Comércio, Comércio Exterior

Chanel registra queda de 30% no lucro em meio à crise global no mercado de luxo

Receita da empresa caiu 4,3% em uma base comparável enquanto ela aumentou os gastos com marketing para permanecer visível em meio à recessão do setor de alto padrão

O lucro da Chanel despencou no ano passado depois que a empresa de capital fechado aumentou os gastos com marketing para se manter visível em meio a uma recessão no setor de luxo.

O lucro operacional caiu 30%, para US$ 4,48 bilhões, uma vez que a receita caiu 4,3% em uma base comparável, disse a empresa em um comunicado na terça-feira (20). A região que inclui a China – que gera cerca de metade da receita da Chanel – registrou uma queda de 7,1% nas vendas.

A queda ocorreu em um momento em que o mercado de luxo luta para sair de um período de crescimento lento causado, em parte, pelos compradores chineses que estão reduzindo suas compras caras.

A perspectiva do setor ficou ainda mais sombria depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou tarifas globais no mês passado. Até mesmo empresas que já foram prósperas, como a LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton, registraram vendas decepcionantes até agora neste ano.

A Chanel foi duramente atingida pela volatilidade macroeconômica no ano passado, particularmente na China, disse a CEO Leena Nair em uma ligação com a Bloomberg, afastando as preocupações de que a Chanel tivesse sido gananciosa demais na era pós-pandemia com os preços de alguns de seus produtos mais populares, como a bolsa flap que agora custa mais de € 10.000 (US$ 11.245).

“Nosso desempenho em 2024 seguiu-se a um período de crescimento sem precedentes para a Chanel, no qual as receitas quase dobraram nos três anos anteriores”, disse Nair.

Ainda assim, a queda nas vendas e o colapso nos lucros da Chanel são surpreendentes, uma vez que a grife criada há mais de um século por Gabrielle “Coco” Chanel é considerada uma das marcas mais exclusivas e resistentes da indústria da moda, atendendo aos clientes mais ricos do mundo. As vendas caíram 4,2% nas Américas e aumentaram 0,6% na Europa.

“Uma empresa do nosso porte, que está passando por uma mudança de ciclo tão grande, acho que temos que ajustar nossa estrutura em diferentes locais da organização”, disse o diretor financeiro Philippe Blondiaux durante a teleconferência.

“Vamos monitorar os custos com muito cuidado para estabilizar as margens”, acrescentando que a Chanel espera que o número de funcionários fique estável neste ano, depois de um aumento de 5,1% no ano passado. No início deste ano, a Chanel anunciou 70 cortes de empregos nos EUA.

O grupo privado gastou cerca de US$ 2,4 bilhões em “atividades de apoio à marca” no ano passado, o que reduziu os lucros, disse Blondiaux no comunicado.

O desempenho da Chanel pode ter sido agravado por outros fatores.

A divisão de moda do grupo viu a saída de sua designer-chefe Virginie Viard em junho. Em dezembro, a empresa nomeou seu sucessor, Matthieu Blazy, que deve apresentar sua coleção de estreia na semana de moda de Paris em outubro.

Os clientes geralmente reduzem os gastos com uma marca quando ela está passando por uma transição criativa. Além disso, pode levar cerca de meio ano para que as novas peças de um estilista sejam comercializadas, o que significa que o impacto das criações de Blazy poderá ser sentido somente a partir do próximo ano.

“Não estamos nos concentrando apenas na coleção de outubro, mas em todas as coleções que virão nos próximos anos, porque sabemos que uma visão leva tempo para se desenvolver”, disse Nair.

Separadamente, a empresa disse que está adiando o aumento dos preços de seus produtos de moda nos EUA enquanto aguarda uma decisão final sobre as tarifas do presidente Donald Trump.

Ao contrário de alguns de seus rivais, a empresa diz que quer aguardar o resultado das discussões sobre os impostos. No mês passado, Trump impôs uma tarifa inicial de 10% sobre os produtos provenientes da União Europeia, ao mesmo tempo em que suspendeu os planos de uma taxa de 20% até o início de julho.

“Achamos que a melhor postura a ser tomada e a mais responsável, com certeza, é esperar para ver qual será o resultado final dessa decisão”, disse Blondiaux. “É muito cedo para decidir agora, neste período de incerteza.”

Grandes empresas do setor de luxo, como LVMH, Hermès e Richemont, proprietária da Cartier, aumentaram recentemente os preços de seus produtos nos EUA.

A Chanel investiu em propriedades, gastando cerca de US$ 600 milhões somente no ano passado, principalmente para comprar um edifício na elegante Avenue Montaigne, em Paris, onde tem uma loja, bem como outra na rue Cambon. A Chanel também fechou um acordo para sua futura flagship em Nova York, acrescentou Blondiaux, sem revelar o local exato.

O conselho da Chanel é liderado pelo presidente executivo global Alain Wertheimer, de 76 anos, que é coproprietário da marca com seu irmão, Gerard. Suas fortunas são estimadas em cerca de US$ 42,3 bilhões cada, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

Fonte: Bloomberg Línea

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Operação desvenda fraude milionária de vinhos falsificados

Uma operação conduzida pela polícia internacional nas fronteiras da França e Itália revelou um esquema sofisticado de falsificação de vinhos, que resultou na apreensão de diversos fraudulentos rendendo mais de € 2 milhões. A investigação, destacada pela Sky News, culminou na prisão de sete suspeitos, envolvidos na produção e distribuição de vinhos contrafeitos em territórios europeus.

Transformação de Vinhos Baratos em Tesouros Valiosos

A quadrilha operava disfarçando vinhos de baixo custo sob a prestigiada fachada de raras safras francesas, especificamente rotuladas como Grand Cru. Com essa estratégia, os vinhos eram oferecidos no mercado por valores exorbitantes, podendo alcançar até € 15 mil por garrafa. Especialistas e autoridades locais destacam a destreza dos criminosos, que conseguiam enganar comerciantes respeitados com produtos cuidadosamente falsificados.

Durante as incursões, a polícia encontrou uma variedade de equipamentos especialmente projetados para tampar garrafas e ferramentas tecnológicas como computadores e smartphones. Além disso, relógios de luxo avaliados em cerca de € 1,4 milhão foram confiscados, indicando o estilo de vida opulento dos envolvidos no esquema. Os resultados das buscas deixaram clara a extensão e sofisticação do processo de falsificação em uma ampla rede transnacional.

Impacto no Mercado e Repercussões Futuras

As apreensões geraram preocupações no mercado de consumo de vinhos, já que muitos colecionadores e consumidores descobrirão, futuramente, terem investido fortunas em produtos de qualidade inferior. A surpresa desagradável irá ocorrer, potencialmente, anos após a aquisição, quando as garrafas forem finalmente abertas. Isto não apenas representa um golpe financeiro, mas também uma quebra de confiança em um dos setores mais valorizados da indústria de bebidas.

Preocupações com a Reação de Clientes

A polícia expressou receios quanto ao descontentamento dos consumidores internacionais que, inadvertidamente, adquiriram as bebidas falsas. Estas circunstâncias trazem à tona a questão da segurança e autenticidade dos produtos de luxo no mercado global, levantando debates sobre a necessidade de medidas mais rigorosas e inovadoras para evitar fraudes no setor de alta relevância econômica e cultural.

Operação desvenda fraude milionária de vinhos falsificados – Terra Brasil Notícias (terrabrasilnoticias.com)

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