Sustentabilidade

Acordo Mercosul–UE pode fortalecer controle da origem da madeira brasileira

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é visto pelo setor florestal como uma oportunidade estratégica para ampliar o controle da origem da madeira brasileira. A presidente da AMIF (Associação Mineira da Indústria Florestal), Adriana Maugeri, afirmou que a iniciativa pode gerar impactos positivos que vão além da economia, especialmente no fortalecimento da rastreabilidade e da sustentabilidade ambiental.

Segundo Maugeri, o tratado incorpora exigências já adotadas pelo mercado europeu, com foco na garantia de que os produtos brasileiros sejam livres de desmatamento. A proposta, de acordo com ela, reforça mecanismos de monitoramento e transparência ao longo da cadeia produtiva.

Metas ambientais alinhadas a compromissos internacionais

Entre os pontos centrais do acordo estão compromissos ambientais considerados ambiciosos, como a redução de até 50% do desmatamento em curto prazo. As metas dialogam diretamente com os compromissos assumidos pelo Brasil em fóruns internacionais, como a COP30.

A expectativa do setor é que haja maior integração entre produtividade florestal e rastreabilidade da madeira, criando barreiras para a comercialização de produtos oriundos de áreas desmatadas ilegalmente e estimulando práticas mais responsáveis.

Diferenças de critérios desafiam a rastreabilidade

Um dos principais entraves destacados pela presidente da AMIF está na divergência entre os critérios adotados pelo Brasil e pela União Europeia para definir o que é desmatamento. De acordo com Maugeri, a legislação ambiental brasileira é ampla e detalhada, tanto em nível federal quanto estadual, e prevê situações de desmatamento legal, autorizado pelos órgãos competentes.

No entanto, essas autorizações nem sempre são reconhecidas pelos parâmetros europeus, o que dificulta a comprovação de que determinados produtos atendem às exigências internacionais. Para ela, há um descompasso na leitura das normas, mesmo quando o Brasil adota regras consideradas mais rigorosas do que as de diversos países europeus.

Minas Gerais como exemplo de produção e conservação

Maugeri destacou que o setor florestal mineiro demonstra, na prática, ser possível equilibrar produção econômica e preservação ambiental. Minas Gerais possui cerca de 2,3 milhões de hectares de florestas plantadas, número superior à área agrícola do estado.

Além disso, o setor é responsável pela conservação de mais de 1,3 milhão de hectares de vegetação nativa, reforçando o papel da atividade florestal como aliada da conservação ambiental.

Cenário internacional e diversificação de mercados

No cenário externo, a China, um dos principais destinos da celulose brasileira, tem sinalizado a intenção de ampliar sua autossuficiência em papel e produtos florestais. Para a presidente da AMIF, esse movimento exige tempo, tecnologia e adaptações estruturais, áreas nas quais o Brasil ainda mantém vantagem competitiva.

Ela avalia que o país asiático enfrenta desafios relacionados ao uso do território, especialmente na conciliação entre produção de alimentos e madeira. Ao mesmo tempo, a aproximação da China com outros países da Ásia tende a ampliar a concorrência para o Brasil.

Diante desse contexto, o setor aposta na diversificação de mercados e no aumento das aplicações da madeira. Considerada um material do futuro, a madeira pode ser utilizada na produção de energia, biocombustíveis, tecidos, alimentos e mais de 5 mil bioprodutos. Dados da FAO indicam que o consumo global de madeira pode dobrar até 2050.

FONTE: CNN Money
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Money

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