Logística

Cabotagem fortalece abastecimento e conecta a região Norte aos mercados nacionais

O avanço da cabotagem tem se consolidado como um dos principais vetores de integração logística do país, ampliando o abastecimento, reduzindo custos logísticos e aproximando a produção da região Norte dos grandes centros consumidores. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, o transporte por cabotagem entre portos brasileiros movimentou 10,8 milhões de toneladas no Norte, impulsionado pelas medidas do Programa BR do Mar.

Crescimento consistente e maior previsibilidade logística

Na comparação com o mesmo período de 2024, a cabotagem na região registrou um acréscimo de aproximadamente 200 mil toneladas em 2025, considerando todos os tipos de carga. O destaque ficou para a movimentação de contêineres, que avançou 8,25% no período.

O desempenho mantém a trajetória de expansão observada nos últimos anos. Em 2024, o crescimento já havia sido de cerca de 8,3% frente a 2023, refletindo maior regularidade das operações e mais previsibilidade no transporte aquaviário.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os resultados confirmam a relevância do novo marco regulatório. Segundo ele, os dados evidenciam a importância da cabotagem para a integração logística nacional, especialmente em regiões estratégicas como o Norte, onde o BR do Mar contribuiu para ampliar a eficiência do setor.

Escoamento da produção e integração regional

Os principais polos de origem da cabotagem no Norte estão concentrados no Pará, com destaque para os terminais de Trombetas, Juruti e Vila do Conde, além de Manaus (AM). A partir desses pontos, as cargas seguem majoritariamente para portos do Nordeste e do Sudeste, que atuam como hubs de distribuição e consumo.

De acordo com o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, o ganho de eficiência está diretamente ligado ao ambiente de negócios mais competitivo criado pelo programa. Para ele, a ampliação da oferta de serviços, o estímulo à concorrência e o reforço da segurança jurídica são fatores decisivos, sobretudo em regiões com grandes distâncias e forte dependência do modal aquaviário.

Esse fluxo consolida a cabotagem como um instrumento estratégico para o escoamento de cargas em larga escala e para a conexão efetiva da região Norte aos mercados nacionais.

Perfil das cargas transportadas

A movimentação por cabotagem no Norte é fortemente concentrada no transporte de bauxita, tanto em granel sólido quanto em carga geral, que somaram 3,86 milhões de toneladas no período analisado.

As cargas conteinerizadas alcançaram 3,23 milhões de toneladas, reunindo produtos industriais e tecnológicos, além de alimentos, bebidas e insumos essenciais. Esse tipo de carga tem papel relevante no abastecimento regular das cidades e na redução dos custos logísticos.

Já os granéis líquidos e gasosos tiveram como principal destaque o petróleo e seus derivados, com 2,81 milhões de toneladas movimentadas entre janeiro e novembro de 2025.

Desde a criação do BR do Mar, o crescimento da cabotagem de contêineres na região tem sido contínuo. O volume transportado passou de 2,4 milhões de toneladas em 2022 para 2,5 milhões em 2023, 3 milhões em 2024 e atingiu 3,2 milhões de toneladas em 2025, o maior patamar já registrado no Norte.

BR do Mar reforça segurança regulatória e sustentabilidade

O desempenho positivo da cabotagem está diretamente associado às medidas regulatórias do Programa BR do Mar, que ampliaram a previsibilidade do setor, fortaleceram a competitividade e garantiram maior disponibilidade de frota para atender às demandas logísticas do país.

Entre os avanços recentes estão a Portaria de Cláusulas Essenciais para Contratos de Longo Prazo, publicada em novembro de 2025, e a Portaria de Embarcação Sustentável, atualmente em fase final de regulamentação. Os instrumentos trazem mais estabilidade ao mercado, maior equilíbrio nos fretes marítimos e estímulo a práticas sustentáveis na navegação.

Segundo a coordenadora-geral de Navegação Marítima, Bruna Roncel, a atualização normativa eleva o patamar do mercado ao associar a expansão da cabotagem a critérios de sustentabilidade e segurança jurídica, garantindo que o crescimento logístico ocorra de forma estruturada.

Ao combinar previsibilidade regulatória, estímulo à concorrência e sustentabilidade, o BR do Mar reforça a cabotagem como política pública essencial para a integração logística nacional. Na região Norte, esse conjunto de medidas tem ampliado o abastecimento, reduzido custos e conectado a produção regional aos principais mercados do país.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

Ler Mais
Logística

Bolívia propõe porto seco para integrar logística entre Brasil e Chile

Durante o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, realizado no Panamá, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, apresentou uma proposta voltada à integração logística regional: transformar o território boliviano em um porto seco capaz de conectar a produção do Brasil aos portos do Chile. A iniciativa indica uma orientação mais pragmática do governo, com foco em desenvolvimento econômico, empregos e ampliação do comércio regional.

Bolívia como hub logístico sul-americano

Ao discursar para chefes de Estado, Paz ressaltou a posição geográfica estratégica da Bolívia no centro da América do Sul. O país faz fronteira com Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Peru, o que, segundo o presidente, permite que o território funcione como uma plataforma logística integrada para os países vizinhos.

A proposta prevê facilitar o escoamento de cargas brasileiras, especialmente do agronegócio do Centro-Oeste, em direção ao oceano Pacífico por meio de portos do norte chileno. Em contrapartida, o Chile teria acesso mais eficiente ao mercado brasileiro, utilizando rotas terrestres e a Hidrovia Paraguai-Paraná.

Corredor Bioceânico ganha reforço

A iniciativa está alinhada aos esforços de consolidação do Corredor Bioceânico, um projeto de infraestrutura com mais de 2.400 quilômetros de extensão. O eixo busca conectar o Porto de Santos, em São Paulo, e regiões produtivas de Mato Grosso do Sul aos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, atravessando Paraguai e Argentina.

A inclusão mais ativa da Bolívia nesse corredor pode otimizar o transporte de cargas minerais e agrícolas, ampliando a eficiência logística e reduzindo distâncias até os mercados asiáticos.

Projetos estruturantes em destaque

Dois projetos de infraestrutura são apontados como fundamentais para viabilizar a proposta boliviana. O Túnel Aguaragüe, localizado no departamento de Tarija, pretende fortalecer a conexão com o norte do Chile e integrar o Corredor Logístico Oeste-Sul. Já a Ferrovia Bioceânica, conduzida pela Unidade Técnica de Ferrovias (UTF), prevê a reativação de trechos ferroviários estratégicos, ampliando a capacidade de transporte de grãos e minérios no Corredor Bioceânico Central – Amazônico Andino.

Hidrovia e logística multimodal

Outro pilar da proposta é a Hidrovia Paraguai-Paraná, corredor fluvial com cerca de 3.400 quilômetros, que conecta Brasil, Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai. Especialistas avaliam que a integração entre modais rodoviário, ferroviário e fluvial pode resultar em um sistema multimodal mais eficiente, com redução de custos de exportação tanto para o Atlântico quanto para o Pacífico.

Segundo o governo boliviano, a viabilidade do plano passa pela construção de uma confiança verificável entre os países envolvidos. A meta é reposicionar a Bolívia, historicamente sem saída para o mar, como um articulador estratégico da integração física sul-americana.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Logística

Expansão das Ferrovias no Brasil ganha impulso com investimentos estratégicos

O setor ferroviário brasileiro vive um momento de crescimento acelerado, com projetos de grande escala que devem receber cerca de R$ 100 bilhões até 2035. O avanço é sustentado por um modelo híbrido de financiamento, que combina concessões a empresas privadas e aportes públicos, além de renegociações de contratos existentes. Inspirada no setor rodoviário, a Política Nacional de Outorgas Ferroviárias define critérios claros para investimentos, leilões previsíveis e mecanismos de compartilhamento de riscos, oferecendo maior segurança jurídica para os investidores.

Investimentos públicos passam a ser direcionados ao setor ferroviário

Historicamente, os recursos das outorgas iam diretamente para o Tesouro, sem retorno para a infraestrutura ferroviária. A partir de 2025, porém, esses fundos passaram a ser aplicados no setor. A estratégia do governo prevê tanto a construção de novas linhas (greenfield) quanto a recuperação de trechos ociosos, em conformidade com padrões de sustentabilidade da OCDE. Para obter autorizações, as iniciativas precisam apresentar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), garantindo prioridade às propostas mais maduras e viáveis.

Principais projetos ferroviários em destaque

Entre os cinco projetos estratégicos, estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF 118), a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), que dará base à Ferrovia Transcontinental, o Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol) conectando o Centro do país a portos do Nordeste, a Transnordestina, com dois terços concluídos e quase sete mil trabalhadores envolvidos, e a Ferrogrão, que ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA) pelo Arco Norte, atualmente questionada no STF. Outros projetos incluem ramais da Ferrovia Norte-Sul, o Corredor Ferroviário de Santa Catarina (EF 280), a Ferrovia do Pantanal (EF 267) e linhas de passageiros intercidades.

Conectividade regional e integração internacional

No Sul, estuda-se leilão em três lotes para melhorar o acesso ferroviário aos portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS), enquanto tratativas com a Argentina buscam reativar a conexão Uruguaiana-Paso de los Libres. No Centro-Oeste, avalia-se integrar a malha brasileira à rede ferroviária boliviana, reforçando a integração logística na América Latina.

Foco no transporte de grãos e desafios logísticos

Projetos como a Ferrogrão, Fico e Transnordestina têm como objetivo principal escoar a produção agrícola do interior para portos, em um cenário que prevê exportação adicional de 58,8 milhões de toneladas de grãos nos próximos dez anos. O diagnóstico da consultoria Macroinfra alerta que o crescimento do fluxo de cargas pelo Arco Norte exige investimentos urgentes em transporte, para evitar um possível apagão logístico.

Polêmica em torno da Ferrogrão

A Ferrogrão, com 976 km projetados, enfrenta críticas sobre impactos socioambientais, riscos de desmatamento e questões de viabilidade econômica. Especialistas sugerem alternativas mais baratas e sustentáveis, como a ferrovia entre Açailândia (MA) e Vila do Conde (PA), que demandaria apenas R$ 4 bilhões em recursos públicos. Organizações indígenas também questionam o traçado, alegando ausência de consultas prévias às comunidades afetadas, conforme prevê a Constituição e a Convenção 169 da OIT.

Investimento privado e competitividade

O setor privado debate recorde de investimentos, estimado em R$ 54 bilhões entre 2025 e 2027. Segundo o diretor da ANTF, Davi Barreto, o desafio é manter o crescimento por décadas, diante de mudanças políticas e descontinuidade de políticas públicas. Especialistas defendem liberdade tarifária, equilíbrio concorrencial com rodovias e incentivo à interoperabilidade entre modais para melhorar a competitividade ferroviária.

Autorizações ferroviárias e futuro do transporte de passageiros

O regime de autorizações ferroviárias, gerido pela ANTT, permite que empresas construam e operem trilhos em caráter privado. Até o momento, 45 contratos foram firmados, mas apenas dois avançaram para etapas de licenciamento ambiental e desapropriações. A modalidade deve impulsionar a interiorização da economia e possibilitar trens regionais e de média distância, ampliando a mobilidade urbana e logística no país.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook