Logística

Planejamento Hidroviário Nacional prioriza previsibilidade logística e prepara novos editais para 2026

A navegação interior vem se consolidando como eixo estratégico da logística nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde a malha rodoviária é menos capilarizada. Diante da sazonalidade hidrológica, marcada por períodos de seca e cheia, o Planejamento Hidroviário Nacional foi estruturado para reduzir riscos operacionais e garantir a circulação de insumos essenciais, além do escoamento de safras agrícolas e minérios.

Governança compartilhada busca eficiência e controle

A gestão do setor hidroviário brasileiro está distribuída entre quatro instâncias. O Ministério de Portos e Aeroportos define diretrizes e prioridades; a Marinha do Brasil responde pela segurança da navegação; o DNIT atua na manutenção e dragagem; e a Antaq é responsável pela regulação e fiscalização. Esse arranjo institucional busca assegurar transparência, segurança jurídica e controle público sobre os ativos da União.

Dragagem e concessões sustentam a previsibilidade

A dragagem de manutenção é considerada um dos principais pilares para a estabilidade das rotas hidroviárias. A atividade consiste na remoção de sedimentos acumulados para preservar o calado em trechos já operacionais, sem modificar o curso natural dos rios.

Em paralelo, o governo avança no modelo de concessões hidroviárias. De acordo com a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, a concessão não representa privatização do leito, mas a delegação de serviços específicos, como sinalização, balizamento e manutenção, sob regulação estatal. A iniciativa busca ampliar a eficiência operacional, mantendo a fiscalização da Antaq e assegurando regularidade ao transporte de cargas e passageiros.

Hidrovias prioritárias no Plano Geral de Outorgas

O Plano Geral de Outorgas (PGO 2023) definiu seis projetos prioritários para estudos de viabilidade e modelagem de concessão. Entre eles estão hidrovias estratégicas da Bacia Amazônica, como os rios Madeira, Tapajós e Tocantins; o Rio Paraguai, fundamental para o escoamento do Centro-Oeste; a Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul; e a chamada Hidrovia Verde, na região da Barra Norte.

A inclusão desses projetos no Programa Nacional de Desestatização (PND) indica prioridade técnica, mas a publicação dos editais ainda depende da conclusão dos estudos e da realização de audiências públicas.

Rio Paraguai lidera cronograma para 2026

Entre os projetos em andamento, a Hidrovia do Rio Paraguai (Tramo Sul) apresenta o estágio mais avançado. Com cerca de 600 quilômetros de extensão, ligando Corumbá (MS) à foz do Rio Apa, o trecho é considerado estratégico para o comércio exterior do Mercosul. A expectativa do governo é lançar o edital de concessão no primeiro semestre de 2026.

Já as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós seguem em fase de modelagem, com atualizações previstas ao longo de 2026. A Hidrovia Verde continua sendo desenvolvida sob diretrizes de sustentabilidade ambiental. A coordenação entre Executivo e órgãos reguladores tem como meta reduzir o Custo Brasil e tornar o transporte hidroviário um modal mais previsível para grandes embarcadores e comunidades que dependem da rede fluvial.

FONTE: MPOR
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Sustentabilidade

Licitação da Hidrovia Paraguai-Paraná reacende polêmicas e levanta dúvidas sobre transparência e impacto ambiental

A Hidrovia Paraguai-Paraná, principal eixo do comércio fluvial da Argentina, voltou ao centro do debate público com o lançamento da Licitação Pública Nacional e Internacional nº 1/2025, que definirá a nova concessão da Via Navegável Troncal. O processo, publicado no Boletim Oficial em 19 de dezembro de 2025, é marcado por questionamentos judiciais, críticas técnicas e alertas sobre riscos econômicos e ambientais.

O que prevê a nova licitação da Hidrovia

O edital abrange o trecho que vai do quilômetro 1.238 do rio Paraná até as águas profundas do rio da Prata exterior, no km 239,1 do canal Punta Indio. Desde junho de 2021, esse segmento está sob gestão da Administração Geral de Portos (AGP), conforme o Decreto 427/21.

Trata-se da terceira tentativa de licitação desde o fim da concessão original dos anos 1990. As iniciativas anteriores foram alvo de impugnações e críticas da Procuradoria de Investigações Administrativas, que apontou falhas nos procedimentos e na condução administrativa.

Concorrência limitada e suspeitas de esvaziamento

No chamado anterior, previsto inicialmente para janeiro de 2025 e prorrogado até fevereiro, apenas a empresa belga DEME apresentou proposta. A baixa concorrência levantou dúvidas sobre a efetiva competitividade do certame e levou à atuação da Comissão Nacional de Defesa da Concorrência.

Após o episódio, autoridades do governo defenderam a licitação e alegaram que houve manobras para inviabilizar a comparação de propostas econômicas. Segundo a versão oficial, o esvaziamento da disputa teria prejudicado diretamente os produtores argentinos.

A DEME ofereceu executar serviços de dragagem e manutenção sem aumento de custos, com valores até 30% inferiores aos praticados anteriormente pela Jan De Nul, que mantinha contrato direto após a anulação da licitação de 2021/2022.

Histórico judicial e fragilidades no processo

A licitação também é analisada à luz da Causa Cuadernos, investigação em que o empresário Benjamín Romero, do grupo EMEPA e sócio local da Jan De Nul, admitiu pagamentos ilegais relacionados à prorrogação da concessão. O caso foi encaminhado para julgamento oral, apesar de tentativas de encerramento mediante reparação financeira.

No caminho até o novo edital, foram realizadas mesas de trabalho com participação restrita e repetição dos mesmos convidados, sem abertura a novos interessados. Na prática, os encontros funcionaram como apresentações formais, sem debates técnicos aprofundados.

Ausência de estudo ambiental gera críticas

Outro ponto sensível foi a realização de uma audiência pública sem a apresentação de um estudo de impacto ambiental. A ausência do documento provocou forte rejeição entre especialistas e participantes, colocando em xeque a sustentabilidade do projeto.

A Hidrovia Paraguai-Paraná é essencial para o escoamento da produção agroexportadora e possui impacto direto sobre ecossistemas e economias regionais, o que reforça a necessidade de análises ambientais consistentes.

Falta de consultas técnicas estratégicas

Não há registros de consultas formais a órgãos técnicos fundamentais, como a Prefectura Naval Argentina, o Instituto Nacional da Água, o Serviço de Hidrografia Naval ou o Serviço Meteorológico Nacional. Também não foram consideradas parcerias internacionais, como o memorando firmado entre a AGP e o US Army Corps of Engineers, voltado à gestão de recursos hídricos e proteção ambiental.

Fatores estruturais, como mudanças climáticas, variações nos ciclos hidrológicos e alterações no uso do solo no Brasil e no Paraguai, também ficaram fora do planejamento. Entre 2022 e 2025, o nível do rio Paraná chegou a cair mais de dois metros na região de Rosário, afetando diretamente os custos logísticos e de exportação.

Custos adicionais e impacto na competitividade

Além de dragagem e balizamento, a concessão exige serviços como contenção de derramamentos, salvamento, remoção de embarcações afundadas e manutenção de equipamentos de navegação. Essas atividades já são realizadas por órgãos públicos ou empresas privadas, mas passarão a ser responsabilidade do concessionário por 25 anos.

A incorporação de dívidas históricas da AGP ao contrato tende a elevar o valor dos pedágios, pressionando ainda mais a competitividade do setor produtivo argentino.

Um processo estratégico sob alerta

A Licitação 1/2025 da Hidrovia Paraguai-Paraná evidencia os desafios de administrar uma infraestrutura fluvial estratégica. Entre antecedentes judiciais, críticas à transparência, ausência de estudos ambientais e riscos econômicos, especialistas defendem um processo mais técnico, participativo e rigoroso para garantir benefícios reais aos produtores e à economia do país.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

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Transporte

Transporte hidroviário no Norte movimenta 107 milhões de toneladas e reduz emissões de CO₂

Os rios do Norte do Brasil seguem como eixo estratégico da logística nacional. Dados recentes mostram que as hidrovias das regiões Amazônica e Tocantins-Araguaia movimentaram 107,4 milhões de toneladas de cargas no último ano, volume que corresponde a 89% de todo o transporte fluvial do país. Além da escala, o modal se destaca pelo desempenho ambiental, com emissões de CO₂ significativamente menores em comparação a outros meios de transporte.

Hidrovias amazônicas ganham força com o agronegócio

O uso dos rios sempre foi essencial para a mobilidade e o abastecimento das cidades ribeirinhas da Amazônia, muitas delas totalmente dependentes do transporte fluvial. No entanto, a intensificação da logística de cargas ganhou força a partir da expansão do agronegócio, que passou a utilizar os portos do Arco Norte para escoar a produção à medida que as fronteiras agrícolas avançaram para o norte do Centro-Oeste.

Segundo especialistas, esse movimento alterou de forma estrutural o papel das hidrovias na economia regional e nacional, consolidando o transporte fluvial como alternativa estratégica para grandes volumes.

Amazônia concentra mais de 80% das vias navegáveis do país

A geografia brasileira favorece o modal. O país possui cerca de 20,1 mil quilômetros de vias economicamente navegáveis, sendo que aproximadamente 16 mil quilômetros estão na Amazônia. Isso significa que a região concentra 80,79% da malha hidroviária brasileira.

De acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as bacias Amazônica e Tocantins-Araguaia respondem pela quase totalidade da carga transportada por rios no Brasil.

“O transporte fluvial de cargas teve um crescimento expressivo a partir de 2014, com a entrada das empresas especializadas no escoamento de granéis agrícolas”, explica Hito Braga de Moraes, diretor do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Soja e milho lideram cargas transportadas pelos rios

Produtos como soja e milho representam cerca de 50% do volume transportado pelas hidrovias do Norte. A partir dos portos fluviais e marítimos da região, navios de maior porte assumem a etapa seguinte da logística, por meio da cabotagem, distribuindo cargas para outras regiões do Brasil e para países do Mercosul.

“O sistema hidroviário permite integrar longas distâncias com eficiência, conectando o interior do país aos principais mercados”, destaca Paulo Resende, diretor do Núcleo de Infraestrutura e Logística da Fundação Dom Cabral.

Comboios de barcaças ampliam eficiência logística

O grande diferencial do transporte hidroviário amazônico está nos comboios de barcaças. Essas composições, formadas por diversas barcaças empurradas por um rebocador, podem transportar até 75 mil toneladas em uma única viagem.

Um exemplo é a operação da Transportes Bertolini, que já realizou o envio de um comboio a partir de Porto Velho, pelo rio Madeira, com carga equivalente a mil caminhões rodoviários de uma só vez.

“Trata-se do modal mais eficiente para longas distâncias e grandes volumes, com menor impacto ambiental por tonelada transportada”, afirma Décio Amaral, CEO da Hidrovias do Brasil.

Menor emissão de CO₂ reforça vantagem ambiental

Além da capacidade logística, o transporte hidroviário se destaca pelos ganhos ambientais. Um estudo da Future Climate Group aponta que comboios de barcaças emitem até 73% menos CO₂ do que o transporte rodoviário e 36% menos do que o modal ferroviário.

Esse desempenho reforça o papel das hidrovias como solução estratégica para reduzir custos, aumentar a eficiência logística e contribuir para metas de descarbonização do transporte no Brasil.

FONTE: ABTRA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

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Exportação

Hidrovias ganham protagonismo na exportação de soja e milho

Integração logística fluvial encurta distâncias, reduz custos e amplia a competitividade do agronegócio brasileiro

As hidrovias ganham protagonismo na matriz de exportação brasileira e já se consolidam como corredores estratégicos para o escoamento de soja e milho. Boa parte da produção tem origem no Centro-Oeste, principal polo agrícola do país, e segue em direção aos portos do Arco Norte, reduzindo custos logísticos, encurtando distâncias e ampliando a competitividade do agronegócio no cenário global.

De janeiro a julho deste ano, a região movimentou 19,9 milhões de toneladas de grãos pelos portos organizados da Amazônia, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A maior parte percorreu a hidrovia do Rio Amazonas, com 10,26 milhões de toneladas, seguida pelos rios Pará (4,65 milhões), Tocantins (4,59 milhões) e Tapajós (430,1 mil).

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destaca que esse desempenho reforça o papel estratégico da navegação interior. “A navegação interior é um vetor estratégico para o Brasil. Com o trabalho da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, temos investido em dragagens, derrocamentos e integração logística para transformar os rios em protagonistas da exportação de grãos. Isso reduz custos, gera competitividade e garante previsibilidade aos exportadores.”, disse.

Destaques

Os embarques se concentraram em cinco principais portos:

  • Terminal de Vila do Conde (PA), com 3,94 milhões de toneladas;
  • Terminal Portuário Graneleiro de Barcarena (PA), com 3,79 milhões;
  • Terminal Graneleiro Hermasa (AM), com 3,70 milhões;
  • Santarém (PA), com 3,60 milhões;
  • Terminal Portuário Novo Remanso (AM), com 2,35 milhões.

Grande parte desse volume percorreu quatro das principais hidrovias do país. O Rio Amazonas atua como o grande corredor de integração, ligando diversos terminais fluviais aos portos do Arco Norte. O Rio Pará conecta as regiões de Miritituba e Santarém ao Porto de Vila do Conde, um dos mais importantes para a exportação de grãos, que lidera a movimentação de cargas na região Norte em 2025.

O Rio Tocantins permite o escoamento da produção do Centro-Oeste em direção ao Norte, favorecendo a integração logística. Já o Rio Tapajós é fundamental para o transporte de cargas entre Miritituba, Santarém e Vila do Conde, consolidando a rota de grãos pela região.

Essas rotas fluviais fortalecem o papel do Arco Norte, que, em 2024, respondeu por 34,8% das exportações de soja e por 46% das exportações de milho, segundo o Anuário Agrologístico 2025, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Antunes, reforça que os investimentos em navegação interior estão mudando a matriz de exportação brasileira. “As hidrovias são um ativo estratégico de grande potencial. Cada investimento amplia a eficiência, aproxima regiões produtoras dos portos do Arco Norte e garante um transporte mais limpo e competitivo. Nosso objetivo é que a navegação interior deixe de ser alternativa e se consolide como eixo central da logística nacional”, referiu.

“Cada investimento amplia a eficiência, aproxima regiões produtoras dos portos do Arco Norte e garante um transporte mais limpo e competitivo” Dino Antunes

A China segue como principal destino das exportações, com 7,49 milhões de toneladas até julho. Em seguida aparecem Espanha (2,85 mi/ton), Turquia (1,63 mi/ton), Argélia (829,4 mil/ton) e México (768,9 mil/ton), confirmando a diversificação de compradores e a solidez da cadeia logística nacional.

Desenvolvimento e futuro

O fortalecimento das hidrovias é parte central da política pública de modernização da logística nacional. Além de reduzir a pressão sobre rodovias, aumentar a segurança do transporte e gerar empregos em toda a cadeia do agronegócio, a navegação interior garante eficiência estrutural ao escoamento da produção.

O Ministério de Portos e Aeroportos vem direcionando recursos, com a meta de manter rios estratégicos navegáveis durante todo o ano. O objetivo é oferecer previsibilidade aos operadores, segurança para os exportadores e sustentação à expansão do agronegócio brasileiro.

Mais do que corredores de exportação, as hidrovias representam a integração entre o interior produtivo e os mercados globais. Ao transformar rios em vias permanentes de comércio exterior, o Brasil fortalece sua infraestrutura logística e consolida sua liderança mundial não apenas na produção e exportação de soja e milho, mas também de outras commodities agrícolas estratégicas.

FONTE:
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

IMAGEM:
Reprodução/Portos e Aeroportos

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