Transporte

Ponte de Guaratuba: saiba o que acontecerá com o ferryboat após a inauguração

A aguardada Ponte de Guaratuba está prestes a entrar em operação e já desperta dúvidas sobre o futuro do tradicional ferryboat de Guaratuba, responsável pela travessia entre Matinhos e Guaratuba há mais de seis décadas.

Com previsão de inauguração oficial no início de abril e liberação do tráfego ainda na primeira quinzena do mês, a nova ligação rodoviária deve encerrar definitivamente o serviço de transporte por balsa na Baía de Guaratuba.

Ferryboat deixará de operar após abertura da ponte

Quando a Ponte de Guaratuba estiver aberta ao público, o atual serviço de travessia por ferryboat será encerrado. Hoje, a operação conta com seis embarcações e registra média anual de cerca de 1,3 milhão de veículos transportados.

O contrato emergencial firmado em 2023 com a empresa Internacional Marítima também será finalizado. No entanto, os trabalhadores que atuam na travessia poderão ser remanejados para outras atividades da companhia.

Ao longo de sua história, o ferryboat desempenhou papel fundamental para o desenvolvimento regional. Desde o início da operação, estima-se que aproximadamente 40 milhões de veículos já tenham utilizado o serviço para cruzar a Baía de Guaratuba.

Uma solução histórica para a travessia no litoral

Muito antes da construção da ponte ser considerada, o ferryboat foi a alternativa encontrada para conectar os dois lados da baía. O sistema começou a operar em 1960, durante o governo de Moisés Lupion, permitindo a travessia entre Guaratuba e Matinhos.

Durante décadas, a balsa foi essencial para moradores, turistas e para o crescimento econômico do litoral. Sem ela, o acesso terrestre à cidade paranaense era possível apenas por rotas que passavam por Santa Catarina.

Como era o primeiro ferryboat da Baía de Guaratuba

A primeira embarcação utilizada no serviço era feita de madeira e tinha 27 metros de comprimento por 10 metros de largura. O barco era equipado com dois motores GM de 130 cavalos e recebeu o nome de “Engenheiro Ayrton Cornelsen”.

Segundo João James de Oliveira Alves, conhecido como Seu Janjão, primeiro comandante do ferryboat, a estrutura possuía itens básicos para a tripulação, como sanitário, beliche e um pequeno fogareiro para preparo de refeições.

A capacidade de transporte era limitada: o ferry levava até dez automóveis e um caminhão leve, sem possibilidade de transportar ônibus.

O serviço chegou a ser interrompido temporariamente por problemas estruturais na embarcação. Após manutenção em estaleiro — que incluiu reforço na vedação e revestimento com chapas de cobre abaixo da linha d’água — o ferry voltou a operar.

Natural de São Francisco do Sul (SC), Janjão assumiu o comando da embarcação após aceitar um convite para trabalhar na travessia. Ele permaneceu na função de 1962 a 1978, período em que ajudou a consolidar o serviço e participou do desenvolvimento da região de Caieiras, em Guaratuba.

Obra da Ponte de Guaratuba entra na fase final

A obra da Ponte de Guaratuba, uma das mais aguardadas do litoral do Paraná, está na etapa final de execução. O trecho estaiado já alcançou 320 metros construídos, incluindo o fechamento do vão central, concluído recentemente.

De acordo com o boletim técnico divulgado entre fevereiro e março, os apoios 04 e 05 já possuem 13 pares de aduelas cada, somando cerca de 160 metros de estrutura em cada lado.

A construção utiliza o método dos balanços sucessivos, técnica de engenharia que permite que a ponte avance gradualmente a partir dos mastros centrais, mantendo o equilíbrio estrutural durante todas as etapas.

Quando concluída, a nova ponte sobre a Baía de Guaratuba deve transformar a mobilidade no litoral, reduzindo o tempo de deslocamento e eliminando a dependência do ferryboat para a travessia.

FONTE: Bem Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Bem Paraná

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