Comércio Exterior

Acordo Mercosul-União Europeia prevê desoneração imediata para 76% das exportações brasileiras


O Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia, assinado no Paraguai, estabelece a eliminação de tarifas para mais de 90% das exportações brasileiras destinadas ao bloco europeu e para 76% das importações de produtos da UE ao longo de um período de até 16 anos. Apesar do alcance amplo, o ritmo de redução tarifária será distinto entre exportações e importações, conforme aponta estudo da LCA Consultoria Econômica.

Segundo a análise, mais de 76% das exportações do Brasil para a União Europeia passarão a ter tarifa zero de forma imediata. Já no fluxo inverso, a liberalização será mais gradual: mais da metade das desonerações das importações ocorrerá apenas entre o 11º e o 16º ano de vigência do acordo.

Prazo maior protege a indústria nacional
De acordo com Verônica Cardoso, diretora da LCA e coautora do estudo ao lado da economista Morgana Tolentino, o cronograma mais longo para o desgravo das tarifas de importação foi um ponto central das negociações. A medida reconhece a diferença de competitividade entre a indústria europeia e a sul-americana, oferecendo tempo para adaptação do setor produtivo brasileiro.

A estratégia busca permitir que a indústria nacional avance em modernização e produtividade antes de enfrentar uma concorrência mais intensa. Ao mesmo tempo, o acordo contempla reduções imediatas para itens considerados estratégicos ao investimento, como partes, peças e acessórios das indústrias automotiva e aeroespacial, que poderão entrar no país a custos menores.

Impactos mistos para o setor industrial
Embora a importação mais barata de máquinas e equipamentos possa estimular o investimento produtivo, a consultoria alerta para possíveis efeitos colaterais. A redução de custos desses insumos também pode aumentar a pressão competitiva sobre segmentos da indústria local, especialmente os de bens de capital e bens de investimento.

Agro e energia concentram desonerações
O levantamento da LCA mostra ainda que mais da metade das desonerações incidirá sobre produtos de agropecuária e alimentos e de minerais e energia. Para a consultoria, esse desenho tende a reforçar uma pauta exportadora já concentrada em produtos primários.

A análise das trocas comerciais de 2025 confirma essa tendência. Os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para a União Europeia — óleos brutos de petróleo, café, bagaço e resíduos de soja, minério de cobre e soja — responderam por 50,95% do valor total exportado ao bloco no período.

Importações mais diversificadas e de maior valor agregado
Em contraste, a pauta de importações brasileiras oriundas da União Europeia apresenta maior diversificação e é composta, majoritariamente, por produtos industrializados de alto valor agregado, como medicamentos, automóveis e outros bens manufaturados.

Segundo as economistas, essa configuração tende a consolidar o Brasil como exportador de commodities e importador de manufaturados, mantendo um saldo comercial estruturalmente negativo com o bloco europeu, dependente de boas safras e de preços internacionais favoráveis para se tornar superavitário.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Globo

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook