Logística

Via Mar: nova rodovia promete aliviar tráfego da BR-101 e transformar a mobilidade no Litoral Norte de SC

A Via Mar, também chamada de Contorno Litorâneo Norte, é um dos principais projetos de infraestrutura viária em planejamento em Santa Catarina. A rodovia deve ligar Joinville ao Contorno Viário da Grande Florianópolis, criando uma alternativa à BR-101, que atualmente opera acima da capacidade em diversos trechos. A previsão do governo estadual é que as obras tenham início no primeiro semestre de 2026.

Com mais de 145 quilômetros de extensão, a nova rodovia busca ampliar a capacidade logística, melhorar a mobilidade regional e fortalecer o desenvolvimento econômico do litoral catarinense.

Objetivo do projeto

A proposta da Via Mar é estabelecer um novo corredor rodoviário no Litoral Norte de Santa Catarina, reduzindo gargalos históricos da BR-101. A estrada deve facilitar o transporte de cargas, melhorar o deslocamento entre municípios e oferecer uma rota alternativa para motoristas e empresas.

Investimento estimado

O custo total da obra está estimado em cerca de R$ 7 bilhões, valor superior ao investimento feito no Contorno Viário da Grande Florianópolis, que demandou aproximadamente R$ 3,9 bilhões.

Modelo de execução

A construção da Via Mar será realizada por meio de uma parceria público-privada (PPP).
Os estudos técnicos e projetos executivos são financiados integralmente pelo Governo de Santa Catarina, por meio da Secretaria de Infraestrutura, com investimento superior a R$ 9 milhões. Esses estudos tiveram início em 2024.

A execução da obra ficará sob responsabilidade de uma empresa que será escolhida por licitação. Como forma de retorno financeiro, a concessionária poderá implantar pedágio ao longo do trajeto.

Características da Rodovia Via Mar

O traçado completo terá 145,215 quilômetros, com seis faixas de rolamento em pista dupla ao longo de todo o percurso. A rodovia foi dividida em cinco lotes.

Lote 1
Extensão: 26,85 km
Trecho: entre a BR-101, em Joinville, e a BR-280, em Guaramirim
Obras especiais: quatro pontes e dois viadutos
Execução: Governo de Santa Catarina

Lote 2
Extensão: 21,09 km
Trecho: da BR-280, em Guaramirim, até a SC-415, entre Massaranduba e São João do Itaperiú
Obras especiais: duas pontes e um viaduto

Lote 3
Extensão: 16,77 km
Trecho: entre a SC-415 e a SC-414, passando por Luís Alves e Navegantes
Obras especiais: duas pontes e oito contenções

Lote 4
Extensão: 25,78 km
Trecho: da SC-414, em Luís Alves e Navegantes, até a SC-486, em Itajaí
Obras especiais: quatro viadutos, quatro pontes e três contenções

Trecho remanescente
Extensão: 54,72 km
Trecho: da SC-486, em Itajaí, até o Contorno Viário da Grande Florianópolis
Obras especiais: quatro viadutos, quatro pontes e três contenções

Impacto esperado

A expectativa do governo estadual é que a Via Mar reduza significativamente os congestionamentos da BR-101, melhore a fluidez do tráfego e fortaleça a integração logística entre o Norte e a Grande Florianópolis.

Veja o mapa por onde vai passar a Via Mar:

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ecopik/ND Mais

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Informação

Crise no volante: Brasil enfrenta escassez histórica de caminhoneiros e risco de colapso logístico 

O setor de transporte de cargas, responsável por manter o Brasil em movimento, acende um alerta vermelho. Só em Santa Catarina, aproximadamente 8 mil caminhões estão parados por falta de motoristas, número que representa um prejuízo mensal estimado em R$ 30 milhões para as transportadoras. O cenário — já considerado crítico — ameaça gerar um efeito dominó sobre toda a cadeia logística brasileira. O assunto é pauta dos principais veículos de comunicação do país.  

De acordo com o SBT Brasil, o Brasil depende das estradas para 65% de toda a circulação de cargas, e a escassez de motoristas já levanta a possibilidade de um colapso no abastecimento. Já dados da Secretaria Nacional de Trânsito confirmam um declínio acentuado da categoria: o número de pessoas habilitadas para conduzir caminhões caiu 62,89% na última década, e apenas 4% têm menos de 30 anos, evidenciando o envelhecimento e o desinteresse dos jovens pela profissão. 

Insegurança nas estradas afasta veteranos e desmotiva novos profissionais 

A instabilidade nas rodovias é o fator mais citado por quem evita — ou abandona — a profissão. Segundo Lorisvaldo Piuco, presidente do SETRANSC (Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Sul de Santa Catarina), os motoristas convivem diariamente com risco de roubo de cargas, acidentes provocados por má infraestrutura e a falta de pontos de apoio adequados. “A insegurança nas estradas é tão grande que os pais não querem que os filhos sigam a profissão”, afirma Piuco em entrevista ao portal ND+.  

Jovens preferem tecnologia ao transporte de cargas 

Mesmo com caminhões mais modernos e processos automatizados, o setor vem perdendo espaço para profissões ligadas à tecnologia. Piuco confirma a tendência: “Os jovens têm preferido áreas de TI e carreiras digitais”. 

Esse movimento é um problema grave para a renovação da mão de obra — e coincide com outro fator decisivo: o retorno financeiro abaixo do esperado, especialmente no segmento de carga fracionada. Para Piuco, a desvalorização impede que o transporte seja competitivo na atração de novos talentos. 

Valorização e qualificação surgem como única saída, mas o desafio é grande 

Para enfrentar o déficit de motoristas, empresas têm investido em programas de capacitação profissional e retenção de talentos, conforme reportado pelo SBT Brasil. No entanto, o gap continua elevado: 93% das transportadoras relatam dificuldade para contratar novos motoristas

De acordo com a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos68% dos caminhoneiros afirmam que o piso mínimo do frete raramente é respeitado, o que desmotiva os profissionais experientes e desencoraja novatos. 

No âmbito estadual, o tema vem sendo debatido dentro do Sistema Fetranscesc, que reúne sindicatos de 13 cidades catarinenses. Piuco argumenta que a solução passa pela valorização salarial. “A necessidade de motoristas é enorme. Só em Santa Catarina, entre 7 e 8 mil caminhões estão parados por falta de profissionais. É inadmissível chegar a 2025 com essa realidade. Temos uma missão árdua pela frente”, destaca. 

Uma década de queda acentuada na categoria 

Reforçando a gravidade da crise, uma reportagem do UOL revela que o Brasil perdeu 1,2 milhão de motoristas profissionais em 10 anos — uma redução de 22% no número de habilitados das categorias C e E. O estudo da consultoria Ilos aponta como principal causa o surgimento de novas formas de renda e a desvalorização crescente do setor. 

A escassez de caminhoneiros deixou de ser uma previsão e já é uma realidade que provoca prejuízos e ameaça toda a cadeia logística. Sem investimento em infraestrutura rodoviária, segurança, remuneração e formação profissional, o país corre o risco de ver sua engrenagem logística girar mais lentamente — ou parar. 

FONTES: ND ON LINE / UOL / SBT BRASIL 

TEXTO: REDAÇÃO 

IMAGEM: ILUSTRATIVA / FREEPIK 

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