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China abre investigação contra os EUA com foco em chips na véspera da reabertura de negociações, em Madri

Ação do governo chinês prepara um início tenso para reunião entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro He Lifeng para discutir questões econômicas e de segurança nacional

A China anunciou que abriu duas investigações direcionadas ao setor de tecnologia dos Estados Unidos que envolvem equipamentos eletrônicos como chips e inteligência artificial (IA). O anúncio surge um dia antes de uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências mundiais. Representantes de Pequim e Washignton se reúnem deste domingo até a próxima quarta-feira, na Espanha.

As investigações chinesas surgem logo após os EUA adicionarem mais 23 empresas baseadas na China à sua lista de entidades que impõem restrições a negócios ou de “agir de forma contrária à segurança nacional ou aos interesses de política externa dos EUA.”

O Ministério do Comércio chinês afirmou em comunicado neste sábado que abriu uma investigação antidumping relacionada a circuitos integrados (CIs) analógicos – de sinais mistos e de processamento de sinais digitais – fabricados nos Estados Unidos. Esses chips são muito usados ​​em equipamentos eletrônicos e são vendidos por empresas americanas como Texas Instruments e a Analog Devices.

Ao mesmo tempo, o ministério também iniciou uma investigação antidiscriminação sobre as medidas dos EUA contra o setor de chips chinês, de acordo com um comunicado separado.

A repreensão pública da China às medidas comerciais dos EUA prepara um início tenso para a reunião de vários dias entre altos funcionários de ambos os lados. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, deve se encontrar esta semana com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em Madri, para discutir comércio, questões econômicas e de segurança nacional.

As negociações ocorrem após meses de idas e vindas e uma pausa nas tarifas elevadas por Trump, com os dois países afirmando que buscam um acordo mutuamente aceitável.

Os semicondutores se tornaram um terreno-chave de disputa, à medida que os EUA cortaram o acesso da China aos aceleradores de inteligência artificial (IA) mais avançados e usaram o licenciamento de alguns hardwares menos potentes da Nvidia como moeda de barganha — embora autoridades chinesas tenham resistido e expressado reservas sobre riscos de segurança.

O estado instável das negociações também se manifestou recentemente com a primeira utilização chinesa de uma chamada investigação de anticircunvenção, que levou à imposição de tarifas antidumping sobre importações americanas de fibra óptica. Esse instrumento deve ter um papel maior no futuro, segundo a TV estata chinesal.

“Os EUA tomaram uma série de proibições e restrições contra a China no campo de circuitos integrados nos últimos anos, incluindo investigações 301 e medidas de controle de exportação”, disse um porta-voz do ministério do Comércio em outro comunicado. “Essas práticas protecionistas são suspeitas de discriminação contra a China e representam contenção e supressão do desenvolvimento de chips avançados e indústrias de alta tecnologia da China, como inteligência artificial.”

Funcionários do Representante de Comércio dos EUA e porta-vozes da Texas Instruments e da Analog Devices não responderam imediatamente a pedidos de comentário.

As discussões entre Bessent e He abordarão, entre outros assuntos, o status do TikTok, da ByteDance, um serviço que o presidente Donald Trump estimou poder valer até US$ 500 bilhões para os EUA. O TikTok tem até a próxima semana para chegar a um acordo que garanta a continuidade de suas operações nos EUA, embora esses prazos já tenham sido prorrogados várias vezes este ano.

Esforços para combater a lavagem de dinheiro também estarão na pauta, segundo o Departamento do Tesouro dos EUA.

A China afirmou em janeiro que investigará alegações de que os EUA despejam chips de menor qualidade e subsidiam injustamente seus próprios fabricantes de chips, marcando uma das respostas retaliatórias mais fortes de Pequim às sanções tecnológicas americanas.

A investigação antidumping terá duração de cerca de um ano e poderá ser estendida por mais seis meses, se necessário, enquanto a investigação antidiscriminação geralmente leva cerca de três meses, segundo o órgão regulador do comércio.

Fonte: O Globo

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Agricultores protestam nas ruas de Madri contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul

Cerca de 1.500 agricultores, segundo a polícia, e mais de 5.000, conforme estimativas de associações do setor, participaram de um protesto nesta segunda-feira (16) em Madri contra o que consideram “concorrência desleal” decorrente do acordo de comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

Em comunicado conjunto, duas das maiores associações de agricultores da Espanha, a Coag e a Asaja, afirmaram que “a proliferação de acordos de livre comércio da UE com outros países” é uma das maiores ameaças para o setor agrícola. O protesto também contou com o apoio das Cooperativas Agroalimentares espanholas.

De acordo com as associações, as importações de produtos agrícolas provenientes de países como os membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), Chile, Marrocos e Nova Zelândia, com preços abaixo dos custos de produção na UE e sem atender às normas de produção europeias, têm causado um impacto severo nos agricultores espanhóis e europeus. Isso resultaria em perdas insustentáveis e no fechamento de várias explorações agrícolas.

Além disso, as políticas agrícolas europeias, especialmente as regulamentações consideradas excessivamente burocráticas e rigorosas, já haviam gerado protestos em vários países da UE, incluindo a Espanha, no início do ano, antes das eleições para o Parlamento Europeu. A Asaja e a Coag, que organizaram protestos em Madri em fevereiro e março, reiteraram que suas reivindicações permanecem válidas.

Na manifestação de hoje, realizada em frente ao Ministério da Agricultura da Espanha, os agricultores direcionaram críticas não só à Comissão Europeia, mas também ao governo espanhol e ao ministro Luis Planas. Após as manifestações de fevereiro e março, Planas assinou um acordo com as associações de agricultores, comprometendo-se a implementar 43 medidas. No entanto, os manifestantes alegam que essas promessas ainda não foram cumpridas. Eles também questionaram onde estão as “cláusulas espelho” nos acordos de livre comércio da UE, que consistem em impor as mesmas regras de produção aplicadas na UE aos produtos importados.

Os agricultores lamentaram que o governo espanhol tenha sido um dos maiores defensores do acordo de livre comércio com o Mercosul dentro da UE. O presidente da Asaja, Pedro Barato, declarou que o acordo com o Mercosul representa uma “traição à agricultura espanhola”. Cartazes com slogans como “Concorrência desleal”, “Stop Mercosul”, “Não à concorrência desleal”, “Europa sem soberania alimentar não é Europa” e “Ursula von der Leyen, Cruella de Vil da agricultura” foram exibidos durante a manifestação no centro de Madri.

Ao som de chocalhos, vuvuzelas e petardos, dirigentes das organizações agrícolas afirmaram, por meio de alto-falantes, que os agricultores estão “fartos” após um ano de reivindicações. Eles prometeram uma “guerra” caso não haja respostas e garantiram que irão a Bruxelas para alertar os burocratas europeus sobre os danos causados pelas políticas da UE ao setor agrícola. Frases como “A agricultura não se vende, a agricultura se defende” e “Não ao Mercosul” foram repetidas pelos manifestantes.

O acordo de comércio entre a UE e o Mercosul foi formalizado em 6 de dezembro, em Montevidéu, e agora aguarda a ratificação por todas as partes envolvidas. A Espanha é o maior exportador de frutas e legumes da União Europeia.

Fonte: Gazeta Brasil

Agricultores vão às ruas de Madri contra acordo entre União Europeia e Mercosul

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