Portos

Megaleilões impulsionam expansão dos portos brasileiros com R$ 15 bilhões em investimentos

O Brasil vive um novo ciclo de megaleilões portuários. Nos últimos três anos, foram realizados 26 certames que somam mais de R$ 15 bilhões em investimentos contratados. Entre eles, quatro projetos ultrapassam individualmente a marca de R$ 1 bilhão e concentram, juntos, cerca de R$ 12 bilhões.

Os destaques incluem o ITG02, no Porto de Itaguaí, o Túnel Santos-Guarujá no Porto de Santos, além do canal de acesso e três terminais no Porto de Paranaguá.

As iniciativas, concentradas nas regiões Sul e Sudeste, integram a estratégia do Ministério de Portos e Aeroportos para modernizar a infraestrutura portuária, reduzir gargalos logísticos e fortalecer a relação entre porto e cidade.

Itaguaí consolida polo de minério no Rio

O terminal ITG02 foi o primeiro do ciclo a superar R$ 1 bilhão. Arrendado pela Cedro Participações, o projeto prevê R$ 3,5 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos.

Com área de 348,9 mil m² e capacidade estimada em 20 milhões de toneladas por ano, o terminal reforça o papel estratégico do Porto de Itaguaí na exportação de minério de ferro. A expectativa é gerar cerca de 2.800 empregos indiretos na implantação e aproximadamente 2 mil postos diretos e indiretos na fase operacional.

Túnel Santos-Guarujá terá impacto logístico e urbano

Considerada a maior obra do Novo PAC, a ligação submersa entre Santos e Guarujá receberá R$ 6,8 bilhões em aportes, em parceria entre o governo federal e o Estado de São Paulo. O projeto será executado pela portuguesa Mota-Engil.

Primeiro túnel imerso da América Latina, a estrutura reduzirá o tempo de travessia de 50 para cinco minutos. Com seis faixas de tráfego, ciclovia, passagem de pedestres e espaço para VLT, a obra deve beneficiar mais de 720 mil pessoas e gerar cerca de 9 mil empregos. Além da mobilidade urbana, o projeto amplia a eficiência logística do maior porto da região.

Paranaguá inaugura novo modelo de concessão

O leilão do canal de acesso do Porto de Paranaguá marcou a primeira concessão de canal público no país. Realizado em outubro de 2025, o contrato prevê R$ 1,23 bilhão em investimentos por 25 anos.

A iniciativa inclui dragagem para ampliar o calado de 13,5 metros para 15,5 metros, permitindo a operação de navios de maior porte. O contrato também contempla manutenção contínua, sinalização náutica e gestão integrada do tráfego aquaviário, elevando o padrão de segurança e previsibilidade operacional.

O modelo poderá ser replicado em outros portos estratégicos, como Itajaí, Santos e unidades do Rio Grande do Sul.

Terminais ampliam escoamento agrícola

No Porto de Paranaguá, os terminais PAR14, PAR15 e PAR25 consolidaram um pacote integrado para expansão da movimentação de granéis sólidos vegetais.

O PAR14, arrematado pela BTG Pactual Commodities Sertrading, prevê R$ 1,01 bilhão em investimentos, incluindo implantação de nova área e construção do Píer em “T”, com quatro berços adicionais. O projeto também prevê integração ao Moegão, ampliando a capacidade ferroviária. A estimativa é de mais de 1,6 mil empregos diretos e 3,4 mil indiretos.

O PAR15, vencido pela Cargill Brasil, contará com R$ 604 milhões em aportes e capacidade para cerca de 4 milhões de toneladas por ano.

Já o PAR25, arrematado pelo Consórcio ALDC, formado por Louis Dreyfus Company e Amaggi, prevê R$ 565 milhões em investimentos, reforçando a infraestrutura logística e ampliando o potencial de escoamento da safra agrícola.

Planejamento de longo prazo

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a agenda coloca a infraestrutura logística no centro do desenvolvimento econômico. Já o secretário nacional de Portos, Alex Avila, afirma que os projetos consolidam um planejamento de longo prazo, com foco em eficiência operacional e modernização regulatória.

O novo ciclo de concessões sinaliza uma mudança estrutural na gestão portuária brasileira, ampliando a capacidade operacional, atraindo investimentos privados e fortalecendo a competitividade do país no comércio exterior.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves

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Portos

Leilões de terminais portuários da Antaq estão confirmados para 26 de fevereiro

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) confirmou que os leilões de terminais portuários ocorrerão no dia 26 de fevereiro, na B3, em São Paulo. Os certames envolvem o arrendamento de quatro áreas portuárias e tiveram seus editais publicados no Diário Oficial da União.

Os empreendimentos estão localizados nos portos de Natal (RN), Santana (AP), Porto Alegre (RS) e Recife (PE).

Terminais atendem diferentes tipos de cargas

No Porto Organizado de Natal, o leilão contempla uma área destinada à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais. Já no Porto de Santana, no Amapá, o terminal será voltado para granéis sólidos vegetais, ampliando a capacidade logística da região Norte.

Em Porto Alegre, o arrendamento prevê um espaço para armazenagem e movimentação de granel sólido, reforçando a infraestrutura do porto gaúcho.

Terminal de passageiros do Recife terá edital próprio

Além dos três terminais de cargas, a Antaq informou que será lançado um edital específico para a cessão do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto Organizado do Recife. O leilão também está programado para fevereiro e integra o mesmo pacote de investimentos portuários anunciado pela Agência.

Investimentos somam R$ 229 milhões

Segundo a Antaq, os investimentos previstos nos quatro projetos totalizam R$ 229 milhões. O maior volume está concentrado no Porto de Santana, com R$ 150,20 milhões previstos para um contrato de 25 anos.

O Terminal de Passageiros do Recife deverá receber R$ 2,3 milhões, também com prazo contratual de 25 anos. Em Natal, os investimentos estimados chegam a R$ 55,17 milhões, com contrato de 15 anos, enquanto o terminal de Porto Alegre prevê aportes de R$ 21,13 milhões ao longo de 10 anos.

Editais estão disponíveis ao público

A Agência destacou que todas as informações sobre os leilões portuários, incluindo critérios de participação, obrigações contratuais e modelos de concessão, estão disponíveis no Diário Oficial da União e no site oficial da Antaq. Os documentos também podem ser consultados presencialmente na sede da Agência, em Brasília.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Jornal Portuário

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Portos

Portos do Paraná regulariza 100% das áreas e garante R$ 5,1 bilhões em investimentos

O Governo do Estado e a Portos do Paraná regularizaram 100% das áreas portuárias do Paraná — denominadas PAR — destinadas à exploração privada, além de terem promovido a concessão do Canal de Acesso ao Porto de Paranaguá em 2025. Os investimentos vão alcançar R$ 5,1 bilhões e marcam um novo momento para a logística estadual.

Além dos valores estipulados em contrato para obras, reformas e ampliações das áreas, potencializando o comércio exterior paranaense, a Portos do Paraná recebeu mais R$ 1,3 bilhão proveniente das outorgas para aplicar na modernização e ampliação da infraestrutura. 

“O Paraná está na vanguarda no setor portuário. Fomos a primeira autoridade portuária brasileira a obter a delegação de competências para realizar seus próprios leilões, a primeira a regularizar 100% das áreas e a primeira a leiloar o próprio Canal de Acesso”, destaca Ratinho Junior. “E os números já estão apontando essa mudança. Alcançamos em 2025 movimentação superior a 70 milhões de toneladas, um recorde na nossa história”.

“Com a regularização das áreas, estamos trazendo novos investimentos que garantem mais segurança operacional. Com isso, teremos mais eficiência na movimentação de cargas, mais competitividade e, consequentemente, mais negócios para os nossos portos”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

A principal vantagem das concessões realizadas na Bolsa de Valores é a regularização dos contratos de arrendamento. Várias delas estavam com contratos precários há mais de uma década. Até 2018, áreas eram exploradas com instrumentos que impediam a realização de novos investimentos. Ao mesmo tempo, não havia remuneração adequada para a Autoridade Portuária. Com os novos arrendamentos, haverá um incremento significativo nas infraestruturas de todo o complexo portuário, elevando a eficiência e a produtividade do hub logístico.

Entre os investimentos previstos estão as construções do Píer em “T” — que será o novo corredor de exportações leste — e do Píer em “F”, que conectará os terminais do novo corredor oeste. Também está prevista a expansão do píer de líquidos, com a interligação dos terminais que operam esse tipo de carga. E o novo Canal de Acesso garantirá aumento de produtividade.

LEILÕES – O Píer em “T”, por exemplo, será construído pelas empresas que conquistaram o direito de uso dos PARs 15, 14 e 25, além da própria Portos do Paraná. A primeira fase da nova estrutura contará com dois berços de atracação e um sistema ultramoderno de esteiras transportadoras, que levarão os produtos dos terminais aos porões dos navios em alta velocidade. 

Atualmente, o sistema movimenta cerca de 3 mil toneladas de soja e de outros grãos e farelos por hora em um único berço. Com a nova estrutura, esse volume subirá para 8 mil toneladas por hora em cada berço. Além desses investimentos em infraestrutura de acostagem, as arrendatárias deverão aplicar mais R$ 1 bilhão em melhorias nas áreas arrematadas, onde estão localizados os terminais.

Já o PAR 09, destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos vegetais e leiloado em 2023, também promoverá melhorias na área comum do porto. A empresa arrendatária deverá construir a primeira etapa do Píer “F”, que conectará os terminais do corredor oeste, além de realizar melhorias em sua área de atuação. O PAR 50, concedido em 2023, vai receber a expansão do Píer “L”, destinado às cargas líquidas. O píer conectará todos os terminais que movimentam granéis líquidos.

Os PARs 01 (movimentação e armazenagem de carga geral), 12 (veículos) e 32 (açúcar ensacado e a granel) foram os primeiros a serem leiloados e já concluíram as obras previstas em contrato. 

O PAR01, destinado à movimentação e armazenagem de carga geral – especialmente papel e celulose –, recebeu R$ 146 milhões e está em plena atividade. Somente em 2024, mais de 500 mil toneladas de celulose foram movimentadas na área.

O PAR12 recebeu R$ 32,4 milhões em melhorias para movimentação de cargas roll-on/roll-off (veículos). Somente em 2024, mais de 7,5 mil veículos passaram pelo pátio. De outubro de 2024 a janeiro de 2025, já são mais de 32 mil veículos. No PAR32 – destinado à exportação de cargas gerais, especialmente açúcar ensacado e a granel – foram aplicados mais de R$ 11,8 milhões.


CANAL DE ACESSO – E o leilão do Canal de Acesso garantirá o aprofundamento do canal, que permitirá o aumento do calado, passando dos atuais 13,3 metros para 15,5 metros em até cinco anos. O incremento de mais de dois metros no calado permitirá um salto na capacidade de embarque de mercadorias: um adicional de mil contêineres ou 14 mil toneladas de granéis sólidos vegetais em um único navio.

O Consórcio Canal da Galheta Dragagem, formado pelas empresas FTS Participações Societárias S.A., Deme Concessions NV e Deme Dredging NV, venceu a disputa ao oferecer o desconto máximo da tarifa (12,63%) e um lance de outorga de R$ 276 milhões.

O contrato prevê a ampliação, manutenção e exploração do Canal de Acesso Aquaviário dos Portos de Paranaguá e Antonina, que tem 34,5 km de extensão. “As vantagens do leilão para a Portos do Paraná, além de uma maior profundidade, são a garantia permanente de um canal dragado por 25 anos, a segurança da navegação e o desconto ao usuário, com uma tarifa mais barata pelo resultado do leilão”, destacou Garcia.

Com a concessão, a principal transformação será o aprofundamento do canal, que permitirá o aumento do calado — ponto mais profundo do navio até a superfície da água —, passando dos atuais 13,3 metros para 15,5 metros em até cinco anos. O incremento de mais de dois metros no calado permitirá um salto na capacidade de embarque de mercadorias: um adicional de mil contêineres ou 14 mil toneladas de granéis sólidos vegetais em um único navio.

Com isso, o Porto de Paranaguá estará preparado para operar porta-contêineres do tipo 366 carregados em sua capacidade máxima, com até 14 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés). Navios de granéis sólidos poderão carregar até 125 mil toneladas de soja, milho e farelos. Atualmente, o carregamento máximo de um navio graneleiro é, em média, 78 mil toneladas. Já os navios-tanque poderão acessar o canal com até 74 mil toneladas de produtos.

A concessão também promoverá uma redução de 12,63% no valor da tarifa Inframar, paga pelos navios para acessar os portos. A tarifa cobre os custos das dragagens necessárias para garantir as manobras com segurança.

FONTE: Governo do Paraná
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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