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Invasão ao Terminal de Santarém e protestos contra hidrovias geram tensão; ATP emite nota de repúdio

A ocupação do Terminal Portuário de Santarém (PA) e os atos registrados também contra a Cargill, em São Paulo, intensificaram a tensão em torno do debate sobre a desestatização de hidrovias na região Norte. As ações ocorreram entre os dias 20 e 21 de fevereiro de 2026 e fazem parte de uma mobilização indígena contra o Decreto nº 12.600/2025.

Ocupação do terminal e bloqueios

Na madrugada de sábado (21), indígenas ocuparam o escritório da Cargill no porto de Santarém. De acordo com o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o movimento integra uma série de protestos iniciados há mais de 30 dias contra a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Além da ocupação, houve bloqueio do acesso de caminhões ao terminal portuário. Segundo a empresa, a Justiça já havia determinado a desocupação da área. Diante da entrada dos manifestantes, funcionários buscaram abrigo em local fechado e foram retirados em segurança. Até o momento, não há registro de feridos.

Paralelamente, em São Paulo, ambientalistas e integrantes de movimentos sociais realizaram ato em frente ao escritório central da Cargill, na zona sul da capital, com bloqueio parcial de vias.

Reivindicações e posicionamentos

O Cita afirma que a mobilização é motivada pela não revogação integral do decreto que prevê a concessão das hidrovias à iniciativa privada. Segundo a entidade, a medida pode afetar a qualidade da água, a pesca, a soberania alimentar e a integridade ambiental da região.

Os indígenas defendem a realização de consulta prévia, livre e informada às comunidades impactadas, conforme normas internacionais. O governo federal informou que acompanha a situação e reiterou o compromisso com o diálogo, além de ter anunciado anteriormente a suspensão do processo de contratação para a dragagem do Rio Tapajós como gesto de negociação.

Em nota, a Cargill classificou as ações como violentas e afirmou estar em contato com as autoridades para garantir o cumprimento da decisão judicial e a segurança das operações.

ATP repudia invasão e cobra providências

Diante dos acontecimentos, a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) divulgou nota de repúdio à invasão do terminal e aos atos registrados. A entidade declarou reconhecer o direito à manifestação, mas ressaltou que invasões, depredações, intimidação de trabalhadores e paralisação de atividades essenciais não podem ser justificadas.

A ATP manifestou solidariedade à Cargill e solicitou medidas imediatas das autoridades para restabelecer a segurança, assegurar a integridade física das pessoas envolvidas e garantir o pleno funcionamento das operações portuárias.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Coletivo Apoena Audiovisual/Divulgação

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