Comércio Internacional

Tarifa de Trump sobre importações entra em vigor com alíquota de 10%

A nova tarifa de Trump sobre importações passou a valer à meia-noite desta terça-feira (14), mas com percentual inferior ao inicialmente anunciado. Em vez dos 15% divulgados no sábado, a alíquota aplicada será de 10%.

A mudança ocorre porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não assinou a ordem executiva que oficializaria a taxa maior. Assim, permanece válida a medida publicada anteriormente, fixando a cobrança em 10%.

Alfândega confirma início da nova tarifa

A aplicação da tarifa foi confirmada pela U.S. Customs and Border Protection (CBP), responsável pelo controle aduaneiro norte-americano. Em comunicado, o órgão informou o início da vigência da sobretaxa.

A definição do percentual adiciona mais um capítulo de incerteza ao cenário do comércio internacional, afetando exportadores brasileiros e empresas de diversos países que mantêm negócios com os Estados Unidos.

Apesar das oscilações, a alíquota de 10% é considerada menos onerosa do que o chamado tarifaço anunciado anteriormente, que previa sobretaxas de até 50% para determinados parceiros comerciais.

Decisão da Suprema Corte influenciou medida

A nova tarifa surge após decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que invalidou o pacote original de aumento de impostos. Por seis votos a três, os magistrados entenderam que o presidente não pode elevar tributos sem autorização expressa do Congresso, revogando as medidas adotadas desde abril do ano passado.

Em reação, Trump criticou publicamente a decisão e anunciou a aplicação da taxa de 10% com base na Seção 122 da Lei de Comércio. O dispositivo autoriza o presidente a impor tarifas de até 10% por um período de 150 dias para corrigir déficits comerciais ou desequilíbrios na balança de pagamentos. A ordem executiva correspondente foi assinada no mesmo dia.

Anúncio de 15% ainda não foi formalizado

No sábado, o presidente afirmou que a tarifa poderia subir para 15%. No entanto, até o momento, não houve assinatura de novo decreto confirmando a elevação. De acordo com a imprensa norte-americana, o documento segue em elaboração.

A indefinição reforça o clima de instabilidade nas relações comerciais internacionais.

Impactos para o Brasil e produtos isentos

Mesmo diante das idas e vindas da Casa Branca, o governo brasileiro e representantes do setor produtivo avaliam que o novo percentual tende a ser menos prejudicial ao Brasil.

Entre os principais produtos brasileiros exportados aos EUA que permanecem isentos estão:

  • Petróleo
  • Café
  • Aviões
  • Suco de laranja
  • Carne bovina

Outro fator considerado positivo é que, diferentemente da União Europeia e do Japão, o Brasil não acelerou negociações para um acordo bilateral específico.

A expectativa agora recai sobre o encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, programado para março, nos Estados Unidos. Exportadores apostam que a reunião poderá abrir espaço para eventual flexibilização da tarifa sobre importações.

FONTE: Veja Negócios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alex Wong/Getty Images

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Internacional

Trump mantém fim da isenção de US$ 800 para importações e reforça cerco a produtos chineses

O presidente dos Estados Unidos decidiu manter o fim da isenção fiscal para importações de baixo valor, conhecida como de minimis, mesmo após decisão da Supreme Court of the United States que derrubou parte relevante de sua política tarifária.

A Casa Branca anunciou que a brecha que permitia a entrada de bilhões de dólares em mercadorias de até US$ 800 sem cobrança de impostos continuará fechada. A medida é considerada um dos pilares da estratégia de política comercial dos EUA.

O que é a regra de minimis e por que ela foi encerrada

A chamada de minimis exemption autorizava que produtos com valor inferior a US$ 800 fossem enviados aos Estados Unidos sem pagamento de tarifas e com exigências alfandegárias simplificadas.

Na prática, o mecanismo possibilitou que milhões de encomendas saíssem diretamente de fábricas chinesas para residências americanas sem incidência de impostos. Segundo o governo, a regra também teria facilitado a entrada de opioides sintéticos, como o fentanil, e de insumos para sua produção.

Criada há quase um século para evitar sobrecarga na fiscalização de mercadorias de pequeno valor, a regra passou por alterações ao longo do tempo. Em 2016, o limite foi ampliado de US$ 200 para US$ 800.

O governo encerrou a isenção para produtos chineses em maio e, posteriormente, estendeu a decisão para itens provenientes do restante do mundo em julho.

Decisão da Suprema Corte gera incerteza jurídica

Embora a decisão recente da Suprema Corte não trate diretamente da regra de minimis, o entendimento invalidou uma das bases legais utilizadas para justificar o encerramento da isenção. Isso abriu margem para questionamentos sobre a retomada das remessas livres de impostos.

Horas depois, no entanto, um novo decreto presidencial declarou que o fluxo dessas mercadorias continua sendo considerado uma emergência nacional, separada das demais disputas tarifárias. O texto reafirma a manutenção do bloqueio à brecha tributária, sem abordar explicitamente o teor da decisão judicial.

Impactos para empresas e comércio eletrônico

As mudanças ampliam a incerteza tarifária enfrentada por empresas ao redor do mundo, que já lidam com revisões frequentes nas regras do comércio internacional.

Companhias que operam com vendas online foram diretamente afetadas pela medida. Plataformas como eBay, Amazon, Shein e Temu utilizavam amplamente o mecanismo para envio de produtos de baixo custo aos consumidores americanos. Negócios menores que comercializam por meio de Etsy e Shopify também se beneficiavam da isenção.

Após a decisão da Suprema Corte, ações de empresas de comércio eletrônico registraram alta. A Etsy encerrou o pregão com avanço de 8%, enquanto o eBay subiu 4%. Já Amazon e Pinduoduo, controladora da Temu, tiveram ganhos próximos de 3%.

Relação comercial com a China segue sob tensão

Especialistas avaliam que a decisão judicial pode reduzir parte das tarifas sobre produtos chineses, incluindo a chamada “tarifa do fentanil”, que adicionava 10% às taxas gerais de importação.

Ainda assim, analistas destacam que a instabilidade regulatória continua sendo um desafio para empresas chinesas que exportam aos Estados Unidos, diante das mudanças frequentes nas políticas comerciais.

Além do cenário americano, varejistas chineses enfrentam novas barreiras na União Europeia, que planeja implementar, a partir de julho, uma taxa fixa para encomendas de até 150 euros.

Outra frente legislativa prevê que, a partir de julho de 2027, uma nova lei tributária elimine definitivamente a base legal que sustentava a regra de minimis.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Anna Rose Layden, The New York Times

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