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Foguete da Innospace cai em lançamento comercial no Brasil e derruba ações da empresa

O primeiro lançamento comercial de foguete no Brasil realizado pela sul-coreana Innospace terminou em falha na noite de segunda-feira, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O voo do veículo HANBIT-Nano, considerado um marco para o setor aeroespacial brasileiro, foi interrompido após uma anomalia poucos minutos depois da decolagem.

O foguete partiu às 22h13 (horário de Brasília), cinco dias após a data inicialmente prevista. Cerca de dois minutos após o lançamento, uma mensagem de “anomalia” apareceu durante a transmissão oficial, que foi encerrada logo em seguida.

FAB confirma anomalia e queda do foguete

Em comunicado, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que o foguete iniciou a trajetória vertical conforme o planejamento, mas apresentou uma falha que resultou na colisão com o solo. Equipes da FAB e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas para avaliar os destroços e isolar a área do impacto.

Até o momento, a Innospace não divulgou detalhes técnicos adicionais sobre a falha nem respondeu a pedidos de esclarecimento.

Ações da Innospace registram forte queda

Após o acidente, as ações da Innospace negociadas na Bolsa da Coreia do Sul recuaram cerca de 24%, configurando a maior queda intradiária da empresa desde agosto. O episódio aumenta a pressão sobre a companhia, que busca se consolidar no mercado global de lançamento de satélites.

Lançamento sofreu adiamentos antes da decolagem

A missão já havia sido adiada anteriormente. Na quarta-feira, uma anomalia foi identificada em um componente da unidade de refrigeração do sistema de alimentação de oxidante do primeiro estágio durante inspeções finais. Na sexta-feira, o cronograma voltou a ser ajustado devido a condições climáticas desfavoráveis.

Segundo comunicado anterior da empresa, o componente defeituoso foi substituído ainda na plataforma de lançamento, permitindo que a missão Spaceward fosse mantida dentro da janela entre 16 e 22 de dezembro.

Missão transportava pequenos satélites

O voo tinha como objetivo colocar em órbita oito cargas registradas, incluindo cinco pequenos satélites, destinados a clientes cujos nomes não foram divulgados. A operação contou com apoio operacional da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da própria FAB.

Histórico da Innospace em Alcântara

Em março de 2023, a Innospace já havia utilizado a base de Alcântara para lançar o veículo de teste HANBIT-TLV, em uma missão voltada à validação do desempenho do motor híbrido de 150 kN desenvolvido pela empresa.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Innospace/Divulgação via REUTERS

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Tecnologia

Brasil se prepara para lançar HANBIT-Nano, foguete 27 vezes mais veloz que um Boeing

Com 21 metros de altura, o equivalente a um prédio de sete andares, e pesando cerca de 30 toneladas, o foguete sul-coreano HANBIT-Nano será lançado no dia 17 de dezembro a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Capaz de atingir 30 mil km/h — mais de 27 vezes a velocidade de um Boeing comercial — o veículo é projetado para missões orbitais leves, transportando pequenos satélites e experimentos científicos. O lançamento marca um avanço importante para o Brasil no mercado global de operações espaciais comerciais.

Brasil entra no mercado global de lançamentos

Desenvolvido pela empresa privada sul-coreana Innospace, o HANBIT-Nano simboliza a entrada do Brasil no segmento internacional de lançamentos espaciais, dominado atualmente por Estados Unidos, China e Europa. A operação, conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB), integra o Programa Espacial Brasileiro e compõe a Operação Spaceward 2025, que colocará cargas úteis em órbita diretamente do território nacional.

A missão reunirá 400 profissionais, sendo 300 militares. O foguete levará ao espaço oito experimentos, sete brasileiros e um indiano. Entre eles, dois nanossatélites da UFSC, voltados ao estudo de sistemas de comunicação de baixo consumo energético aplicados à Internet das Coisas (IoT).

Satélites educacionais e pesquisas nacionais

Outro destaque é o satélite educacional Pion BR2 – Cientistas de Alcântara, desenvolvido pela UFMA, pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e parceiros internacionais. A bordo, estão tecnologias em teste, como placas solares e instrumentos de navegação, além de mensagens de estudantes, incluindo jovens de comunidades quilombolas da região.

O presidente da AEB, Marco Antônio Chamon, destaca que a operação inaugura uma nova fase de cooperação entre governo e iniciativa privada no setor espacial, ampliando a visibilidade do CLA e oferecendo “carona” para projetos científicos brasileiros. Segundo ele, embora os dispositivos ainda não sejam de grande porte, representam um avanço relevante:

“Estamos falando de cubesats de até 10 cm e poucos quilos, capazes de transmitir sinais do espaço para estações em solo, um passo essencial para o desenvolvimento tecnológico nacional.”

Parceria público-privada fortalece o programa espacial

A operação envolve uma estrutura conjunta:

  • A base de Alcântara permanece sob comando da FAB.
  • A Innospace trouxe o foguete desmontado e acompanha a montagem e testes.
  • A AEB é responsável pelo licenciamento e fiscalização da operação.

O lançamento seguirá uma trajetória inclinada para o leste, direcionada ao oceano, conforme normas internacionais que evitam riscos na área terrestre.

Marco simbólico 20 anos após o acidente de 2003

A missão ocorre duas décadas após o acidente com o VLS-1, que vitimou 21 profissionais durante preparativos para um lançamento nacional. O episódio marcou profundamente o setor aeroespacial brasileiro, que nos últimos anos passou por reestruturações importantes.

O governo federal revisou programas estratégicos como o PESE (voltado ao desenvolvimento militar) e o PNAE (planejamento civil do setor), ambos agora com mais verbas e foco em desenvolver tecnologias próprias.

Apesar do atraso tecnológico, Chamon vê o HANBIT-Nano como um incentivo ao avanço nacional:

“Ainda não dominamos a fabricação de foguetes nem temos satélites meteorológicos próprios, mas operações como esta estimulam o país a buscar soluções nacionais.”

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FAB/O Globo

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