de polos de pesquisa e desenvolvimento e a criação de novos parques fabris com parceiros chineses no país, como anunciados durante a visita do presidente Lula à China recentemente, precisam ganhar escala e integrar, irrevogavelmente, a agenda de negociações entre os países.

Outro exemplo do que o Brasil precisa nessa relação bilateral é o acordo que prevê a instalação do grupo Windey Energy Technology Group Co. no campus do SENAI CIMATEC, na Bahia. A parceria busca soluções em energia eólica, hidrogênio verde e sistemas de armazenamento de energia em baterias, com inovação aplicada e investimento para a instalação de fábricas de turbinas eólicas e sistemas para armazenamento de energia em baterias. Essa é mais uma medida que pode fortalecer a cadeia produtiva nacional e contribuir para a geração de empregos.

Podemos e devemos fabricar máquinas agrícolas em vez de importar esses equipamentos na China, como também precisamos explorar cada vez mais o nosso potencial para atender a elevada demanda mundial por minerais críticos, especialmente no contexto da transição energética.

A atração de Data Centers também é uma outra oportunidade que bate a nossa porta. Temos enorme disponibilidade de energias renováveis e podemos desenvolver em conjunto com parceiros comerciais tecnologias como super baterias para serem usadas em polos tecnológicos. Muitos países, como a China e os EUA, usam pequenas termelétricas para abastecer os Data Centers, enquanto nós temos condições de fazer centros de dados realmente verdes com energia totalmente renovável.

A ampliação do uso de políticas industriais ativas pós-pandemia e a recente guerra tarifária provocada pelos Estados Unidos mostraram ao mundo a extrema necessidade de os países protegerem e fortalecerem suas indústrias, sob o risco de perderem espaço e serem engolidos pelas tecnologias e investimentos de outras economias. Nesse cenário, precisamos manter diálogo aberto com países que querem acordos e relações de ganha-ganha.

O anúncio esta semana de acordos de cooperação entre Brasil e China, assinados durante visita do presidente Lula a Pequim, preocupa setores da indústria brasileira. Os investimentos chineses em infraestrutura são bem-vindos, mas não podemos abrir mão de produzir e exportar para a China, em detrimento de comprar produtos manufaturados chineses – o que enfraquece a indústria brasileira.

A baixa capacidade de agregação de valor no Brasil pode ser evidenciada pela realidade de que vamos exportar etanol para a China transformar em combustível da aviação e revender para o mundo. Esse não é o caminho. Precisamos ter capacidade e tecnologia para produzir e vender o produto final.

Os empresários industriais brasileiros entendem que o Brasil corre o risco de deixar a indústria da manufatura em segundo plano diante das oportunidades de estreitamento do comércio com a China. Precisamos aproveitar essa onda. Caso contrário, quem perderá será a indústria nacional.

Fonte: Portal da Indústria

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Comércio Exterior, Exportação, Informação, Logística, Notícias

CNIME projeta novo recorde

O Conselho Nacional das Indústrias Exportadoras Maquiladoras (CNIME) prevê um novo recorde de exportação para este ano; depois de relatar números mais altos nos primeiros dois meses de 2024.

Em fevereiro, a indústria maquiladora contou com mais de 1.500 novos empreendedores, refletindo o crescimento sustentado pelo setor.

Crescimento contínuo das exportações

Durante os dois primeiros meses de 2025, a indústria de maquiladoras exportou um total de US$ 200 milhões; superior a US$ 37 milhões ou que tenha sido alcançada no mesmo período de 2024. Natalia Cáceres, chef da Secretaria Executiva do CNIME, informou que o recorde de exportações de 2024, que chegou a US$ 1,119 bilhão, pode ser superado em 2025 no ritmo atual do homem.

Os setores mais proeminentes da maquila

As peças automotivas continuam sendo o principal setor da indústria maquiladora; seguindo-se têxteis, produtos alimentares, plásticos e seus fabricos. Atualmente, os produtos da maquila paraguaia são destinados a 45 mercados internacionais. Cáceres destacou a importância da maquila como força motriz para a internacionalização das empresas nacionais; e como atração para investimento estrangeiro.

Criação de emprego no setor maquilador

Em termos de emprego, o setor continua em expansão. Só em fevereiro, 1.542 novos empregadores foram criados no sistema maquiladora; ou que contribuíram para o total de mais de 32.000 empreendimentos diretos fora do setor, principalmente em autopeças e vestuário. A indústria maquiladora continua sendo um dos principais motores da economía paraguaia.

FONTE: Todo dia Logística News
CNIME projeta novo recorde – TodoLOGISTICA NEWS

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