Tecnologia

Data centers para IA enfrentam resistência nos EUA e estados discutem moratória na construção

A expansão de data centers para IA nos EUA tem encontrado oposição crescente em diferentes estados americanos. O movimento mais recente veio de Nova York, onde parlamentares democratas apresentaram um projeto de lei que propõe suspender por três anos a emissão de licenças para novas instalações desse tipo.

Com isso, Nova York se torna o sexto estado a avaliar medidas semelhantes em poucas semanas, ampliando um debate que já ganhou dimensão nacional.

Nova York propõe pausa de três anos

A proposta foi apresentada pela senadora estadual Liz Krueger e pela deputada estadual Anna Kelles. O texto prevê uma moratória mínima de três anos para novos alvarás de construção de infraestrutura de inteligência artificial.

Durante o período, o Departamento de Conservação Ambiental e a Comissão de Serviços Públicos avaliariam os impactos ambientais, energéticos e sociais desses empreendimentos, com o objetivo de propor regras mais rígidas para o setor.

Atualmente, o estado já abriga mais de 130 data centers, e a demanda de energia associada a novos projetos chegou a 10 gigawatts — três vezes mais do que há um ano. Entre as obras em curso está uma instalação de 450 megawatts construída sobre o terreno de uma antiga usina a carvão.

Resistência bipartidária se espalha

A oposição não se restringe a um único partido. Em dezembro, o senador Bernie Sanders foi o primeiro político de alcance nacional a defender uma moratória ampla, argumentando que os benefícios da tecnologia devem ser distribuídos de forma mais equitativa.

Desde então, estados como Geórgia, Maryland, Oklahoma, Vermont e Virgínia também passaram a discutir suspensões temporárias para novos projetos de centros de dados. Em alguns casos, as propostas partiram de democratas; em outros, de republicanos.

Na Virgínia, considerada um dos principais polos de infraestrutura digital do país, mais de 60 projetos de lei relacionados ao tema foram apresentados neste ano, tornando o estado o epicentro legislativo do debate.

Impacto ambiental e pressão da sociedade

Segundo a revista Wired, mais de 200 organizações ambientais assinaram uma carta classificando a expansão acelerada dos data centers como uma das maiores ameaças ambientais e sociais da atual geração.

O principal argumento envolve o elevado consumo de energia e água dessas instalações. Comunidades locais temem que a expansão pressione ainda mais as redes elétricas e resulte em aumento nas contas de luz.

Em Nova York, a governadora Kathy Hochul anunciou recentemente uma iniciativa para exigir que os data centers arquem com sua “parte justa” dos custos energéticos. Já o governador da Flórida, Ron DeSantis, criticou o impacto da expansão sobre os consumidores de energia.

Projetos bilionários travados

A resistência também vem da população. De acordo com o grupo Data Center Watch, entre março e junho de 2025, cerca de US$ 98 bilhões em projetos foram adiados ou cancelados.

Em Monterey Park, na Califórnia, uma mobilização de seis semanas levou à aprovação de uma moratória temporária de 45 dias e ao compromisso do conselho municipal de avaliar uma possível proibição permanente.

Levantamento da empresa de pesquisas Morning Consult indica que a maioria dos eleitores apoia restrições à construção de data centers próximos a áreas residenciais e associa esses empreendimentos ao aumento no preço da eletricidade.

Conflito entre avanço tecnológico e custo local

A expansão da inteligência artificial exige grande capacidade de processamento e, consequentemente, uma infraestrutura física robusta. No entanto, comunidades questionam os benefícios concretos desses projetos, que prometem geração de empregos na fase de construção, mas demandam pouca mão de obra após entrarem em operação.

Empresas do setor começaram a reagir. A Microsoft anunciou, com apoio da Casa Branca, compromissos para atuar como “boa vizinha” nas localidades onde instala novos centros.

Dan Diorio, vice-presidente de políticas estaduais da Data Center Coalition, afirmou à imprensa que a indústria reconhece a necessidade de ampliar o diálogo e esclarecer os impactos da atividade.

O embate evidencia um desafio crescente: equilibrar o avanço das operações de IA com a pressão da opinião pública, preocupada com custos energéticos, impactos ambientais e qualidade de vida. Até o momento, não há sinais de que essa distância entre setor tecnológico e comunidades esteja diminuindo.

FONTE: Xataka
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xataka

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Informação

Barragem das Três Gargantas: a maior hidrelétrica do mundo que influencia a rotação da Terra

Localizada na província de Hubei, a Barragem das Três Gargantas é a maior hidrelétrica do mundo e transforma o poder do rio Yangtze em energia elétrica. Inaugurada em 2012, após quase 20 anos de construção, a obra aproveita o desnível natural dos desfiladeiros Qutang, Wu e Xiling para gerar eletricidade em uma escala sem precedentes, abastecendo milhões de pessoas e atraindo atenção global.

O rio Yangtze, ou Rio Azul, é o terceiro mais longo do planeta, atravessando cerca de dois milhões de quilômetros quadrados e abastecendo 40% do território chinês. As Três Gargantas, naturais desfiladeiros ao longo do rio, foram fundamentais para viabilizar a megausina.

Superando Itaipu em geração de energia

Com capacidade instalada de 22.500 MW, a hidrelétrica chinesa superou a produção da hidrelétrica de Itaipu, no Brasil e Paraguai. Em 2020, após chuvas intensas de monções, a usina registrou quase 112 TWh, superando o recorde histórico de 103 TWh da binacional sul-americana.

O complexo conta com 32 turbinas de 700 MW cada, além de dois geradores menores de 50 MW para manter a operação da própria estrutura. Um elevador de barcos também permite a navegação em um ponto do rio que antes seria intransponível.

Como a hidrelétrica afeta a rotação da Terra

O enorme volume de água represado — 40 trilhões de litros, em uma barragem com 2.335 metros de comprimento e 185 metros de altura — exerce efeito mensurável sobre o planeta. Segundo a NASA, a massa acumulada desloca levemente o eixo terrestre e desacelera a rotação da Terra.

Em 2005, o geofísico Benjamin Fong Chao apontou que o enchimento completo da barragem poderia aumentar o dia em cerca de 0,06 microssegundos. Apesar de pequeno, o efeito evidencia como grandes obras humanas podem influenciar processos naturais antes considerados intocados.

Pequenas alterações com grandes exemplos

Fenômenos naturais também alteram a rotação do planeta. O terremoto de 2004, que gerou o tsunami na Indonésia, deslocou o Polo Norte em 2,5 centímetros e acelerou a rotação da Terra, encurtando o dia em 2,68 microssegundos.

O conceito que explica essas mudanças é o momento de inércia, que determina a resistência de um corpo à alteração de sua rotação. Assim como um patinador gira mais rápido ao aproximar os braços do corpo, a distribuição de massa da Terra afeta sua velocidade de rotação.

A ação humana também conta

Além da Barragem das Três Gargantas, a extração de água subterrânea em larga escala também influencia o planeta. Entre 1993 e 2010, cerca de 2.150 gigatoneladas foram retiradas do subsolo, elevando o nível do mar e deslocando o eixo terrestre cerca de 80 centímetros para o leste.

Será necessário ajustar os relógios?

Embora essas alterações sejam mínimas, especialistas estudam a necessidade de um segundo intercalar negativo, criando um minuto com 59 segundos para sincronizar relógios atômicos com a rotação real da Terra. Ainda não há previsão de quando — ou se — essa medida será aplicada, mas o debate evidencia a capacidade das grandes obras humanas de interferir em processos planetários.

FONTE: Portal 6
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal 6

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