Internacional

Maasvlakte 2: megaprojeto criou 2.000 hectares de porto no Mar do Norte em Rotterdam

O Maasvlakte 2, em Rotterdam, é um dos maiores projetos de engenharia portuária da Europa. A iniciativa não ampliou uma área existente, mas criou 2.000 hectares de novo território portuário dentro do Mar do Norte, sobre sedimentos marinhos instáveis. A obra reposicionou fisicamente o porto em direção ao mar aberto e redefiniu a escala da infraestrutura logística europeia.

Obra criou território onde antes havia apenas mar

Diferentemente de expansões convencionais, o projeto resultou na criação de uma área equivalente a um grande distrito urbano, construída sem qualquer base de solo natural. Todo o terreno foi formado a partir de areia dragada, confinada por sistemas avançados de defesa costeira, capazes de garantir estabilidade, profundidade operacional e proteção permanente contra condições marítimas severas.

240 milhões de m³ de areia dragada do Mar do Norte

O volume de material movimentado é um dos principais indicadores da dimensão da obra. Foram dragados cerca de 240 milhões de metros cúbicos de areia, extraídos do próprio Mar do Norte e bombeados para dentro do perímetro do novo porto.

Esse processo exigiu rigor técnico elevado. A areia passou por controle de granulometria, deposição em camadas sucessivas, compactação hidráulica e monitoramento contínuo de recalques. Qualquer falha poderia comprometer grandes extensões do aterro.

Sistema de defesa costeira soma 11 quilômetros

Criar terra foi apenas parte do desafio. Para manter a nova área estável, a Maasvlakte 2 recebeu um contorno marítimo de aproximadamente 11 km, projetado para resistir a tempestades intensas, ondas de alta energia e à elevação do nível do mar ao longo de décadas.

O sistema combina dois tipos de proteção:

  • Defesa costeira “soft”, com praias artificiais e dunas, ao longo de cerca de 7,3 km
  • Defesa “hard”, composta por estruturas rígidas, em aproximadamente 3,5 km

Essa solução híbrida permite dissipar a energia das ondas de forma gradual, reduzindo o impacto direto sobre as estruturas rígidas.

Paredão marítimo consumiu 7 milhões de toneladas de rocha

A seção rígida da defesa costeira concentra alguns dos números mais expressivos do projeto. Para proteger apenas 3,5 km de costa, foram utilizadas cerca de 7 milhões de toneladas de rocha, além de 20 mil blocos de concreto projetados especificamente para dissipar a força das ondas.

Cada bloco, com várias toneladas, foi instalado com precisão milimétrica. O sistema inclui ainda cerca de 150 mil toneladas de argila, formando uma barreira multicamadas contra erosão e infiltrações.

Dragagem profunda prepara o porto para navios gigantes

A Maasvlakte 2 foi concebida para atender não apenas às demandas atuais, mas às futuras. Os acessos marítimos e bacias portuárias foram dragados até cerca de 20 metros abaixo do nível de referência holandês (NAP), profundidade suficiente para receber os maiores porta-contêineres do mundo sem restrições operacionais.

A dragagem envolveu escavações subaquáticas contínuas, controle rigoroso de taludes e gestão de sedimentos em ambiente marítimo aberto.

Quilômetros de cais e grande volume de concreto

Após a formação do aterro, o projeto avançou para a fase estrutural. Foram construídos cerca de 3,5 km de paredes de cais, consumindo aproximadamente 300 mil metros cúbicos de concreto.

Essas estruturas foram projetadas para suportar cargas extremas de guindastes, esforços de atracação e recalques diferenciais do solo ao longo do tempo, sem perda de desempenho estrutural.

Projeto incorporou o recalque como parte da solução

Ao contrário de obras convencionais, a Maasvlakte 2 partiu do princípio de que o solo iria se movimentar. O recalque do aterro foi previsto, calculado e incorporado ao dimensionamento das estruturas e ao cronograma do projeto.

Uma ampla rede de instrumentação geotécnica monitora continuamente o comportamento do solo, permitindo ajustes operacionais e estruturais ao longo da vida útil do porto.

Infraestrutura que redesenhou o mapa logístico europeu

Ao final, a Maasvlakte 2 representa um tipo extremo de engenharia pesada, em que o principal produto não é um edifício ou uma ponte, mas o próprio território. Um espaço que não existia foi criado, protegido por milhões de toneladas de rocha e sustentado por areia dragada, pronto para operar como uma das maiores plataformas logísticas do mundo.

Mais do que construir estruturas, o projeto literalmente inventou espaço, consolidando Rotterdam como um dos principais hubs portuários globais.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Portos

Tempestades e nevascas paralisam portos no sul e oeste da Europa

Fortes tempestades, acompanhadas de nevascas intensas, provocaram uma ampla interrupção nas operações portuárias no sul e no oeste da Europa, comprometendo de forma significativa o fluxo de cargas marítimas, segundo comunicado da Maersk.

A companhia informou que o clima severo tem impactado tanto as remessas de entrada quanto de saída das regiões do norte do continente, resultando em atrasos logísticos, suspensão de atividades e fechamento temporário de diversos terminais portuários.

Portugal, Espanha e Itália entre os mais afetados

Portugal e Espanha estão entre os países mais atingidos, após a emissão de alertas meteorológicos severos na quarta-feira, 28 de janeiro. Já a Itália decretou estado de emergência na segunda-feira, dia 26, em áreas do sul do país, após uma tempestade intensa provocar alagamentos, avanço do mar sobre áreas costeiras e danos à infraestrutura portuária e urbana.

Operações portuárias seguem suspensas

De acordo com a Maersk, diversas terminais do Mediterrâneo Ocidental interromperam completamente suas atividades, sem previsão definida para retomada. Em comunicado aos clientes, a empresa afirmou que as condições extremas estão causando “interrupções relevantes em toda a indústria, com navios buscando abrigo e terminais operando com produtividade reduzida ou totalmente paralisados”.

A companhia não detalhou quais portos específicos foram impactados e não respondeu, até o momento, a solicitações adicionais de esclarecimento. Ainda assim, reforçou que o cenário afeta o setor marítimo europeu como um todo e que, diante da instabilidade climática, novas demoras e suspensões operacionais não estão descartadas.

Incidente com navio reforça riscos à segurança da carga

Em paralelo, a CMA CGM informou que um de seus navios perdeu 58 contêineres no mar após enfrentar condições extremas nas proximidades de Malta. O episódio evidencia os riscos associados às tempestades marítimas, tanto para a segurança da carga quanto para a continuidade das operações nos portos da região.

Setor avalia impactos na cadeia logística

Operadores marítimos seguem monitorando os efeitos do mau tempo e promovendo ajustes em rotas de navegação e cronogramas de entrega, buscando reduzir os impactos sobre a cadeia logística internacional. Autoridades locais, em coordenação com armadores e terminais, acompanham os níveis de água e a integridade das estruturas portuárias, com o objetivo de restabelecer as operações o mais rápido possível.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Greve em portos da Europa paralisa operações e ameaça cadeia de suprimentos

Os principais portos da Europa, Roterdã e Antuérpia-Bruges, enfrentam graves interrupções devido a greves que paralisaram o transporte marítimo de contêineres e já afetam a logística regional.

Greve em Roterdã interrompe operações

No porto de Roterdã, o maior da Europa, trabalhadores das empresas International Lashing Services e Matrans Marine Services cruzaram os braços na tarde de quarta-feira (15h15, horário local). A paralisação, organizada pelo sindicato FNV, terá duração de 48 horas e seguirá até sexta-feira.

Os estivadores são responsáveis por fixar os contêineres nos navios. Com a suspensão das atividades, nenhuma embarcação pode ser carregada ou descarregada durante o período da greve. Grandes terminais já enfrentam atrasos significativos, e algumas embarcações tiveram a estadia prolongada.

Um porta-voz da Autoridade Portuária de Roterdã confirmou que a movimentação será impactada, mas afirmou ser cedo para medir a dimensão total dos prejuízos.

Protestos em Antuérpia-Bruges ampliam crise

Na Bélgica, o porto de Antuérpia-Bruges, o segundo maior da Europa, também enfrenta sérias dificuldades. Os práticos flamengos mantêm protestos contra reformas federais na previdência, que podem reduzir benefícios futuros.

De acordo com autoridades locais, apenas 31 navios foram atendidos na terça-feira, número muito abaixo da média diária de 60 a 80. Na manhã de quarta-feira, mais de 100 embarcações aguardavam autorização para entrar ou sair do porto, e várias já foram desviadas para outros destinos.

Os práticos, representados pela Beroepsvereniging van Loodsen, estão limitando o trabalho ao horário de expediente. As negociações com o governo seguem travadas, sem perspectiva de avanço.

Impactos na cadeia logística europeia

As paralisações simultâneas em Roterdã e Antuérpia, dois dos maiores centros logísticos da Europa, já levantam alertas sobre riscos de desabastecimento. Caso as greves se prolonguem, há expectativa de efeitos em cadeia nas rotas de contêineres e no fornecimento de energia em todo o norte europeu.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Splash 247

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